{"id":11543,"date":"2011-04-18T12:00:15","date_gmt":"2011-04-18T11:00:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=11543"},"modified":"2011-04-18T12:13:35","modified_gmt":"2011-04-18T11:13:35","slug":"portuguese-do-corredor-da-morte-ao-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2011\/04\/portuguese-do-corredor-da-morte-ao-mundo\/","title":{"rendered":"(Portuguese) Mumia Abu-Jamal: Do Corredor da Morte ao Mundo"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Quem \u00c9<\/em><\/strong><strong><em> <\/em><\/strong><strong><em>Mumia Abu-Jamal?<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>O jornalista Mumia Abu-Jamal (nome recebido ao se converter ao islamismo), ou Wesley Cook, ficou conhecido por seu programa de r\u00e1dio &#8220;A voz dos sem-voz&#8221;.<\/em><\/p>\n<p><em>Militante negro anti-racista e ex-integrante Partido dos Panteras Negras, Jamal foi condenado \u00e0 morte por, supostamente, matar um policial que espancava seu irm\u00e3o, no in\u00edcio dos anos 80.<\/em><\/p>\n<p><em>Ao longo de mais de 20 anos de uma incessante batalha judicial em um processo cheio de falhas, Jamal \u00e9 considerado um prisioneiro pol\u00edtico dos Estados Unidos, condenado \u00e0 morte.<\/em><\/p>\n<p>*******<\/p>\n<p>Durante um ano tentamos uma entrevista com Mumia, um dos presos pol\u00edticos mais conhecidos do mundo. Enviamos cartas e pedidos atrav\u00e9s de todos os contatos poss\u00edveis que tivemos \u00e0 m\u00e3o, entre eles os membros do coletivo Amigos de Mumia M\u00e9xico, os quais se ofereceram amavelmente para nos apoiar com uma gest\u00e3o que tinha como destino o corredor da morte da pris\u00e3o de Waynesburg, Pensilvania, onde Mumia permanece preso h\u00e1 29 anos. At\u00e9 que, certo dia, deslizou por baixo da porta um envelope com o nome de M. A. Jamal como remetente.<\/p>\n<p>Chegava a n\u00f3s a primeira entrevista que concede a um meio mexicano o ativista da causa afroamericana nos Estados Unidos, ex-membro do Black Panthers Party, o Partido dos Panteras Negras.<\/p>\n<p>Na carta de duas p\u00e1ginas escrita a m\u00e1quina, Mumia fala da necessidade de organiza\u00e7\u00e3o social, dos partidos pol\u00edticos \u201cservos do capital\u201d, da pertin\u00eancia dos movimentos aut\u00f4nomos e a transcend\u00eancia das reivindica\u00e7\u00f5es do EZLN, do movimento afroamericano nos Estados Unidos, dos Panteras Negras na atualidade, as contradi\u00e7\u00f5es entre o discurso e a pr\u00e1tica do governo dos Estados Unidos, do pensamento de Frantz Fanon e das expectativas que despertou Obama com sua chegada \u00e0 presid\u00eancia, em um pa\u00eds em que \u201cos negros ocupam postos, mas t\u00eam pouco poder\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA luta segue\u201d, conclui Mumia, na entrevista que se apresenta a seguir, no formato escolhido por ele:<\/p>\n<p>Ol\u00e1! Tentarei responder a algumas de suas perguntas no seguinte formato. Vamos l\u00e1!<\/p>\n<p><strong>Organizando-nos<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 uma \u00fanica maneira de faz\u00ea-lo, tampouco um s\u00f3 tipo de evento que impulsione essas coisas. Porque as pessoas s\u00e3o complexas e, claro, as condi\u00e7\u00f5es mudam. Segundo o grande C.L.R. James (escritor e ativista social trinit\u00e1rio-tobagense), a organiza\u00e7\u00e3o come\u00e7a quando duas pessoas concordam em trabalhar juntas.