{"id":16284,"date":"2011-12-12T12:00:11","date_gmt":"2011-12-12T12:00:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=16284"},"modified":"2011-12-11T14:32:41","modified_gmt":"2011-12-11T14:32:41","slug":"portuguese-passeio-ao-zoologico-sob-outra-otica-sob-outra-etica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2011\/12\/portuguese-passeio-ao-zoologico-sob-outra-otica-sob-outra-etica\/","title":{"rendered":"(Portuguese) Passeio ao Zool\u00f3gico: Sob Outra \u00d3tica, Sob Outra \u00c9tica"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\" align=\"right\"><em>\u201cQuando se trata de como os humanos exploram os animais, o reconhecimento de seus direitos requer aboli\u00e7\u00e3o, n\u00e3o reforma (\u2026)<\/em><em> <em>verdade dos direitos animais requer jaulas vazias, n\u00e3o mais espa\u00e7osas\u201d.<\/em><br \/>\n<\/em>(Tom Regan, <em>Jaulas Vazias<\/em>)<\/p>\n<p>Como bi\u00f3loga e educadora, sempre acreditei nos zool\u00f3gicos como ferramenta deseducativa.<\/p>\n<p>Meu rep\u00fadio a esse tipo de atividade fez com que eu me afastasse, durante anos, de uma visita a esses verdadeiros redutos de infelicidade animal. Tive a oportunidade de fazer uma visita t\u00e9cnica a alguns desses redutos recentemente (h\u00e1 menos de uma semana, para ser mais exata). Assim como a aqu\u00e1rios, ocean\u00e1rios, serpent\u00e1rios e afins. Foi um <em>tour<\/em> dos horrores, considerando toda minha avers\u00e3o a qualquer forma de confinamento animal para a satisfa\u00e7\u00e3o de egos humanos.<\/p>\n<p>Mas, com o passar do tempo, minha avers\u00e3o, que antes era representada pela nega\u00e7\u00e3o, foi substitu\u00edda pela coragem de encarar os fatos como eles s\u00e3o: os animais sofrem. Ao nosso lado. Todos os dias. E nos fazem, a todo o tempo, um apelo silencioso. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ignorar essa realidade pelos melindres de n\u00e3o querer sofrer, de n\u00e3o querer olhar.\u00a0 O sofrimento deles \u00e9 infinitamente maior.<\/p>\n<p>Nessa visita t\u00e9cnica, foram inclu\u00eddos locais aos quais os visitantes \u201ccomuns\u201d n\u00e3o t\u00eam acesso, como cozinhas, biot\u00e9rios, \u00e1reas de cuidados veterin\u00e1rios etc. Fui convidada por uma colega de trabalho a conduzir com ela (que tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 f\u00e3 de zool\u00f3gicos) a visita (sou professora universit\u00e1ria) e temos uma turma em comum, a qual nos acompanhou. A curiosidade de saber a quantas anda a explora\u00e7\u00e3o legitimada dos animais que tiveram sua liberdade sequestrada, na pr\u00e1tica foi um dos fatores que me levou a decidir ir.<\/p>\n<p>Outro fator importante foi a certeza de ter minhas concep\u00e7\u00f5es bioc\u00eantricas renovadas. Mesmo \u00e0 custa do meu sofrimento. Banal, como j\u00e1 mencionei, perto do sofrimento de in\u00fameros animais que l\u00e1 encontrei.\u00a0 Antes de \u201cver\u201d os animais e durante as \u201cvisitas\u201d, em todos os locais, h\u00e1 uma explana\u00e7\u00e3o te\u00f3rica\/log\u00edstica por parte dos monitores. Parece que s\u00e3o treinados todos no mesmo lugar, pois as frases feitas a respeito do bem-estarismo animal s\u00e3o quase id\u00eanticas. Tais explana\u00e7\u00f5es me remetiam inevitavelmente ao <em>Ensaio sobre a Cegueira<\/em>, de Saramago. Pensava: as pessoas est\u00e3o mesmo acreditando nisso? (Acho que vou escrever um <em>Ensaio sobre a surdez<\/em>). Outro pensamento recorrente: na ocasi\u00e3o de uma palestra do Semin\u00e1rio da Agenda 21, no Paran\u00e1, em 2009, a fil\u00f3sofa S\u00f4nia Felipe mencionou a seguinte frase: \u201cbicho n\u00e3o \u00e9 vitrine de shopping\u201d. Considerei extremamente relevante. Me fez pensar al\u00e9m.