{"id":171743,"date":"2020-11-02T12:00:59","date_gmt":"2020-11-02T12:00:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=171743"},"modified":"2020-10-31T06:31:10","modified_gmt":"2020-10-31T06:31:10","slug":"portugues-glenn-greenwald-minha-renuncia-do-the-intercept","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2020\/11\/portugues-glenn-greenwald-minha-renuncia-do-the-intercept\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) Glenn Greenwald: Minha Ren\u00fancia do The Intercept"},"content":{"rendered":"<blockquote>\n<div id=\"attachment_32624\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/grenwald.jpg\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-32624\" class=\"size-medium wp-image-32624\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/grenwald-300x168.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"168\" srcset=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/grenwald-300x168.jpg 300w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/grenwald.jpg 690w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-32624\" class=\"wp-caption-text\">Glenn Greenwald (AFP Photo\/Lia de Paula)<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>As mesmas tend\u00eancias de repress\u00e3o, censura e homogeneidade ideol\u00f3gica que assolam a imprensa norte americana de modo geral tomaram conta do meio de comunica\u00e7\u00e3o que eu co-fundei, culminando na censura.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>29 out 2020 &#8211; <\/em><strong>Hoje enviei<\/strong> minha inten\u00e7\u00e3o de demitir-me do The Intercept, o ve\u00edculo de not\u00edcias que <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.washingtonpost.com\/blogs\/erik-wemple\/wp\/2013\/10\/15\/glenn-greenwald-bolts-the-guardian-for-some-fabulous-media-organization\/\" >co-fundei em 2013<\/a> com Jeremy Scahill e Laura Poitras, bem como de sua empresa-m\u00e3e, First Look Media.<\/p>\n<p>O motivo final e s\u00fabito \u00e9 que os editores do The Intercept, em viola\u00e7\u00e3o do meu direito contratual de liberdade editorial, censuraram um artigo que escrevi esta semana, recusando-se a public\u00e1-lo a menos que eu removesse todas as se\u00e7\u00f5es cr\u00edticas ao candidato democrata \u00e0 presid\u00eancia Joe Biden, o candidato apoiado veementemente por todos os editores do The Intercept de Nova York envolvidos neste esfor\u00e7o de supress\u00e3o.<\/p>\n<p>O artigo censurado, com base em e-mails revelados recentemente e depoimentos de testemunhas, levantou quest\u00f5es cr\u00edticas sobre a conduta de Biden. N\u00e3o contentes em simplesmente impedir a publica\u00e7\u00e3o deste artigo no meio de comunica\u00e7\u00e3o que eu co-fundei, esses editores do The Intercept tamb\u00e9m exigiram que eu me abstivesse de exercer um outro direito contratual publicar este artigo em qualquer outro ve\u00edculo.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o tinha obje\u00e7\u00f5es \u00e0 suas discord\u00e2ncias com minhas opini\u00f5es sobre o que mostram as evid\u00eancias sobre Biden: como uma \u00faltima tentativa de evitar a censura, eu os propus que expusessem suas discord\u00e2ncias, escrevendo um artigo pr\u00f3prio cr\u00edtico \u00e0sminhas perspectivas, deixando os leitores decidirem quem est\u00e1 certo, como faria qualquer ve\u00edculo confiante e saud\u00e1vel. Mas os meios de comunica\u00e7\u00e3o modernos n\u00e3o expressam discord\u00e2ncia; eles as anulam.<\/p>\n<p>Assim, o caminho escolhido por esses editores foi o da censura, e n\u00e3o do engajamento. O artigo censurado ser\u00e1 publicado nesta p\u00e1gina em breve [nota: pode ser lido <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/greenwald.substack.com\/p\/article-on-joe-and-hunter-biden-censored\" >aqui<\/a>, em inl\u00eas]. Minha carta de demiss\u00e3o, que enviei esta manh\u00e3 ao presidente da First Look Media, Michael Bloom, pode ser lida abaixo. Mas como eu disse ontem:<\/p>\n<blockquote class=\"twitter-tweet\" data-width=\"500\" data-dnt=\"true\">\n<p lang=\"pt\" dir=\"ltr\">Acho importante pontuar que as cr\u00edticas que fiz ao The Intercept n\u00e3o se aplicam ao <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/twitter.com\/TheInterceptBr?ref_src=twsrc%5Etfw\" >@TheInterceptBr<\/a>. Pelo contr\u00e1rio: tehno muito orgulho do jornalismo que o TIB produz sob a lideran\u00e7a do <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/twitter.com\/demori?ref_src=twsrc%5Etfw\" >@Demori<\/a>.<\/p>\n<p>Publicarei minha carta de demiss\u00e3o e artigo em portugu\u00eas j\u00e1 j\u00e1.