{"id":162575,"date":"2020-06-15T12:00:21","date_gmt":"2020-06-15T11:00:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=162575"},"modified":"2020-06-10T08:54:15","modified_gmt":"2020-06-10T07:54:15","slug":"portugues-como-indigenas-estao-vivenciando-as-mudancas-climaticas-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2020\/06\/portugues-como-indigenas-estao-vivenciando-as-mudancas-climaticas-na-amazonia\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) Como Ind\u00edgenas Est\u00e3o Vivenciando as Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_790260\" class=\"wp-caption aligncenter\" aria-describedby=\"caption-attachment-790260\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-790260 jetpack-lazy-image jetpack-lazy-image--handled\" src=\"https:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/brazil-69588_1920.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"427\" data-lazy-loaded=\"1\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-790260\" class=\"wp-caption-text\">Pixabay<\/figcaption><\/figure>\n<blockquote><p>9 junho 2020 &#8211; <em>Chuvas tardias, seca intensa, leitos secos, mais inc\u00eandios florestais, menos comida dispon\u00edvel \u2013 comunidades ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia Brasileira sofrem transforma\u00e7\u00f5es sociais atrav\u00e9s da mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/em><\/p>\n<p><em>Povos ind\u00edgenas acreditam que a mudan\u00e7a clim\u00e1tica afetou a sa\u00fade f\u00edsica: Doen\u00e7as controladas como sarampo e febre amarela t\u00eam inexplicavelmente reaparecido na floresta tropical. At\u00e9 mesmo o ciclo menstrual das mulheres ind\u00edgenas est\u00e1 come\u00e7ando em um per\u00edodo diferente.<\/em><\/p>\n<p><em>Os povos ind\u00edgenas descobriram v\u00e1rias formas de agir e diminuir os danos. Essas abordagens incluem a sele\u00e7\u00e3o e o cultivo de sementes mais resistentes \u00e0 seca e ao calor, investindo em bombeiros da linha de frente e at\u00e9 mesmo um aplicativo que oferece informa\u00e7\u00f5es sobre varia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>Na regi\u00e3o do Bico do Papagaio, localizada ao norte do estado de Tocantins, Antonio Ver\u00edssimo Apinaj\u00e9 relembra sua vida enquanto menino na vila Taquari, na d\u00e9cada de 1970. \u201cChovia sem parar por tr\u00eas ou quatro dias seguidos, de janeiro a junho. Os rios e nascentes se enchiam. A esta\u00e7\u00e3o chuvosa costumava iniciar em outubro, quando minha fam\u00edlia plantava mandioca, milho e arroz. Em junho, a esta\u00e7\u00e3o seca vinha e durava at\u00e9 setembro.\u201d<\/p>\n<p>N\u00e3o mais, diz o l\u00edder do povo Apinaj\u00e9. \u201cExistem anos em que as chuvas demoram muito para vir, \u00e0s vezes s\u00f3 em novembro ou dezembro, at\u00e9 mesmo em janeiro. S\u00f3 ent\u00e3o podemos plantar. Em abril as chuvas j\u00e1 est\u00e3o parando. Se n\u00e3o temos \u00e1gua, n\u00e3o podemos irrigar [nossas colheitas]. A mandioca est\u00e1 menor, o milho n\u00e3o \u201cincha\u201d. As chuvas diminu\u00edram muito nos \u00faltimos anos.\u201d<\/p>\n<p>O l\u00edder Apinaj\u00e9 n\u00e3o est\u00e1 sozinho; Povos ind\u00edgenas brasileiros v\u00eam observando os impactos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica pela Amaz\u00f4nia e outras regi\u00f5es, e reportando como esta transforma\u00e7\u00e3o est\u00e1 afetando suas vidas cotidianas. Muitos dizem que a natureza est\u00e1 manifestando sinais de uma mudan\u00e7a massiva no clima em at\u00e9 15 anos. E o mais terr\u00edvel, dizem, \u00e9 que as coisas parecem estar acelerando recentemente.<\/p>\n<p>A comunidade cient\u00edfica, por meio de sat\u00e9lites e outros equipamentos, est\u00e1 de acordo: estudos recentes mostram que a Amaz\u00f4nia est\u00e1 secando e j\u00e1 alcan\u00e7ou, ou est\u00e1 muito perto de alcan\u00e7ar, um ponto de inflex\u00e3o do bioma.