{"id":103466,"date":"2017-12-18T12:00:16","date_gmt":"2017-12-18T12:00:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=103466"},"modified":"2017-12-12T17:00:38","modified_gmt":"2017-12-12T17:00:38","slug":"portugues-mary-midgley-os-animais-sao-muito-mais-sutis-e-complicados-do-que-pensavamos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2017\/12\/portugues-mary-midgley-os-animais-sao-muito-mais-sutis-e-complicados-do-que-pensavamos\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) Mary Midgley: \u201cOs animais s\u00e3o muito mais sutis e complicados do que pens\u00e1vamos\u201d"},"content":{"rendered":"<blockquote><p><em>Segundo a fil\u00f3sofa brit\u00e2nica, um problema comum por parte de muitos cientistas \u00e9 que eles ignoram a complexidade psicol\u00f3gica e motivacional que tamb\u00e9m faz parte dos animais.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<div id=\"attachment_103467\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Mary-Midgley-filosofa.jpg\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-103467\" class=\"size-medium wp-image-103467\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Mary-Midgley-filosofa-300x180.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"180\" srcset=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Mary-Midgley-filosofa-300x180.jpg 300w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Mary-Midgley-filosofa.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-103467\" class=\"wp-caption-text\">Mary declara que em diversos aspectos ainda somos verdadeiramente primitivos, enquanto outros animais, a quem n\u00e3o legamos direitos, s\u00e3o mais sofisticados do que n\u00f3s em in\u00fameros aspectos. (Foto: The Guardian)<\/p><\/div>\n<p><em>11 Dez 2017 &#8211; <\/em>Mary Midgley \u00e9 uma fil\u00f3sofa moral brit\u00e2nica que durante muito tempo lecionou na Universidade de Newscastle, na Inglaterra. Ela \u00e9 mais conhecida por seu trabalho no campo da \u00e9tica e dos direitos animais. Em 1978, aos 59 anos, ela lan\u00e7ou o livro \u201cBeast and Man\u201d, em que defende que os seres humanos s\u00e3o mais parecidos com os animais do que muitos fil\u00f3sofos e cientistas sociais sempre julgaram; isto porque sempre se preocuparam mais com as nossas diferen\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s outras esp\u00e9cies do que as nossas semelhan\u00e7as.<\/p>\n<p>Na obra, ela declara que em diversos aspectos ainda somos verdadeiramente primitivos, enquanto outros animais, a quem n\u00e3o legamos direitos, s\u00e3o mais sofisticados do que n\u00f3s em in\u00fameros aspectos. A obra foi o primeiro manifesto de Midgley contra o reducionismo, o determinismo, o behaviorismo e o relativismo que ela considera limitantes.<\/p>\n<p>Em \u201cAnimals and Why They Matter\u201d, outro de seus mais famosos livros, publicado em 1983, Mary analisa como a divis\u00e3o e a oposi\u00e7\u00e3o entre raz\u00e3o e emo\u00e7\u00e3o influenciou nossas ideias morais e pol\u00edticas; e como isso fez com que no decorrer do tempo ignor\u00e1ssemos a import\u00e2ncia dos animais n\u00e3o humanos.<\/p>\n<p>Ao longo de sua carreira, ela publicou mais de 15 livros. Uma das suas obras mais recentes \u00e9 \u201cAre you an illusion?\u201d, lan\u00e7ada em 2014. O livro \u00e9 uma rea\u00e7\u00e3o \u00e0 obra \u201cThe Astonishing Hypothesis\u201d, do bi\u00f3logo Francis Crick, que reduz os conceitos de livre arb\u00edtrio e identidade pessoal a uma rea\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas nervosas. Migdley rebateu essa tese considerando que pensamentos e mem\u00f3rias s\u00e3o parte da realidade de animais humanos e n\u00e3o humanos, e que precisam ser estudados como tais, assim exigindo diferentes m\u00e9todos anal\u00edticos que n\u00e3o cabem dentro de uma perspectiva reducionista e determinista.<\/p>\n<p>A identifica\u00e7\u00e3o de Mary Midgley com os direitos animais come\u00e7ou no final dos anos 1950, quando ela conheceu o trabalho do zo\u00f3logo e ornit\u00f3logo Konrad Lorenz e da bi\u00f3loga Jane Goodall. Em 1985, o seu ensaio \u201cPersons and Non-Persons\u201d foi publicado no livro \u201cIn Defense of Animals\u201d, p\u00e1ginas 52-62, do fil\u00f3sofo australiano Peter Singer. No ensaio, ela apresenta argumentos que devemos considerar em contrariedade \u00e0 objetifica\u00e7\u00e3o animal.