{"id":116469,"date":"2018-08-13T12:01:32","date_gmt":"2018-08-13T11:01:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=116469"},"modified":"2018-08-12T14:24:32","modified_gmt":"2018-08-12T13:24:32","slug":"portugues-a-historia-da-crueldade-contra-os-animais-em-hollywood","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2018\/08\/portugues-a-historia-da-crueldade-contra-os-animais-em-hollywood\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) A hist\u00f3ria da crueldade contra os animais em Hollywood"},"content":{"rendered":"<blockquote><p><em>&#8220;Os seres humanos t\u00eam abusado de animais para entretenimento desde o in\u00edcio dos tempos\u201d.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<div id=\"attachment_116470\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/hollywood-cavalos-animal.jpg\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-116470\" class=\"wp-image-116470\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/hollywood-cavalos-animal.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"360\" srcset=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/hollywood-cavalos-animal.jpg 620w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/hollywood-cavalos-animal-300x180.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-116470\" class=\"wp-caption-text\">Pelo menos 25 cavalos foram mortos ou tiveram que ser sacrificados durante as filmagens de A Carga da Brigada Ligeira, de 1936. (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/p><\/div>\n<p>A cr\u00edtica de cinema e escritora brit\u00e2nica Anne Billson, autora do livro \u201cCats on Film\u201d, ou \u201cGatos no Cinema\u201d, publicou hoje [24 maio 2018] no jornal brit\u00e2nico <em>The Guardian<\/em> um artigo intitulado \u201cChicken decapitation and battered cats: Hollywood\u2019s history of animal cruelty\u201d, em que ela convida o leitor a refletir sobre a hist\u00f3ria da crueldade contra os animais no cinema, e especialmente em Hollywood. Exatamente por n\u00e3o ser vegana nem vegetariana, mas repudiar o tratamento dispensado aos animais no cinema, ela diz que \u201cest\u00e1 ciente de que os animais morrem todos os dias para nos alimentarmos e para usarmos sapatos de couro. Por outro lado, prefere n\u00e3o assistir as cenas de crueldade contra os animais, e se isso faz dela uma hip\u00f3crita, que assim seja\u201d.<\/p>\n<p>Anne, que \u00e9 contra a viol\u00eancia contra os animais no cinema, reconhece que a s\u00e9tima arte \u00e9 um meio controverso em ess\u00eancia, e que cin\u00e9filos como ela frequentemente se veem em um dilema \u2013 que \u00e9 a veemente contrariedade \u00e0 censura. Por\u00e9m, quando a suposta liberdade \u00e9 usada como pretexto para explorar e impingir sofrimento aos animais, n\u00e3o h\u00e1 como ser favor\u00e1vel, j\u00e1 que essa permissividade garante inclusive a manuten\u00e7\u00e3o da objetifica\u00e7\u00e3o, da subordina\u00e7\u00e3o for\u00e7ada e da desvaloriza\u00e7\u00e3o da vida animal, mesmo quando animais s\u00e3o inclu\u00eddos como personagens que servem a um retrato cru da realidade. Afinal, a tecnologia j\u00e1 permite que animais n\u00e3o sejam usados para benef\u00edcio humano no cinema.<\/p>\n<p>Ela come\u00e7a o artigo citando o seu desinteresse em rela\u00e7\u00e3o ao lan\u00e7amento do filme \u201cThe House That Jack Built\u201d, do pol\u00eamico cineasta dinamarqu\u00eas Lars Von Trier:<\/p>\n<p>Se n\u00e3o estou ansiosa para ver A Casa que Jack Construiu, quando finalmente chega \u00e0s telas do Reino Unido, n\u00e3o \u00e9 por causa da viol\u00eancia contra mulheres e crian\u00e7as que ajudou o filme a ganhar uma rodada inicial de cr\u00edticas de rep\u00fadio. N\u00e3o, o que realmente me enche de terror \u00e9 a perspectiva de ver um patinho com a perna arrancada com um alicate.<\/p>\n<p>Mesmo depois que a Peta [organiza\u00e7\u00e3o Pessoas Pelo Tratamento \u00c9tico dos Animais] deu uma bronca para confirmar que Von Trier realmente n\u00e3o torturou um patinho (o efeito foi alcan\u00e7ado \u2018usando a magia dos filmes e partes de silicone\u2019), a ideia me deixa enojada. (Independente disso, o filme fez convidados correrem sa\u00edda afora durante a sua estreia internacional em Cannes no in\u00edcio do m\u00eas). Meio s\u00e9culo assistindo filmes de terror pode ter me acostumado \u00e0 viol\u00eancia mis\u00f3gina na tela (o que n\u00e3o quer dizer que eu goste), mas n\u00e3o me ajudou a lidar com os maus-tratos contra os animais.