<\/p>\n<p>Zool\u00f3gicos com objetivos de recupera\u00e7\u00e3o e reintrodu\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies no meio, sem exposi\u00e7\u00e3o ao p\u00fablico, que respeitam o que o animal nasceu, de fato, para ser, merecem nosso reconhecimento. N\u00e3o s\u00e3o, infelizmente a maioria deles. A maioria ainda se baseia em concep\u00e7\u00f5es especistas e antropoc\u00eantricas para justificar sua exist\u00eancia e consequente sofrimento animal. Algumas fal\u00e1cias s\u00e3o facilmente identificadas no discurso daqueles que defendem o zool\u00f3gico \u201cvitrine\u201d como \u201cferramenta educativa\u201d. Ali\u00e1s, podemos, sim, fazer dos zool\u00f3gicos, ferramentas extremamente educativas se mudarmos a an\u00e1lise e a perspectiva. Analisando sob a \u00f3tica da \u00e9tica bioc\u00eantrica, podemos enumerar algumas fal\u00e1cias que s\u00e3o repetidas como mantras a respeito dos animais confinados. Vamos a algumas delas:<\/p>\n<p>&#8211; <em>\u201cO Zool\u00f3gico \u00e9 importante porque n\u00f3s devemos conhecer as esp\u00e9cies para preservar\/respeitar\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Essa concep\u00e7\u00e3o traz embutida a desculpa de que s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel preservar uma esp\u00e9cie a partir do momento em que a conhecemos. Se a concep\u00e7\u00e3o bioc\u00eantrica predomina, o simples fato de o animal existir j\u00e1 \u00e9 um pressuposto que justificaria o respeito por ele. E s\u00f3. Eu n\u00e3o conhe\u00e7o nenhum africano, por exemplo, mas n\u00e3o preciso faz\u00ea-lo para s\u00f3 depois respeit\u00e1-lo. Nunca conheci um urso-polar, um tigre de bengala, uma perereca amaz\u00f4nica ou uma orca. Mas o fato de n\u00e3o v\u00ea-los ao vivo n\u00e3o me impede de respeit\u00e1-los pela sua ess\u00eancia.<\/p>\n<p><em>&#8211; \u201cO Zool\u00f3gico \u00e9 imprescind\u00edvel para estudarmos o comportamento dos animais\u201d.<\/em><\/p>\n<p>S\u00f3 se for para estudar neuroses de cativeiro. Qualquer pessoa com no\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas de biologia sabe que o comportamento de animais em cativeiro n\u00e3o \u00e9 o mesmo que o animal apresentaria no seu meio natural. Tenho muito respeito por estudos comportamentais. Mas por aqueles que s\u00e3o feitos no habitat natural do animal. Esse argumento n\u00e3o sustenta a exist\u00eancia desse tipo de zool\u00f3gico.<\/p>\n<p>&#8211; <em>\u201cO Zool\u00f3gico \u00e9 importante para a reprodu\u00e7\u00e3o e para salvar as esp\u00e9cies\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Primeiro: a maioria dos animais reproduzidos em cativeiro \u00e9 reproduzida para esse fim: permanecer em cativeiro. N\u00e3o para ter devolvido o que lhe foi negado desde as gera\u00e7\u00f5es anteriores: sua liberdade. H\u00e1, entre os zool\u00f3gicos, uma esp\u00e9cie de escambo de esp\u00e9cies, onde os animais s\u00e3o intercambiados. Faltou uma girafa no zool\u00f3gico \u201cx\u201d? J\u00e1 est\u00e1 nascendo uma no Zool\u00f3gico \u201cy\u201d. Ser\u00e1 separada de sua m\u00e3e e destinada ao zool\u00f3gico \u201cx\u201d como animal de exposi\u00e7\u00e3o. Segundo: privado da conviv\u00eancia com seus iguais e de todas as intera\u00e7\u00f5es que lhe s\u00e3o poss\u00edveis em seu meio natural, ele n\u00e3o \u00e9 mais do que a sombra dos seus ancestrais<em>.<\/em><\/p>\n<p><em>&#8211; \u201cMas os animais que nasceram no zoo n\u00e3o sofrem porque n\u00e3o conhecem outra vida\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Ser\u00e1 que o fato de esse animal ter nascido em cativeiro nos d\u00e1 o direito de usurpar sua liberdade mais uma vez e conden\u00e1-lo a uma vida miser\u00e1vel, privando-o da sua verdadeira liberdade?