{"id":118108,"date":"2018-09-10T12:00:16","date_gmt":"2018-09-10T11:00:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=118108"},"modified":"2018-09-07T14:56:52","modified_gmt":"2018-09-07T13:56:52","slug":"portugues-50-empresas-vendem-metade-dos-alimentos-do-mundo-e-elas-estao-cada-vez-maiores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2018\/09\/portugues-50-empresas-vendem-metade-dos-alimentos-do-mundo-e-elas-estao-cada-vez-maiores\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) 50 empresas vendem metade dos alimentos do mundo \u2013 e elas est\u00e3o cada vez maiores"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/supermercado-supermarket.jpeg\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-118109\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/supermercado-supermarket-1024x512.jpeg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/supermercado-supermarket-1024x512.jpeg 1024w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/supermercado-supermarket-300x150.jpeg 300w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/supermercado-supermarket-768x384.jpeg 768w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/supermercado-supermarket.jpeg 1440w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>4 Set 2018 &#8211; <\/em>Se alguma vez voc\u00ea gastou segundos de sua vida para decidir se compraria uma sopa instant\u00e2nea da Knorr ou da Arisco, lamentamos dizer que foi perda de tempo. Qualquer que tenha sido a escolha, voc\u00ea comprou um produto da Unilever, uma das 50 gigantes do setor que, juntas, dominam 50% das vendas globais de alimentos industrializados.<\/p>\n<p>N\u00e3o se sinta t\u00e3o mal: n\u00e3o interessa \u00e0s empresas que voc\u00ea saiba que, na verdade, n\u00e3o tem muita escolha apesar da profus\u00e3o de nomes e marcas na g\u00f4ndola do supermercado.<\/p>\n<p>\u201cO problema central [dessa concentra\u00e7\u00e3o de mercado] \u00e9 que o consumidor desconhece que na verdade n\u00e3o pode escolher\u201d, me disse Maureen Santos, coordenadora de Justi\u00e7a Socioambiental no Brasil da Funda\u00e7\u00e3o Heinrich Boll, uma organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica alem\u00e3 sem fins lucrativos que se define como \u201cparte da corrente pol\u00edtica verde que se desenvolveu em v\u00e1rias partes do mundo nos anos 1970 como uma resposta \u00e0s tradicionais pol\u00edticas socialista, liberal e conservadora\u201d.<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00ea at\u00e9 escolhe marca diferente entre marcas diferentes, mas compra da mesma empresa. Essa concentra\u00e7\u00e3o faz com que empresas determinem o que o consumidor vai comprar, e n\u00e3o o contr\u00e1rio. De pre\u00e7o a op\u00e7\u00f5es de escolha, tudo \u00e9 definido por poucas empresas\u201d, ela afirmou.<\/p>\n<p>A concentra\u00e7\u00e3o no mercado de alimentos \u00e9 tema de um dos 22 cap\u00edtulos do \u201cAtlas do Agroneg\u00f3cio\u201d, um documento que ter\u00e1, pela primeira vez, uma edi\u00e7\u00e3o brasileira. O relat\u00f3rio ser\u00e1 lan\u00e7ado nesta ter\u00e7a-feira no Rio de Janeiro, com um debate mediado por Gregorio Duvivier com participa\u00e7\u00e3o de Bela Gil.<\/p>\n<p>Pior, a concentra\u00e7\u00e3o dever\u00e1 se agravar nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o tem como escapar dela, porque falta regula\u00e7\u00e3o no mercado. Ainda que exista o Cade [Conselho Administrativo de Direito Econ\u00f4mico, \u00f3rg\u00e3o do governo federal respons\u00e1vel por julgar grandes fus\u00f5es e impor medidas que em tese preservam alguma concorr\u00eancia], veja o caso da fus\u00e3o entre [as gigantes do agrot\u00f3xico] Bayer e Monsanto. A nova empresa foi for\u00e7ada a vender algumas marcas para ter o neg\u00f3cio aprovado, mas quem comprou foi outra grande, a Basf\u201d, lembrou Santos.<\/p>\n<p>Outro ponto a considerar: apesar de metade dele ser dominado por apenas 50 empresas, o mercado de alimentos industrializados \u00e9 relativamente pouco concentrado em compara\u00e7\u00e3o a outros, como o dos agrot\u00f3xicos ou de produto de higiene pessoal \u2013 desodorantes, por exemplo. Quer voc\u00ea escolha Axe, Rexona ou Dove, estar\u00e1 levando pra casa um produto da Unilever. N\u00e3o \u00e0 toa, lembra o Atlas, a companhia declara, em materiais de divulga\u00e7\u00e3o, \u201cestar presente em cem por cento dos lares brasileiros\u201d.