{"id":13482,"date":"2011-07-11T14:13:02","date_gmt":"2011-07-11T13:13:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=13482"},"modified":"2011-07-11T14:13:02","modified_gmt":"2011-07-11T13:13:02","slug":"portuguese-cronica-guia-para-se-livrar-de-um-zumbi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2011\/07\/portuguese-cronica-guia-para-se-livrar-de-um-zumbi\/","title":{"rendered":"(Portuguese) Cronica &#8211; Guia Para se Livrar de Um Zumbi"},"content":{"rendered":"<p><em>Nesta semana que viu um centen\u00e1rio jornal bater as botas e ir para a cucuia (meu estilo \u00e9 popular como um tabloide de Rupert Murdoch), optei por falar da imprensa alternativa, que mencionei na coluna de sexta-feira, sob a forma simp\u00e1tica e inofensiva do jornal de bairro, uma tradi\u00e7\u00e3o sem grampos, esc\u00e2ndalos ou mulher pelada na terceira p\u00e1gina.<\/em><\/p>\n<p>Leviandade por leviandade, eu prefiro as minhas \u201ctraje passeio\u201d, conforme se dizia.<\/p>\n<p>Faltou falar de novo no jornal de metr\u00f4, distribu\u00eddo gratuitamente nesse popular ve\u00edculo de transporte e, agora, de comunica\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>H\u00e1 menos canalhices. L\u00e1 est\u00e3o as quest\u00f5es s\u00e9rias ou enfezadas a que estamos todos sujeitos. Mas d\u00e3o destaque tamb\u00e9m, felizmente, \u00e0s tolices inofensivas, pois elas tamb\u00e9m, talvez mais at\u00e9 do que pensamos, fazem parte de nossa ra\u00e7\u00e3o di\u00e1ria de informa\u00e7\u00f5es. J\u00e1 falei do jornaleco \u2013 e uso o termo sem desdenhar \u2013 antes.<\/p>\n<p>Ontem, domingo, comemorou-se, de uma forma geral, o fim de um \u00f3rg\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o, o tabloide <em>News of The World<\/em>, de 168 anos, 145 deles contribuindo no formato e no conte\u00fado s\u00f3brio, por muitas vezes de utilidade p\u00fablica, ou seja, dando uma boa pedrada nessa ra\u00e7a perigosa a que chamam de \u201cpol\u00edticos\u201d.<\/p>\n<p>Foi em 1968, quando aqui cheguei pela primeira vez, que o ant\u00edpoda Rupert Murdoch cravou suas garras no hoje tabloide ultra-sensacionalista <em>News of The World<\/em>, que, entre seus triunfos at\u00e9 ent\u00e3o, tinha a honra de ter derrubado ministro da Guerra mendaz, John Profumo, que mentira no Parlamento (na \u00e9poca pegava mal) ao negar sua rela\u00e7\u00e3o com senhoritas de vida airada, como o pr\u00f3prio <em>NoW<\/em> (abreviando) de ent\u00e3o diria, as not\u00f3rias garotas de programa, Christine Keeler e Mandy Rice-Davies.<\/p>\n<p>O drama-farsa foi aos tribunais, uma vez que, de seu enredo, faziam parte um gigol\u00f4, um osteopata bem, mas muito bem relacionado, o doutor Stephen Ward, e um adido da embaixada sovi\u00e9tica, Yevgeny Ivanov, na verdade espi\u00e3o, pois espionar n\u00e3o era, ent\u00e3o, privil\u00e9gio, do quinto poder, embora fosse bem menos \u201ct\u00f3xico\u201d, como os ingleses gostam de dizer, do que os atuais jornalistas e seus arsenais tecnol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>Profumo cumpriu pena, e, mais, redimiu-se, ap\u00f3s dedicar o resto de sua vida passando a cuidar dos pobres. Recebeu comenda real.<\/p>\n<p>Stephen Ward suicidou-se de vergonha (\u00e9, nos anos 60, com maconha, minissaia, <em>swinging London<\/em> e tudo, ainda havia vergonha na cara), o russo voltou para seu pa\u00eds e as mo\u00e7oilas tiveram seus 15 minutos de popularidade seguidos de anos de dinheiro curto e olvido.