{"id":123892,"date":"2018-12-10T12:00:45","date_gmt":"2018-12-10T12:00:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=123892"},"modified":"2018-12-09T10:32:10","modified_gmt":"2018-12-09T10:32:10","slug":"portugues-e-preciso-ter-a-coragem-de-assumir-o-sofrimento-que-causamos-aos-animais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2018\/12\/portugues-e-preciso-ter-a-coragem-de-assumir-o-sofrimento-que-causamos-aos-animais\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) \u201c\u00c9 preciso ter a coragem de assumir o sofrimento que causamos aos animais\u201d"},"content":{"rendered":"<blockquote><p><em>Fil\u00f3sofa francesa Corine Pelluchon defende que o maltrato aos animais possa ser um sinal precursor da viol\u00eancia contra os seres humanos, especialmente contra os mais fr\u00e1geis.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<div id=\"attachment_123893\" style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Corine-Pelluchon-animal-anda.jpg\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-123893\" class=\"wp-image-123893\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Corine-Pelluchon-animal-anda.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"223\" srcset=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Corine-Pelluchon-animal-anda.jpg 768w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Corine-Pelluchon-animal-anda-300x168.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-123893\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ginaluca Batista<\/p><\/div>\n<p><em>8 dez 2018 &#8211; <\/em>A fil\u00f3sofa Corine Pelluchon, parisiense de 50 anos, representa um novo paradigma do movimento animalista mundial. Embora n\u00e3o deixe de apelar \u00e0s nossas consci\u00eancias e de denunciar energicamente a viol\u00eancia que, segundo ela, nossa sociedade exerce contra os animais, inclusive com tons dram\u00e1ticos que deixariam no chinelo as hist\u00f3rias de Dumbo e Bambi, afasta-se das coloca\u00e7\u00f5es mais veementes e radicais (como as dos vegansexuais, que se abst\u00eam de rela\u00e7\u00f5es \u00edntimas com os consumidores de carne) em nome do pragmatismo. \u00c9 um animalismo amig\u00e1vel. Defende caminhos realistas, serenos e de educa\u00e7\u00e3o e consenso para obter um mundo no qual o sofrimento animal desapare\u00e7a de maneira paulatina, ou pelo menos se reduza substancialmente em prazos concretos.<\/p>\n<p>Pelluchon apresentou recentemente em Barcelona seu <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.alma-editeur.fr\/manifeste_animaliste.html\" >Manifeste Animaliste<\/a> (in\u00e9dito no Brasil), um livro intenso, \u201cde a\u00e7\u00e3o\u201d, que tem como subt\u00edtulo \u201cPolitizar a quest\u00e3o animal\u201d e que, apesar da sua brevidade, tem tudo para marcar \u00e9poca. A obra, ao mesmo tempo em que analisa a situa\u00e7\u00e3o atual desse assunto, faz uma declara\u00e7\u00e3o de inten\u00e7\u00f5es e apresenta uma proposta clara e concisa para avan\u00e7ar de maneira decisiva em nossa rela\u00e7\u00e3o com os animais.<\/p>\n<p>O seu libelo, que se baseia formalmente no Manifesto Comunista de Marx e Engels, embora neste caso se trate de propor um combate contra a explora\u00e7\u00e3o dos bichos, e n\u00e3o dos humanos, termina com uma conclama\u00e7\u00e3o reconhec\u00edvel e sonora: \u201cAnimalistas de todo o mundo, de todos os partidos e de todos os credos, uni-vos\u201d. E acrescenta que, se fizermos justi\u00e7a aos animais, \u201csalvaremos nossa alma e garantiremos nosso futuro\u201d. Professora e doutora em filosofia pr\u00e1tica na Universidade do Franco-Condado (Besan\u00e7on), Pelluchon \u00e9 especialista em filosofia pol\u00edtica, moral e \u00e9tica aplicada.