{"id":14999,"date":"2011-10-10T12:00:05","date_gmt":"2011-10-10T11:00:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=14999"},"modified":"2011-10-09T01:55:48","modified_gmt":"2011-10-09T00:55:48","slug":"portuguese-o-aumento-dos-motins-um-fenomeno-mundial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2011\/10\/portuguese-o-aumento-dos-motins-um-fenomeno-mundial\/","title":{"rendered":"(Portuguese) O Aumento dos Motins: Um Fenomeno Mundial"},"content":{"rendered":"<p><em>Entrevista<\/em><em> com <\/em><em>Alain<\/em><em> <\/em><em>Bertho<\/em><em>, professor de antropologia da Universidade de Paris, realizada por <\/em>Ivan du Roy.<\/p>\n<p>Alguns levam a reivindica\u00e7\u00f5es, at\u00e9 mesmo revolu\u00e7\u00f5es. A maior parte apaga-se t\u00e3o depressa como se acendeu. Uma coisa \u00e9 certa: de Londres a Sidi Bouzid, na Tun\u00edsia, de Santiago do Chile a Villiers-le-Bel, os motins tornaram-se um fen\u00f3meno global. Em 2011, registaram-se mais de tr\u00eas por dia.<\/p>\n<p><strong>Desde quando trabalha sobre os motins? E porque \u00e9 que se interessou? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Alain Bertho<\/strong>: Como muitas pessoas, fiquei impressionado com o que aconteceu na Fran\u00e7a em Novembro de 2005. H\u00e1 20 anos que trabalho sobre os sub\u00farbios. Conhecendo um pouco o assunto, vivendo eu nos sub\u00farbios e tendo ent\u00e3o passado algumas noites fora, para assistir aos acontecimentos, fui tomado por uma certa perplexidade. Vimos apenas sombras. De cada vez que cheg\u00e1vamos, l\u00e1 onde os carros ardiam, os actores dos motins j\u00e1 tinham partido. As fam\u00edlias estavam no exterior, mais trocistas do que assustadas. Intu\u00edamos uma certa empatia. Em seguida, aquilo parou, sem raz\u00e3o aparente, sem se concluir, como \u00e9 habitual no caso de um movimento social com reivindica\u00e7\u00f5es, negocia\u00e7\u00f5es e um fim do conflito. Em Mar\u00e7o de 2006, segui o movimento contra o Contrato do Primeiro Emprego (CPE) diante do liceu de Saint-Denis, onde estuda o meu filho. Participava do bloqueio do liceu. N\u00e3o havia assembleia geral, nem organiza\u00e7\u00e3o aparente. Tudo era feito atrav\u00e9s de SMS (o Twitter e o Facebook n\u00e3o estavam ainda activos na \u00e9poca). Os alunos de Saint-Denis iam pouco \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es a Paris. Ficavam ali, defrontando regularmente as for\u00e7as da ordem, sabendo como queimar carros, desconfiando das manifesta\u00e7\u00f5es parisienses demasiado sensatas. Tal convenceu-me a trabalhar sobre este assunto, sobre esta nova gera\u00e7\u00e3o que surge e que, visivelmente, exprime contenciosos pesados contra a pol\u00edcia, os pais, a sociedade. Olhei para outros pa\u00edses e apercebi-me que os cen\u00e1rios eram frequentemente os mesmos, como na Gr\u00e9cia, em Dezembro de 2008, quando o jovem Alexander Grigoropoylos foi baleado por um agente da pol\u00edcia. A juventude grega, al\u00e9m disso, virou-se para os bancos, como uma esp\u00e9cie de premoni\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Os motins s\u00e3o mais numerosos actualmente? <\/strong><\/p>\n<p>Utilizando a mesma metodologia (os motins recenseados pelo motor de busca Google), contabilizam-se, em 2008, cerca de 270 motins, considerando todos os continentes. Pass\u00e1mos para 540 em 2009, depois para 1238 em 2010. Este n\u00famero ser\u00e1 ultrapassado em 2011, visto que em 31 de Agosto vamos j\u00e1 em mais de 1100. Vivemos uma sequ\u00eancia particular de uma frequ\u00eancia muito grande de confrontos, entre pessoas e autoridades, ou entre as pr\u00f3prias popula\u00e7\u00f5es. Foi a mesma coisa no s\u00e9culo XVIII, em 1848 ou em 1917. Com uma grande diferen\u00e7a, contudo: estes per\u00edodos conflituais precedentes eram vis\u00edveis e compreens\u00edveis pelos pr\u00f3prios actores dos motins, gra\u00e7as aos discursos pol\u00edticos que os acompanhavam. De momento, a actual intensifica\u00e7\u00e3o dos tumultos n\u00e3o emerge para o espa\u00e7o p\u00fablico. Permanece parte submersa da conflitualidade pol\u00edtica. E, quando um motim \u00e9 subitamente mediatizado, como neste Ver\u00e3o, em Londres, espantamo-nos. No entanto, alguns meses antes, no final de 2010, estudantes brit\u00e2nicos pilharam a sede do Partido Conservador ou atacaram o carro do pr\u00edncipe de Gales. O Chile est\u00e1 a ser actualmente agitado por um movimento social muito duro no qual os estudantes est\u00e3o na linha da frente. Mas isso n\u00e3o \u00e9 visto como um fen\u00f3meno geral.