{"id":15468,"date":"2011-11-07T12:00:06","date_gmt":"2011-11-07T12:00:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=15468"},"modified":"2011-11-07T11:15:09","modified_gmt":"2011-11-07T11:15:09","slug":"portuguese-pior-que-morrer-e-nao-pagar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2011\/11\/portuguese-pior-que-morrer-e-nao-pagar\/","title":{"rendered":"(Portuguese) Pior Que Morrer \u00c9 N\u00e3o Pagar"},"content":{"rendered":"<p><em>Quando, perante a morte de um povo, a nossa preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 que assim n\u00e3o pode pagar a d\u00edvida agiota \u00e0 banca sabemos que cheg\u00e1mos ao grau zero da Humanidade. <\/em><\/p>\n<p>Hoje o correspondente da RTP que segue a cimeira do G20 em Cannes, aproveitou a veia cinematogr\u00e1fica da cidade para tra\u00e7ar um argumento para a crise europeia. Referindo-se \u00e0 situa\u00e7\u00e3o na Gr\u00e9cia, dizia que se tratava de um paciente a quem o hospital estava a dar medicamentos, sendo que ap\u00f3s a cura o pa\u00eds os pagaria. O problema agora \u00e9 que o paciente parece n\u00e3o querer tomar os medicamentos o que o pode levar \u00e0 morte e, pior, morto n\u00e3o os pode pagar. O rep\u00f3rter parecia querer reproduzir o discurso dominante dos \u201cgregos mal-agradecidos\u201d mas acabou a partilhar aquela que \u00e9 a ideologia da Europa do capital. O rep\u00f3rter chamava a isto um filme de terror. Tem raz\u00e3o. Quando, perante a morte de um povo, a nossa preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 que assim n\u00e3o pode pagar a d\u00edvida agiota \u00e0 banca sabemos que cheg\u00e1mos ao grau zero da Humanidade. Mas a met\u00e1fora \u00e9 certeira, reflecte na perfei\u00e7\u00e3o a realidade dos tempos que correm: antes a morte que a d\u00edvida.<\/p>\n<p>Na Gr\u00e9cia, face \u00e0 convuls\u00e3o social e possivelmente em desespero, o Primeiro-Ministro anunciou um referendo ao \u201cresgate\u201d europeu. J\u00e1 se sabe, os mercados n\u00e3o gostam da democracia, esse conceito absurdo dos povos decidirem o seu pr\u00f3prio destino. Depressa nas televis\u00f5es, ouvimos os especialistas em economia anunciar a desgra\u00e7a dado que os mercados n\u00e3o gostam de incerteza e que essa deve ser evitada a todo o custo. Curiosa formula\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que os \u201cmercados\u201d se fazem remunerar precisamente pelo grau de incerteza e que no caso grego elevaram essa remunera\u00e7\u00e3o ao grau de saque.<\/p>\n<p>Merkel e Sarkosy tamb\u00e9m tem uma palavra a dizer sobre a democracia grega e convocaram George Papandreou para uma reuni\u00e3o informal de emerg\u00eancia. Informal significa que n\u00e3o tem cabimento legal, mas d\u00e1-se o jeito. A grande jogada agora \u00e9 a pergunta do referendo. O l\u00edder grego \u00e9 amb\u00edguo, a vontade da alem\u00e3 e do franc\u00eas \u00e9 mais expl\u00edcita: sim ou n\u00e3o \u00e0 perman\u00eancia no euro. Ou seja, colocar o povo grego perante a pergunta de como querem recuar d\u00e9cadas. Com austeridade a presta\u00e7\u00f5es ou de uma s\u00f3 vez. Uma pergunta popular para dar for\u00e7a \u00e0 austeridade, mas o que importa perceber \u00e9 que \u00e9 a austeridade est\u00e1 a matar a Europa e os seus povos. Austeridade n\u00e3o significa gastar menos, \u00e9 apenas sin\u00f3nimo de transfer\u00eancia de riqueza do trabalho para a elite financeira. Mais trabalho por menos sal\u00e1rio, mais impostos por menos servi\u00e7os p\u00fablicos, mais desemprego com menos apoio social.<\/p>\n<p>Face a estes desenvolvimentos, o governo portugu\u00eas que segue os passos que trouxeram a Gr\u00e9cia a esta situa\u00e7\u00e3o congratula-se. Paulo Portas defende que \u201cquanto mais surgem sinais de instabilidade nos outros pa\u00edses mais Portugal deve valorizar a estabilidade e os consensos\u201d, que \u00e9 como quem diz \u201cainda bem que o PS est\u00e1 do nosso lado\u201d. Na Gr\u00e9cia, como em Portugal e em toda a Europa, a crise n\u00e3o se resolve a remodelar a austeridade. A austeridade \u00e9 uma das faces da crise, imp\u00f5e-se uma alternativa solid\u00e1ria para o emprego e direitos sociais.<\/p>\n<p>_______________________<\/p>\n<p><em>Nelson Peralta &#8211; Bi\u00f3logo, dirigente do Bloco de Esquerda.<\/em><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.esquerda.net\/opiniao\/pior-que-morrer-%C3%A9-n%C3%A3o-pagar\" >Go to Original \u2013 esquerda.net<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando, perante a morte de um povo, a nossa preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 que assim n\u00e3o pode pagar a d\u00edvida agiota \u00e0 banca sabemos que cheg\u00e1mos ao grau zero da Humanidade. <\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-15468","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-original-languages"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15468","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15468"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15468\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15468"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15468"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15468"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}