<\/p>\n<blockquote><p><strong>Pergunta. A senhora descreve nossa rela\u00e7\u00e3o com os animais em termos dram\u00e1ticos. Fala de vergonha, de injusti\u00e7a, de que estamos perdendo nossa alma, de uma \u201cera da desola\u00e7\u00e3o\u201d. Afirma que os oper\u00e1rios da pecu\u00e1ria industrial precisam tampar os ouvidos para n\u00e3o ouvir os porcos guinchando enquanto os castram.<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Resposta.<\/strong> Muita gente d\u00e1 as costas para o que acontece nos matadouros, o inferno que criamos para os animais. Acho que se deveria explicar o que realmente acontece na pecu\u00e1ria industrial, dizer \u00e0s pessoas o que realmente acontece nos locais de sacrif\u00edcio, retirar o v\u00e9u que faz com que muitas pessoas vivam na ignor\u00e2ncia do terr\u00edvel sofrimento que se causa a eles e nos desumaniza.<\/p>\n<blockquote><p><strong>A senhora escreve que por tr\u00e1s de cada fatia de salame \u201ch\u00e1 transportes intermin\u00e1veis, a espera e o p\u00e2nico no corredor da morte\u201d. \u00c9 uma linguagem de genoc\u00eddio.<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>Temos de admitir que estamos causando uma dor tremenda a outros seres sencientes, termo que designa a capacidade de sentir de maneira individual e subjetiva. Deve haver uma consci\u00eancia geral do que implica o nosso atual modelo de opera\u00e7\u00e3o, um modelo cruel que, al\u00e9m disso, est\u00e1 esgotado e \u00e9 insustent\u00e1vel. A pecu\u00e1ria intensiva n\u00e3o \u00e9 vi\u00e1vel. O custo ambiental e social do consumo de carne \u00e9 muito alto. Estamos em uma encruzilhada. Precisamos ampliar a base do movimento pelos direitos dos animais. Aumentar o n\u00famero de pessoas que entendam o quanto o sistema \u00e9 cruel e absurdo. Isso \u00e9 o que d\u00e1 for\u00e7a \u00e0 causa animal e a tira de seu isolamento. At\u00e9 agora, o movimento \u00e9 integrado por membros muito convencidos, ativistas muito comprometidos, mas \u00e9 preciso incorporar uma parte muito maior da sociedade. N\u00e3o se cresce com aqueles que j\u00e1 est\u00e3o conscientizados. \u00c9 preciso dar um passo adiante, mudar a estrat\u00e9gia, fazer um apelo mais amplo. Entre os defensores dos direitos dos animais, todos n\u00f3s estamos de acordo e n\u00e3o h\u00e1 nenhuma discuss\u00e3o, mas n\u00f3s sozinhos n\u00e3o ganhamos nada. Devemos estabelecer regras de coexist\u00eancia, lan\u00e7ar pontes, construir um amplo consenso para avan\u00e7ar nos direitos dos animais.<\/p>\n<blockquote><p><strong>Qual \u00e9 a chave para sensibilizar mais gente?<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>Convencer \u00e9 essencial. N\u00e3o impor. Devemos ser muito did\u00e1ticos, menos dogm\u00e1ticos, menos intransigentes com aqueles que t\u00eam opini\u00f5es diferentes. Abrir os olhos deles. \u00c9 preciso ter paci\u00eancia. Os animalistas exaltados realmente prejudicam a causa. O discurso deve ser firme e moderado ao mesmo tempo. As pessoas devem entender que o bem-estar dos animais e o seu caminham juntos, que construindo uma sociedade mais justa com os n\u00e3o humanos ela se torna melhor para os seres humanos. Sua liberta\u00e7\u00e3o ser\u00e1 a nossa. Trata-se, em suma, de se comprometer a fazer um mundo melhor. N\u00e3o \u00e9 nada marginal e todos n\u00f3s podemos fazer alguma coisa. A causa animal \u00e9 uma oportunidade para aprofundar o humanismo. \u00c9 um projeto pol\u00edtico e de emancipa\u00e7\u00e3o que completa a heran\u00e7a do Iluminismo, o S\u00e9culo das Luzes. \u00c9 necess\u00e1rio ampliar a ideia de que o limite da minha liberdade \u00e9 a liberdade do outro: que esse outro pode n\u00e3o ser humano, mas de outra esp\u00e9cie. Compreender que isto implica uma mudan\u00e7a muito grande, claro. Mas, insisto, n\u00e3o se pode correr. Devemos construir um consenso.