{"id":1283,"date":"2009-02-19T00:00:00","date_gmt":"2009-02-19T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost\/wordpress\/2009\/02\/portuguese-em-debate-monsanto-%e2%80%93-verdades-e-mentiras-sobre-os-transgenicos\/"},"modified":"2009-02-19T00:00:00","modified_gmt":"2009-02-19T00:00:00","slug":"portuguese-em-debate-monsanto-%e2%80%93-verdades-e-mentiras-sobre-os-transgenicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2009\/02\/portuguese-em-debate-monsanto-%e2%80%93-verdades-e-mentiras-sobre-os-transgenicos\/","title":{"rendered":"(PORTUGUESE) EM DEBATE: MONSANTO \u2013 VERDADES E MENTIRAS SOBRE OS TRANSGENICOS"},"content":{"rendered":"<p><em>O uso de transg&ecirc;nicos pode ser a solu&ccedil;&atilde;o para acabar com a fome no mundo. A ideia foi defendida pelo vice-presidente da Monsanto, Jerry Steiner, em entrevista recentemente cedida ao jornal espanhol El Pa&iacute;s. <\/em><\/p>\n<p>O empres&aacute;rio defende a imagem da empresa, afirmando que a Monsanto &eacute; uma entidade preocupada com o meio ambiente, e ressalta que os agricultores de todo mundo utilizam as sementes transg&ecirc;nicas por op&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o porque s&atilde;o for&ccedil;ados a isso. <\/p>\n<p>A Radioag&ecirc;ncia NP entrevistou dois especialistas no assunto, utilizando como base para as perguntas as repostas dadas por Jerry Steiner. O assessor t&eacute;cnico da Assessoria e Servi&ccedil;os a Projetos em Agricultura Alternativa (Aspta), Gabriel Fernandes, e o professor do instituto de sociologia da Universidade Johannes-Kepler de Linz (&Aacute;ustria), Antonio Andrioli, tiveram a miss&atilde;o de rebater os argumentos dados pelo empres&aacute;rio. <br \/><strong><br \/>RNP &ndash; <\/strong>Andrioli, o vice-presidente, Jerry Steiner, introduz a conversa falando dos transg&ecirc;nicos como solu&ccedil;&atilde;o para o combate a fome no mundo. O que voc&ecirc; tem a dizer sobre isso? <\/p>\n<p><strong>Antonio Andrioli &ndash; <\/strong>Bom, esse argumento n&atilde;o &eacute; nada novo. Em primeiro lugar, &eacute; preciso dizer que nunca esteve nos objetivos dessas empresas, como a Monsanto, o combate &agrave; fome. N&oacute;s temos, no debate sobre a fome, uma clara evid&ecirc;ncia de que n&atilde;o se trata de um problema t&eacute;cnico e sim distributivo. <\/p>\n<p>Ou seja, n&oacute;s temos uma produ&ccedil;&atilde;o de alimentos no mundo superior &agrave;s pessoas que comem, mesmo assim n&oacute;s temos em torno de 900 milh&otilde;es de pessoas passando fome porque o acesso a esses alimentos &eacute; dificultado pela l&oacute;gica do mercado. Esse acesso tem sido dificultado inclusive pela introdu&ccedil;&atilde;o dos transg&ecirc;nicos, visto que com eles, h&aacute; uma necessidade dos agricultores aumentarem sua &aacute;rea de cultivo para compensar os altos custos e a baixa produtividade destes cultivos. <\/p>\n<p>Ent&atilde;o, nesse sentido n&oacute;s temos uma elimina&ccedil;&atilde;o dos pequenos agricultores, respons&aacute;veis por 70% da produ&ccedil;&atilde;o mundial de alimentos [para consumo humano]. Ent&atilde;o, n&atilde;o &eacute; um problema de baixa produtividade, e mesmo que fosse esse o problema, todos os transg&ecirc;nicos que existem hoje no mundo n&atilde;o s&atilde;o mais produtivos que os cultivos convencionais. <br \/><strong><br \/>RNP &ndash;<\/strong> Gabriel, apesar de a semente transg&ecirc;nica ser mais cara para o agricultor, Steiner diz que compensa, j&aacute; que, depois, o rendimento dessas sementes seria melhor. Voc&ecirc; concorda? <\/p>\n<p><strong>Gabriel Fernandes &#8211; <\/strong>N&atilde;o. Isso na verdade faz parte da propaganda das empresas. N&oacute;s que acompanhamos essa discuss&atilde;o h&aacute; algum tempo, vemos que as principais promessas que a ind&uacute;stria da transgenia faz at&eacute; hoje n&atilde;o foram verificadas a campo. Elas dizem que v&atilde;o reduzir o uso de agrot&oacute;xicos e, na verdade, o que os dados comprovam &eacute; que aumenta o uso de veneno. Elas falam que a produ&ccedil;&atilde;o vai aumentar e os v&aacute;rios estudos, pesquisas, inclusive as evid&ecirc;ncias de campo, mostram que os transg&ecirc;nicos n&atilde;o produzem mais. <\/p>\n<p>Ent&atilde;o, o