{"id":144870,"date":"2019-10-14T12:00:13","date_gmt":"2019-10-14T11:00:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=144870"},"modified":"2019-10-08T09:21:49","modified_gmt":"2019-10-08T08:21:49","slug":"portugues-mark-twain-um-porta-voz-dos-animais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2019\/10\/portugues-mark-twain-um-porta-voz-dos-animais\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) Mark Twain, um Porta-Voz dos Animais"},"content":{"rendered":"<blockquote><p><em>&#8220;O fato de que o homem pode agir erradamente prova a sua inferioridade moral em rela\u00e7\u00e3o a toda criatura que n\u00e3o pode\u201d .<\/em><\/p><\/blockquote>\n<div id=\"attachment_144871\" style=\"width: 510px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/mark-twain-cats-1-1.jpg\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-144871\" class=\"wp-image-144871\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/mark-twain-cats-1-1.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"263\" srcset=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/mark-twain-cats-1-1.jpg 640w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/mark-twain-cats-1-1-300x158.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-144871\" class=\"wp-caption-text\">\u201cEle [o ser humano] \u00e9 o \u00fanico que causa dor por esporte e com consci\u00eancia de que isso causa dor\u201d.\u00a0 (Acervo Getty)<\/p><\/div>\n<p><em>4 ago 2019 &#8211; <\/em>Um dos mais proeminentes escritores dos Estados Unidos, o jornalista, romancista e humorista Mark Twain publicou dois livros que fazem parte da lista de obras essenciais da literatura mundial \u2013\u00a0<em>The Adventures of Tom Sawyer<\/em>, de 1876, e\u00a0<em>The Adventures of Huckleberry Finn<\/em>, de 1885. No entanto, o que pouca gente sabe at\u00e9 hoje \u00e9 que Twain foi um importante defensor dos direitos animais.<\/p>\n<blockquote><p><em>\u201cDe todas as criaturas, o homem \u00e9 a mais detest\u00e1vel. De todas, somente ele possui mal\u00edcia. Ele \u00e9 o \u00fanico que causa dor por esporte e com consci\u00eancia de que isso causa dor. O fato de que o homem sabe distinguir o certo do errado prova a sua superioridade intelectual em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s outras criaturas. Mas o fato de que ele pode agir erradamente prova a sua inferioridade moral em rela\u00e7\u00e3o a toda criatura que n\u00e3o pode\u201d<\/em>, escreveu Twain em seu livro de ensaios\u00a0<em>What Is Man?<\/em>, publicado em 1908.<\/p><\/blockquote>\n<p>Na obra, Twain apresenta um homem jovem e um idoso conversando sobre a natureza humana. Enquanto o mais velho, que oscila entre o pragmatismo e o pessimismo, define o ser humano como algu\u00e9m que vive para si mesmo, o rapaz, como bom questionador, pede que ele se aprofunde em suas explana\u00e7\u00f5es, assim equilibrando a discuss\u00e3o. \u00c0 \u00e9poca, o escritor decidiu lan\u00e7ar\u00a0<em>What Is Man?<\/em>\u00a0de forma an\u00f4nima, at\u00e9 que se arrependeu de t\u00ea-lo publicado quando percebeu que a maioria dos leitores pouco se interessava pelo assunto.<\/p>\n<p>Mesmo ap\u00f3s sua morte, em 21 de abril de 1910, em Redding, Connecticut, em decorr\u00eancia de um ataque card\u00edaco aos 74 anos, seu livro de ensaios ainda recebeu cr\u00edticas inflex\u00edveis. A maior delas talvez seja uma do\u00a0<em>New York Tribune<\/em>\u00a0que qualificou seu livro como uma obra antirreligiosa e sombria, mesmo ele chamando a aten\u00e7\u00e3o para quest\u00f5es de grande import\u00e2ncia como o tratamento que os seres humanos d\u00e3o aos animais.<\/p>\n<p>Embora haja controv\u00e9rsias sobre ele ter sido ou n\u00e3o vegetariano em algum momento de sua vida, j\u00e1 que h\u00e1 pesquisadores que afirmam que Mark Twain consumia alimentos de origem animal, ele demonstrava ser um sens\u00edvel em rela\u00e7\u00e3o a v\u00e1rias quest\u00f5es pertinentes ao respeito \u00e0 vida n\u00e3o humana. Um exemplo \u00e9 a passagem abaixo, revelando grande remorso ap\u00f3s atirar em um passarinho na inf\u00e2ncia:<\/p>\n<p>\u201cEu atirei em um p\u00e1ssaro sentado em uma \u00e1rvore alta, com a cabe\u00e7a inclinada para tr\u00e1s e derramando uma grata can\u00e7\u00e3o de seu inocente cora\u00e7\u00e3o. Ele tombou de seu galho e veio flutuando fl\u00e1cido e desamparado at\u00e9 cair aos meus p\u00e9s. Sua m\u00fasica foi extinta assim como sua inocente vida. Eu n\u00e3o precisava ter feito isso com aquela criatura inofensiva. Eu a destru\u00ed desenfreadamente e senti tudo o que um assassino sente, de tristeza e remorso quando chega em casa e percebe o quanto desejaria desfazer o que estava feito, ter suas m\u00e3os e sua alma limpa outra vez, sem acusar sangue\u201d, relata Mark Twain em texto raro que faz parte da obra\u00a0p\u00f3stuma\u00a0<em>Book of Animals<\/em>.<\/p>\n<p>O livro mostra que Twain se preocupava muito com o bem-estar animal. Inclusive, de acordo com informa\u00e7\u00f5es biogr\u00e1ficas, seu tom de voz suavizava ao falar de algum animal, ao contr\u00e1rio do que ocorria quando o assunto era a humanidade.