<\/p>\n<p><strong>70% das compras de uma fam\u00edlia s\u00e3o produtos das grandes<\/strong><\/p>\n<p>V\u00e1rios dos nomes que constam do ranking dos dez maiores conglomerados aliment\u00edcios do mundo (segundo o faturamento registrado em 2016) s\u00e3o familiares aos brasileiros. A come\u00e7ar pela l\u00edder do ranking, a Nestl\u00e9, que produz de alimentos infantis a chocolates, passando por iogurtes e produtos l\u00e1cteos.<\/p>\n<p>Da lista tamb\u00e9m fazem parte a JBS (envolvida na opera\u00e7\u00e3o Lava Jato e dona de marcas que concorrem entre si como Seara, Friboi e Swift), Kraft Heinz (fabricante do famoso ketchup), Mondelez (atual dona dos chocolates Lacta), Danone (outra gigante dos latic\u00ednios) e Unilever (que, al\u00e9m das marcas j\u00e1 citadas, tamb\u00e9m \u00e9 dona do amido de milho Maizena, da maionese Hellmann\u2019s, dos sorvetes Kibon e da margarina Becel).<\/p>\n<p>\u201c[O Brasil] \u00c9 um dos\u00a0pa\u00edses do mundo onde mais se percebe a\u00a0concentra\u00e7\u00e3o\u00a0de fabricantes de alimentos: entre 60 e 70% das compras de uma\u00a0fam\u00edlia s\u00e3o\u00a0produzidas por dez grandes empresas, entre elas Unilever, Nestl\u00e9, Procter &amp; Gamble (gigante dos produtos de limpeza e higiene, com marcas como Gilette, Oral-B e Ariel), Kraft e Coca-Cola\u201d, informa o Atlas do Agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<p>Alguns setores s\u00e3o particularmente oligopolizados. Cervejas, por exemplo: tr\u00eas grandes grupos (Ambev, Heineken e Grupo Petr\u00f3polis) controlam 95% do mercado brasileiro.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 apenas ao consumidor que a concentra\u00e7\u00e3o traz problemas.<\/p>\n<p>\u201cSomente em 2015 foram acordadas duas grandes fus\u00f5es no valor de mais de US$ 100 bilh\u00f5es. Uma delas foi entre a fabricante de ketchup Heinz e seu concorrente Kraft. A resultante Kraft Heinz Company \u00e9 a sexta maior empresa de alimentos do mundo. Extensivas estrat\u00e9gias de redu\u00e7\u00e3o de custos, que incluem o corte de empregos, s\u00e3o esperadas para financiar o neg\u00f3cio e aumentar as a\u00e7\u00f5es no mercado e as margens de lucro\u201d, informa o Atlas.<\/p>\n<p>Por tr\u00e1s do neg\u00f3cio est\u00e1 o mais rico brasileiro, o bilion\u00e1rio Jorge Paulo Lemann, modelo de liberais como o presidenci\u00e1vel <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/spotniks.com\/conversamos-com-joao-amoedo-fundador-do-partido-novo\/\" >Jo\u00e3o Amo\u00eado<\/a>, do Partido Novo. O fundo de investimentos 3G Capital, de Lemann, segundo o Atlas, \u00e9 \u201cconhecido por suas duras medidas de redu\u00e7\u00e3o de custos\u201d \u2013 ou seja, n\u00e3o tem pudores em acabar com empregos em nome da rentabilidade.<\/p>\n<p>Lemann, da 3G, \u00e9 um sujeito ousado. Em 2017, sua rec\u00e9m-criada Kraft Heinz tentou comprar a Unilever, maior que ela mesma, por US$ 143 bilh\u00f5es. Ouviu um sonoro \u201cn\u00e3o\u201d. Um ano antes, a Mondelez, que separou-se da Kraft em 2012, fracassou na tentativa de assumir o controle da Hershey, tradicional fabricante de chocolates fundada nos EUA e h\u00e1 alguns anos presente no Brasil. \u201cEssas tentativas fracassadas aumentaram a probabilidade de a Mondelez ser reabsorvida pela Kraft Heinz\u201d, diz outro cap\u00edtulo do Atlas, especialmente dedicado \u00e0s estripulias do mega-investidor \u2013 que tamb\u00e9m \u00e9 dono da AB InBev, resultado de duas outras megafus\u00f5es ap\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o da Ambev, e da cadeia de fast food Burger King.<\/p>\n<p><strong>Trigo, milho e soja: h\u00e1 100 anos na m\u00e3o de apenas quatro empresas<\/strong><\/p>\n<p>Se tudo o que voc\u00ea leu at\u00e9 aqui parece preocupante, experimente dar uma olhada no mercado de commodities agr\u00edcolas. Apenas cinco companhias \u2013 as norte-americanas Archer Daniels Midland (ADM), Bunge e Cargill, a holandesa Louis Dreyfus e a rec\u00e9m-chegada Cofco, chinesa \u2013 dominam o com\u00e9rcio internacional de milho, trigo e soja.