<\/p>\n<p>Em 1999 e em 2003, o escritor sul-africano J.M. Coetzee, vencedor do Pr\u00eamio Nobel de Literatura, citou Mary Midgley e Tom Regan como refer\u00eancia em direitos animais nos livros \u201cThe Lives of Animals\u201d e \u201cElizabeth Costello\u201d. O trabalho de Mary \u00e9 bastante enf\u00e1tico no que diz respeito ao que os fil\u00f3sofos podem aprender especialmente com os animais n\u00e3o humanos, ignorados por importantes pensadores que ajudaram a fundamentar e a moldar o antropocentrismo e o especismo.<\/p>\n<p>Em 27 de fevereiro de 2013, aos 93 anos, Mary Midgley concedeu uma entrevista a Simon Jenkins, do The Guardian. Ela o recebeu em sua casa em Newcastle, e na ocasi\u00e3o disse que quando se trata de falar sobre as diferen\u00e7as entre pessoas e animais, na verdade, essa diferen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o grande quanto consideramos. \u201cOs animais s\u00e3o muito mais sutis e complicados do que pens\u00e1vamos\u201d, enfatizou.<\/p>\n<p>Ela explicou a Jenkins que muitos dos problemas que enfrentamos hoje em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 nega\u00e7\u00e3o dos direitos dos animais \u00e0 vida no contexto da ci\u00eancia, por exemplo, est\u00e1 relacionado com o fato de que muitos cientistas n\u00e3o t\u00eam um senso de filosofia ou hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>\u201cO culto \u00e0 ci\u00eancia agora \u00e9 amplamente praticado. Quando comecei a olhar a maneira como as pessoas falam sobre a ci\u00eancia, percebi que existe essa no\u00e7\u00e3o grotescamente exagerada do que \u00e9 e o que faz. Foi quando me interessei pelo comportamento animal, no final da guerra. At\u00e9 ent\u00e3o, n\u00e3o acho que pensei sobre ci\u00eancia como uma esp\u00e9cie de campo rival do pensamento, mas uma vez que voc\u00ea come\u00e7a\u2026\u201d, revelou.<\/p>\n<p>Segundo Mary, um problema comum por parte de muitos cientistas \u00e9 que eles ignoram a complexidade psicol\u00f3gica e motivacional que tamb\u00e9m faz parte dos animais. Ela cr\u00ea que se come\u00e7armos a reduzir tudo ao comportamento das c\u00e9lulas, estaremos reduzindo tudo ao determinismo, o que \u00e9 um grande equ\u00edvoco sob a perspectiva da filosofia moral.<\/p>\n<blockquote><p><em>Refer\u00eancia: <\/em><em><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/highprofiles.info\/interview\/mary-midgley\/\" >Mary Midgley<\/a><\/em><\/p><\/blockquote>\n<p><strong>_______________________________________<\/strong><\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\"><em>Mary Midgley, que hoje tem 98 anos, nasceu em Londres em 13 de setembro de 1919.<\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\"><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/David-Arioch-e1491301383398.jpg\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-87305\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/David-Arioch-e1491301383398.jpg\" alt=\"\" width=\"100\" height=\"100\" \/><\/a><em>David Arioch \u00e9 jornalista, pesquisador e documentarista. Trabalha profissionalmente h\u00e1 dez anos com jornalismo cultural e liter\u00e1rio.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/davidarioch.com\/2017\/12\/11\/mary-midgley-os-animais-sao-muito-mais-sutis-e-complicados-do-que-pensavamos\/\" >Go to Original \u2013 davidarioch.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo a fil\u00f3sofa brit\u00e2nica, um problema comum por parte de muitos cientistas \u00e9 que eles ignoram a complexidade psicol\u00f3gica e motivacional que tamb\u00e9m faz parte dos animais.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":103467,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-103466","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-original-languages"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/103466","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=103466"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/103466\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/media\/103467"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=103466"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=103466"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=103466"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}