{"id":15809,"date":"2011-11-21T12:00:01","date_gmt":"2011-11-21T12:00:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=15809"},"modified":"2011-11-18T01:57:19","modified_gmt":"2011-11-18T01:57:19","slug":"portuguese-quem-governa-a-alemanha-sao-os-mercados-financeiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2011\/11\/portuguese-quem-governa-a-alemanha-sao-os-mercados-financeiros\/","title":{"rendered":"(Portuguese) Quem Governa a Alemanha S\u00e3o os Mercados Financeiros"},"content":{"rendered":"<p><em>Se a sra. Merkel e o presidente do Deutschebank se re\u00fanem para discutir, quem manda?, questiona Klaus Ernst, copresidente do Die Linke alem\u00e3o. Em entrevista ao Esquerda.net, ele defendeu a separa\u00e7\u00e3o do financiamento dos Estados dos mercados financeiros privados, atrav\u00e9s da cria\u00e7\u00e3o de um banco p\u00fablico para os empr\u00e9stimos p\u00fablicos. <\/em><\/p>\n<p><strong>Como v\u00ea o Die Linke as causas e as sa\u00eddas para a crise europeia?<\/strong><\/p>\n<p>Para n\u00f3s, h\u00e1 duas causas da crise na Europa. A crise dos mercados financeiros, levou os Estados a salvar os bancos. Mas os Estados, sem dinheiro, pediram aos bancos dinheiro emprestado para salvar os pr\u00f3prios bancos. Para n\u00f3s, uma solu\u00e7\u00e3o \u00e9 separar o financiamento dos Estados e o da banca privada. Defendemos a ideia de cria\u00e7\u00e3o de um banco p\u00fablico para os empr\u00e9stimos p\u00fablicos aos Estados europeus, financiado diretamente pelo Banco Central Europeu. Desta maneira, os Estados seriam independentes e livres das altas taxas de juros, que s\u00e3o nada mais que uma manifesta\u00e7\u00e3o da especula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A segunda causa da crise \u00e9 o desequil\u00edbrio comercial na Europa entre os estados. O <em>dumping <\/em>salarial e social na Alemanha conduz a um super\u00e1vit na exporta\u00e7\u00e3o, a Alemanha exporta muito mais que importa. Nos \u00faltimos dez anos, este super\u00e1vit da Alemanha frente a Portugal era de 210 mil milh\u00f5es de euros, o que logicamente significa problemas para Portugal, para Espanha, It\u00e1lia, Gr\u00e9cia&#8230; Todos estes pa\u00edses mencionados t\u00eam problemas de financiar a sua importa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio p\u00f4r fim ao dumping salarial na Alemanha. O que a senhora Merkel e o senhor Sarkozy agora querem decretar para o resto da Europa \u00e9 outra onda de <em>dumping <\/em>salarial, cortes sociais, cortes das pens\u00f5es e de todos os gastos sociais. Isto \u00e9 um perigo para toda a Europa, e significa nada mais que submeter a democracia aos mercados financeiros. \u00c9 um perigo para a exist\u00eancia da democracia. E por isso digo claramente que, neste momento, a senhora Merkel \u00e9 a mulher mais perigosa da Europa.<\/p>\n<p>Discutimos alternativas poss\u00edveis que resumiria em dois pontos: aumento salarial na Alemanha, regular os mercados financeiros; separar o financiamento dos Estados dos mercados financeiros privados.<\/p>\n<p><strong>Poderia explicar como v\u00ea o papel do Banco Central Europeu?<\/strong><\/p>\n<p>Na Alemanha, as d\u00edvidas p\u00fablicas aumentaram em 250 mil milh\u00f5es devido a este pacote de aux\u00edlio \u00e0 banca privada. Isto corresponde a 5\/6 do or\u00e7amento total da Alemanha. Todos sabemos que os Estados n\u00e3o t\u00eam dinheiro, e por isso viram-se obrigados a pedir emprestado o dinheiro para salvar a banca. Pedem emprestado o dinheiro dos bancos para salvar os pr\u00f3prios bancos, com uma taxa de juros muito elevada. A taxa de juros da Gr\u00e9cia \u00e9 de dois d\u00edgitos, a da It\u00e1lia de 7%. Isto significa que os cidad\u00e3os da Europa pagam aos bancos taxas de juros alt\u00edssimas \u2013 aos bancos que n\u00e3o existiriam sem os pacotes de resgate dos Estados. Os mesmos bancos que recebem o dinheiro do BCE a uma taxa baixa, de 1 &#8211; 1,5%.<\/p>\n<p>Os juros altos provocam mais desequil\u00edbrio nos or\u00e7amentos dos Estados e \u00e9 esta situa\u00e7\u00e3o que queremos mudar com a cria\u00e7\u00e3o de um banco p\u00fablico que fa\u00e7a os empr\u00e9stimos aos Estados europeus. Um banco p\u00fablico que se financie no BCE com juros baixos de 1 &#8211; 1,5%, entregando este dinheiro aos Estados a uma taxa tamb\u00e9m muito reduzida. Desta maneira pod\u00edamos evitar todo o tipo de especula\u00e7\u00e3o contra o euro. E os cidad\u00e3os da Europa n\u00e3o deviam pagar estas altas taxas de juros aos bancos privados.