<\/p>\n<p>\u201cA situa\u00e7\u00e3o do mercado, a qualidade e o pre\u00e7os determinam se essas commodities s\u00e3o vendidas como alimentos, agrocombust\u00edveis ou ra\u00e7\u00e3o para animais\u201d, relata o Atlas do Agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e0 toa. Exclu\u00edda a chinesa Cofco, as quatro restantes \u201cforam fundadas entre 1818 e 1902. Com exce\u00e7\u00e3o da ADM, s\u00e3o controladas por suas fam\u00edlias fundadoras. Comercializam, transportam e processam diversas commodities. Possuem navios oce\u00e2nicos, portos, ferrovias, refinarias, silos, moinhos e f\u00e1bricas. Juntas, representam 70% do mercado mundial de commodities agr\u00edcolas\u201d, informa o documento da Funda\u00e7\u00e3o Heinrich Boll. \u201cTrigo, milho e soja, cabe lembrar, est\u00e3o na base dos produtos processados e ultraprocessados\u201d, disse Maureen Santos.<\/p>\n<p><strong>Como baixar o Atlas<\/strong><\/p>\n<p>A edi\u00e7\u00e3o brasileira do Atlas do Agroneg\u00f3cio toma como base a edi\u00e7\u00e3o europeia, publicada em 2017 em alem\u00e3o e ingl\u00eas.<\/p>\n<p>\u201cMas metade dela \u00e9 in\u00e9dita, com artigos exclusivos de autores brasileiros. Um deles, essencial, trata dos agrot\u00f3xicos, por exemplo o glifosato, comprovadamente cancer\u00edgeno, que teve a <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.agrolink.com.br\/noticias\/justica-derruba-suspensao-do-glifosato_410639.html\" >venda novamente liberada<\/a> pelo Tribunal Regional Federal da 1a. Regi\u00e3o\u201d, enumerou Santos, que coordenou a edi\u00e7\u00e3o local do volume.<\/p>\n<p>O Atlas do Agroneg\u00f3cio pode ser baixado gratuitamente no <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/br.boell.org\/\" >site da Funda\u00e7\u00e3o Heinrich Boll<\/a>. Quem n\u00e3o mora no Rio de Janeiro tamb\u00e9m pode pedir para receber o volume impresso em casa, pelo correio, tamb\u00e9m de gra\u00e7a \u2013 cariocas podem retir\u00e1-lo na <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/br.boell.org\/pt-br\/contato\" >sede da organiza\u00e7\u00e3o<\/a>.<\/p>\n<p>______________________________________________<\/p>\n<p><em>Conte\u00fado relacionado:<\/em><\/p>\n<ul>\n<li><em><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/theintercept.com\/2018\/03\/03\/ambev-parana-richa-isencao\/\" > Com regalias do governo, f\u00e1brica da Ambev no Paran\u00e1 pode ter sa\u00eddo de gra\u00e7a<\/a><\/em><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"padding-left: 30px;\"><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/Rafael-Moro-Martins.jpg\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-118110 size-full\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/Rafael-Moro-Martins-e1536328334364.jpg\" alt=\"\" width=\"100\" height=\"100\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\"><em><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/theintercept.com\/staff\/rafael-moro-martins\/\" >Rafael Moro Martins<\/a><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/theintercept.com\/2018\/09\/03\/50-empresas-metade-alimentos-mundo\/\" >Go to Original \u2013 theintercept.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>4 Set 2018 &#8211; Concentra\u00e7\u00e3o no Brasil \u00e9 ainda maior, aponta Atlas do Agroneg\u00f3cio, documento que faz retrato do mercado de alimentos e insumos e agora tem sua primeira edi\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":118109,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-118108","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-original-languages"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/118108","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=118108"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/118108\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/media\/118109"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=118108"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=118108"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=118108"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}