<\/p>\n<p>Ao menos metade da floresta tropical pode se tornar uma degradada savana nos pr\u00f3ximos 50 anos, de acordo com algumas pesquisas, se a mudan\u00e7a clim\u00e1tica global, o desmatamento brasileiro e os inc\u00eandios na Amaz\u00f4nia n\u00e3o forem reduzidos. E, como os povos ind\u00edgenas notaram, o aquecimento global est\u00e1 acelerando seu ritmo e pode trazer um colapso ecol\u00f3gico muito mais rapidamente do que se pensava.<\/p>\n<p>\u201cQuando a \u00e1gua est\u00e1 baixa, \u00e9 o primeiro sinal\u201d, diz Antonio Ver\u00edssimo. Isso significa que as chuvas ir\u00e3o se atrasar \u2013 um fator que, junto com a seca intensa e prolongada, acaba prejudicando as lavouras e reduzindo a variedade de alimentos dispon\u00edveis nas aldeias. Mais uma vez, essa \u00e9 uma afirma\u00e7\u00e3o com a qual cientistas, agricultores e construtores de barragens podem concordar.<\/p>\n<p>Maria Leonice Tupari, chefe da AGIR, a Associa\u00e7\u00e3o de Guerreiras Ind\u00edgenas de Rond\u00f4nia, diz que, em Sete de Setembro, o territ\u00f3rio ind\u00edgena onde ela mora, \u201cos rios frequentemente secam, e a \u00e1gua que sobra forma uma esp\u00e9cie de ba\u00eda onde os peixes tentam sobreviver. Quando as chuvas retornam, o choque [t\u00e9rmico] da \u00e1gua fria da chuva com a \u00e1gua quente do rio, mata os pequenos peixes.<\/p>\n<p>Como se a redu\u00e7\u00e3o dos recursos naturais n\u00e3o fosse suficiente, Maria Leonice tamb\u00e9m est\u00e1 preocupada com o reaparecimento de doen\u00e7as nas aldeias locais. \u201cDoen\u00e7as que j\u00e1 foram controladas est\u00e3o voltando, como o sarampo e a febre amarela\u2026 Eu acredito que isso est\u00e1 relacionado com o clima, com a destrui\u00e7\u00e3o da natureza. E ent\u00e3o, um v\u00edrus veio nos mostrar o qu\u00e3o fr\u00e1gil n\u00f3s somos, para nos fazer refletir sobres as coisas.\u201d, disse ela, se referindo \u00e0 chegada da Covid-19 dentro das comunidades ind\u00edgenas. Na metade de maio o v\u00edrus j\u00e1 tinha infectado mais de 500 ind\u00edgenas no Brasil.<\/p>\n<p>Cientistas tamb\u00e9m concordam aqui, observando que a invas\u00e3o por atacado da humanidade da Amaz\u00f4nia e em outras florestas tropicais est\u00e1 aumentando o risco de pandemias em todo o planeta e, tamb\u00e9m, de febre amarela.<\/p>\n<p>O aquecimento clim\u00e1tico pode estar alterando tamb\u00e9m o corpo das mulheres Kiriri no nordeste do estado da Bahia, que reportaram a situa\u00e7\u00e3o para o Sinea do Vale, coordenador do meio ambiente do CIR, o Concelho Ind\u00edgena de Roraima. \u201cAs mulheres Kiriri acreditam que o extremo calor est\u00e1 causando tens\u00e3o pr\u00e9-menstrual em adolescentes ind\u00edgenas mais novas.\u201d Neste caso, a Mongabay n\u00e3o p\u00f4de localizar nenhuma prova cient\u00edfica, mesmo ap\u00f3s uma longa pesquisa bibliogr\u00e1fica. No entanto, um estudo de 2018 descobriu que a polui\u00e7\u00e3o do ar pode resultar em \u201cvaria\u00e7\u00e3o do ciclo menstrual,\u201d e \u00e9 plaus\u00edvel que a fuligem resultante das queimadas da Amaz\u00f4nia \u2013 agravadas pela mudan\u00e7a clim\u00e1tica \u2013 possa estar causando o problema observado, apesar de mais estudos serem necess\u00e1rios.<\/p>\n<p><strong>Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas traz mais inc\u00eandios e fuma\u00e7a afeta vilarejos<\/strong><\/p>\n<p>A combina\u00e7\u00e3o entre calor crescente e clima seco resulta em um maior n\u00famero de intensas queimadas na Amaz\u00f4nia \u2013 ainda mais \u00e0 medida que grileiros desmatam a floresta tropical, ou os fazendeiro usam a terra para plantio \u2013 gerando tamb\u00e9m impactos negativos nas reservas ind\u00edgenas, especialmente naquelas localizadas no t\u00e3o chamado \u201cArco do Desmatamento\u201d, se estendendo do estado de Rond\u00f4nia, no oeste do Brasil, at\u00e9 o Par\u00e1, ao leste.