<\/p>\n<blockquote><p><strong>Mostrando o que acontece nos matadouros \u00e9 poss\u00edvel avan\u00e7ar?<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>\u00c9 preciso mostrar os maus-tratos, sem d\u00favida. H\u00e1 v\u00eddeos de associa\u00e7\u00f5es que fazem esse trabalho. Mas n\u00e3o basta. Porque h\u00e1 pessoas que os veem e querem esquec\u00ea-los. O que eles mostram \u00e9 t\u00e3o horr\u00edvel\u2026 Devemos ser corajosos para assumir o sofrimento e a vergonha de ver o que fazemos aos animais. \u00c9 uma experi\u00eancia que abre uma ferida imensa. Mas n\u00e3o \u00e9 suficiente apenas o trabalho no plano das emo\u00e7\u00f5es. Devemos estar dispostos a dar um passo para al\u00e9m do horror e da indigna\u00e7\u00e3o. E para isso devemos fornecer ferramentas pol\u00edticas, filos\u00f3ficas e \u00e9ticas. Explicar que esta \u00e9 uma oportunidade de regenera\u00e7\u00e3o social, pol\u00edtica e at\u00e9 mesmo espiritual. Essa \u00e9 a minha miss\u00e3o, que as emo\u00e7\u00f5es se cristalizem em algo mais s\u00f3lido e racional que ajude a dar o passo da tomada de consci\u00eancia para a a\u00e7\u00e3o. Hoje, infelizmente, poucas pessoas d\u00e3o esse passo.<\/p>\n<blockquote><p><strong>Existem resist\u00eancias.<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>Claro. Os resultados s\u00f3 ser\u00e3o alcan\u00e7ados se os exploradores dos animais tamb\u00e9m encontrarem outro lugar no mundo. Voc\u00ea n\u00e3o pode pedir \u00e0s pessoas que deixem seu trabalho sem ter uma alternativa, \u00e9 preciso recicl\u00e1-las. E voc\u00ea n\u00e3o pode pretender que as pessoas deixem de comer carne sem oferecer a elas facilidades para mudar o card\u00e1pio. A maioria n\u00e3o o far\u00e1 se isso exigir sacrif\u00edcios, n\u00e3o sejamos ing\u00eanuos. S\u00f3 vamos comer de outra maneira se for f\u00e1cil e agrad\u00e1vel faz\u00ea-lo. Isso requer repensar os refeit\u00f3rios das empresas, das escolas, os card\u00e1pios dos restaurantes. Os card\u00e1pios dos hospitais s\u00e3o particularmente terr\u00edveis: se voc\u00ea \u00e9 vegano e for hospitalizado, voc\u00ea morre de fome.<\/p>\n<blockquote><p><strong>Voc\u00ea n\u00e3o exorta a arrancar os hamb\u00fargueres dos dentes dos carn\u00edvoros.<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>Claro que n\u00e3o, as pessoas podem ficar tranquilas. Nem para libertar os hamsters. N\u00e3o falo em obrigar. Sou muito democr\u00e1tica. \u00c9 necess\u00e1rio que as pessoas queiram essas mudan\u00e7as e desfrutem delas.<\/p>\n<blockquote><p><strong>Qual prazo imagina?<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>Nesta gera\u00e7\u00e3o, n\u00e3o veremos a elimina\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o dos animais, que \u00e9 um objetivo de longo prazo, mas as seguintes o far\u00e3o melhor. Agora se trata de n\u00e3o piorar a situa\u00e7\u00e3o e ir avan\u00e7ando. Deveria haver um per\u00edodo amplo de transi\u00e7\u00e3o. Numa primeira fase, conseguir melhorar a condi\u00e7\u00e3o animal, a supervis\u00e3o rigorosa de matadouros e de toda a linha de produ\u00e7\u00e3o, eliminar o sofrimento desnecess\u00e1rio, que se atordoem bem os animais. E a supress\u00e3o de algumas pr\u00e1ticas que s\u00e3o um claro maltrato. As touradas, que s\u00e3o de uma crueldade inaudita, as lutas entre animais, a ca\u00e7a, o com\u00e9rcio de peles e os espet\u00e1culos em que s\u00e3o humilhados. Dever\u00edamos avan\u00e7ar gradualmente de um bem-estar para um abolicionismo.<\/p>\n<blockquote><p><strong>Os animais t\u00eam um peso importante na comida da Fran\u00e7a. O que devem pensar de voc\u00ea, uma mulher francesa, questionando a cozinha tradicional!