<\/p>\n<p>Se houver uma \u201cvisita ao zool\u00f3gico\u201d, com prop\u00f3sitos educativos, que sejam feitas pelo menos as seguintes perguntas e investiga\u00e7\u00f5es com os alunos: qual o habitat natural desses animais? Quais os h\u00e1bitos desses animais em seu meio natural? Geralmente s\u00e3o: nadar, correr, voar quil\u00f4metros por dia, procurar comida, defender seu territ\u00f3rio, interagir com outras esp\u00e9cies e com seus iguais. E em cativeiro? Quais as mudan\u00e7as percebidas? Quais os impactos nefastos nos seus h\u00e1bitos? Quais as consequ\u00eancias? Um pequen\u00edssimo exemplo, entre tantos que presenciei: um le\u00e3o-marinho em seu habitat natural viaja centenas de quil\u00f4metros por dia. Em cativeiro, \u00e9 condenado a viver em um pequeno tanque, onde passa o dia circunscrevendo voltas como que para escapar da escravid\u00e3o sem fim. Sem falar na obesidade e outros transtornos de comportamento como as j\u00e1 mencionadas neuroses de cativeiro. Isso nos reporta \u00e0 fal\u00e1cia seguinte:<\/p>\n<p><em>&#8211; \u201cAqui no zool\u00f3gico fazemos o enriquecimento ambiental\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Esse novo modismo nos zoos (proveniente de um modelo americano) traz em sua proposta a introdu\u00e7\u00e3o de diferentes est\u00edmulos no cativeiro para que animais n\u00e3o desenvolvam comportamentos repetitivos e neur\u00f3ticos como automutila\u00e7\u00e3o, coprofagia etc. Certamente, est\u00edmulos s\u00e3o melhores que a estagna\u00e7\u00e3o a que esses animais s\u00e3o condenados. Mas deve-se sempre questionar: a reabilita\u00e7\u00e3o e a devolu\u00e7\u00e3o da liberdade que lhes foi negada n\u00e3o seria infinitamente melhor? O t\u00e3o prestigiado enriquecimento ambiental n\u00e3o seria mais um engodo para justificar a perpetua\u00e7\u00e3o do cativeiro e de interesses escusos?<\/p>\n<p>&#8211; <em>\u201cHoje n\u00e3o existem mais jaulas nos zool\u00f3gicos\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Ouvi diversas vezes essa frase dos monitores que nos acompanharam. Em v\u00e1rios lugares. Basta uma breve visita para, novamente, a perplexidade ao comparar o dito e o constatado ser inevit\u00e1vel. O \u00e1pice do menosprezo \u00e0 intelig\u00eancia dos presentes. Percebe-se, claramente a exist\u00eancia de cercados m\u00ednimos de a\u00e7o, alum\u00ednio, terr\u00e1rios, aqu\u00e1rios e paredes de vidro fazendo as vezes de jaulas. Mas pergunto: n\u00e3o seria infinitamente melhor que jaulas, aqu\u00e1rios, terr\u00e1rios e afins estejam para sempre, vazios?<\/p>\n<p>&#8211; <em>\u201cA alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 balanceada\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Isso pode soar muito bem aos ouvidos antropo e ecoc\u00eantricos. Mas nos ouvidos bioc\u00eantricos e abolicionistas d\u00f3i. At\u00e9 fisicamente. Uma frase que ouvi da monitora: \u201cOs zootecnistas que trabalham no zoo e cuidam da alimenta\u00e7\u00e3o dos animais acham que os psitac\u00eddeos silvestres s\u00e3o uns chatos porque s\u00e3o muito exigentes, n\u00e3o comem qualquer coisa\u201d. Ora, o que diriam os psitac\u00eddeos se falassem? \u201cChato\u201d seria um adjetivo no m\u00ednimo elegante para qualificar quem os trancafia em um viveiro, obrigando-os a uma \u201cloteria gastron\u00f4mica\u201d, for\u00e7ada e diferente de sua alimenta\u00e7\u00e3o natural.