{"id":114648,"date":"2018-07-16T12:00:37","date_gmt":"2018-07-16T11:00:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=114648"},"modified":"2018-07-14T16:33:52","modified_gmt":"2018-07-14T15:33:52","slug":"portugues-esforco-compartilhado-por-toda-a-sociedade-hipocrisia-e-ignominia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2018\/07\/portugues-esforco-compartilhado-por-toda-a-sociedade-hipocrisia-e-ignominia\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) Esfor\u00e7o compartilhado por toda a sociedade: hipocrisia e ignom\u00ednia"},"content":{"rendered":"<blockquote><p><em>Diante de situa\u00e7\u00f5es de crise que setores dominantes geraram ou, quando menos, gravemente agigantaram, suas representa\u00e7\u00f5es pol\u00edticas convocam com hipocrisia e ignom\u00ednia a que a sociedade toda compartilha o esfor\u00e7o de recupera\u00e7\u00e3o e desenvolvimento. Enquanto pedem ao povo que aceite os sacrif\u00edcios para gerar em conjunto um futuro venturoso, seguem fugindo capitais para guaridas fiscais e imp\u00f5em planos de resgate e pol\u00edticas econ\u00f4micas e culturais que protegem seus privil\u00e9gios e neg\u00f3cios. <\/em><\/p><\/blockquote>\n<p><em>12 julho 2018 <\/em><em>&#8211; <\/em>\u00c9 tremenda a desigualdade que prima no mundo contempor\u00e2neo e n\u00e3o faltam <em><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/opinionsur.org.ar\/wp\/o-maior-componente-da-desigualdade-a-apropriacao-de-valor-gerado-por-outros\/?lang=pt-br\" >explica\u00e7\u00f5es<\/a><\/em> sobre sua g\u00eanese e acelerada reprodu\u00e7\u00e3o. Se bem aparece como um fen\u00f4meno econ\u00f4mico, seu sustento \u00e9 uma pugna entre grupos humanos de muito diferente poder e influ\u00eancias. Na base da desigualdade borbulha um desaforado, impiedoso processo de concentra\u00e7\u00e3o de riqueza e do poder de decis\u00e3o, assentado em uma cambiante diversidade de <em><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/opinionsur.org.ar\/wp\/desmontar-os-motores-da-concentracao\/?lang=pt-br\" >motores concentradores<\/a><\/em><em>.<\/em><\/p>\n<p>A disputa entre grupos e pessoas se d\u00e1 em quase todas as latitudes com diversos graus de virul\u00eancia. Em todos os casos h\u00e1 grupos minorit\u00e1rios que imp\u00f5em seus interesses por sobre os de maiorias submetidas cultural, pol\u00edtica e economicamente. O n\u00facleo duro das disputas \u00e9 pela apropria\u00e7\u00e3o de cota-partes do valor gerado socialmente. Aqueles que logram se apropriar de maior valor do que esses mesmos geraram disfrutam de privil\u00e9gios e prebendas \u00e0 custa dos esfor\u00e7os realizados pelo resto da sociedade. Est\u00e1 claro que ningu\u00e9m pode acumular as enormes fortunas que existem no mundo com t\u00e3o s\u00f3 o suor de sua fronte. Obviedade que necessita se explicitar mil e uma vezes porque, sendo indefens\u00edvel a c\u00e9u aberto, procura-se ocultar ou camuflar em argumenta\u00e7\u00f5es que tentam legitimar um suposto ainda que inexistente m\u00e9rito dos poderosos.<\/p>\n<p>Como se essa cobi\u00e7osa apropria\u00e7\u00e3o de valor n\u00e3o fosse suficiente, o capital concentrado e seus c\u00famplices na pol\u00edtica, as m\u00eddias e a Justi\u00e7a, imp\u00f5em sistemas tribut\u00e1rios de natureza regressiva. Isto \u00e9, pagam proporcionalmente mais impostos os setores m\u00e9dios e baixos que os ricos: em muitos pa\u00edses n\u00e3o existem impostos sobre a riqueza, as transa\u00e7\u00f5es especulativas e a heran\u00e7a, enquanto que h\u00e1 sobre o consumo de bens e servi\u00e7os que cobrem necessidades b\u00e1sicas das grandes maiorias.