{"id":107334,"date":"2018-03-12T12:00:48","date_gmt":"2018-03-12T12:00:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=107334"},"modified":"2018-03-12T11:40:09","modified_gmt":"2018-03-12T11:40:09","slug":"portugues-matar-barata-ter-pena-de-abelha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2018\/03\/portugues-matar-barata-ter-pena-de-abelha\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) Matar barata, ter pena de abelha"},"content":{"rendered":"<blockquote><p><em>Quando crian\u00e7a na escola, lembro daqueles exerc\u00edcios de ligar figuras afins. A gata com os gatinhos, a cadela com os cachorrinhos, a vaca com um copo de leite, a abelha&#8230; <\/em><\/p><\/blockquote>\n<div id=\"attachment_107335\" style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/barata-cockroach.jpg\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-107335\" class=\"wp-image-107335\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/barata-cockroach.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"279\" srcset=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/barata-cockroach.jpg 768w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/barata-cockroach-300x209.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-107335\" class=\"wp-caption-text\">Barata capturada em pote<\/p><\/div>\n<p>Quando crian\u00e7a na escola, lembro daqueles exerc\u00edcios de ligar figuras afins. A gata com os gatinhos, a cadela com os cachorrinhos, a vaca com um copo de leite, a abelha com um pote de mel. Nessas li\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m se falava sobre animais \u00fateis e animais nocivos. A diferencia\u00e7\u00e3o era clara, e tudo isso valia nota na hora da prova. Eu era um bom aluno.<\/p>\n<p>Mais ou menos nessa \u00e9poca, lembro de um dia chegar em casa euf\u00f3rico e contar para a minha m\u00e3e que eu tinha matado um louva-a-deus. Eu estava certo de que havia feito o bem, colaborado com a coletividade \u2013 tal como se devia matar aranhas, cobras, escorpi\u00f5es. \u201cMas para que matar o louva-a-deus?\u201d, questionou minha m\u00e3e, entre o espanto e a indigna\u00e7\u00e3o. Eu fiquei sem resposta, a pergunta suspensa no ar antes de se espatifar no ch\u00e3o. Ningu\u00e9m pisava nas formigas, e ent\u00e3o o louva-a-deus tamb\u00e9m mereceria nosso respeito? Uma li\u00e7\u00e3o materna a mais.<\/p>\n<p>Trinta anos depois, como ativista, brigo com o mundo para desconstruir preconceitos, e aqui o especismo. Seus tent\u00e1culos invis\u00edveis envolvem as \u2018pessoas de bem\u2019, defensores de animais, protetores, vegetarianos, veganos e at\u00e9 a intelligentsia da causa animal. Seja no linguajar cheio de \u2018porcaria, burrice, asneira, besteira, cachorrada, galinhagem\u2019, seja na toler\u00e2ncia com o sofrimento alheio na hora das compras em supermercado ou na revolta seletiva contra esta viol\u00eancia, mas n\u00e3o contra aquela.<\/p>\n<p>Abre par\u00eanteses. Ontem vi por acaso a foto da reuni\u00e3o natalina de um \u2018grupo ativista\u2019 famoso pelas posi\u00e7\u00f5es bem-estaristas cheias de orgulho e amor. Na mesa, a lata de uma cerveja famosa por patrocinar tudo quanto \u00e9 rodeio e vaquejada aqui neste pa\u00eds. Um brinde! Fecha par\u00eanteses.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o a discuss\u00e3o antiespecista parece estar indo para o final da fila, nesta onda de vegetarianos-estritos-e-olhe-l\u00e1-que-usam-crach\u00e1-de-vegano. As redes sociais est\u00e3o cheias deles.<\/p>\n<p>E eu tamb\u00e9m ando cheio deles.