<\/p>\n<p>Mao [Tse-Tung] disse que \u201cuma s\u00f3 fa\u00edsca pode incendiar toda a campina\u201d, e esse certamente parece ser o caso quando voc\u00ea observa o que aconteceu no Egito e na Tun\u00edsia nas \u00faltimas semanas [N.T.: a entrevista foi respondida no in\u00edcio de fevereiro]. Mas tamb\u00e9m \u00e9 verdade que a organiza\u00e7\u00e3o esteve se processando por um bom tempo (especialmente no Egito), e parece que muitas pessoas simplesmente chegaram a um ponto-limite.<\/p>\n<p><strong>Os partidos pol\u00edticos<\/strong><\/p>\n<p>Muitos, de fato a maioria dos partidos pol\u00edticos, especialmente nas metr\u00f3poles, se tornaram descarados servos do capital. Por isso, competem entre si a servi\u00e7o da riqueza sem sequer fingir que representam o povo. Como disse acertadamente o historiador franc\u00eas Toqueville: \u201cO cidad\u00e3o americano n\u00e3o conhece uma profiss\u00e3o mais alta que a pol\u00edtica \u2013 porque \u00e9 a mais lucrativa\u201d. Ele escreveu isso h\u00e1 150 anos! Os partidos s\u00e3o, na verdade, um obst\u00e1culo \u00e0s necessidades e interesses do povo. Isso fica especialmente claro no chamado mundo desenvolvido, onde vemos que os pol\u00edticos prometem uma coisa para serem eleitos, mas, uma vez que ocupam o cargo, rompem todas as suas promessas.<\/p>\n<p><strong>Autonomia<\/strong><\/p>\n<p>Se entendo bem (\u00e9 que h\u00e1 poucos movimentos aut\u00f4nomos nos Estados Unidos), estamos falando de movimentos que s\u00e3o \u201caut\u00f4nomos\u201d em rela\u00e7\u00e3o aos partidos pol\u00edticos. Nesse caso, estou totalmente a favor. Al\u00e9m de serem mecanismos para acumular fortunas pessoais, os partidos pol\u00edticos s\u00e3o m\u00e1quinas feitas para dar ao povo a ilus\u00e3o da democracia.<\/p>\n<p><strong>As propostas do EZLN<\/strong><\/p>\n<p>Estou totalmente de acordo [com a id\u00e9ia de nos organizarmos \u00e0 margem dos partidos pol\u00edticos e da classe pol\u00edtica]. De fato, essa pode ser a \u00fanica maneira de manter os movimentos sociais frescos e livres das armadilhas da corrup\u00e7\u00e3o, t\u00e3o comuns na vida pol\u00edtica em todo o mundo. Durante v\u00e1rios anos, tenho estado conversando sobre isso com um amigo meu, mais velho, que tamb\u00e9m \u00e9 um estudioso do EZLN. Creio que devemos explorar, experimentar e, se parece poss\u00edvel, utilizar essa maneira de nos organizarmos.<\/p>\n<p><strong>Os africano-americanos<\/strong><\/p>\n<p>Para ser sincero, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 alarmante. Para milh\u00f5es de crian\u00e7as, nos guetos das cidades dos Estados Unidos, o \u00edndice de abandono dos estudos \u00e9 de 50%. Em algumas cidades, como Baltimore, me dizem que chega a 75%. E, em muitos casos, os que chegam ao fim do ensino m\u00e9dio n\u00e3o conseguem entrar na universidade porque receberam uma educa\u00e7\u00e3o fraca. Estamos falando de crian\u00e7as! E, enquanto o \u00edndice oficial de desemprego, em n\u00edvel nacional, est\u00e1 ao redor de 7%, para a Am\u00e9rica negra, \u00e9 de quase 35% e, para os jovens, mais de 60%. Al\u00e9m disso, os jovens negros est\u00e3o sujeitos a uma viol\u00eancia policial aberta, brutal e mortal, e \u00e9 raro que um policial seja castigado por esse tipo de a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A elei\u00e7\u00e3o de Obama tem despertado e enfurecido as for\u00e7as direitistas e racistas, muitas das quais se encontram no movimento Tea Party. H\u00e1 pol\u00edticos que tecem elogios \u00e0 Guerra Civil (1860-1865), do ponto de vista sulista. Faz uns dias, o governador do Mississipi estava disposto a honrar com uma placa de autom\u00f3veis um dos fundadores da Ku Klux Klan, o general Nathan Bedford Forrest, que foi respons\u00e1vel pela tortura e assassinato de centenas de soldados negros em lugar chamado Forte Pillow.