<\/p>\n<p>Aduzindo a necessidade de assegurar altas taxas de lucros para investimentos e especula\u00e7\u00f5es, outorgam-se exce\u00e7\u00f5es e prebendas tribut\u00e1rias aos que mais t\u00eam; o resto que cumpra plenamente sua \u201cresponsabilidade\u201d tribut\u00e1ria. Com um agravante adicional: uma enorme propor\u00e7\u00e3o dos que por sua renda deveriam ser maiores contribuintes evadem permanentemente o pagamento de impostos e fogem com esse roubo ao exterior (o que implica esterilizar essa parte da poupan\u00e7a nacional). Para isso, existem os para\u00edsos melhor chamadas guaridas fiscais, e as equipes de profissionais que desenham formas de materializar essa evas\u00e3o e ulterior lavagem de recursos n\u00e3o declarados. Ego\u00edsmo e cobi\u00e7a sem fim que sustentam grav\u00edssimos delitos e n\u00e3o envergonham aos poderosos deste mundo. Mais bem se consideram \u201cengenhosos\u201d porque sabem se aproveitar das circunst\u00e2ncias que eles moldam a seu favor para lucrar impiedosamente sem se importar com as consequ\u00eancias que castigam sociedades inteiras e ao meio ambiente.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/abutres-vultures-argentina-default-imf-wb.jpg\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-45461\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/abutres-vultures-argentina-default-imf-wb.jpg\" alt=\"\" width=\"232\" height=\"276\" \/><\/a><strong>Nova classe social globalizada e suas consequ\u00eancias\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o descrita se d\u00e1 em quase todos os pa\u00edses do mundo e seus mais poderosos atores operam ultrapassando as fronteiras nacionais; imp\u00f5em um rumo planet\u00e1rio que lhes permite reproduzir crescentes privil\u00e9gios e poder. Conseguem-no utilizando um sistema de redes junto a grupos locais que s\u00e3o os que facilitam com sua a\u00e7\u00e3o t\u00e3o oprobriosa domina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim, em cada pa\u00eds primam os interesses e o af\u00e3 de lucro de credores globais, grandes corpora\u00e7\u00f5es multinacionais e c\u00famplices locais, em lugar que possa dedicar o potencial criativo e de trabalho existente para resolver necessidades e aspira\u00e7\u00f5es de sua pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Transtornam-se os interesses que deveriam guiar a a\u00e7\u00e3o nacional dando lugar a uma perda de soberania na tomada de decis\u00f5es e o descr\u00e9dito e ilegitimidade de governantes e de amplos setores dos meios, a pol\u00edtica e a justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Os resultados est\u00e3o \u00e0 vista: <em><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/opinionsur.org.ar\/wp\/da-desigualdade-instabilidade-sistemica\/?lang=pt-br\" >instabilidade sist\u00eamica e recorrentes crises<\/a><\/em>, <em><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/opinionsur.org.ar\/wp\/submeter-colonizando-mentes\/?lang=pt-br\" >submiss\u00e3o social<\/a><\/em>, destrui\u00e7\u00e3o ambiental e <em><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/opinionsur.org.ar\/wp\/liberar-democracias-capturadas\/?lang=pt-br\" >democracias capturadas<\/a><\/em><em>.<\/em> N\u00e3o h\u00e1 nada de casualidade no que sucede sen\u00e3o pura e desastrosa casualidade.<\/p>\n<p><strong>Hipocrisia e ignom\u00ednia<\/strong><\/p>\n<p>Quando em 2008 explodiu a grande crise primeiro nos Estados Unidos, em seguida na Europa e finalmente projetando seu impacto em quase todo o mundo, quem sofreu as piores consequ\u00eancias? Acaso os respons\u00e1veis que especularam desaforadamente para obter enormes taxas de lucro? Sofreram os que irresponsavelmente geraram as tremendas bolhas especulativas? N\u00e3o; n\u00e3o foram eles os que arcaram com o custo do descalabro que geraram sen\u00e3o os povos de todo o mundo; s\u00f3 que os povos dos pa\u00edses mais empobrecidos e vulner\u00e1veis que t\u00eam fr\u00e1geis redes de prote\u00e7\u00e3o social vieram acrescentar enormemente os n\u00edveis de indig\u00eancia. Os povos de pa\u00edses desenvolvidos tamb\u00e9m s\u00e3o golpeados pelo processo concentrador, mas ainda conservam alguns diques de conten\u00e7\u00e3o para postergar a mais abjeta pobreza.