<\/p>\n<p>O mesmo acontece com Territ\u00f3rio Ind\u00edgena Sete de Setembro onde Maria Leonice Tupari mora. \u00c9 a terra ancestral do povo Saru\u00ed Paiter, ao longo da divisa entre os estados de Rond\u00f4nia e Mato Grosso. \u201cHoje a reserva \u00e9 rodeada por fazendas de gado. Os fazendeiros gostam de queimar as faixas de terra para limpar os pastos. Ano passado, qualquer coisinha podia come\u00e7ar um inc\u00eandio, de bituca de cigarro at\u00e9 garrafas de vidro (por intensificar os raios solares no mato). Era uma ninhada de caminh\u00f5es jogados ao longo das rodovias,\u201d servindo como instigadores, ela reporta.<\/p>\n<p>De acordo com a l\u00edder das Guerreiras de Rond\u00f4nia, queimadas deram abertura para outro grave problema em 2019, um dos piores anos em rela\u00e7\u00e3o ao fogo na Amaz\u00f4nia: \u201cA fuma\u00e7a das queimadas deixou muitas pessoas doentes, com fortes dores de cabe\u00e7a, irrita\u00e7\u00e3o nos olhos e problemas respirat\u00f3rios. A fuma\u00e7a era terr\u00edvel. Especialmente as crian\u00e7as e os mais velhos precisaram ser levados para hospitais da regi\u00e3o, que j\u00e1 estavam lotados com as pessoas da cidade que tamb\u00e9m foram atingidas.\u201d \u00c9 cientificamente comprovado que as part\u00edculas das queimadas e outras polui\u00e7\u00f5es s\u00e3o a maior causa de morte e de doen\u00e7a globalmente, de acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade.<\/p>\n<p>Seiscentos quil\u00f4metros da\u00ed, na ponta do Rio Tocantins , Antonio Apinaj\u00e9 compartilha do mesmo medo: \u201cA gente se preocupa quando tem queimadas na regi\u00e3o porque, dependendo da hora do dia e da for\u00e7a do vento, as queimadas podem voar. N\u00f3s moramos perto da floresta e da vegeta\u00e7\u00e3o do Cerrado; \u00e9 assustador at\u00e9 mesmo pensar sobre isso. A fuma\u00e7a pesada fica no ar por dois ou tr\u00eas meses\u201d, diz o l\u00edder Apinaj\u00e9.<\/p>\n<p>Para reduzir o dano na Amaz\u00f4nia e na vegeta\u00e7\u00e3o do Cerrado, a ag\u00eancia ambiental brasileira, IBAMA sob seu Centro de Preven\u00e7\u00e3o e Combate ao Fogo (Prevfogo), contrata povos ind\u00edgenas durante a temporada de fogo para atuar como bombeiros nas terras onde vivem. \u201cEles conhecem o territ\u00f3rio melhor do que ningu\u00e9m, eles sabem onde a vegeta\u00e7\u00e3o \u00e9 mais propensa a queimar, onde as queimadas tendem a iniciar e como se espalha,\u201d explica o diretor da Prevfogo Gabriel Constantino Zacharias.<\/p>\n<p>A iniciativa do IBAMA come\u00e7ou em 2013 com 400 bombeiros ind\u00edgenas \u2013 um ter\u00e7o do n\u00famero de bombeiros dispon\u00edveis na \u00e9poca \u2013 e tem crescido ao longo dos anos. Mas, em 2019, sob a administra\u00e7\u00e3o do Bolsonaro, os n\u00fameros ca\u00edram pela primeira vez: havia 750 bombeiros ind\u00edgenas em campo, 20 a menos que no ano anterior.<\/p>\n<p>\u201cO primeiro ano de administra\u00e7\u00e3o geralmente envolve restri\u00e7\u00f5es de or\u00e7amento\u201d, Zacharias sobre a pol\u00edtica administrativa de Bolsonaro. Em agosto do ano passado, a Alemanha e a Noruega suspenderam as contribui\u00e7\u00f5es para o Fundo da Amaz\u00f4nia devido o aumento do desmatamento no Brasil. Uma parte desses fundos costumava financiar as roupas e as botas dos bombeiros. Entre 2014 e 2018, o fundo investiu US$4 milh\u00f5es de d\u00f3lares para as atividades do Prevfogo em nove estados da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p><strong>Casa de Sementes<\/strong><\/p>\n<p>Em Tocantins, o povo Apinaj\u00e9 est\u00e1 se adaptando \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica dedicando seu tempo em pesquisar sementes que s\u00e3o mais resistentes \u00e0 seca, altas temperaturas e per\u00edodos de crescimento mais curtos.