<\/p>\n<p><strong>No Reino Unido, sem considerar que os manifestantes s\u00e3o criminosos, como faz o primeiro-ministro David Cameron, o l\u00edder do Partido Trabalhista Ed Miliband, fala de &#8220;motins de gan\u00e2ncia&#8221;, equivalente popular da gan\u00e2ncia dos banqueiros. O que pensa sobre esta qualifica\u00e7\u00e3o? <\/strong><\/p>\n<p>Aconselharia a leitura da obra de Jean Nicolas &#8220;A rebeli\u00e3o francesa: movimentos populares e consci\u00eancia social 1661-1789&#8221;. Encontramos os mesmos modos de operar numa situa\u00e7\u00e3o de grandes desigualdades sociais. Os motins, as explos\u00f5es sociais passam pelas pilhagens. Salvo que, no s\u00e9culo XVIII, atacavam-se os celeiros de farinha e n\u00e3o as lojas da baixa. Em quinze anos, as desigualdades sociais voltaram aos n\u00edveis de h\u00e1 um s\u00e9culo. \u00c9 de uma grande brutalidade. N\u00e3o podemos oferecer a sua quota de sonho \u00e0s gera\u00e7\u00f5es mais jovens, confrontadas, ao mesmo tempo, com um retrocesso social r\u00e1pido e com um futuro obstru\u00eddo. Al\u00e9m disso, as desigualdades s\u00e3o mais vis\u00edveis: tudo aquilo a que n\u00e3o se pode aceder, ostenta-se na cidade.<\/p>\n<p><strong>Face aos tumultos, os Estados usam meios repressivos cada vez mais impressionantes: estado de emerg\u00eancia em Fran\u00e7a em 2005, recurso a testemunhos an\u00f3nimos em Villiers-le-Bel, campanhas medi\u00e1ticas de apelo \u00e0 den\u00fancia, no Reino Unido, justi\u00e7a sum\u00e1ria, amea\u00e7a de suspender as redes de comunica\u00e7\u00e3o&#8230; Os nossos governos t\u00eam assim tanto medo que estejam prontos para acabar com o Estado de Direito? <\/strong><\/p>\n<p>O Estado de Direito tem sofrido golpes s\u00e9rios. Os Estados est\u00e3o em plena crise de legitimidade. A matriz desta crise \u00e9 evidente: os Estados s\u00e3o mais afectados hoje pelos credores an\u00f3nimos, que s\u00e3o os mercados financeiros, do que pela vontade popular. A legitimidade do seu poder baseava-se no facto de que sustentavam o bem comum e a solidariedade nacional. O imposto \u2013 a partilha dos recursos para o bem comum, que \u00e9 o fundamento da legitimidade do Estado \u2013 alimenta doravante a m\u00e1quina capitalista dos mercados financeiros. Como resultado, os Estados procuram uma legitimidade alternativa: a legitimidade do medo para a qual todos os regimes tendem cada vez mais. Fiquei surpreendido com a semelhan\u00e7a do discurso de Grenoble, de Nicolas Sarkozy (em 30 de julho de 2010) e de David Cameron, um ano depois, em Londres. Criam confus\u00e3o entre a l\u00f3gica policial e a de guerra: as guerras externas tornaram-se opera\u00e7\u00f5es policiais e as opera\u00e7\u00f5es internas policiais s\u00e3o apresentadas como opera\u00e7\u00f5es de guerra. Isso cria um confronto permanente e uma l\u00f3gica de escalada. Porque, para o Estado, como fazer de outro modo, sen\u00e3o o de ser o mais forte neste campo?<\/p>\n<p><strong>Existem sinais precursores de um motim e podemos prever a sua magnitude? <\/strong><\/p>\n<p>Os sinais precursoresn\u00e3o s\u00e3o vis\u00edveis na cena p\u00fablica. A deflagra\u00e7\u00e3o de um tumulto \u00e9 sempre surpreendente, mesmo que as condi\u00e7\u00f5es objectivas estejam muitas vezes l\u00e1. Centenas, talvez milhares de pessoas, esquecem o risco que correm, passando \u00e0 ac\u00e7\u00e3o, de serem feridas ou presas: o detonador deve ser emocionalmente forte. A extens\u00e3o que vai ter o motim, nunca \u00e9 conhecida antecipadamente. Imediatamente ap\u00f3s os motins gregos de 2008, um jovem