<\/p>\n<p>\u201cEu n\u00e3o estou interessado em saber se a vivissec\u00e7\u00e3o produz ou n\u00e3o resultados rent\u00e1veis para a humanidade. Saber que \u00e9 um m\u00e9todo rent\u00e1vel n\u00e3o reduz a minha hostilidade em rela\u00e7\u00e3o a isso. As dores infligidas aos animais sem o consentimento deles \u00e9 a base da minha oposi\u00e7\u00e3o. Os vivisseccionistas t\u00eam em sua posse uma droga chamada curare que impede o animal de lutar ou chorar. \u00c9 um recurso horr\u00edvel sem qualquer efeito anest\u00e9sico. Muito pelo contr\u00e1rio, intensifica a sensibilidade \u00e0 dor. Incapaz de fazer qualquer sinal, o animal \u00e9 mantido perfeitamente consciente enquanto seu sofrimento \u00e9 duplicado\u201d, argumentou Twain em carta enviada a London Anti-Vivisection Society em 26 de maio de 1899.<\/p>\n<p>E a inspira\u00e7\u00e3o do escritor para fazer campanha contra o uso de animais em diversas \u00e1reas veio de sua m\u00e3e, Jane Lampton Clemens, que mantinha a casa cheia de gatos, alguns com nomes curiosos como Blatherskite (Fanfarr\u00e3o) e Belchazar. \u201cUma vez, ela repreendeu um homem na rua porque ele estava batendo no pr\u00f3prio cavalo\u201d, revela a editora Shelley Fisher Fishkin no pref\u00e1cio do livro.<\/p>\n<p>Entre as suas hist\u00f3rias mais c\u00e9lebres, e que destaca com clareza a sua sens\u00edvel perspectiva em rela\u00e7\u00e3o aos animais, est\u00e1\u00a0<em>Jim Smiley and His Jumping Frog<\/em>\u00a0que conta a hist\u00f3ria de um apostador que tem uma rara habilidade de cativar os animais.<\/p>\n<p>\u201cDe 1899 a 1910, ele emprestou sua caneta para refor\u00e7ar os esfor\u00e7os dos dois lados do Atl\u00e2ntico, sendo o porta-voz do movimento pelo bem-estar animal. O que ajudou muito foi o fato de que ele era o mais famoso escritor americano da \u00e9poca\u201d, declara a pesquisadora Shelley Fishkin, PhD em estudos americanos pela Universidade Yale, em New Haven, Connecticut.<\/p>\n<p>Outro fato intrigante \u00e9 que Mark Twain come\u00e7ou sua carreira liter\u00e1ria da mesma forma que a iniciou \u2013 escrevendo sobre animais. Ap\u00f3s o seu falecimento, sua fam\u00edlia descobriu que ele havia deixado in\u00fameras obras in\u00e9ditas, principalmente contos sobre distintas figuras animalescas capazes de povoar o ide\u00e1rio popular por dezenas de gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Saiba Mais<\/strong><\/p>\n<p>Mark Twain nasceu em Fl\u00f3rida, Missouri, em 30 de outubro de 1835.<\/p>\n<p>Ele dizia que o homem \u00e9 o \u00fanico animal que cora. Ou que precisa corar.<\/p>\n<p>O T\u00edtulo\u00a0<em>What is Man?<\/em>\u00a0do seu livro de ensaios foi inspirado no Salmo 8.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>Mark Twain\u2019s Book of Animals. Shelley Fisher Fishkin. University of California Press (2011).<\/p>\n<p>LeMaster, James Darrell Wilson, Christie Graves Hamric.The Mark Twain Encyclopedia. Taylor &amp; Francis (1993).<\/p>\n<p>Twain, Mark. The Celebrated Jumping Frog of Calaveras County. University of California Press (2011).<\/p>\n<p>Twain, Mark. What Is Man? CreateSpace Independent Publishing Platform (2011).<\/p>\n<p>Kirk, Connie Ann. Mark Twain \u2013 A Biography. Connecticut: Greenwood Printing (2004).<\/p>\n<p><em>_____________________________________________<\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><em><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/david-arioch.jpeg\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-116472\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/david-arioch.jpeg\" alt=\"\" width=\"96\" height=\"96\" \/><\/a><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>David Arioch \u00e9 jornalista profissional, historiador e especialista em jornalismo cultural, hist\u00f3rico e liter\u00e1rio<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/vegazeta.com.br\/mark-twain-um-porta-voz-dos-animais\/\" >Go to Original \u2013 vegazeta.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cDe todas as criaturas, o homem \u00e9 a mais detest\u00e1vel. De todas, somente ele possui mal\u00edcia. 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Mas o fato de que ele pode agir erradamente prova a sua inferioridade moral em rela\u00e7\u00e3o a toda criatura que n\u00e3o pode\u201d.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":144871,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[229,786,619,570,232,120,840,857,651,109,287,647,831,991,126,75],"class_list":["post-144870","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-original-languages","tag-activism","tag-animal-justice","tag-animal-rights","tag-animals","tag-capitalism","tag-conflict","tag-cruelty","tag-exploitation","tag-justice","tag-politics","tag-power","tag-slavery","tag-veganism","tag-vegetarianism","tag-violence","tag-world"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/144870","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=144870"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/144870\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/media\/144871"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=144870"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=144870"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=144870"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}