<\/p>\n<p>Sempre h\u00e1 baratas na cozinha aqui de casa. Capturo com um pote e jogo no jardim do pr\u00e9dio. Falar isso na Internet \u2013 essa terra de ningu\u00e9m, onde todos manjam horrores sobre qualquer assunto \u2013 \u00e9 abrir comportas para uma enxurrada de indaga\u00e7\u00f5es, piadas, preconceitos, senso comum, palpites-de-v\u00f3-chata e estranhamento. E n\u00e3o me refiro a gente fora do c\u00edrculo da causa animal, alheia a qualquer debate e dilemas \u00e9ticos na nossa rela\u00e7\u00e3o com os n\u00e3o-humanos. Me refiro a essa turma descolada, viajada, com tatuagens estrat\u00e9gicas, barba-padr\u00e3o, \u00f3culos esquisito, vestido de Luluzinha e celular na m\u00e3o, sendo conferido a cada instante. Voc\u00eas, jovens.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o a pessoa n\u00e3o consome mel para n\u00e3o explorar as abelhas \u2013 esses insetos fofos! \u2013 mas d\u00e1 risada de algu\u00e9m que diz n\u00e3o matar baratas. Ou d\u00e1 dica de uma boa f\u00f3rmula caseira de veneno ecol\u00f3gico. Claro, precisamos nos preocupar com o planeta.<\/p>\n<p>\u2018Ah mas eu tenho medo\u2019, \u2018ah mas elas voam no meu cabelo\u2019, \u2018ah mas elas passam doen\u00e7as\u2019, \u2018\u00e9 bicho do demonho\u2019, \u2018tem que dar chinelada e pronto\u2019, e todas aquelas frases que o senso comum faz as pessoas repetirem, tal como aqueles marionetes sentados no colo do humorista. At\u00e9 a voz caricata \u00e9 parecida. Mas entre uma s\u00e9rie do Netflix e outra, esse pessoal desdenha porque aprendeu firme a desdenhar, a relativizar a dor, a ser seletivo na compaix\u00e3o com os n\u00e3o-humanos, a colocar o interesse das pessoas at\u00e9 mesmo dentro do veganismo antiespecista \u2013 que seria a \u00fanica movimenta\u00e7\u00e3o 100% em prol dos demais habitantes deste planeta.<\/p>\n<p>Eu fui um bom aluno porque aprendi a ter o prazer de aprender coisas novas e desconstruir as li\u00e7\u00f5es ultrapassadas. Hoje sou vegano e n\u00e3o como mel. E n\u00e3o mato barata.<\/p>\n<p>__________________________________________________<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\"><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/logo-anda-novo-e1495624877955.jpg\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-92901\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/logo-anda-novo-e1495624877955.jpg\" alt=\"\" width=\"100\" height=\"43\" \/><\/a><em>A imprensa n\u00e3o apenas informa. Ela forma conceitos. Modifica ideias. Influencia decis\u00f5es. Define valores. Participa das grandes mudan\u00e7as sociais e pol\u00edticas trazendo o mundo para o indiv\u00edduo pensar, agir e ser. \u00c9 justamente este o objetivo da <\/em>ANDA\u00a0\u2013 Ag\u00eancia de Not\u00edcias de Direitos Animais<em>: informar para transformar. A <\/em>ANDA<em>\u00a0difunde na m\u00eddia os valores de uma nova cultura, mais \u00e9tica, mais justa e preocupada com a defesa e a garantia dos direitos animais. \u00c9 o primeiro portal jornal\u00edstico do mundo voltado exclusivamente a fatos e informa\u00e7\u00f5es do universo animal. Com profissionalismo, seriedade e coragem, a <\/em>ANDA<em> abre um importante canal com jornalistas de todas as m\u00eddias e coloca em pauta assuntos que at\u00e9 hoje n\u00e3o tiveram o merecido espa\u00e7o ou foram mal debatidos na imprensa.<\/em><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.anda.jor.br\/2017\/12\/matar-barata-ter-pena-de-abelha\/\" >Go to Original \u2013 anda.jor.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu fui um bom aluno porque aprendi a ter o prazer de aprender coisas novas e desconstruir as li\u00e7\u00f5es ultrapassadas. Hoje sou vegano e n\u00e3o como mel. 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