<\/p>\n<p>Como sempre que explode uma crise de envergadura aparecem as vozes que chama a \u201ctoda\u201d a sociedade de cerrar filas e enfrentar unidos os furac\u00f5es desatados. Um acreditava ingenuamente que \u00e9 o correto e que unindo o esfor\u00e7o de todos, as sociedades teriam mais chances de superar t\u00e3o grave desafio. Mas, \u00f3 surpresa, \u201ctoda\u201d a sociedade n\u00e3o inclui verdadeiramente a todos os atores e menos ainda os mais afluentes que, longe de cerrar filas com o resto, lucra em rio revolto. Poucos percebem que, \u00e0 sa\u00edda de uma grande crise, os poderosos emergem mais poderosos e o resto ainda mais atrasados. Os grupos concentrados, principais respons\u00e1veis de gerar as debacles, descarregam sua responsabilidade sobre as v\u00edtimas e redobram a marcha concentradora impondo a seu favor as pol\u00edticas p\u00fablicas de \u201cresgate\u201d.<\/p>\n<p>Por certo que isto n\u00e3o se anuncia a viva voz. O poder econ\u00f4mico opera ocultando o que acontece e as raz\u00f5es e fatores que explicam o que acontece. N\u00e3o h\u00e1 forma de enganar as maiorias sem mentiras e desinforma\u00e7\u00e3o, colonizando suas mentes e, se for necess\u00e1rio, reprimindo os setores que oferecem maior resist\u00eancia.<\/p>\n<p>Os dominadores capturam as democracias esvaziando-as de conte\u00fados de equidade, justi\u00e7a, livre express\u00e3o de ideias e de desacordos. Imp\u00f5em-se uma pantomima eleitoral que permite estender no tempo o processo concentrador. Conseguem fragmentar as sociedades, quebram a coes\u00e3o social, d\u00e3o passo a conjuntos de individualidades que renegam a solidariedade e a no\u00e7\u00e3o e a busca de destinos coletivos. Cada um para si; n\u00e3o importa \u201co outro\u201d.<\/p>\n<p>Cresce a frustra\u00e7\u00e3o, as fugas alienadas ao niilismo, os v\u00edcios, o atordoamento da passividade, a frivolidade do espet\u00e1culo da vida. As esperan\u00e7as cedem \u00e0 desesperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Nesse contexto, chamar ao esfor\u00e7o compartilhado \u00e9 pura hipocrisia e uma afronta p\u00fablica; disso trata a ignom\u00ednia. N\u00e3o passam por a\u00ed sa\u00eddas construtivas nem nas condi\u00e7\u00f5es de solidariedade, equidade e justi\u00e7a para convocar o inteiro conjunto social. N\u00e3o nos enganemos, um d\u00e9ficit fiscal n\u00e3o se elimina com sangue trabalhador, mas com os recursos que fogem dos afluentes evasores. Se pedimos que o pequeno comerciante honre com sua responsabilidade tribut\u00e1ria, para que todos respeitem regras e regula\u00e7\u00f5es elas deveriam ser justas assegurando que n\u00e3o haver\u00e1 canalhas que se apropriem do esfor\u00e7o coletivo e lucrem impiedosamente. Nem tampouco poderia se permitir a desonestidade de nossas lideran\u00e7as que enquanto se enchem a bica de proclamas patriotas, sangram a p\u00e1tria com a fuga de seus recursos para guaridas fiscais a partir de onde asseguram e seguem acumulando \u201co seu\u201d; aquilo que foi extra\u00eddo do fluxo nacional da genu\u00edna poupan\u00e7a, do investimento e o crescimento org\u00e2nico; comprometeram a gera\u00e7\u00e3o de empregos, a amplia\u00e7\u00e3o de direitos e a coes\u00e3o social. Dessa forma, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel existir em paz ajudando-nos uns aos outros.<\/p>\n<p><strong>Facilismo demag\u00f3gico<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 simples encarar os desafios que surgem ao realizar a transi\u00e7\u00e3o entre um mundo de cru ego\u00edsmo e insensibilidade para os dolentes para outro de solid\u00e1ria constru\u00e7\u00e3o coletiva. N\u00e3o h\u00e1 caminhos sem lutas, sem mesquinharias, sem desbocados voluntarismos. Mas est\u00e1 claro que com o rumo econ\u00f4mico e os valores de cobi\u00e7a sem fim que nos impuseram vamos para muito maiores dores, frustra\u00e7\u00f5es, olhares tortos, desesperados fundamentalismos. Se, em troca, se alinhassem esfor\u00e7os, talentos e a plena pot\u00eancia econ\u00f4mica, cultural, espiritual convergindo sobre um prop\u00f3sito de cuidado social e ambiental, muito distintos seriam os resultados e muito mais pac\u00edfico o existir.