{"id":149416,"date":"2019-12-09T12:01:03","date_gmt":"2019-12-09T12:01:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=149416"},"modified":"2019-12-09T11:21:47","modified_gmt":"2019-12-09T11:21:47","slug":"portugues-ecologia-e-teologia-da-libertacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2019\/12\/portugues-ecologia-e-teologia-da-libertacao\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) Ecologia e Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/terra-nas-maos.jpg\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-149417\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/terra-nas-maos.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"200\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>4 dez 2019 &#8211; <\/em>A Ecologia Integral e a Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o possuem algo em comum: ambas partem de um <em>grito<\/em>. A ecologia do <em>grito da Terra<\/em>, dos seres vivos, dos ecossistemas agredidos pelo tipo de crescimento material ilimitado que n\u00e3o respeita os recursos limitados da Terra.<\/p>\n<p>A Teologia da liberta\u00e7\u00e3o nasceu ao escutar o <em>grito dos pobres<\/em> econ\u00f4micos, das classes exploradas, das culturas humilhadas, dos negros discriminados, das mulheres oprimidas pela cultura patriarcal, dos LGBT e portadores de necessidades especiais. Todos gritam por liberta\u00e7\u00e3o. Desta escuta nasceram as v\u00e1rias tend\u00eancias da Teologia da liberta\u00e7\u00e3o: a feminista, a ind\u00edgena, a negra, a hist\u00f3rica entre outras. Em todas elas \u00e9 sempre o respectivo oprimido, o sujeito e protagonista principal de sua correspondente liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Importa lembrar que j\u00e1 nos anos 80 do s\u00e9culo passado, ficou claro que a mesma l\u00f3gica que explora os oprimidos e as classes empobrecidas, explora tamb\u00e9m a natureza e a Terra. A marca registrada da Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o \u00e9 a op\u00e7\u00e3o pelo pobres, contra a pobreza e em favor de sua liberta\u00e7\u00e3o. Dentro da categoria <em>pobre<\/em> deve ser inclu\u00eddo o Grande Pobre que \u00e9 a Terra, pois, no dizer do Papa Francisco em sua enc\u00edclica ecol\u00f3gica\u201cnunca maltratamos e ferimos a M\u00e3e Terra como nos \u00faltimos dois s\u00e9culos\u201d(n.53). Portanto, n\u00e3o foi por fatores extr\u00ednsecos que a Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o incorporou o discurso ecol\u00f3gico, mas derivando-o de sua pr\u00f3pria l\u00f3gica interna que confere centralidade ao pobre e ao oprimido.<\/p>\n<p>Ficou tamb\u00e9m muito claro que \u00e9 o modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista o produtor do grito da Terra e do grito do pobre. Se queremos a liberta\u00e7\u00e3o de ambos, precisamos superar historicamente este sistema. Aqui trata-se de contrapor um outro modo de habitar a Casa Comum que seja amig\u00e1vel \u00e0 Terra e libertador.<\/p>\n<p>O paradigma do mundo moderno, o poder como domina\u00e7\u00e3o sobre tudo e sobre todos, ganhou sua m\u00e1xima express\u00e3o na cultura do capital, gerador de desigualdades, i.\u00e9. uma injusti\u00e7a social e outra ecol\u00f3gica. \u00c9 individualista, competitivo e excludente.<\/p>\n<p>Devemos, ent\u00e3o, contrapor-lhe um outro paradigma. Este ser\u00e1 o <em>cuidado<\/em>. Mais que uma virtude, o cuidado comparece como um novo paradigma de rela\u00e7\u00e3o para com a natureza e a Terra: n\u00e3o agressivo, amigo da vida e respeitador dos demais seres. Se o paradigma dominante \u00e9 do <em>punho fechado<\/em> para submeter, o do cuidado \u00e9 a <em>m\u00e3o estendida<\/em> para se entrela\u00e7ar com outras m\u00e3os e proteger a natureza e a Terra.<\/p>\n<p>Segundo o antigo mito do cuidado que ganhou sua melhor elabora\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica em Martin Heidegger em <em>Ser e Tempo<\/em> (&amp; 41-43) o cuidado pertence \u00e0 ess\u00eancia do ser humano. Segundo o mito, o cuidado vem primeiro, pois significa o pressuposto que deve existir para que algum ser possa irromper na exist\u00eancia. Sem o cuidado nenhum ser emerge e se mant\u00e9m na exist\u00eancia. Definha e morre.