<\/p>\n<p><strong>Partido Panteras Negras<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 bastante interesse sobre o BPP entre os jovens negros, mas poucos conhecem os detalhes hist\u00f3ricos. Isso porque eles s\u00e3o ensinados por professores e por uma m\u00eddia que enfatizam o triunfo do movimento de Direitos Civis, que tornou poss\u00edvel a elei\u00e7\u00e3o de pol\u00edticos negros. O movimento nacionalista negro est\u00e1 em decl\u00ednio.<\/p>\n<p>O que o movimento de Direitos Civis conseguiu foi a separa\u00e7\u00e3o dos negros da classe trabalhadora dos negros burgueses, resultando na separa\u00e7\u00e3o dos negros pr\u00f3speros de seus primos pobres nas \u00e1reas centrais e degradadas das cidades. Isso se reflete em praticamente todos os n\u00edveis entre os negros americanos. E isso explica como ( e por que) as escolas para milh\u00f5es de crian\u00e7as negras e latinas podem ser t\u00e3o pobres, em tantas comunidades.<\/p>\n<p><strong>EUA: negros e ind\u00edgenas<\/strong><\/p>\n<p>As diferen\u00e7as s\u00e3o reais porque raramente os espa\u00e7os vitais s\u00e3o compartilhados (a maioria das comunidades ind\u00edgenas est\u00e1 em \u00e1reas rurais ou no Oeste, enquanto a maioria dos negros vive em \u00e1reas urbanas). Dito isto, certamente h\u00e1 uma intera\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica entre os dois grupos, e o Movimento \u00cdndio Americano (AIM) foi com certeza influenciado pelos Panteras Negras e o Movimento Black Power. As lutas pela independ\u00eancia e a liberdade dos negros e dos ind\u00edgenas se refor\u00e7aram e se influenciaram mutuamente.<\/p>\n<p><strong>Migrantes<\/strong><\/p>\n<p>Como o capitalismo enfrenta uma crise, ele obriga o povo a pensar de maneira menos hol\u00edstica e mais ego\u00edsta. Esse impulso, alimentado pelo medo (e propagado pela m\u00eddia corporativa), refor\u00e7a o sentimento de separa\u00e7\u00e3o entre as pessoas e dissipa a comunalidade, o senso de comunidade e a pr\u00f3pria coes\u00e3o social. A menos que os ativistas sejam capazes de construir um sentimento de solidariedade entre os povos, esses impulsos levar\u00e3o a verdadeiros desastres sociais e hist\u00f3ricos.<\/p>\n<p><strong>EZLN e Panteras Negras<\/strong><\/p>\n<p>Creio que o fator que une as duas forma\u00e7\u00f5es \u00e9 sua insist\u00eancia em que TODAS as pessoas, de todas as condi\u00e7\u00f5es sociais, podem jogar um papel importante nos movimentos sociais pela mudan\u00e7a. Muitos dos movimentos nacionalistas negros dos anos 60 eram bastante cr\u00edticos em rela\u00e7\u00e3o aos Panteras Negras por trabalharmos com gente branca (tamb\u00e9m se trabalhava com ativistas chicanos, portorriquenhos, japoneses e chineses). A convoca\u00e7\u00e3o zapatista sempre foi ao mundo inteiro, \u00e0s pessoas de qualquer cor, g\u00eanero, classe etc. Creio que esse fator inclusivo \u00e9, no fundo, seu aspecto mais humanista e que atrai os setores mais amplos da fam\u00edlia humana. Porque \u00e9 preciso muita gente para fazer a revolu\u00e7\u00e3o, e muita gente para preserv\u00e1-la.