{"id":147972,"date":"2019-11-25T12:00:47","date_gmt":"2019-11-25T12:00:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=147972"},"modified":"2019-11-18T11:09:25","modified_gmt":"2019-11-18T11:09:25","slug":"portugues-oliveira-mais-antiga-de-portugal-nasceu-ha-3350-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2019\/11\/portugues-oliveira-mais-antiga-de-portugal-nasceu-ha-3350-anos\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) Oliveira Mais Antiga de Portugal Nasceu H\u00e1 3350 Anos"},"content":{"rendered":"<blockquote><p><em>As obras da barragem do Alqueva abriram uma oportunidade \u00fanica para que fossem abatidas centenas de \u00e1rvores e testar um m\u00e9todo de data\u00e7\u00e3o das oliveiras milenares.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<div id=\"attachment_147973\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/oliveira-portugal-3350-anos.jpeg\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-147973\" class=\"wp-image-147973\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/oliveira-portugal-3350-anos.jpeg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/oliveira-portugal-3350-anos.jpeg 940w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/oliveira-portugal-3350-anos-300x225.jpeg 300w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/oliveira-portugal-3350-anos-768x576.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-147973\" class=\"wp-caption-text\">A oliveira das Mouriscas \u2013 Super Universo<\/p><\/div>\n<p>Um misto de respeito e perplexidade s\u00e3o inevit\u00e1veis quando se observa um dos seres vivos mais antigos de Portugal. Foi recentemente datado como tendo a espantosa idade de 3350 anos, como se pode ler na p\u00e1gina online do Instituto de Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza e Florestas. \u00c9 uma oliveira. A sua sombra, certamente, acolheu celtas, iberos, lusitanos, celtiberos, c\u00f3nios, romanos, visigodos, alanos ou \u00e1rabes que se alimentaram das azeitonas que produziu. \u00c9 contempor\u00e2nea do Fara\u00f3 Rams\u00e9s II e de Mois\u00e9s (1250 anos a.C.).<\/p>\n<p>Continua de p\u00e9 e a produzir azeitona na freguesia de Mouriscas, concelho de Abrantes, revelando um estado vegetativo que lhe permite acrescentar mais uns s\u00e9culos \u00e0 sua t\u00e3o longa exist\u00eancia se, entretanto, as ac\u00e7\u00f5es do homem n\u00e3o a reduzirem a lenha.<\/p>\n<p>A <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2011\/02\/06\/ciencia\/noticia\/investigadores-portugueses-criam-novo-metodo-para-datar-arvores-centenarias-1478860\" >data\u00e7\u00e3o foi cientificamente<\/a> comprovada em 2016 pelo professor da Universidade de Tr\u00e1s-os-Montes e Alto Douro (UTAD) Jos\u00e9 Penetra Louzada, que descobriu o \u00fanico m\u00e9todo existente a n\u00edvel mundial para datar \u00e1rvores antigas quando o seu interior se encontra oco, como \u00e9 o caso das oliveiras milenares.<\/p>\n<p>Desde 2008, ano em que foi registada a patente, a UTAD \u201cj\u00e1 datou mais de uma centena de oliveiras milenares\u201d, adiantou ao P\u00daBLICO Jos\u00e9 Louzada. Entre os exemplares observados, encontra-se a \u201c\u00e1rvore das Mouriscas que est\u00e1 entre as mais antigas do mundo\u201d, salienta o docente. Antes deste exemplar, estava em primeiro lugar, na lista portuguesa, \u201coutra oliveira em Santa Iria da Azoia, com 2850 anos, que esteve em risco de ser derrubada para alargar uma rotunda\u201d, observa. A popula\u00e7\u00e3o movimentou-se para que fosse datada e hoje a comunidade tem orgulho da sua \u00e1rvore, que deixou de ser vista como um \u201cempecilho\u201d. N\u00e3o faltam placas a assinalar o local aos visitantes.<\/p>\n<p>Para a pesquisa do novo m\u00e9todo de data\u00e7\u00e3o foram decisivas as obras da barragem do Alqueva e a constru\u00e7\u00e3o de auto-estradas no Alentejo, refere o docente, salientando a necessidade que houve em \u201cderrubar muitas centenas de \u00e1rvores que ficaram dispon\u00edveis para elaborar o estudo, durante mais de uma d\u00e9cada de trabalho.\u201d<\/p>\n<p>Os dois m\u00e9todos de data\u00e7\u00e3o at\u00e9 ent\u00e3o existentes tinham como base a identifica\u00e7\u00e3o e contagem dos an\u00e9is ou a an\u00e1lise de radiocarbono da madeira formada nos primeiros anos de vida. Contudo, a observa\u00e7\u00e3o implicava danificar parte dos troncos. E nenhum deles funcionava com as oliveiras milenares por estarem ocas. Louzada desenvolveu uma f\u00f3rmula matem\u00e1tica para a sua data\u00e7\u00e3o que n\u00e3o danifica as esp\u00e9cies e se baseia em padr\u00f5es de crescimento atrav\u00e9s de medi\u00e7\u00f5es do di\u00e2metro, altura e per\u00edmetro das oliveiras.<\/p>\n<p>Para terem a certeza que o m\u00e9todo padr\u00e3o definido para as oliveiras estava correcto, pediram a colabora\u00e7\u00e3o do Instituto Tecnol\u00f3gico e Nuclear para fazerem data\u00e7\u00e3o a carbono 14, e verificou-se que \u201ccoincidia a 100%\u201d, acentuou o especialista.