<\/p>\n<p><strong>Aonde quer chegar a sra. Merkel? \u00c0 explos\u00e3o do euro? \u00c0 expuls\u00e3o de pa\u00edses do euro?<\/strong><\/p>\n<p>A sra. Merkel est\u00e1 sob press\u00e3o tamb\u00e9m. Ela n\u00e3o quer mudar nada na ind\u00fastria financeira. Ela quer ter uma pol\u00edtica de estabilizar todo o sistema banc\u00e1rio e os seus lucros. Mas \u00e9 verdade que neste momento se discute na Alemanha a sa\u00edda da Gr\u00e9cia do euro. Alguns tamb\u00e9m j\u00e1 discutem a expuls\u00e3o da Gr\u00e9cia, apesar de isso n\u00e3o estar previsto nos acordos europeus. Mas a senhora Merkel n\u00e3o \u00e9 aqui a pessoa atuante. Na Alemanha, quem governa s\u00e3o os mercados financeiros, s\u00e3o eles que determinam o ritmo de a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Agora, depende do crit\u00e9rio da ind\u00fastria financeira. Se eles considerarem que a melhor forma de resolver o problema \u00e9 a expuls\u00e3o da Gr\u00e9cia ou de outros pa\u00edses, sim, isso vai acontecer. Depende do seu crit\u00e9rio. \u00c9 sempre muito simples. Se a sra. Merkel e o presidente do Deutschebank se re\u00fanem para discutir, quem manda?<\/p>\n<p><strong>Como v\u00ea o povo alem\u00e3o a crise nos pa\u00edses europeus? Acha os povos da Gr\u00e9cia, da Irlanda, da It\u00e1lia como pregui\u00e7osos e perdul\u00e1rios?<\/strong><\/p>\n<p>Na Alemanha se propagou uma imagem, um estado de \u00e2nimo, tamb\u00e9m pela sra. Merkel e multiplicado pela imprensa sensacionalista, que diz que os gregos s\u00e3o perigosos, que se reformam muito cedo, t\u00eam sal\u00e1rios demasiado altos, e vivem acima das suas possibilidades. Esta \u00e9 a imagem espalhada pela imprensa e pelo governo. Tamb\u00e9m dizem que os gregos enganam Bruxelas quando se trata de entregar as estat\u00edsticas. Com refer\u00eancia a Espanha e Portugal, dizem menos. Mas a tend\u00eancia fundamental \u00e9 a mesma. A tend\u00eancia \u00e9 que digam que a crise \u00e9 dos or\u00e7amentos de estado, porque os Estados mencionados gastaram demasiado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s suas receitas. N\u00f3s do Die Linke sabemos e dizemos que n\u00e3o \u00e9 assim. Sabermos que a popula\u00e7\u00e3o grega trabalha mais que na Alemanha, se reforma mais tarde. N\u00f3s sabemos perfeitamente. Nas discuss\u00f5es no Parlamento n\u00f3s mostr\u00e1mos esses dados.<\/p>\n<p>Por isso achamos que \u00e9 t\u00e3o importante deixar bem claro que a chave para a solu\u00e7\u00e3o do problema \u00e9 o equil\u00edbrio da balan\u00e7a comercial entre os pa\u00edses. E que a pol\u00edtica de austeridade que a sra. Merkel, o sr. Sarkozy e outros imp\u00f5em a pa\u00edses como a Gr\u00e9cia ou Portugal n\u00e3o resolve os problemas, e p\u00f5e em perigo todo o euro. Os estados n\u00e3o t\u00eam s\u00f3 um problema de muitas d\u00edvidas, t\u00eam um problema de receitas demasiado limitadas. Por isso, n\u00f3s na Alemanha exigimos um imposto maior sobre os grandes patrim\u00f3nios.<\/p>\n<p><strong>Recentemente subiram ao poder na Gr\u00e9cia e na It\u00e1lia governos chamados tecnocr\u00e1ticos, que tiveram o apoio dos governos alem\u00e3o e franc\u00eas. Mas, como esses governos n\u00e3o foram eleitos por ningu\u00e9m, isso n\u00e3o p\u00f5e em causa pr\u00f3pria democracia?<\/strong><\/p>\n<p>Precisamente, essa \u00e9 a nossa cr\u00edtica. N\u00f3s dizemos que essa \u00e9 uma forma de deixar de lado a democracia. Podemos falar de um tipo de chantagem executado pelos governos alem\u00e3o e franc\u00eas, implementando governos cumpridores das receitas destes governos. Mas Merkel e Sarkozy governam n\u00e3o de acordo aos interesses da sua popula\u00e7\u00e3o, mas sim em fun\u00e7\u00e3o dos mercados financeiros. De facto, neste momento, na Europa, vemos que ocorre pelo menos uma restri\u00e7\u00e3o da democracia.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.esquerda.net\/artigo\/quem-governa-alemanha-s%C3%A3o-os-mercados-financeiros\" >Go to Original \u2013 esquerda.net<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se a sra. Merkel e o presidente do Deutschebank se re\u00fanem para discutir, quem manda?, questiona Klaus Ernst, copresidente do Die Linke alem\u00e3o. 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