<\/p>\n<p>\u201cAo inv\u00e9s de usar arroz, que precisa de cinco a seis meses para amadurecer, n\u00f3s estamos plantando agora uma variedade de plantas de curta dura\u00e7\u00e3o que amadurecem em apenas tr\u00eas meses\u201d, diz Antonio Apinaj\u00e9. \u201cN\u00f3s tamb\u00e9m encontramos uma esp\u00e9cie de mandioca que cresce em sete meses, em compara\u00e7\u00e3o com a que a gente plantava antes que, geralmente, precisava de 1 ano.\u201d<\/p>\n<p>A disponibilidade de \u00e1gua influencia equitativamente na escolha do que plantar, ele diz. \u201cMandioca e feij\u00e3o n\u00e3o precisam de muita chuva, mas arroz, ab\u00f3bora, milho e banana precisam. Por isso estamos plantando menos dessas culturas.\u201d<\/p>\n<p>Um pouco mais de um ano atr\u00e1s, o povo Apinaj\u00e9 \u2013 2 800 indiv\u00edduos espalhados entre 42 vilarejos dentro do territ\u00f3rio ind\u00edgena que carrega o nome deles \u2013 criaram a Casa de Sementes, um banco para armazenar sementes dessas culturas que s\u00e3o mais produtivas e resistentes ao calor. O plano do povo Apinaj\u00e9 \u00e9 ampliar a variedade da cole\u00e7\u00e3o por meio da troca de sementes e conhecimentos com outros povos ind\u00edgenas, pequenos fazendeiros e fam\u00edlias afro-brasileiras tradicionais.<\/p>\n<p>A iniciativa vem sendo adaptada em outros estados da Amaz\u00f4nia: em Roraima por exemplo, l\u00edderes est\u00e3o formando uma rede de informa\u00e7\u00f5es entre v\u00e1rias regi\u00f5es e territ\u00f3rios ind\u00edgenas. \u201cO projeto est\u00e1 parado por causa da Covid-19, mas n\u00f3s vamos reinici\u00e1-lo o mais cedo poss\u00edvel,\u201d disse Sineia do Vale, representante do povo Wapichana do Conselho Ind\u00edgena de Roraima.<\/p>\n<p>Em agosto passado, o Conselho promoveu a organiza\u00e7\u00e3o de um banco de sementes no Territ\u00f3rio Ind\u00edgena Raimund\u00e3o, no munic\u00edpio Alto Alegre. Ele tamb\u00e9m promoveu o cultivo de resistentes \u00e0 seca e ao calor como milho, mandioca e sementes de pimenta em dois hectares. Esses s\u00e3o os alimentos mais consumidos pela comunidade local e, se o esfor\u00e7o inicial der certo, as sementes poder\u00e3o ser distribu\u00eddas para outras comunidades.<\/p>\n<p>Entrevistas s\u00e3o conduzidas por mais de 200 Agentes Territoriais e Ambientais Ind\u00edgenas (ATAIS), levando \u00e0 publica\u00e7\u00e3o do livro titulado Amazad Pana\u2019adinhan \u2013 A Percep\u00e7\u00e3o da Mudan\u00e7a clim\u00e1tica pela Comunidade Ind\u00edgena \u2013 Regi\u00e3o da Serra da Lua em Roraima.<br \/>\nDesconsiderado por pesquisadores at\u00e9 recentemente, \u201co conhecimento ancestral est\u00e1 sendo discutido por cientistas em muitas partes do mundo para ajudar a entender os problemas da mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d, disse o l\u00edder Wapichana.<\/p>\n<p><strong>Combatendo fogo com celulares<\/strong><\/p>\n<p>Uma colabora\u00e7\u00e3o entre o conhecimento ind\u00edgena e cient\u00edfico levou \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de ferramentas tecnol\u00f3gicas como o Alerta Clim\u00e1tico Ind\u00edgena, desenvolvido pelo IPAM (o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amaz\u00f4nia). Esse aplicativo proporciona dados das concentra\u00e7\u00f5es de calor, risco de seca e desmatamento, para ajudar povos ind\u00edgenas a monitorar seu territ\u00f3rio e regi\u00f5es pr\u00f3ximas. A informa\u00e7\u00e3o pode ser acessada mesmo quando n\u00e3o h\u00e1 conex\u00e3o de celular.<\/p>\n<p>Povos ind\u00edgenas podem inclusive usar o aplicativo para compartilhar alertas sobre queimadas e atividades ilegais em suas terras, incluindo desmatamento ilegal, ca\u00e7a, pesca e extra\u00e7\u00e3o de madeira.