<\/p>\n<p><strong>\u00c1rvores \u00e0 venda<\/strong><\/p>\n<p>O desafio para a obten\u00e7\u00e3o de um novo m\u00e9todo que se adequasse \u00e0s oliveiras foi lan\u00e7ado por Soares dos Reis, propriet\u00e1rio de uma empresa de venda de \u00e1rvores milenares. A dada altura, quando pretendia exportar exemplares para o estrangeiro, era confrontado com a exig\u00eancia do comprador de um certificado sobre a idade das \u00e1rvores passado por uma entidade cred\u00edvel e independente.<\/p>\n<p>\u201cToda a investiga\u00e7\u00e3o, incluindo o fornecimento de exemplares para estudo, registo da patente, tudo foi pago pela minha empresa\u201d, adiantou ao P\u00daBLICO Soares dos Reis. A patente deste m\u00e9todo est\u00e1 registada na propor\u00e7\u00e3o de 50% para UTAD e 50% em nome pessoal do empres\u00e1rio.<\/p>\n<p>Soares dos Reis diz que est\u00e1 ligado ao transplante de \u00e1rvores, em especial oliveiras, h\u00e1 mais de 15 anos. E foi\u00a0para se distinguir da concorr\u00eancia neste com\u00e9rcio que financiou a pesquisa de um novo m\u00e9todo de data\u00e7\u00e3o. \u201cAssim agrego um certificado de idade \u00e0 oliveira vendida ao cliente\u00a0mediante um m\u00e9todo patenteado que tem apenas uma margem de erro de 2%\u201d, assinala Soares dos Reis, real\u00e7ando a import\u00e2ncia da constru\u00e7\u00e3o da barragem do Alqueva neste processo e de outras obras p\u00fablicas. \u201cLevaram ao arranque de milh\u00f5es de oliveiras que\u00a0at\u00e9 a essa data era impens\u00e1vel serem removidas\u201d, revela o empres\u00e1rio, sublinhando que, neste n\u00famero, \u201cencontravam-se milhares de \u00e1rvores centen\u00e1rias e milenares cujo destino seria a destrui\u00e7\u00e3o para lenha.\u201d A sua recupera\u00e7\u00e3o para venda como \u00e1rvores decorativas de jardins p\u00fablicos, privados, adegas, lagares, campos de golfe, hot\u00e9is \u201cpermitiu que fossem salvas milhares de oliveiras centen\u00e1rias.\u201d Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s \u00e1rvores milenares diz ter negociado \u201capenas algumas dezenas\u201d com destino a Espanha, Fran\u00e7a e o Dubai, essencialmente.<\/p>\n<p>Na realidade, a quase totalidade das \u00e1rvores milenares \u201cs\u00e3o zambujeiros, tamb\u00e9m conhecidas por oliveiras bravas que foram enxertadas\u201d para produzir um fruto maior e desta forma obter mais volume de azeite, refere Jos\u00e9 Louzada, salientando a \u201ccapacidade de regenera\u00e7\u00e3o praticamente infinita\u201d desta esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>\u00c9 \u00f3bvio que as c\u00e9lulas iniciais de uma oliveira milenar \u201cn\u00e3o est\u00e3o l\u00e1, j\u00e1 morreram h\u00e1 muitos s\u00e9culos, mas houve uma regenera\u00e7\u00e3o e desta forma vive quase perpetuamente\u201d, explica.<\/p>\n<p>A oliveira de Mouriscas \u00e9 originariamente um zambujeiro que foi \u00a0enxertada e produz duas qualidades de azeitona. Quando se suspeitou que poderia ser a mais velha de Portugal, um grupo de cidad\u00e3os desta freguesia pediu que a \u00e1rvore fosse datada e certificada. O investigador da UTAD, juntamente com a empresa Oliveiras Milenares, fizeram a recolha dos elementos e foi confirmado que tem a idade de 3350 anos. O certificado foi atribu\u00eddo em Setembro de 2016.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2017\/02\/25\/local\/noticia\/oliveira-mais-antiga-de-portugal-nasceu-ha-3350-anos-1762952?fbclid=IwAR0RzkM9kgfkeieroBdzDbvo3axfZXwM_vw2hk5kQwuNL2Fa5ohobCjnSnM\" >Go to Original \u2013 publico.pt<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um misto de respeito e perplexidade s\u00e3o inevit\u00e1veis quando se observa o s\u00ear vivo mais antigo de Portugal. Foi datado como tendo a espantosa idade de 3350 anos pelo Instituto de Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza e Florestas. \u00c9 uma oliveira, contempor\u00e2nea do Fara\u00f3 Rams\u00e9s II e de Mois\u00e9s (1250 anos a.C.). Continua de p\u00e9 e a produzir azeitonas.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":147973,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[1303],"class_list":["post-147972","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-original-languages","tag-portugal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/147972","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=147972"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/147972\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/media\/147973"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=147972"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=147972"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=147972"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}