<\/p>\n<p>E nem tecerei aqui coment\u00e1rios a respeito do estresse gerado para o animal decorrente das barulhentas \u201cvisitas\u201d. \u00c9 desnecess\u00e1rio.<\/p>\n<p>Os animais em zool\u00f3gicos s\u00e3o a ponta do <em>iceberg<\/em> dessa empresa. Por tr\u00e1s h\u00e1 in\u00fameros fatores que formam uma cadeia de horrores para outras esp\u00e9cies tamb\u00e9m. Uma delas \u00e9 a exist\u00eancia de biot\u00e9rios, terceirizados ou dentro dos pr\u00f3prios zoos, que s\u00e3o lugares espec\u00edficos onde s\u00e3o criados animais vivos para alimentar os animais cativos. No Brasil s\u00e3o criados, para esse fim, ratos, porquinhos-da-\u00edndia, gansos, pintinhos etc.<\/p>\n<p>Esses seres vivos, considerados \u201calimento\u201d no contexto, s\u00e3o manipulados, criados e administrados com a naturalidade de quem d\u00e1 uma banana a um macaco. S\u00e3o \u201ccoisas\u201d como regem os preceitos do antropocentrismo e do especismo. Os ecoc\u00eantricos dir\u00e3o que \u00e9 muito boa essa preocupa\u00e7\u00e3o com a alimenta\u00e7\u00e3o dos animais. E que n\u00e3o h\u00e1 dilemas morais, pois na natureza existe a rela\u00e7\u00e3o predador\/presa. Sim. NA NATUREZA. Mas, novamente a pergunta que se deve fazer \u00e9: N\u00e3o existir animais enjaulados n\u00e3o seria infinitamente melhor?<\/p>\n<p>Outro fen\u00f4meno que ocorre na maioria dos zool\u00f3gicos e, confesso, para mim \u00e9 novidade: a distin\u00e7\u00e3o entre \u201canimais em exposi\u00e7\u00e3o\u201d e \u201canimais excedentes\u201d. Os animais em exposi\u00e7\u00e3o (no contexto, como se fossem agora, pe\u00e7as de uma galeria de arte) s\u00e3o aqueles que o p\u00fablico enxerga. Ali\u00e1s, a maioria deles \u00e9 recolhida \u00e0 noite, gerando mais estresse. Os \u201canimais em exposi\u00e7\u00e3o\u201d ficam nas partes divulg\u00e1veis do zoo.<\/p>\n<p>Nas \u00e1reas que est\u00e3o longe dos olhos do p\u00fablico, existem pequenas jaulas com os \u201canimais excedentes\u201d, ou seja, os que sobraram da reprodu\u00e7\u00e3o em cativeiro, ou de trocas com outros zool\u00f3gicos. Ou at\u00e9 mesmo os animais doentes ou que desenvolveram a (novamente ela) neurose de cativeiro. Claro que n\u00e3o \u00e9 conveniente que o p\u00fablico tenha contato com comportamentos como automutila\u00e7\u00f5es, coprofagia, canibalismo e outros desenvolvidos em animais privados de sua liberdade. A vis\u00e3o desses comportamentos pode come\u00e7ar a atenuar a \u201ccegueira conveniente\u201d do grande p\u00fablico. N\u00e3o \u00e9 recomend\u00e1vel.<\/p>\n<p>Nessas \u00e1reas, at\u00e9 s\u00e3o permitidas visitas t\u00e9cnicas. Mas s\u00e3o terminantemente proibidas fotos e filmagens, por raz\u00f5es \u00f3bvias aos olhos da \u00e9tica bioc\u00eantrica. Uma das monitoras, quando questionada sobre o porqu\u00ea de as fotos serem proibidas, disse n\u00e3o saber. Fiquei me questionando se a resposta foi estrat\u00e9gica, se foi repetida como mantra, se ela simplesmente n\u00e3o se importa, ou se a cegueira a acomete tamb\u00e9m. Nas \u00e1reas dos \u201canimais excedentes\u201d, foi poss\u00edvel observar em v\u00e1rios zool\u00f3gicos que o espa\u00e7o em que os animais est\u00e3o confinados \u00e9 bem menor que o dos animais \u201cem exposi\u00e7\u00e3o\u201d. Logo nos perguntamos: o que dizer da preocupa\u00e7\u00e3o com o \u201cbem-estar animal\u201d, ou com \u201cenriquecimento ambiental\u201d para os animais dessas \u00e1reas? Tamb\u00e9m n\u00e3o obtive respostas convincentes. S\u00f3 evasivas. N\u00e3o insisti mais porque as respostas ficaram \u00f3bvias demais.