<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>Nos restaurantes cl\u00e1ssicos \u00e9 dif\u00edcil que te ofere\u00e7am algo mais do que verduras austeras. H\u00e1 uma enorme falta de imagina\u00e7\u00e3o nos chefs, pouco importa quantas estrelas tenham. \u00c9 preciso ser capaz de apresentar substitutos atrativos \u00e0s prote\u00ednas animais e bons pratos vegetarianos. A cozinha \u00e9 prazer e deve continuar sendo. N\u00e3o se deve proibir nada, com alguma exce\u00e7\u00e3o, como o foie-gras. Imagino que alguns considerar\u00e3o isso um an\u00e1tema. Mas o que se faz aos gansos, deixando seu f\u00edgado doente, \u00e9 de uma crueldade indefens\u00e1vel.<\/p>\n<blockquote><p><strong>A senhora acha que o dano que causamos aos animais ainda \u00e9 pouco explicado?<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>O sentido de domina\u00e7\u00e3o est\u00e1 profundamente enraizado no ser humano. Praticamos uma viol\u00eancia sem complexos com aqueles que n\u00e3o s\u00e3o como n\u00f3s. Para mudar nosso modelo de rela\u00e7\u00e3o, baseado na vaidade e no complexo de superioridade, devemos atuar em camadas muito profundas e arcaicas do nosso psiquismo. Somos pouco capazes de nos relacionar com a natureza sem domin\u00e1-la. \u00c9 preciso aprender a fazer isso. H\u00e1 uma crueldade intr\u00ednseca no homem. Com tudo. Uma vontade destrutiva que deve ser analisada. Dizer o contr\u00e1rio \u00e9 idealista e est\u00fapido. Devemos estudar como canalizar esses impulsos. Essa destrutividade irracional e sem complexos contra os mais vulner\u00e1veis, os que n\u00e3o falam e n\u00e3o ir\u00e3o \u00e0 pol\u00edcia.<\/p>\n<blockquote><p><strong>Em seu manifesto, a senhora menciona o abolicionismo e a proclama\u00e7\u00e3o da igualdade dos direitos das mulheres como precedentes do animalismo. N\u00e3o \u00e9 perigoso equiparar essas causas, a luta contra o racismo e o sexismo com o animalismo? Negros, mulheres e animais\u2026<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>N\u00e3o confundo em absoluto essas batalhas. Jamais disse que os animais s\u00e3o como os negros antes da aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o. Nem como as mulheres. O que digo \u00e9 que s\u00e3o causas hist\u00f3ricas que podem servir para marcar um caminho. E que a estrat\u00e9gia pragm\u00e1tica de Lincoln pode ser um exemplo. No caso das mulheres, aqueles que relacionam as duas viol\u00eancias n\u00e3o est\u00e3o equivocados: os que maltratam os animais muitas vezes maltratam mulheres e crian\u00e7as. O maltrato aos animais pode ser um sinal precursor da viol\u00eancia contra os seres humanos, especialmente contra os mais fr\u00e1geis. Existe uma rela\u00e7\u00e3o indubit\u00e1vel entre a viol\u00eancia contra os animais e contra as mulheres.<\/p>\n<blockquote><p><strong>Voc\u00ea tem uma perspectiva feminista sobre o animalismo?<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>H\u00e1 feministas que consideram a domina\u00e7\u00e3o um assunto falocr\u00e1tico. Deixo isso para elas. O que me interessa \u00e9 o ecofeminismo, com sua reivindica\u00e7\u00e3o da vulnerabilidade do planeta.<\/p>\n<blockquote><p><strong>Voc\u00ea diz que o animal \u00e9 o outro, o diferente.<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>Os animais s\u00e3o nossos professores na alteridade. Mas eles tamb\u00e9m s\u00e3o sujeitos pol\u00edticos, embora n\u00e3o sejam plenamente cidad\u00e3os. A cidadania exige uma percep\u00e7\u00e3o do interesse geral de uma comunidade que eles n\u00e3o possuem. Na comunidade mista que formamos com eles, somos n\u00f3s que temos de nos ocupar dos direitos deles, \u00e9 um modelo semelhante ao que se aplica \u00e0s pessoas em situa\u00e7\u00f5es de depend\u00eancia.<\/p>\n<blockquote><p><strong>E as plantas, que tamb\u00e9m sentem? Posso ser denunciado por maltratar uma figueira?