{"id":123897,"date":"2018-12-17T12:01:52","date_gmt":"2018-12-17T12:01:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=123897"},"modified":"2018-12-11T13:15:03","modified_gmt":"2018-12-11T13:15:03","slug":"portugues-a-tolice-do-anti-globalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2018\/12\/portugues-a-tolice-do-anti-globalismo\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) A tolice do Anti-globalismo"},"content":{"rendered":"<p><em>9 dez 2018 &#8211; <\/em>Est\u00e1 ocorrendo pelo mundo afora uma onda anti-globalista. Talvez haja poucas coisas mais regressivas e disparatadas no mundo atual do que esta. Havia um certo anti-globalismo, fruto do protecionismo de v\u00e1rios pa\u00edses mas que n\u00e3o amea\u00e7ava o processo geral e irrevers\u00edvel da globaliza\u00e7\u00e3o. Ela foi assumida como plataforma pol\u00edtica por Donald Trump que, segundo o pr\u00eamio Nobel em economia Paul Krugman, seria um dos presidentes mais tolos da hist\u00f3ria norte-americana. O mesmo vale para o rec\u00e9m eleito presidente, o ex-capit\u00e3o Bolsonaro e seus ministros da educa\u00e7\u00e3o e das rela\u00e7\u00f5es exteriores, negacionistas deste fen\u00f4meno que s\u00f3 desinformados e preconceituosos n\u00e3o o percebem.<\/p>\n<p>Por que se trata de um disparate dos mais insensatos? Porque vai diretamente contra a l\u00f3gica do processo hist\u00f3rico irrefre\u00e1vel. Alcan\u00e7amos um patamar novo da hist\u00f3ria da Terra e da Humanidade. Sen\u00e3o vejamos: h\u00e1 milhares de anos, os seres humanos, surgidos na \u00c1frica (somos todos africanos), come\u00e7aram a se dispersar pelo vasto mundo, come\u00e7ando pela Eur\u00e1sia e terminando na Oceania. No final do paleol\u00edtico superior, h\u00e1 quarenta mil anos, j\u00e1 ocupavam todo o planeta com cerca de um milh\u00e3o de pessoas.<\/p>\n<p>A partir do s\u00e9culo XVI come\u00e7ou a volta da di\u00e1spora. Em 1521 Fern\u00e3o de Magalh\u00e3es fez o p\u00e9riplo do planeta, comprovando que \u00e9 redondo. Cada lugar pode ser alcan\u00e7ado a partir de qualquer lugar. O projeto colonialista europeu ocidentalizou o mundo. Grandes redes, especialmente comerciais, ligaram todos com todos. Este processo se prolongou dos s\u00e9culos XVII ao XIX quando o imperialismo europeu, a ferro e fogo, submeteu a seus interesses o mundo inteiro. N\u00f3s do Extremo Ocidente nascemos j\u00e1 globalizados. Esse movimento se refor\u00e7ou no s\u00e9culo XX, depois da segunda guerra mundial. Chegou \u00e0 sua culmin\u00e2ncia nos dias atuais quando as redes sociais nos fizeram vizinhos uns dos outros, \u00e0 velocidade da luz, e a economia tomou conta do processo, especialmente atrav\u00e9s da \u201cGrande Transforma\u00e7\u00e3o\u201d(K.Polaniy) que significou a passagem de uma economia de mercado para uma sociedade de mercado. Tudo e tudo at\u00e9 o mais sagrado da verdade e da religi\u00e3o viraram mercadoria. Karl Marx na <em>Mis\u00e9ria da Filosofia<\/em>\u201d (1847) chamou isso de \u201c<em>a corrup\u00e7\u00e3o geral\u201d e da \u201cvenalidade universal<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>A globaliza\u00e7\u00e3o que os franceses preferem chamar, com melhor raz\u00e3o, de planetiza\u00e7\u00e3o, \u00e9 um fato hist\u00f3rico ineg\u00e1vel. Todos est\u00e3o se encontrando num \u00fanico lugar: no planeta Terra. Estamos na fase tiranoss\u00e1urica da globaliza\u00e7\u00e3o que vem sendo feita sob o signo da economia mundialmente integrada, voraz como o maior dos dinos, o tiranossauro, por ser profundamente inumana pela pobreza que causa e pela acumula\u00e7\u00e3o absurda que permite.<\/p>\n<p>J\u00e1 entramos na fase humano-social da globaliza\u00e7\u00e3o por alguns fatores tornados universais, como a ONU, a OMC, a FAO e outros, os direitos humanos, o esp\u00edrito democr\u00e1tico, a percep\u00e7\u00e3o de um destino comum Terra-Humanidade e de sermos uma \u00fanica esp\u00e9cie do homo sapiens sapiens e demens.