{"id":13361,"date":"2011-07-11T12:00:49","date_gmt":"2011-07-11T11:00:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=13361"},"modified":"2011-07-07T18:06:19","modified_gmt":"2011-07-07T17:06:19","slug":"portuguese-israel-o-tsunami-que-esta-a-chegar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2011\/07\/portuguese-israel-o-tsunami-que-esta-a-chegar\/","title":{"rendered":"(Portuguese) Israel: O Tsunami Que Est\u00e1 a Chegar"},"content":{"rendered":"<p><em>Os palestinianos est\u00e3o a trabalhar para obter o reconhecimento formal da sua soberania na reuni\u00e3o de Outono da Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas. A sua inten\u00e7\u00e3o \u00e9 solicitar uma declara\u00e7\u00e3o de que o Estado existe dentro das fronteiras de 1967, anteriores \u00e0 guerra israelo-palestiniana. <\/em><\/p>\n<p>\u00c9 quase certo que a vota\u00e7\u00e3o ser\u00e1 favor\u00e1vel. A \u00fanica quest\u00e3o, no momento, \u00e9 qu\u00e3o favor\u00e1vel.<\/p>\n<p>A lideran\u00e7a pol\u00edtica israelita est\u00e1 bem ciente disso. Est\u00e1 a discutir tr\u00eas diferentes respostas. A posi\u00e7\u00e3o dominante parece ser a do primeiro-ministro Netanyahu, que prop\u00f5e ignorar totalmente a resolu\u00e7\u00e3o e simplesmente manter as pol\u00edticas actuais do governo israelita. Netanyahu sabe que a Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas h\u00e1 muito tempo que adopta resolu\u00e7\u00f5es desfavor\u00e1veis a Israel, que este pa\u00eds tem ignorado com sucesso. Por que seria esta diferente?<\/p>\n<p>H\u00e1 alguns pol\u00edticos da extrema-direita (sim, h\u00e1 uma posi\u00e7\u00e3o ainda mais \u00e0 direita que a de Netanyahu) que dizem que, em repres\u00e1lia, Israel devia anexar formalmente todos os territ\u00f3rios palestinianos ocupados actualmente e acabar com toda a conversa sobre negocia\u00e7\u00f5es. Alguns tamb\u00e9m querem for\u00e7ar a um \u00eaxodo das popula\u00e7\u00f5es n\u00e3o-judaicas deste estado de Israel expandido.<\/p>\n<p>O ex-primeiro-ministro (e actual ministro da Defesa) Ehud Barak, cuja base pol\u00edtica \u00e9 hoje quase inexistente, adverte que Netanyahu est\u00e1 a ser irrealista. Barak diz que a resolu\u00e7\u00e3o vai ser um tsunami em Israel, e que, portanto, seria mais s\u00e1bio que Netanyahu fizesse alguma tipo de acordo com os palestinianos agora, antes que a resolu\u00e7\u00e3o seja aprovada.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que Barak tem raz\u00e3o? A resolu\u00e7\u00e3o vai ser um tsunami para Israel? H\u00e1 uma grande possibilidade de que assim seja. Mas n\u00e3o existe praticamente qualquer hip\u00f3tese de que Netanyahu siga os conselhos de Barak e tente seriamente fazer antes um acordo com os palestinianos.<\/p>\n<p>Pensem no que provavelmente vai acontecer na pr\u00f3pria Assembleia Geral. Sabemos que a maioria dos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina (talvez todos) e uma percentagem muito grande de pa\u00edses da \u00c1frica e da \u00c1sia v\u00e3o votar a favor da resolu\u00e7\u00e3o. Sabemos que os Estados Unidos v\u00e3o votar contra e tentar persuadir outros a acompanhar essa posi\u00e7\u00e3o. Os votos incertos s\u00e3o os da Europa. Se os palestinianos conseguirem obter um n\u00famero significativo de votos europeus, a sua posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ficar\u00e1 muito refor\u00e7ada.