<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>\u00c9 um caso diferente, n\u00e3o h\u00e1 primeira pessoa nas plantas, a percep\u00e7\u00e3o do eu, o medo da morte, a express\u00e3o do prazer. Com elas devemos falar de respeito, n\u00e3o de justi\u00e7a.<\/p>\n<blockquote><p><strong>O animalismo n\u00e3o est\u00e1 renegando o Neol\u00edtico e tudo o que nos tornou humanos?<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>A domestica\u00e7\u00e3o foi importante para a humaniza\u00e7\u00e3o, ningu\u00e9m duvida disso, mas eram outros tempos e o n\u00famero de seres humanos era infinitamente inferior. N\u00f3s simplesmente n\u00e3o podemos manter o mesmo esquema de explora\u00e7\u00e3o. O contexto mudou. E agora podemos nos alimentar de outra maneira. De fato, as necessidades da pecu\u00e1ria intensiva para fornecer carne ao Ocidente contribuem para a fome e a desnutri\u00e7\u00e3o no resto do mundo. E n\u00f3s n\u00e3o precisamos mais de animais tampouco como for\u00e7a motriz e nem de suas peles. A prop\u00f3sito, voc\u00ea sabe que a ind\u00fastria da moda \u00e9 a segunda mais poluidora do mundo e prejudica a sa\u00fade ambiental? As condi\u00e7\u00f5es de trabalho nos curtumes s\u00e3o terr\u00edveis. Meu pai tinha vacas\u2026<\/p>\n<blockquote><p><strong>Que coisa! Mas se voc\u00ea critica, no manifesto, beber o leite de uma m\u00e3e cujos filhotes lhe foram arrebatados assim que nasceram.<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>Tamb\u00e9m estamos falando de outra \u00e9poca, meu pai conhecia cada uma de suas vacas pelo nome. E essas vacas viviam quatorze anos e n\u00e3o quatro como agora, que a pecu\u00e1ria foi industrializada.<\/p>\n<blockquote><p><strong>At\u00e9 onde v\u00e3o chegar os direitos dos animais? Se os dermos aos grandes macacos e elefantes, mas n\u00e3o aos ratos?<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>A justi\u00e7a para com eles coloca a quest\u00e3o b\u00e1sica de quais direitos devemos lhes dar. Isso levanta um questionamento dos nossos limites. \u00c9 claro que seus direitos s\u00e3o diferentes daqueles dos seres humanos, e deve ser assim para cada esp\u00e9cie de animal. N\u00e3o se deve cair no absurdo. As abordagens maximalistas s\u00e3o ruins para a causa. At\u00e9 onde podemos ir? O que devemos fazer com os animais que nos prejudicam ou incomodam? Algumas esp\u00e9cies nocivas foram atra\u00eddas por n\u00f3s ao nosso ambiente. O problema de impedir sua prolifera\u00e7\u00e3o surge, mas mat\u00e1-los deve sempre ser algo excepcional. Devemos estudar caso a caso. Os mam\u00edferos devem ter os mesmos direitos que os insetos? Certamente n\u00e3o. Mas devemos lembrar que na Su\u00ed\u00e7a \u00e9 proibido ferver as lagostas vivas desde que se proibiu que elas sofressem. E poucas pessoas percebem a dor dos peixes simplesmente porque n\u00e3o os ouvimos gritar.<\/p>\n<blockquote><p><strong>Algumas esp\u00e9cies deveriam aspirar \u00e0 soberania? Nem os catal\u00e3es resolveram isso\u2026<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>Existem aqueles que consideram que podem viver livremente em um territ\u00f3rio, os animais, e que regras espec\u00edficas sejam respeitadas. Mas as rela\u00e7\u00f5es entre animais e seres humanos n\u00e3o podem ser comparadas \u00e0s dos nossos Estados ou sociedades entre elas.<\/p>\n<blockquote><p><strong>Voc\u00ea \u00e9 contra zool\u00f3gicos, golfinh\u00e1rios e circos com animais.<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>Os animais selvagens n\u00e3o querem estar conosco. E o fato de prend\u00ea-los \u00e9 moralmente problem\u00e1tico. Mas tudo isso exige muita sutileza. Nas discuss\u00f5es, muitas vezes se misturam muitas coisas, se junta tudo. Somos acusados de querer conceder direitos humanos aos animais, n\u00e3o, n\u00e3o, existe uma assimetria b\u00e1sica insuper\u00e1vel. Isso, naturalmente, agrava nossa responsabilidade para com eles.