<\/p>\n<p>Hoje mais do que nunca precisamos cultivar o <em>paradigma do cuidado<\/em>, pois tudo, de certa forma, est\u00e1 des-<em>cuidado<\/em>. \u00c9 o cuidado que d\u00e1 origem a uma cultura da solidariedade contra a competi\u00e7\u00e3o, da partilha contra o individualismo, da autolimita\u00e7\u00e3o, contra os excessos do poder, do consumo s\u00f3brio, contra o consumismo e o desperd\u00edcio.<\/p>\n<p>Somente a incorpora\u00e7\u00e3o do cuidado, como paradigma e como cultura nos pode, segundo a enc\u00edclica papal \u201c<em>Sobre o cuidado da Casa Comum<\/em>\u201d \u201calimentar uma paix\u00e3o pelo <em>cuidado do mundo<\/em>\u2026 uma m\u00edstica que nos anima, encoraja e d\u00e1 sentido \u00e0 a\u00e7\u00e3o pessoal e comunit\u00e1ria\u201d(n. 216).<\/p>\n<p>Para realizar esta dilig\u00eancia a Eco-teologia da Liberta\u00e7\u00e3o teve que dialogar e aprender com os novos saberes das ci\u00eancias da Terra e da vida. Especialmente \u00e9 chamada a contribuir com os valores do respeito, da venera\u00e7\u00e3o e do cuidado, pr\u00f3prios da f\u00e9, valores fundamentais para uma ecologia integral. Finalmente uma Eco-teologia da Liberta\u00e7\u00e3o testemunha, contra todas as amea\u00e7as, a esperan\u00e7a de que \u201cDeus, o soberano amante da vida\u201d(Sab 11,26) n\u00e3o permitir\u00e1 que nossa humanidade, um dia assumida pelo Verbo da vida, venha desaparecer da face da Terra.<\/p>\n<p>_________________________________________________<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><em><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Leonardo_Boff_Wilson-Dias_Abr_0-e1507211118491.gif\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-43416\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Leonardo_Boff_Wilson-Dias_Abr_0-300x177.gif\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"118\" \/><\/a><\/em><em>Leonardo Boff \u00e9 um escritor, te\u00f3logo e fil\u00f3sofo brasileiro, professor em\u00e9rito de \u00e9tica e filosofia da religi\u00e3o da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, recebedor do <\/em><strong><em>Pr\u00eamio Nobel Alternativo da Paz<\/em><\/strong><em> do Parlamento sueco [<\/em><strong><em>Right Livelihood Award<\/em><\/strong><em>]em 2001, membro da Iniciativa Internacional da Carta da Terra, e professor visitante em v\u00e1rias universidades estrangeiras como Basel, Heidelberg, Harvard, Lisboa e Salamanca. Expoente da <\/em><em><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Teologia_da_Liberta%C3%A7%C3%A3o\" >Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o<\/a><\/em><em> no Brasil, foi membro da Ordem dos Frades Menores, mais conhecidos como Franciscanos. \u00c9 respeitado pela sua hist\u00f3ria de defesa pelas causas sociais e atualmente debate tamb\u00e9m quest\u00f5es ambientais. Colunista do <\/em>Jornal do Brasil<em>, escreveu os livros<\/em> Francisco de Assis: Ternura e Vigor, <em>Vozes 2000; <\/em>\u00a0A Terra na palma da m\u00e3o: uma nova vis\u00e3o do planeta e da humanidade<em>,Vozes 2016;\u00a0 <\/em>Cuidar da Terra \u2013 proteger a vida: como escapar do fim do mundo<em>, Record 2010; <\/em>\u00a0<em>A <\/em>hospitalidade: Direito e dever de todos, <em>Vozes 2005<\/em>; Paix\u00e3o de Cristo, paix\u00e3o do mundo<em>, Vozes 2001<\/em>; Brasil: Concluir a refunda\u00e7\u00e3o ou prolongar a depend\u00eancia, <em>Vozes 2018. Boff escreveu <\/em><em>\u201cDestino e Desatino da Globaliza\u00e7\u00e3o\u201d em<\/em><em>: Do iceberg \u00e0 Arca de No\u00e9,<\/em><em> Mar de Ideias, Rio 2010 pp. 41-63.<\/em><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/leonardoboff.wordpress.com\/2019\/12\/04\/ecologia-e-teologia-da-libertacao\/\" >Go to Original \u2013 leonardoboff.wordpress.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>4 dez 2019 &#8211; A Ecologia Integral e a Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o ambas partem de um grito. A ecologia do grito da Terra, dos seres vivos, dos ecossistemas agredidos pelo crescimento material ilimitado. A Teologia da liberta\u00e7\u00e3o nasceu ao escutar o grito dos pobres econ\u00f4micos, das classes exploradas, das culturas humilhadas, dos negros discriminados, das mulheres oprimidas pela cultura patriarcal, dos LGBT e portadores de necessidades especiais. 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