<\/p>\n<p>Na esteira dos zool\u00f3gicos, seguem aqu\u00e1rios, serpent\u00e1rios, ocean\u00e1rios, circos, projetos de \u201cpreserva\u00e7\u00e3o\u201d etc. que, pela tradi\u00e7\u00e3o antropoc\u00eantrica, possuem um prop\u00f3sito educativo \u201cinquestion\u00e1vel\u201d. Mas basta um breve passeio, com esse olhar bioc\u00eantrico, diferente do que nos foi imposto a acreditar a vida toda, para que o apelo silencioso e profundo de cada animal se fa\u00e7a presente e toque fundo nossa alma toda vez que visitarmos um zool\u00f3gico ou algo semelhante. Essas mudan\u00e7as de perspectiva, segundo Arthur Conan Doyle, equivalem a uma convers\u00e3o religiosa: nada mais ser\u00e1 visto da mesma maneira que era antes.<\/p>\n<p>Mesmo com todas essas \u201cjustificativas\u201d, que sob minha perspectiva n\u00e3o passam de fal\u00e1cias, ainda acredito que o \u201csimples\u201d fato de um animal ter sua liberdade restringida, impedida, sequestrada para a concep\u00e7\u00e3o medieval de satisfazer as curiosidades e prazeres humanos, \u00e9 a base do meu rep\u00fadio a esse tipo de explora\u00e7\u00e3o, sem mais considera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Mas a esperan\u00e7a se renovou quando vi a rea\u00e7\u00e3o da maioria dos meus alunos, acad\u00eamicos de Licenciatura em Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas, durante a visita. Quando ouvi, em cada coment\u00e1rio, a indigna\u00e7\u00e3o, a revolta e a preocupa\u00e7\u00e3o de fazer uma abordagem ambiental realmente cr\u00edtica na escola. Quando vi em cada rosto a ang\u00fastia pelos animais e a cegueira se dissipando, pensei: \u00e9 um trabalho que vale a pena. Pois n\u00e3o deixo de mencionar em minhas aulas a import\u00e2ncia de se olhar o outro lado. Por isso acredito na chamada Educa\u00e7\u00e3o Ambiental Bioc\u00eantrica. E libert\u00e1ria. Com as pessoas livres para optar pelo modelo de \u00e9tica que pautar\u00e1 sua passagem pela Terra. E essa escolhameus alunos fizeram por si. N\u00e3o foi imposta. Em sua formatura, n\u00e3o far\u00e3o de seu juramento outra fal\u00e1cia:<\/p>\n<p>\u201cJuro, pela minha f\u00e9 e pela minha honra e de acordo com os princ\u00edpios \u00e9ticos do bi\u00f3logo, exercer as minhas atividades profissionais com honestidade, em defesa da vida, estimulando o desenvolvimento cient\u00edfico, tecnol\u00f3gico e human\u00edstico com justi\u00e7a e paz\u201d. (enunciado regulamentado pelo Conselho Federal de Biologia \u2013 Decreto n\u00ba 88.438, de 28 de junho de 1983). \u201cDefesa da vida\u201d e \u201cjusti\u00e7a e paz\u201d, entende-se, para todas as esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>Enquanto houver zool\u00f3gicos, aqu\u00e1rios, serpent\u00e1rios do tipo \u201cvitrine\u201d, espero que existam educadores como meus alunos (que ainda n\u00e3o se formaram, mas j\u00e1 s\u00e3o bi\u00f3logos de cora\u00e7\u00e3o), capazes de fazerem com seus alunos excurs\u00f5es a esses verdadeiros infernos (para os animais), capazes de realizar essas visitas com vistas \u00e0 a\u00e7\u00e3o.\u00a0 Capazes de conduzir uma discuss\u00e3o sob outra \u00f3tica, sob outra \u00e9tica.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.anda.jor.br\/08\/03\/2011\/passeio-ao-zoologico-sob-outra-etica\" >Go to Original \u2013 anda.jor.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cQuando se trata de como os humanos exploram os animais, o reconhecimento de seus direitos requer aboli\u00e7\u00e3o, n\u00e3o reforma (\u2026) verdade dos direitos animais requer jaulas vazias, n\u00e3o mais espa\u00e7osas\u201d. (Tom Regan, Jaulas Vazias)<br \/>\nComo bi\u00f3loga e educadora, sempre acreditei nos zool\u00f3gicos como ferramenta deseducativa. 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