<\/p>\n<p>Imp\u00f5e-se organizar uma troca de rumo econ\u00f4mico, cultural e de atitudes para com os demais e o meio ambiente. Ningu\u00e9m postula adormecer vontades, enrugar a determina\u00e7\u00e3o, esterilizar esfor\u00e7os. A convocat\u00f3ria de todos ao trabalho deve assegurar que seja realmente o conjunto de atores os que p\u00f5em o ombro, que os que lucraram desaforadamente assumam os maiores custos e que os frutos do esfor\u00e7o, a criatividade, o talento, o aporte do afeto cidad\u00e3o seja compartilhado com equidade e justi\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Mudan\u00e7as interiores e novos timoneiros<\/strong><\/p>\n<p>Ser\u00e1 que os mesmos atores que hoje conduzem poder\u00e3o gerir a mudan\u00e7a de rumo, o fim das prebendas e privil\u00e9gios que asfixiam a sociedade inteira? N\u00e3o deveria primar uma profunda introspec\u00e7\u00e3o que nos leva a deixar pra tr\u00e1s, superar, aquilo que esteriliza nossas energias, o esclarecimento e a compaix\u00e3o pelos ca\u00eddos, os mais sofrentes, os escanteados na mis\u00e9ria e abandono?<\/p>\n<p>Muito fica por transformar interiormente para poder levantar as \u00e2ncoras de desesperan\u00e7a e de passiva cumplicidade, abandonar soberbas e ego\u00edsmos, servir mais que rapinar. \u00c9 certo, n\u00e3o \u00e9 menor o que cabe encarar mas para sair da lama em que nos temos afundado n\u00e3o serve substituir um dominador por outro; e menos ainda, se o pr\u00f3ximo dominador sai do pr\u00f3prio campo popular.<\/p>\n<p>Haver\u00e1 que criar ou refor\u00e7ar organiza\u00e7\u00f5es sociais e pol\u00edticas, gerar novas formas de operar a economia descartando o mito que a sociedade deve se submeter aos des\u00edgnios econ\u00f4micos. Sabemos que esse \u00e9 um cruel engano e que sua raz\u00e3o de ser \u00e9 defender interesses crus. A economia integra um conjunto de normas, regula\u00e7\u00f5es, instrumentos e procedimentos que deve estar ao servi\u00e7o do bem-estar e o cuidado ambiental. N\u00e3o \u00e9 que se possa fazer qualquer coisa por pura vontade ou porque algum iluminado assim o prop\u00f5e; nada disso. Mas est\u00e1 claro que \u00e9 uma tosca e brutal mentira afirmar que h\u00e1 um s\u00f3 rumo e uma s\u00f3 forma de funcionar como sociedades. Isto dizem os embusteiros pastoreando seus privil\u00e9gios e sua cobi\u00e7a. Isso sim; necessitamos novos timoneiros; n\u00e3o \u00e9 um pouco mais do mesmo. Timoneiros que exer\u00e7am sua lideran\u00e7a a favor dos povos e o cuidado ambiental. Por justi\u00e7a, equidade e sustentabilidade do desenvolvimento s\u00e3o as fortunas dos poderosos grupos econ\u00f4micos as que deveriam financiar a sa\u00edda da demolidora ordem concentradora.<\/p>\n<p>\u00c9 impressionante o que uma sociedade esclarecida \u00e9 capaz de lograr quando pode se erguer com outros valores, enfoques e b\u00fassolas n\u00e3o enferrujadas: nada menos que construir sociedades que saibam cuidar de todos e o Planeta que nos cobi\u00e7a.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/opinionsur.org.ar\/wp\/esforco-compartilhado-por-toda-a-sociedade-hipocrisia-e-ignominia\/?lang=pt-br\" >Go to Original \u2013 opinionsur.org.ar<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>12 julho 2018 &#8211; Diante de situa\u00e7\u00f5es de crise que setores dominantes geraram ou, quando menos, gravemente agigantaram, suas representa\u00e7\u00f5es pol\u00edticas convocam com hipocrisia e ignom\u00ednia a que a sociedade toda compartilha o esfor\u00e7o de recupera\u00e7\u00e3o e desenvolvimento. 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