{"id":106142,"date":"2018-02-12T12:00:38","date_gmt":"2018-02-12T12:00:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=106142"},"modified":"2018-02-06T18:38:07","modified_gmt":"2018-02-06T18:38:07","slug":"portugues-a-passionalidade-e-a-autoridade-na-critica-a-exploracao-animal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2018\/02\/portugues-a-passionalidade-e-a-autoridade-na-critica-a-exploracao-animal\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) A passionalidade e a autoridade na cr\u00edtica \u00e0 explora\u00e7\u00e3o animal"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_106143\" style=\"width: 510px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/porcos-pigs-animal.jpg\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-106143\" class=\"wp-image-106143\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/porcos-pigs-animal.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/porcos-pigs-animal.jpg 768w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/porcos-pigs-animal-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-106143\" class=\"wp-caption-text\">(Foto: Jo-Anne McArthur\/We Animals)<\/p><\/div>\n<p><em>2 fev 2018 &#8211; <\/em>Normalmente n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil para um vegetariano ou vegano lidar com situa\u00e7\u00f5es em que as pessoas realmente demonstram pouco interesse em mudar seus h\u00e1bitos que envolvem a explora\u00e7\u00e3o de animais. At\u00e9 mesmo simples atos como o de socializar podem parecer n\u00e3o t\u00e3o auspiciosos quando voc\u00ea sabe que ter\u00e1 de testemunhar pessoas consumindo alimentos que at\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s eram partes de um animal que caminhava, respirava, se alimentava e dormia \u2013 e at\u00e9 mais relevante do que isso, tinha sentimentos, anseio de n\u00e3o morrer precocemente.<\/p>\n<p>Realmente n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil reconhecer que existe uma desarmonia entre o que voc\u00ea deseja para o mundo e o que o outro deseja, quando este n\u00e3o considera, de fato, que os animais n\u00e3o merecem morrer para serem reduzidos a alimentos e outros produtos. Claro, algu\u00e9m pode dizer: \u201cTenho d\u00f3 dos animais\u201d. Mas se essa pessoa se alimenta deles, h\u00e1 uma evidente inconson\u00e2ncia entre o que ela pensa e faz.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o para n\u00e3o refletir a respeito de algo que n\u00e3o lhes agrada \u00e9 comum as pessoas recorrerem aos mais diferentes tipos de escusas e camuflagens da realidade. Sem d\u00favida, isso conta com o grande contributo da ind\u00fastria que oferece todo o suporte necess\u00e1rio nessa jornada que perpetua a desconsidera\u00e7\u00e3o \u00e0 contumaz coisifica\u00e7\u00e3o ou objetifica\u00e7\u00e3o animal. Quero dizer, a ind\u00fastria te ajudar a n\u00e3o se preocupar com os animais, porque ela te diz o que deve ser considerado e desconsiderado. E isso acontece de forma muito simples \u2013 trabalhando e perpetuando a cren\u00e7a de que o \u201cbenef\u00edcio vale o sacrif\u00edcio\u201d.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 parte majorit\u00e1ria da realidade em que vivemos, historicamente e culturalmente. Por mais que a ind\u00fastria que comercializa produtos de origem animal venda ilus\u00f5es, produtos imersos em realidades (des)conhecidas e negligenciadas que proporcionam prazeres ef\u00eameros, as pessoas, principalmente adultos, compram essa ideia porque elas n\u00e3o apenas aceitam essa ilus\u00e3o como a aprovam e a apreciam. Afinal, foram criadas nesse contexto.<\/p>\n<p>Sim, a maioria dos adultos sabe que ningu\u00e9m, nem mesmo um animal n\u00e3o humano, morre feliz por uma interven\u00e7\u00e3o alheia \u00e0 sua pr\u00f3pria vontade, mas se as pessoas acreditam que uma morte n\u00e3o foi t\u00e3o dolorosa h\u00e1 uma tend\u00eancia \u00e1dvena de crer que \u201cos fins justificam os meios\u201d. E quando lidamos com essa consci\u00eancia, acredito, e aqui simplesmente expresso a minha opini\u00e3o, que a passionalidade e o exerc\u00edcio de autoridade podem dificultar ou at\u00e9 minar a conscientiza\u00e7\u00e3o quando n\u00e3o pesamos nossos discursos e a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>De fato, a humanidade \u00e9 desp\u00f3tica com os animais n\u00e3o humanos. Seria muito melhor se as pessoas entendessem que se alimentar de criaturas sencientes \u00e9 sempre resultado de uma imposi\u00e7\u00e3o legitimada, de uma aus\u00eancia de escolha que n\u00e3o oferecemos ao outro por consider\u00e1-lo inferior e submet\u00ea-lo ao nosso jugo constante. Por\u00e9m, tenho a consci\u00eancia de que se tenho uma perspectiva vegana em rela\u00e7\u00e3o ao valor da vida animal, n\u00e3o posso rejeitar o fato de que muitos outros n\u00e3o a t\u00eam, e esses outros s\u00e3o a maioria; e \u00e9 com esses que devo dialogar caso eu queira uma mudan\u00e7a realmente significativa.