<\/p>\n<p>Visto isso, para dar uma ideia de em que base funcionava o falecido \u00f3rg\u00e3o que neste domingo que passou, passou desta para, espero, pior, volto ao <em>Metro<\/em>, o jornal do metr\u00f4. Sim, noticiaram a transubstancia\u00e7\u00e3o do <em>NoW<\/em>, que deve voltar, tudo indica, aos seus s\u00f3rdidos trabalhos habituais, com base em outro t\u00edtulo do est\u00e1bulo do hoje cidad\u00e3o americano Rupert Murdoch, dono talvez do maior imp\u00e9rio de comunica\u00e7\u00e3o (n\u00e3o chamemos de social que d\u00e1 um mau nome ao g\u00eanero) do mundo, a Fox. \u00c9, aquela dos filmes. Dos Simpsons. Daquelas s\u00e9ries todas, umas muito boas. Chato, n\u00e9?<\/p>\n<p>Voltemos ao banco do metr\u00f4 onde deixaram, como \u00e9 educado h\u00e1bito, na movimentada sexta-feira, 8 de de julho, quando tudo acontecia com o <em>NoW<\/em>, um exemplar do irm\u00e3o pobre do trabuco ainda soltando fuma\u00e7a de Murdoch: um guia para voc\u00ea reconhecer um zumbi em caso de invas\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse o t\u00edtulo da mat\u00e9ria de meia-p\u00e1gina \u00edmpar e quatro cores (juro!), com todos os dados direitinho no lugar sem recorrer a informante policial ou grampo.Empregando apenas um documento divulgado, sem goza\u00e7\u00e3o (n\u00e3o juro), pelo Conselho Municipal da cidade de Bristol, no sudoeste da Inglaterra, um pr\u00f3spero centro cultural que vive principalmente da pesca.<\/p>\n<p>O guia foi elaborado devido a pedidos dos contribuintes da cidade. Segundo o documento oficial, s\u00f3 haver\u00e1 motivo para p\u00e2nico quando as infec\u00e7\u00f5es provocadas pelos zumbis atingirem 30% da popula\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o nivel pand\u00eamico da praga dos zumbis.<\/p>\n<p>O Conselho de Bristol dever\u00e1 \u2013 continuo falando s\u00e9rio o que s\u00e9rio foi feito e dito \u2013 designar um esquema de treinamento para enfentar os zumbis.<\/p>\n<p>Encerro dando algumas das informa\u00e7\u00f5es que o Conselho adiantou aos seus cidad\u00e3os, que, porventura, n\u00e3o tenham visto nenhum dos filmes do espl\u00eandido americano George A. Romero.<\/p>\n<p>Recomenda-se o uso de armas de choque e algemas (algemas?). Tentar desconectar a cabe\u00e7a do zumbi do resto de seu corpo com objeto cortante ou equivalente. Ficar atento aos meios de comunica\u00e7\u00e3o (\u00e0 exce\u00e7\u00e3o \u00f3bvia do <em>NoW<\/em>).<\/p>\n<p>Evitar contato direto e desprotegido com os zumbis. E, principalmente, cuidado ao se aproximar de um zumbi, pois eles s\u00e3o extremamente agressivos.<\/p>\n<p>N\u00e3o mencionaram a hip\u00f3tese de uma poss\u00edvel ressurrei\u00e7\u00e3o de nosso Zumbi (do quimbundo \u201cduende\u201d ou \u201cfeiticeiro\u201d) dos Palmares, abandonando seu busto no nordeste do Brasil (embaixo l\u00ea-se \u201cL\u00edder Negro de Todas as Ra\u00e7as\u201d) e pegando, ilegalmente, claro, a dire\u00e7\u00e3o da precavida cidade de Bristol.<\/p>\n<p>Esse Zumbi, meio refugiado, eu deixaria em paz. O pobre homem j\u00e1 teve, em sua \u00e9poca, a cabe\u00e7a cortada, salgada e exposta em pra\u00e7a p\u00fablica.<\/p>\n<p>Quanto ao resto da zumbirada, sugeriria eu tentar uma vaga numa das empreitadas de Rupert Murdoch.<\/p>\n<p class=\"ingress\"><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.bbc.co.uk\/portuguese\/noticias\/2011\/07\/110711_ivanlessa_tp.shtml\" >Go to Original \u2013 bbc.co.uk\/portuguese<\/a><em><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta semana que viu um centen\u00e1rio jornal bater as botas e ir para a cucuia (meu estilo \u00e9 popular como um tabloide de Rupert Murdoch), optei por falar da imprensa alternativa, que mencionei na coluna de sexta-feira, sob a forma simp\u00e1tica e inofensiva do jornal de bairro, uma tradi\u00e7\u00e3o sem grampos, esc\u00e2ndalos ou mulher pelada na terceira p\u00e1gina. 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