negro foi morto pela pol\u00edcia em Oakland (Calif\u00f3rnia). A cena foi filmada e retransmitida. Originou apenas uma noite de tumultos, o que pode parecer surpreendente, dados os antecedentes nos Estados Unidos. Inversamente, quem poderia prever que um motim come\u00e7ado numa pequena cidade tunisina, Sidi Bouzid, ap\u00f3s o suic\u00eddio de um jovem vendedor ambulante, ia finalmente derrubar Ben Ali? A amplitude que toma um motim depende da sua for\u00e7a emocional e da capacidade, ou n\u00e3o, de agrega\u00e7\u00e3o. No Reino Unido, os tumultos de Agosto n\u00e3o transbordaram para al\u00e9m da juventude urbana sa\u00edda das categorias populares. Em Fran\u00e7a, a conex\u00e3o entre a juventude estudantil e a juventude popular come\u00e7ou a ocorrer durante o movimento sobre as pens\u00f5es, em meados de Outubro de 2010, quando os estudantes aderiram \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o. Foram acompanhados por uma parte dos jovens dos bairros populares e por vezes atacaram os centros de cidades, como em Lyon.<\/p>\n<p><strong>Os actores de um motim continuam a ser os jovens? <\/strong><\/p>\n<p>Eles s\u00e3o os principais actores, em todo o mundo. No Senegal, durante os motins contra as reformas constitucionais desejadas pelo presidente Wade, em Junho de 2011, todo o pa\u00eds estava na retaguarda dos jovens. A maioria da imprensa senegalesa aplaudiu os tumultuosos \u2013 o que muda a partir daqui! Mas, na rua, n\u00e3o havia apenas jovens. Encontr\u00e1vamos, lado a lado, jovens rurais apenas alfabetizados e doutorandos em inform\u00e1tica. Todas as juventudes, quer sejam populares ou estudantes, sofrem com a falta de futuro e de discurso disciplinar.<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es para que um motim passe da viol\u00eancia gratuita para um discurso pol\u00edtico? <\/strong><\/p>\n<p>A vontade de lutar \u00e9 muitas vezes impressionante, porque n\u00e3o h\u00e1 outras maneiras de dizer as coisas. \u00c9 diferente de um recurso \u00e0 viol\u00eancia inscrito num projecto pol\u00edtico que acompanha as reivindica\u00e7\u00f5es. Um motim, do ponto de vista dos seus actores, \u00e9 a \u00fanica linguagem. Quando os poss\u00edveis se fecham, parte-se para o confronto. Mas se a palavra for restitu\u00edda, a viol\u00eancia pode tornar-se in\u00fatil. Um dos acontecimentos importantes de 2011 \u00e9 a chegada da primavera \u00e1rabe, que ultrapassa largamente os pa\u00edses em causa. Os motins tunisinos e eg\u00edpcios testemunham a converg\u00eancia dos jovens desempregados rurais, dos estudantes e depois da classe m\u00e9dia. A primavera \u00e1rabe permitiu o retorno de uma voz pol\u00edtica e a constru\u00e7\u00e3o de um movimento que finalmente culminou numa vit\u00f3ria. A passagem para um discurso comum, no qual cada um se reconhece, \u00e9 poss\u00edvel quando essa converg\u00eancia ocorre. Observamos, desde ent\u00e3o, um fen\u00f3meno de cont\u00e1gio e de imita\u00e7\u00e3o, nomeadamente com o movimento dos Indignados. Em Dakar, os jovens transformaram a pra\u00e7a Soweto em pra\u00e7a Tahrir (a grande pra\u00e7a do Cairo, onde se reuniam os manifestantes)<\/p>\n<p><strong>Porqu\u00ea esta dificuldade em expressar uma palavra pol\u00edtica comum? <\/strong><\/p>\n<p>Muitas vezes o espa\u00e7o \u00e9 trancado por organiza\u00e7\u00f5es instaladas e institucionalizadas h\u00e1 d\u00e9cadas: partidos pol\u00edticos, sindicatos, associa\u00e7\u00f5es&#8230; A palavra pol\u00edtica das novas gera\u00e7\u00f5es n\u00e3o ter\u00e1 nada a ver com o que conhecemos. O modo de organiza\u00e7\u00e3o das gera\u00e7\u00f5es precedentes foi em grande parte determinado pelo seu objectivo, seja de tomar o poder, seja de nele participar. As mobiliza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas que observamos n\u00e3o t\u00eam por objecto, de todo, tomar o poder. Os Indignados espanh\u00f3is, eg\u00edpcios e israelitas t\u00eam exig\u00eancias face ao poder, mas permanecem no exterior. Querem um governo obediente ao povo, como desejava o Subcomandante Marcos (&#8220;governar obedecendo&#8221;)<a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.esquerda.net\/artigo\/o-aumento-dos-motins-um-fen%C3%B3meno-mundial#sdfootnote1sym\" ><sup>1<\/sup><\/a>. No seio das gera\u00e7\u00f5es jovens, n\u00e3o existem portanto organiza\u00e7\u00f5es duradouras: re\u00fanem-se pontualmente para um objectivo pontual. Estas novas formas de express\u00e3o pol\u00edtica foram um pouco antecipadas pelos f\u00f3runs sociais. As mobiliza\u00e7\u00f5es cl\u00e1ssicas, de tipo sindical e pol\u00edtico, ser\u00e3o confrontadas com novas din\u00e2micas de mobiliza\u00e7\u00e3o que as ultrapassar\u00e3o largamente. Tal foi percepcionado aquando do movimento sobre as pens\u00f5es. N\u00e3o existe, actualmente, conflito social musculado em que n\u00e3o se vejam paletes ou pneus a arder. Uma maneira de dizer: &#8220;Aten\u00e7\u00e3o, \u00e9 a s\u00e9rio.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o os exemplos de motins que levam a uma transforma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e social? <\/strong><\/p>\n<p>Nesse caso, n\u00e3o se lhes chama motins mas insurrei\u00e7\u00f5es ou revolu\u00e7\u00f5es. E d\u00e1-se-lhes um nome pr\u00f3prio, como a Tomada do Pal\u00e1cio de Inverno<a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.esquerda.net\/artigo\/o-aumento-dos-motins-um-fen%C3%B3meno-mundial#sdfootnote2sym\" ><sup>2<\/sup><\/a>, a Tomada da Bastilha, que come\u00e7a com motins, ou a Comuna de Paris em 1871, quando os parisienses impedem o ex\u00e9rcito de retirar os canh\u00f5es em Montmartre. Premissa de Maio de 68, o Movimento 22 de Mar\u00e7o desencadeia-se ap\u00f3s a pris\u00e3o de um militante que participa do saque da sede parisiense do American Express. N\u00e3o s\u00e3o mais tumultos, mas acontecimentos fundadores de uma viragem hist\u00f3rica.<\/p>\n<p><strong>Os dist\u00farbios raciais na Europa, tal como a ca\u00e7a aos trabalhadores agr\u00edcolas imigrantes perpetrada em Rosarno, na It\u00e1lia, no in\u00edcio de 2010, correm o risco de se multiplicar? <\/strong><\/p>\n<p>T\u00eam tamb\u00e9m tend\u00eancia a intensificar-se. Recentemente, em Palma de Maiorca (Ilhas Baleares, Espanha), migrantes de origem nigeriana e popula\u00e7\u00f5es ciganas afrontaram-se ap\u00f3s a morte de um jovem nigeriano. A situa\u00e7\u00e3o na Europa \u00e9 muito perigosa. O seu decl\u00ednio facilita as din\u00e2micas de exclus\u00e3o. Nos discursos de Sarkozy ou de Cameron, o estrangeiro \u00e9 apontado como uma amea\u00e7a. Isto alimenta uma l\u00f3gica de guerra civil. Corre-se o risco de o conflito ser tamb\u00e9m intergeracional: \u00e9 mais f\u00e1cil apontar a juventude como um perigo, quando os menores de 25 anos constituem um quarto da popula\u00e7\u00e3o, do que quando representam mais de metade.<\/p>\n<p>___________________________<\/p>\n<p><em>Recolhido por Ivan du Roy <a href=\"http:\/\/berthoalain.wordpress.com\/\"  target=\"_blank\">Blogue de Alain Bertho<\/a>.<\/em><\/p>\n<p><em>Artigo publicado em <a href=\"http:\/\/www.bastamag.net\/article1717.html\"  target=\"_blank\">Basta!<\/a><\/em><em> a 19 de Setembro de 2011, traduzido por <\/em><em>Cristina Barros para esquerda.net.<\/em><strong><\/strong><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.esquerda.net\/artigo\/o-aumento-dos-motins-um-fen%C3%B3meno-mundial\" >Go to Original \u2013 esquerda.net<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista com Alain Bertho, professor de antropologia da Universidade de Paris, realizada por Ivan du Roy.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-14999","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-original-languages"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14999","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14999"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14999\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14999"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14999"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14999"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}