<\/p>\n<p>Se Von Trier realmente tivesse torturado aquele patinho, ele estaria seguindo uma longa e desonrosa tradi\u00e7\u00e3o de autores tratando animais pior do que tratam as atrizes. Andrei Tarkovsky mostrou um cavalo levando um tiro no pesco\u00e7o e sendo empurrado escada abaixo em Andrei Rublev (1966). Jean-Luc Godard filmou um porco tendo a sua garganta cortada em Fim de Semana (1967). Galinhas foram decapitadas em Pat Garrett e Billy The Kid (1973) de Sam Peckinpah. 1900 (1976), de Bernardo Bertolucci, cont\u00e9m cenas de sapos sendo torturados e um gato aterrorizado sendo amarrado para que Donald Sutherland possa esmag\u00e1-lo at\u00e9 a morte com a cabe\u00e7a. O diretor corta o ato (gra\u00e7as aos c\u00e9us), e gosto de pensar que Sutherland realmente n\u00e3o matou o gato, embora os italianos tenham uma peculiaridade a esse respeito. O escritor Curzio Malaparte, em um ensaio de 1943 sobre Mussolini, descreve um tradicional entretenimento de f\u00e9rias na Toscana, onde homens da classe trabalhadora, com as m\u00e3os amarradas \u00e0s costas, matam gatos at\u00e9 a morte com suas cabe\u00e7as raspadas.<\/p>\n<p>Francis Ford Coppola incorporou imagens de um b\u00fafalo-asi\u00e1tico, que \u00e9 golpeado com fac\u00f5es at\u00e9 a morte em Apocalypse Now (1979). S\u00e1t\u00e1ntang\u00f3 (1994), de B\u00e9la Tarr, mostra um gato sendo maltratado. Tarr insistiu que o gato n\u00e3o foi ferido, mas claramente ele n\u00e3o estava preocupado em mostrar que ele estava sendo girado por suas patas dianteiras. Entre as cenas do thriller de vingan\u00e7a Oldboy (2003), de Park Chan-Wook, o ator Choi Min-Sik, um \u201cbudista devoto\u201d, foi flagrado se desculpando com os polvos vivos que estava comendo \u2013 o que te faz pensar na morsa de Lewis Carroll, chorando diante das ostras que ele estava devorando.<\/p>\n<p>O Ato de 1937 para Filmes Cinematogr\u00e1ficos (Com Animais), estabelecido pelo Parlamento Brit\u00e2nico, \u201cpro\u00edbe a exibi\u00e7\u00e3o ou o fornecimento de um filme [no Reino Unido] se animais forem cruelmente maltratados com a finalidade de produzi-lo.\u201d O Conselho Brit\u00e2nico de Censores de Cinema, ainda corta as cenas reais de abusos contra animais, embora seja mais tolerante do que no caso dos filmes de terror. S\u00e1t\u00e1ntang\u00f3 e Oldboy passaram sem cortes, mas os novos lan\u00e7amentos em Blu-Ray de A Montanha dos Canibais (1978), de Sergio Martino e Cannibal Ferox (1981), de Umberto Lenzi, passaram por cortes de dois minutos, entre outras cenas que mostram o desmembramento de uma tartaruga, uma iguana sendo partida e criaturas peludas e fofas que s\u00e3o atacadas e comidas por cobras enormes.<\/p>\n<p>Mas ent\u00e3o ambos os filmes conquistaram notoriedade, tendo sido classificados como \u201cfilmes nojentos\u201d. Os extras em ambos os relan\u00e7amentos incluem entrevistas nas quais os respectivos diretores falam sobre a crueldade contra os animais. Martino diz: \u201cDe certa forma, foi uma cena constru\u00edda porque colocamos o macaco e a p\u00edton juntos, mas n\u00e3o planejamos o final disso\u2026ent\u00e3o \u00e9 realmente desagrad\u00e1vel assistir.\u201d<\/p>\n<p>\u00c9 bastante perturbador ver um cervo sendo engolido por uma cobra em um dos especiais de David Attenborough sobre a natureza, mas o pr\u00f3prio Attenborough tra\u00e7ou a linha do reality show em que os competidores matam crocodilos, porcos e perus \u201capenas para ter uma imagem\u201d.<\/p>\n<p>Os seres humanos t\u00eam abusado de animais para entretenimento desde o in\u00edcio dos tempos, e os cineastas n\u00e3o se mostraram com mais princ\u00edpios do que aqueles que participam do chapeamento de texugos ou das touradas. O outrora admir\u00e1vel pioneiro de dubl\u00eas Akima Canutt inventou um dispositivo chamado \u201cThe Running W\u201d, que derrubava cavalos a galope, muitas vezes machucando-os ou os matando no processo. Pelo menos 25 cavalos foram mortos ou tiveram que ser sacrificados durante as filmagens de A Carga da Brigada Ligeira (1936), enfurecendo Errol Flynn, o astro do filme, que atacou o seu diretor Michael Curtiz. Tal foi o clamor p\u00fablico quando um cavalo quebrou a sua espinha depois de cair de um penhasco de 70 p\u00e9s durante a filmagem de Jesse James (1939), que a American Humane (equivalente a RSPCA) foi finalmente encarregada de supervisionar o tratamento dado aos animais nos sets de Hollywood.