que esse modelo de agricultura vai fazer na verdade &eacute; deixar os agricultores cada vez mais dependentes dessas poucas empresas, a Monsanto e mais umas tr&ecirc;s ou quatro. &Eacute; um modelo que n&atilde;o vai resolver o problema da fome, pelo contr&aacute;rio, ele vai criar mais problema no campo por cada vez mais reduzir a autonomia dos agricultores. <\/p>\n<p>Se os agricultores dependem das sementes que essas empresas fornecem, eles acabam dependendo tamb&eacute;m do pacote tecnol&oacute;gico inteiro, ou seja, de todos os insumos, os agrot&oacute;xicos e os adubos, porque as sementes transg&ecirc;nicas s&atilde;o modificadas em laborat&oacute;rio exatamente para amarrar cada vez mais essa depend&ecirc;ncia entre as sementes e os insumos. <br \/><strong><br \/>RNP &ndash; <\/strong>Andrioli, Jerry Steiner afirma que a Monsanto sempre trabalha de modo que os agricultores tenham a op&ccedil;&atilde;o de escolha e utilizam a semente transg&ecirc;nica porque querem. O que voc&ecirc; tem a dizer sobre isso? <br \/><strong><br \/>Andrioli &ndash;<\/strong> N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel a coexist&ecirc;ncia de cultivos trang&ecirc;nicos com n&atilde;o-transg&ecirc;nicos. Isso &eacute; mais complicado ainda em plantas de poliniza&ccedil;&atilde;o aberta, como &eacute; o caso do milho, e menos complicado no caso da soja. Mas n&oacute;s tivemos, mesmo com a soja, a contamina&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>N&oacute;s sabemos que ela existe, desde o transporte at&eacute; o uso da mesma semeadeira, e tamb&eacute;m em fun&ccedil;&atilde;o da estrutura agr&aacute;ria para os pequenos agricultores que t&ecirc;m uma &aacute;rea muito pr&oacute;xima um do outro [a planta&ccedil;&atilde;o transg&ecirc;nica acaba contaminando a vizinha]. E o que n&oacute;s vemos no mundo inteiro &eacute; que h&aacute; um aumento dos cultivos transg&ecirc;nicos, em primeiro lugar por esse fator da contamina&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>N&oacute;s temos o M&eacute;xico onde isso &eacute; muito claro. N&oacute;s temos uma proibi&ccedil;&atilde;o do milho transg&ecirc;nico no pa&iacute;s onde surgiu o milho. Ent&atilde;o, no mundo inteiro vemos que n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel a coexist&ecirc;ncia e, sendo assim, os agricultores que cultivam de forma org&acirc;nica t&ecirc;m sido obrigados a migrar para o transg&ecirc;nico em fun&ccedil;&atilde;o da contamina&ccedil;&atilde;o que ocorreu. <br \/><strong><br \/>RNP &ndash; <\/strong>Steiner tamb&eacute;m afirma que os transg&ecirc;nicos reduzem a necessidade de utiliza&ccedil;&atilde;o de agrot&oacute;xicos. <br \/><strong><br \/>Andrioli &ndash;<\/strong> N&oacute;s sabemos que nos primeiros anos de cultivo das plantas resistentes a herbicida, n&oacute;s utilizamos apenas um princ&iacute;pio ativo, que no caso &eacute; o glifosato, cuja marca comercial se chama Roundup. &Eacute; claro ent&atilde;o que nos primeiros anos, utilizamos menos, mesmo porque trata-se de um produto que agora est&aacute; sendo usado em substitui&ccedil;&atilde;o a outros produtos que j&aacute; haviam gerado uma resist&ecirc;ncia em determinados &iacute;ndices. <\/p>\n<p>S&oacute; que o mesmo fen&ocirc;meno que j&aacute; tinha acontecido com as outras plantas invasoras, agora acontece com o glifosato em uma propor&ccedil;&atilde;o muito maior e em uma velocidade muito mais r&aacute;pida, porque estamos utilizando apenas um princ&iacute;pio ativo. E n&oacute;s sabemos, do ponto de vista da biologia, que se utilizarmos apenas um princ&iacute;pio ativo e nas doses em que se est&aacute; utilizando, vai se gerar uma resist&ecirc;ncia, e isso fez com que, no segundo e terceiro anos, j&aacute; os agricultores tiveram que usar maiores doses do herbicida e hoje n&oacute;s temos no Rio Grande do Sul, por exemplo, segundo o Ibama, 85% a mais de aplica&ccedil;&atilde;o de herbicidas do que anteriormente. <\/p>\n<p><strong>RNP &ndash; <\/strong>N&oacute;s sabemos que a ocupa&ccedil;&atilde;o de um territ&oacute;rio com o cultivo de apenas uma esp&eacute;cie de semente acaba com a diversidade e provoca o surgimento de novas pragas. Cite um exemplo de onde isso ocorreu.