<\/p>\n<p><strong>EUA: contradi\u00e7\u00f5es entre discurso e pr\u00e1tica<\/strong><\/p>\n<p>Me parece muito atinada sua leitura das contradi\u00e7\u00f5es nos EUA, que se projetam como avatar dos direitos humanos quando s\u00e3o a na\u00e7\u00e3o mais repleta de pris\u00f5es no mundo. A contradi\u00e7\u00e3o \u00e9 crua e irrefut\u00e1vel. Temos muitas coisas neste pa\u00eds, mas a democracia certamente n\u00e3o \u00e9 uma delas. Temos formas democr\u00e1ticas, mas n\u00e3o temos verdadeiras normas democr\u00e1ticas. Quando milh\u00f5es de ciadad\u00e3os sa\u00edram \u00e0s ruas na primavera de 2002 pedindo que o pa\u00eds n\u00e3o fosse \u00e0 guerra, a \u201cdemocracia\u201d ignorou o povo, e o resultado foi um desastre social, humanit\u00e1rio, ecol\u00f3gico, arqueol\u00f3gico e militar. George Bush descreveu esses milh\u00f5es de pessoas nas ruas como um \u201cgrupo de press\u00e3o\u201d &#8211; que ele prontamente ignorou. Como pode ser que este pa\u00eds, que fala com tanta do\u00e7ura de liberdade, tenha mais presos pol\u00edticos que qualquer outra na\u00e7\u00e3o do mundo, a maioria sendo negros? Os EUA t\u00eam cerca de 5% da popula\u00e7\u00e3o do mundo, mas 25% dos seus presos. Que mais dizer sobre direitos humanos?<\/p>\n<p><strong>Franz Fanon e Obama<\/strong><\/p>\n<p>Os africano-americanos n\u00e3o tomaram o poder quando elegeram Obbama, ainda que eu possa entender por que alguns pensam que eles o fizeram. Isso porque o que se fez foi um certo tipo de hist\u00f3ria. Pela primeira vez uma pessoa negra foi eleita presidente (interessante, isso ocorreu quase um s\u00e9culo e meio depois que um homem negro foi eleito presidente do M\u00e9xico [N.T.: Mumia provavelmente se refere a Benito Ju\u00e1rez, que era ind\u00edgena de origem zapoteca]). Mas, como Fanon nos ensinou, no contexto do continente africano, o colonialismo foi sucedido pelo neocolonialismo. Os negros ocupam os cargos, mas, na realidade, t\u00eam pouco poder. Eles est\u00e3o em d\u00edvida com os mesmos interesses que controlam os pol\u00edticos brancos. De fato, a triste realidade \u00e9 que os negros t\u00eam menos poder que antes, porque os pol\u00edticos negros s\u00e3o menos capazes de tratar dos assuntos relevantes para a popula\u00e7\u00e3o negra, por medo de serem tachados de \u201cracistas\u201d pela m\u00eddia corporativa. Lembremos o exemplo de quando Obama chamou de \u201cest\u00fapido\u201d o policial que perseguiu e prendeu seu amigo e antigo professor universit\u00e1rio Henry Louis Gates.<\/p>\n<p>A m\u00eddia enlouqueceu. O incidente tamb\u00e9m demonstrou que algu\u00e9m da elite negra (e, se um professor de Harvard n\u00e3o \u00e9 da elite, ningu\u00e9m \u00e9), o professor Gates, foi tratado como um negro pobre do bairro \u2013 detido em casa, humilhado e preso por atrever-se a falar com dignidade com um policial branco. A m\u00eddia obrigou Obama a calar-se.<\/p>\n<p><strong>Eu<\/strong><\/p>\n<p>Como diziam os mo\u00e7ambicanos, \u201ca luta continua\u201d. Temos que construir, ampliar, aprofundar e fortalecer nossa luta onde quer que seja, porque, como dizia Frederick Douglas, \u201csem luta, n\u00e3o h\u00e1 progresso\u201d. Pode n\u00e3o ser f\u00e1cil, mas \u00e9 necess\u00e1rio.<\/p>\n<p><em>Adi\u00f3s, mis amigos, y gracias por todo!<\/em><\/p>\n<p><em>Mumia<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Tradu\u00e7\u00e3o: Spensy Pimentel<\/em><\/strong><strong><\/strong><\/p>\n<p><em><a href=\"http:\/\/desinformemonos.org\/\"  target=\"_blank\">Desinformemonos.org<\/a><\/em><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.brasildefato.com.br\/node\/6059\" >Go to Original \u2013 brasildefato.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante um ano tentamos uma entrevista com Mumia, um dos presos pol\u00edticos mais conhecidos do mundo. 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