<\/p>\n<p>\u201cDe um lado, povos ind\u00edgenas desempenham um enorme papel na atenua\u00e7\u00e3o das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, mas do outro lado, eles vivem diretamente com essas altera\u00e7\u00f5es e s\u00e3o, portanto, os mais afetados\u201d, diz Martha Fellows Dourado, pesquisadora do IPAM. \u201cO Alerta Clim\u00e1tico surgiu como um instrumento de apoio \u00e0 gest\u00e3o territorial dentro dos territ\u00f3rios ind\u00edgenas no ponto zero \u2013 dentro das pr\u00f3prias comunidades\u201d.<\/p>\n<p>O aplicativo est\u00e1 ativo hoje nos estados de Roraima, Maranh\u00e3o e Mato Grosso, e a meta \u00e9 que ele esteja dispon\u00edvel e seja utilizado em todas as reservas ind\u00edgenas demarcadas. Nos pr\u00f3ximos meses, o Alerta Clim\u00e1tico Ind\u00edgena ter\u00e1 uma nova regra diante da Pandemia causada pela Covid-19: os usu\u00e1rios ser\u00e3o capazes de acompanhar a propaga\u00e7\u00e3o do v\u00edrus nas cidades e vilarejos.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s da tecnologia, Leonice Tupari invoca a espiritualidade dos povos da floresta como uma forma de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as radicais que est\u00e3o por vir: \u201cN\u00f3s precisamos respeitar a natureza e nos conectar com ela. Somos esp\u00edritos aqui na terra, encarnados de forma material, conectados com o fogo, a terra, o vento \u2013 com tudo o que existe. As pessoas se distanciaram dela. Elas n\u00e3o caminham mais na terra, nem sentem a brisa. N\u00f3s devemos sentir a \u00e1gua, e eu n\u00e3o falo da \u00e1gua que sai do chuveiro. Nossa espiritualidade est\u00e1 conectada com a natureza\u201d.<\/p>\n<p>____________________________________________<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><em><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/logo-anda-novo.jpg\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-143717\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/logo-anda-novo.jpg\" alt=\"\" width=\"206\" height=\"88\" \/><\/a><\/em>ANDA\u2013Ag\u00eancia de Not\u00edcias de Direitos Animais<em>: informar para transformar. A <\/em>ANDA<em> difunde na m\u00eddia os valores de uma nova cultura, mais \u00e9tica, mais justa e preocupada com a defesa e a garantia dos direitos animais. \u00c9 o primeiro portal jornal\u00edstico do mundo que combate a viol\u00eancia social e a destrui\u00e7\u00e3o do meio ambiente a partir da defesa dos direitos dos animais. <\/em><em>Contato: <a href=\"mailto:faleconosco@anda.jor.br\">faleconosco@anda.jor.br<\/a><\/em><\/p>\n<p><em>Tradu\u00e7\u00e3o de Giovanna Palauro<\/em><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.anda.jor.br\/2020\/06\/como-indigenas-estao-vivenciando-as-mudancas-climaticas-na-amazonia\/\" >Go to Original \u2013 anda.jor.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>9 junho 2020 &#8211; Chuvas tardias, seca intensa, leitos secos, mais inc\u00eandios florestais, menos comida dispon\u00edvel \u2013 comunidades ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia Brasileira sofrem transforma\u00e7\u00f5es sociais atrav\u00e9s da mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":143717,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[536,1003,547,686,401,993,1788],"class_list":["post-162575","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-original-languages","tag-amazonia","tag-brasil","tag-brazil","tag-climate-change","tag-environment","tag-global-warming","tag-indios"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/162575","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=162575"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/162575\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/media\/143717"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=162575"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=162575"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=162575"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}