<\/p>\n<p>Nenhuma transforma\u00e7\u00e3o coletiva, por mais claros que sejam seus benef\u00edcios, \u00e9 alcan\u00e7ada sem que para isso seja necess\u00e1rio mudar a mente das pessoas. Por isso, defendo a posi\u00e7\u00e3o de que compartilhar sensibilidade, conhecimento e argumentar de forma ponderada sobre a explora\u00e7\u00e3o animal, sem os arroubos negativos da passionalidade, \u00e9 o melhor caminho. At\u00e9 mesmo diante de piadinhas infames, quando algu\u00e9m age de forma a subverter a expectativa do interlocutor, o surpreendendo ao n\u00e3o reagir em n\u00edvel equipar\u00e1vel de vazia provoca\u00e7\u00e3o, h\u00e1 uma maior possibilidade de considera\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao que foi expressado. Ou ser\u00e1 que ser ofensivo seja melhor? N\u00e3o creio.<\/p>\n<p>Quando falamos com algu\u00e9m sobre a explora\u00e7\u00e3o animal, talvez seja interessante conjecturar previamente a rea\u00e7\u00e3o do outro. Uma reflex\u00e3o que considero v\u00e1lida \u00e9 a seguinte: \u201cSe algu\u00e9m estivesse falando comigo dessa forma, e eu n\u00e3o tivesse a consci\u00eancia que tenho, ser\u00e1 que eu refletiria sobre isso?\u201d A transforma\u00e7\u00e3o depende dos meios que usamos para alcan\u00e7ar a consci\u00eancia do outro, e se isso \u00e9 eficaz. N\u00e3o importa se tenho a maior vontade do mundo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 liberta\u00e7\u00e3o dos n\u00e3o humanos explorados e reduzidos a alimentos e outros produtos, porque n\u00e3o \u00e9 unicamente dessa vontade que depende a conscientiza\u00e7\u00e3o humana em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 explora\u00e7\u00e3o animal.<\/p>\n<p>Acredito que preciso sempre ter em mente que se a minha inten\u00e7\u00e3o \u00e9 conscientizar ou sensibilizar quem n\u00e3o v\u00ea nada de errado com a explora\u00e7\u00e3o animal, devo mostrar um caminho que o leve a aquiescer, a entender por que \u00e9 importante a absten\u00e7\u00e3o de alimentos e produtos de origem animal. E esse caminho \u00e9 vari\u00e1vel, porque seres humanos n\u00e3o s\u00e3o sensibilizados ou conscientizados pelos mesmos motivos. At\u00e9 porque pessoas t\u00eam suas individualidades, bagagens culturais, hist\u00f3rias de vida, e predisposi\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o a enxergarem os animais como sujeitos de uma vida.<\/p>\n<p>Por tais raz\u00f5es, acho importante ser prudente, provocativo em algumas circunst\u00e2ncias espec\u00edficas, por\u00e9m n\u00e3o ofensivo; o que significa que demando constante controle sobre a passionalidade, os meus impulsos, n\u00e3o permitindo que tenham controle sobre mim. \u00c9 f\u00e1cil? N\u00e3o, porque tudo que diz respeito aos animais objetificados e \u00e0 nossa impossibilidade de garantirmos que eles vivam sem sofrimento nos toca \u00e0 sensibilidade e evidencia a nossa impot\u00eancia em n\u00edveis diversos.<\/p>\n<p>No entanto, vale a pena ofender pessoas ou usar termos que fa\u00e7am com que acreditem que h\u00e1 um mundo segregado entre veganos e vegetarianos e n\u00e3o veganos e n\u00e3o vegetarianos? Como isso pode estimul\u00e1-las \u00e0 reflex\u00e3o? Claro que seres humanos est\u00e3o em n\u00edveis dissemelhantes ou d\u00edspares de conscientiza\u00e7\u00e3o, sensibilidade e ren\u00fancia, o que significa que h\u00e1 muito a ser estudado e trabalhado. Tamb\u00e9m reconhe\u00e7o que nem sempre nossas palavras, por melhores que sejam ou mais bem fundamentadas, v\u00e3o promover qualquer mudan\u00e7a. Mas creio que menos ainda colher\u00e3o bons resultados aquelas que, como em um exerc\u00edcio de autoridade, est\u00e3o carregadas de ofensas e vulnerabilidade; e fragilizadas em seus pr\u00f3prios argumentos. Afinal, derramar-se em emo\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m pode ser uma forma de negar-se \u00e0 raz\u00e3o.<\/p>\n<p>__________________________________________________<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\"><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/David-Arioch-e1491301383398.jpg\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-87305\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/David-Arioch-e1491301383398.jpg\" alt=\"\" width=\"100\" height=\"100\" \/><\/a><em>David Arioch \u00e9 body builder, jornalista, pesquisador e documentarista. Trabalha profissionalmente h\u00e1 dez anos com jornalismo cultural e liter\u00e1rio.<\/em> <em>\u201cO mais importante \u00e9 eu estar em sintonia com o que estou produzindo. Atualmente escrevo bastante sobre vegetarianismo, veganismo e direitos animais, porque s\u00e3o assuntos que me interessam muito.\u201d <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/davidarioch.com\/2017\/03\/26\/oito-anos-de-david-arioch-jornalismo-cultural\/\" >Leia mais&#8230;<\/a><\/em><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/davidarioch.com\/2018\/02\/02\/a-passionalidade-e-a-autoridade-na-critica-a-exploracao-animal\/\" >Go to Original \u2013 davidarioch.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Realmente n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil reconhecer que existe uma desarmonia entre o que voc\u00ea deseja para o mundo e o que o outro deseja, quando este n\u00e3o considera, de fato, que os animais n\u00e3o merecem morrer para serem reduzidos a alimentos e outros produtos. Claro, algu\u00e9m pode dizer: \u201cTenho d\u00f3 dos animais\u201d. 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