<\/p>\n<p>Notamos j\u00e1 os albores da fase ecoz\u00f3ico-espiritual da globaliza\u00e7\u00e3o. A ecologia integral e a vida em sua diversidade ter\u00e3o a centralidade, n\u00e3o mais a economia, a rever\u00eancia face a todo criado e o novo acordo com a Terra, vista como M\u00e3e e um super Organismo vivo, que devemos cuidar e amar, valores profundamente espirituais. Cresce a no\u00e7\u00e3o de que somos aquela por\u00e7\u00e3o da Terra viva que num alto grau de complexidade come\u00e7ou a sentir, a pensar, a amar e a venerar. Terra e Humanidade formamos uma \u00fanica entidade, como bem testemunharam os astronautas de suas naves espaciais.<\/p>\n<p>Chegou o momento, como profetizava o arque\u00f3logo e cientista Pierre Teilhard de Chardin ainda em 1933:\u201d<em>A idade das na\u00e7\u00f5es j\u00e1 passou. Se n\u00e3o quisermos morrer \u00e9 a hora de sacudir velhos preconceitos e construir a Terra\u201d<\/em>. Ela \u00e9 a nossa \u00fanica Casa Comum que temos como enfatizou o Papa Francisco em sua enc\u00edclica \u201cSobre o cuidado da Casa Comum\u201d(2015). N\u00e3o temos outra.<\/p>\n<p>Estamos ouvindo preconceitos bizarros dos futuros governantes e de ministros de que a globaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 uma trama dos comunistas para dominar o mundo. Estes s\u00e3o aqueles que, segundo Chardin, n\u00e3o cuidam em construir a Casa Comum, mas se fazem ref\u00e9ns de seu pequeno e mesquinho mundo, do tamanho de suas cabe\u00e7as parcas de luz.<\/p>\n<p>Se eles n\u00e3o conseguem ver a nova estrela que irrompeu, o problema n\u00e3o \u00e9 da estrela mas de seus olhos cegos.<\/p>\n<p>_________________________________________________<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\"><em><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/15342-Leonardo_Boff_bio-e1517222599916.jpg\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-105405\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/15342-Leonardo_Boff_bio-e1517222599916.jpg\" alt=\"\" width=\"100\" height=\"75\" \/><\/a><\/em><em>Leonardo Boff \u00e9 um escritor, te\u00f3logo e fil\u00f3sofo brasileiro, professor em\u00e9rito de \u00e9tica e filosofia da religi\u00e3o da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, recebedor do <\/em><strong><em>Pr\u00eamio Nobel Alternativo da Paz<\/em><\/strong><em> do Parlamento sueco [<\/em><strong><em>Right Livelihood Award<\/em><\/strong><em>]em 2001, membro da Iniciativa Internacional da Carta da Terra, e professor visitante em v\u00e1rias universidades estrangeiras como Basel, Heidelberg, Harvard, Lisboa e Salamanca. Expoente da <\/em><em><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Teologia_da_Liberta%C3%A7%C3%A3o\" >Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o<\/a><\/em><em> no Brasil, foi membro da Ordem dos Frades Menores, mais conhecidos como Franciscanos. \u00c9 respeitado pela sua hist\u00f3ria de defesa pelas causas sociais e atualmente debate tamb\u00e9m quest\u00f5es ambientais. Colunista do <\/em>Jornal do Brasil<em>, escreveu os livros<\/em> Francisco de Assis: Ternura e Vigor, <em>Vozes 2000; <\/em>\u00a0A Terra na palma da m\u00e3o: uma nova vis\u00e3o do planeta e da humanidade<em>,Vozes 2016;\u00a0 <\/em>Cuidar da Terra \u2013 proteger a vida: como escapar do fim do mundo<em>, Record 2010; <\/em>\u00a0<em>A <\/em>hospitalidade: Direito e dever de todos, <em>Vozes 2005<\/em>; Paix\u00e3o de Cristo, paix\u00e3o do mundo<em>, Vozes 2001<\/em>; Brasil: Concluir a refunda\u00e7\u00e3o ou prolongar a depend\u00eancia, <em>Vozes 2018. Boff escreveu <\/em><em>\u201cDestino e Desatino da Globaliza\u00e7\u00e3o\u201d em<\/em><em>: Do iceberg \u00e0 Arca de No\u00e9,<\/em><em> Mar de Ideias, Rio 2010 pp. 41-63.<\/em><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/leonardoboff.wordpress.com\/2018\/12\/09\/a-tolice-do-anti-globalismo\/\" >Go to Original \u2013 leonardoboff.wordpress.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>9 dez 2018 &#8211; Est\u00e1 ocorrendo pelo mundo afora uma onda anti-globalista. Talvez haja poucas coisas mais regressivas e disparatadas no mundo atual do que esta. Por que se trata de um disparate dos mais insensatos? Porque vai diretamente contra a l\u00f3gica do processo hist\u00f3rico irrefre\u00e1vel. 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