<\/p>\n<p>Mesmo assim, parece que o selo de aprova\u00e7\u00e3o da AH n\u00e3o \u00e9 garantia de que \u201cnenhum animal acabe machucado\u201d. Enquanto pesquisava para o meu livro Cats on Film, descobri que pelo menos 20 gatos morreram durante a produ\u00e7\u00e3o de Koneko Monogatari (1986), um filme japon\u00eas sobre um gatinho ruivo e branco e seu companheiro pug, intitulado \u201cAs Aventuras de Milo e Otis\u201d, com narra\u00e7\u00e3o de Dudley Moore. A AH deu um sinal positivo, e os rumores nunca foram checados, mas \u00e9 \u00f3bvio que quando voc\u00ea assiste ao filme \u00e9 percept\u00edvel que os animais est\u00e3o em constante perigo. O BBFC [British Board of Film Classification] cortou 16 segundos do filme e deu a ele um certificado U, mas a cena de um gato \u201ccaindo\u201d de um penhasco e desesperadamente tentando sair do mar em seguran\u00e7a \u00e9 o suficiente para me fazer nunca mais querer v\u00ea-lo novamente.<\/p>\n<p>Anne Billson continua: \u201cAqui estou eu sendo hip\u00f3crita de novo, porque enquanto me refiro \u00e0 crueldade com gatinhos ou patinhos, posso tolerar os n\u00e3o amig\u00e1veis escorpi\u00f5es e formigas sendo incendiados em A Quadrilha Selvagem (1969), ou os horr\u00edveis r\u00e9pteis cortados em peda\u00e7os em Cannibal Ferox. Mas viva o CGI, que agora torna qualquer tipo de tortura animal redundante. \u2018Hoje, eu filmo essas cenas de uma maneira diferente\u2019, admite Lenzi em sua entrevista sobre o lan\u00e7amento de Cannibal Ferox. \u2018Eu provavelmente vou refaz\u00ea-lo agora com mais ajuda do departamento de efeitos especiais.\u2019\u201d<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancia:<\/strong><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/film\/2018\/may\/24\/chicken-decapitation-battered-cats-hollywood-animal-cruelty\" >Billson, Anne. Chicken decapitation and battered cats: Hollywood\u2019s history of animal cruelty. The Guardian (24 de maio de 2018).<\/a><\/p>\n<p><em>_____________________________________________<\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\"><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/david-arioch.jpeg\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-116472\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/david-arioch.jpeg\" alt=\"\" width=\"96\" height=\"96\" \/><\/a><em>David Arioch \u00e9 body builder, jornalista, pesquisador e documentarista. Trabalha profissionalmente h\u00e1 dez anos com jornalismo cultural e liter\u00e1rio.<\/em> <em>\u201cO mais importante \u00e9 eu estar em sintonia com o que estou produzindo. Atualmente escrevo bastante sobre vegetarianismo, veganismo e direitos animais, porque s\u00e3o assuntos que me interessam muito.\u201d <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/davidarioch.com\/2017\/03\/26\/oito-anos-de-david-arioch-jornalismo-cultural\/\" >Leia mais&#8230;<\/a><\/em><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/vegazeta.com.br\/a-historia-da-crueldade-contra-os-animais-em-hollywood\/\" >Go to Original \u2013 vegazeta.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cr\u00edtica de cinema e escritora brit\u00e2nica Anne Billson publicou hoje [24 maio 2018] no jornal brit\u00e2nico The Guardian um artigo intitulado \u201cChicken decapitation and battered cats: Hollywood\u2019s history of animal cruelty\u201d, em que ela convida o leitor a refletir sobre a hist\u00f3ria da crueldade contra os animais no cinema, e especialmente em Hollywood.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":116470,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-116469","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-original-languages"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/116469","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=116469"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/116469\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/media\/116470"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=116469"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=116469"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=116469"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}