<\/p>\n<p>V\u00e3o os europeus votar nesta resolu\u00e7\u00e3o? Depende, em parte, do que aconte\u00e7a em todo o mundo \u00e1rabe nos pr\u00f3ximos dois meses. Os franceses j\u00e1 sugeriram abertamente que v\u00e3o apoi\u00e1-la, a menos que ocorram progressos significativos nas negocia\u00e7\u00f5es de Israel com os palestinianos (que no momento sequer est\u00e3o a ocorrer). Se o fizerem, \u00e9 quase certo que os governos do Sul da Europa se juntem a eles. O mesmo podem fazer os pa\u00edses n\u00f3rdicos. \u00c9 uma quest\u00e3o mais em aberto se a Gr\u00e3-Bretanha, Alemanha e Holanda est\u00e3o prontas a juntar-se a eles. Se estes pa\u00edses decidirem apoiar a resolu\u00e7\u00e3o, poder\u00e3o resolver as hesita\u00e7\u00f5es de v\u00e1rios pa\u00edses do leste europeu. Neste caso, a resolu\u00e7\u00e3o obteria a grande maioria dos votos da Europa.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso olhar, portanto, para o que est\u00e1 a acontecer no mundo \u00e1rabe. A segunda revolta \u00e1rabe ainda est\u00e1 em pleno andamento. Seria temer\u00e1rio prever exactamente quais regimes v\u00e3o cair e quais v\u00e3o aguentar firmemente nos pr\u00f3ximos dois meses. O que parece claro \u00e9 que os palestinianos est\u00e3o \u00e0 beira de desencadear uma terceira intifada. Mesmo os mais conservadores entre os palestinianos parecem ter perdido a esperan\u00e7a de que possa haver um acordo negociado com Israel. Esta \u00e9 a mensagem clara do acordo entre a Fatah e o Hamas. E dado que as popula\u00e7\u00f5es de praticamente todos os estados \u00e1rabes est\u00e3o em revolta pol\u00edtica directa contra os seus regimes, como poderiam os palestinianos permanecer relativamente tranquilos? N\u00e3o v\u00e3o ficar quietos.<\/p>\n<p>E se n\u00e3o ficarem quietos, o que v\u00e3o fazer os outros regimes \u00e1rabes? Todos eles est\u00e3o a passar por grandes dificuldades, para dizer o m\u00ednimo, para controlar as revoltas nos seus pr\u00f3prios pa\u00edses. Apoiar activamente uma terceira intifada seria a posi\u00e7\u00e3o mais f\u00e1cil de tomar, como parte do esfor\u00e7o de recuperar o controlo do seu pr\u00f3prio pa\u00eds. Que regime se atreveria a n\u00e3o apoiar a terceira intifada? O Egipto j\u00e1 mudou claramente nesta direc\u00e7\u00e3o. E o rei Abdullah da Jord\u00e2nia deu a entender que tamb\u00e9m ele o pode fazer.<\/p>\n<p>Imaginem ent\u00e3o a sequ\u00eancia: uma terceira intifada, seguida pelo apoio \u00e1rabe activo, seguida pela intransig\u00eancia israelita. Que far\u00e3o ent\u00e3o os europeus? \u00c9 dif\u00edcil v\u00ea-los a recusar-se a votar a favor da resolu\u00e7\u00e3o. Poder\u00edamos facilmente chegar a uma vota\u00e7\u00e3o com apenas os votos contra de Israel, dos Estados Unidos, e de uns poucos pequenos pa\u00edses, e talvez umas poucas absten\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A mim, isto soa como um poss\u00edvel tsunami. O maior medo de Israel nos \u00faltimos anos tem sido a \u201cdeslegitima\u00e7\u00e3o\u201d. N\u00e3o seria uma vota\u00e7\u00e3o como essa precisamente um processo de deslegitima\u00e7\u00e3o? E n\u00e3o ir\u00e1 o isolamento dos Estados Unidos nesta vota\u00e7\u00e3o enfraquecer ainda mais a sua posi\u00e7\u00e3o no mundo \u00e1rabe como um todo? O que far\u00e3o ent\u00e3o os Estados Unidos?<\/p>\n<p><em>Tradu\u00e7\u00e3o, revista pelo autor, de Luis Leiria para o Esquerda.net.<\/em><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.esquerda.net\/opiniao\/israel-o-tsunami-que-est%C3%A1-chegar\" >Go to Original \u2013 esquerda.net<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os palestinianos est\u00e3o a trabalhar para obter o reconhecimento formal da sua soberania na reuni\u00e3o de Outono da Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas. A sua inten\u00e7\u00e3o \u00e9 solicitar uma declara\u00e7\u00e3o de que o Estado existe dentro das fronteiras de 1967, anteriores \u00e0 guerra israelo-palestiniana. \u00c9 quase certo que a vota\u00e7\u00e3o ser\u00e1 favor\u00e1vel. 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