<\/p>\n<p><strong>Andrioli &ndash;<\/strong> Vou dar um exemplo claro de como se produz uma praga. Existe no Brasil um inseto chamado L&aacute;gria Villosa, popularmente conhecido como idi-amim. Esse inseto comia v&aacute;rias plantas, por exemplo, uma chamada caruru que os agricultores sabiam muito bem que n&atilde;o deveriam carpinar ela fora, ou na aplica&ccedil;&atilde;o de herbicida, se deveria evitar que essa planta fosse destru&iacute;da, porque o idi-amim comia essa planta. <\/p>\n<p>Agora com o glifosato, n&oacute;s estamos eliminando a maioria das plantas e deixando somente a soja. &Eacute; claro que esse inseto vai come&ccedil;ar a atacar a soja. &Eacute; o que est&aacute; acontecendo em fun&ccedil;&atilde;o da uniformiza&ccedil;&atilde;o, ao achar que em uma planta&ccedil;&atilde;o se deve ter apenas soja, n&oacute;s estamos produzindo novas pragas. <\/p>\n<p><strong>RNP &ndash;<\/strong> Gabriel, o que &eacute; a semente terminator? Qual seria a vantagem de plant&aacute;-la?<\/p>\n<p><strong>Gabriel F.&ndash;<\/strong> Vantagem n&atilde;o tem nenhuma, pelo contr&aacute;rio, apenas h&aacute; riscos e danos. Terminator &eacute; um tipo de semente transg&ecirc;nica que al&eacute;m de ter a caracter&iacute;stica da transgenia, como a resist&ecirc;ncia a herbicida ou resist&ecirc;ncia a algum inseto, ela tamb&eacute;m foi geneticamente modificada para n&atilde;o germinar. Ent&atilde;o, esse seria o controle absoluto das empresas sobre as sementes. <\/p>\n<p>O agricultor compra a semente transg&ecirc;nica uma vez, planta e se ele colher para plantar de novo, essas mesmas sementes n&atilde;o v&atilde;o germinar. Seria uma forma biol&oacute;gica de impedir o agricultor de fazer aquilo que os agricultores sempre fizeram que &eacute; plantar, colher, selecionar as melhores sementes e plantar no ano seguinte. Ent&atilde;o, isso mostra qual &eacute; o grande objetivo das empresas, que &eacute; de conquistar essa depend&ecirc;ncia dos agricultores, fazer com que eles fiquem cada vez mais dependentes das sementes das empresas. <\/p>\n<p>Essas sementes terminators n&atilde;o est&atilde;o liberadas em nenhum pa&iacute;s do mundo. Elas n&atilde;o podem ser plantadas e a legisla&ccedil;&atilde;o no Brasil pro&iacute;be. Elas n&atilde;o foram testadas a campo. &Eacute; um projeto que as empresas t&ecirc;m e segue engavetado, mas acreditamos que quando elas sentirem que o ambiente est&aacute; favor&aacute;vel, v&atilde;o tentar pedir a aprova&ccedil;&atilde;o dessas sementes. Por enquanto isso n&atilde;o pode ser comercializado. <\/p>\n<p><strong>RNP &ndash; <\/strong>Os pa&iacute;ses subdesenvolvidos s&atilde;o cada vez mais usados para testar a planta&ccedil;&atilde;o de cultivos transg&ecirc;nicos. Isso &eacute; verdade? <\/p>\n<p><strong>Gabriel F.&ndash; <\/strong>T&ecirc;m alguns pa&iacute;ses que sim, por exemplo, na &Aacute;frica. A &Aacute;frica do Sul, por mais que n&atilde;o seja o pa&iacute;s mais pobre do continente, serve como uma vitrine da transgenia para o resto do continente. As empresas t&ecirc;m na &Aacute;frica do Sul uma s&eacute;rie de plantios experimentais, parcerias com empresas e universidades, para mostrar ali, do ponto de vista deles, que a tecnologia &eacute; vi&aacute;vel e usar isso como se fosse uma porta de entrada para o restante do continente. <\/p>\n<p>Na Am&eacute;rica Central, tamb&eacute;m tem alguns pa&iacute;ses que pelas caracter&iacute;sticas ambientais, de clima e tudo, recebem uma quantidade muito grande de experimentos. As empresas conseguem cultivar os transg&ecirc;nicos o ano inteiro, fazendo as experi&ecirc;ncias e depois exportam isso para outros pa&iacute;ses. <br \/><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.radioagencianp.com.br\/index.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=6263&amp;Itemid=43\" ><br \/>GO TO ORIGINAL &ndash; RADIOAGENCIA NOT&Iacute;CIAS DO PLANALTO<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O uso de transg&ecirc;nicos pode ser a solu&ccedil;&atilde;o para acabar com a fome no mundo. A ideia foi defendida pelo vice-presidente da Monsanto, Jerry Steiner, em entrevista recentemente cedida ao jornal espanhol El Pa&iacute;s. 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