<\/p>\n<blockquote><p><strong>E quanto \u00e0 equita\u00e7\u00e3o? Devemos parar de montar a cavalo e nunca mais ser\u00e1 poss\u00edvel rodar faroestes?<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>Devemos distinguir entre explora\u00e7\u00e3o e utiliza\u00e7\u00e3o. Existem animalistas que se op\u00f5em inclusive a ter um cachorro ou um gato. Eu acho que voc\u00ea pode t\u00ea-los se voc\u00ea n\u00e3o os explorar. C\u00e3es-guia s\u00e3o um assunto delicado, seu treinamento \u00e9 muito duro. O adestramento de cavalos de hipismo \u00e9 a mesma coisa. Eu tenho uma gata, Tess, adotada h\u00e1 sete anos, ela tinha sido abandonada.<\/p>\n<blockquote><p><strong>Ent\u00e3o dever\u00edamos perguntar a opini\u00e3o dela?<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>Ela parece feliz. Mas n\u00e3o se espante, ela me cria problemas: eu a impe\u00e7o de matar p\u00e1ssaros, mas ela n\u00e3o \u00e9 vegana. Com animais de estima\u00e7\u00e3o voc\u00ea n\u00e3o pode ser perfeito.<\/p>\n<p>____________________________________________<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\"><em><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/logo-anda-novo-e1495624877955.jpg\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-92901\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/logo-anda-novo-e1495624877955.jpg\" alt=\"\" width=\"100\" height=\"43\" \/><\/a><\/em><em>A imprensa n\u00e3o apenas informa. Ela forma conceitos. Modifica ideias. Influencia decis\u00f5es. Define valores. Participa das grandes mudan\u00e7as sociais e pol\u00edticas trazendo o mundo para o indiv\u00edduo pensar, agir e ser. \u00c9 justamente este o objetivo da <\/em>ANDA\u00a0\u2013 Ag\u00eancia de Not\u00edcias de Direitos Animais<em>: informar para transformar. A <\/em>ANDA<em>\u00a0difunde na m\u00eddia os valores de uma nova cultura, mais \u00e9tica, mais justa e preocupada com a defesa e a garantia dos direitos animais. \u00c9 o primeiro portal jornal\u00edstico do mundo voltado exclusivamente a fatos e informa\u00e7\u00f5es do universo animal. Com profissionalismo, seriedade e coragem, a <\/em>ANDA<em> abre um importante canal com jornalistas de todas as m\u00eddias e coloca em pauta assuntos que at\u00e9 hoje n\u00e3o tiveram o merecido espa\u00e7o ou foram mal debatidos na imprensa.<\/em><\/p>\n<p><em>Fonte: <\/em><em><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/02\/20\/ciencia\/1519141465_224528.html\" >El Pa\u00eds<\/a><\/em><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.anda.jor.br\/2018\/12\/e-preciso-ter-coragem-de-assumir-o-sofrimento-que-causamos-aos-animais\/\" >Go to Original \u2013 anda.jor.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fil\u00f3sofa francesa Corine Pelluchon defende que o maltrato aos animais possa ser um sinal precursor da viol\u00eancia contra os seres humanos, especialmente contra os mais fr\u00e1geis.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":123893,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-123892","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-original-languages"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/123892","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=123892"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/123892\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/media\/123893"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=123892"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=123892"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=123892"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}