<\/p>\n<p>&mdash; Glenn Greenwald (@ggreenwald) <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/twitter.com\/ggreenwald\/status\/1321949400248291342?ref_src=twsrc%5Etfw\" >October 29, 2020<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><script async src=\"https:\/\/platform.twitter.com\/widgets.js\" charset=\"utf-8\"><\/script><\/p>\n<p>A partir de agora, publicarei meu jornalismo aqui na Substack, onde v\u00e1rios outros jornalistas, incluindo meu bom amigo, o grande e corajoso rep\u00f3rter Matt Taibbi, vieram para praticar o jornalismo livre do clima cada vez mais repressivo que est\u00e1 envolvendo os ve\u00edculos de m\u00eddia convencional em todo os EUA.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi uma escolha f\u00e1cil: estou sacrificando voluntariamente o apoio de uma grande institui\u00e7\u00e3o e um sal\u00e1rio garantido em troca de nada mais do que a cren\u00e7a de que existem pessoas suficientes que acreditam nas virtudes do jornalismo independente e na necessidade de um discurso livre, que estar\u00e3o dispostas a apoiar meu trabalho assinando meu substack.<\/p>\n<p>Como qualquer pessoa com filhos pequenos, fam\u00edlia e in\u00fameras obriga\u00e7\u00f5es, fa\u00e7o isso com certo receio, mas tamb\u00e9m com a convic\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o h\u00e1 outra escolha. Eu n\u00e3o conseguiria dormir \u00e0 noite sabendo que permitia a qualquer institui\u00e7\u00e3o censurar o que eu quero dizer e acreditar &#8211; muito menos um meio de comunica\u00e7\u00e3o que eu co-fundei com o objetivo expl\u00edcito de garantir que isso nunca aconte\u00e7a a outros jornalistas, muito menos a mim, muito menos porque escrevi um artigo cr\u00edtico de um poderoso pol\u00edtico democrata veementemente apoiado pelos editores na elei\u00e7\u00e3o nacional iminente.<\/p>\n<p>Mas as patologias, a falta de liberdade e a mentalidade repressiva que me levaram ao bizarro espet\u00e1culo de ser censurado por meu pr\u00f3prio meio de comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o de forma alguma exclusivos do The Intercept. Esses s\u00e3o os v\u00edrus que contaminaram praticamente todas as principais organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas de centro-esquerda, institui\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas e reda\u00e7\u00f5es. Comecei a escrever sobre pol\u00edtica h\u00e1 quinze anos com o objetivo de combater propaganda midi\u00e1tica e repress\u00e3o, e &#8211; independentemente dos riscos envolvidos &#8211; simplesmente n\u00e3o posso aceitar nenhuma situa\u00e7\u00e3o, por mais segura ou lucrativa que seja, que me obrigue a submeter meu jornalismo e direito de liberdade express\u00e3o \u00e0s suas restri\u00e7\u00f5es sufocantes e ditames dogm\u00e1ticos.<\/p>\n<p>**<\/p>\n<p><strong>Desde que comecei<\/strong> a <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/glenngreenwald.blogspot.com\/\" >escrever sobre pol\u00edtica<\/a> em 2005, a liberdade jornal\u00edstica e a independ\u00eancia editorial t\u00eam sido sacrossantas para mim. Quinze anos atr\u00e1s, criei um blog na plataforma gratuita Blogspot, quando ainda trabalhava como advogado: n\u00e3o com qualquer esperan\u00e7a ou planos de come\u00e7ar uma nova carreira como jornalista, mas apenas como um cidad\u00e3o preocupado com o que via com a Guerra ao Terror e liberdades civis. Eu queria expressar o que acreditava que precisava ser ouvido. Foi um trabalho de amor, baseado em um \u00e9thos de causa e convic\u00e7\u00e3o, dependente da garantia de total liberdade editorial.<\/p>\n<p>O blog prosperou porque os leitores que atra\u00ed sabiam que, mesmo quando eles discordavam de pontos de vista espec\u00edficos que eu estava expressando, eu era uma voz livre e independente, n\u00e3o ligada a nenhuma fac\u00e7\u00e3o, controlada por ningu\u00e9m, me esfor\u00e7ando para ser o mais honesto poss\u00edvel sobre o que estava vendo e sempre consciente da vantagem de ver as coisas de forma diferente. O t\u00edtulo que escolhi para esse blog, \u201cUnclaimed Territory\u201d (Territ\u00f3rio N\u00e3o Reivindicado), refletia esse esp\u00edrito de liberta\u00e7\u00e3o do cativeiro de quaisquer dogmas pol\u00edticos ou intelectuais fixos ou restri\u00e7\u00f5es institucionais.<\/p>\n<p>Quando o Salon me ofereceu um emprego como colunista em 2007, e novamente quando o Guardian fez o mesmo em 2012, aceitei suas ofertas com a condi\u00e7\u00e3o de que teria o direito, exceto em situa\u00e7\u00f5es estreitamente definidas (como artigos que poderiam causar problemas legais par ao ve\u00edculo) de publicar meus artigos e colunas diretamente na internet sem censura, interfer\u00eancia editorial pr\u00e9via ou qualquer outra interven\u00e7\u00e3o ou aprova\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria. Os dois ve\u00edculos atualizaram seus sistemas de publica\u00e7\u00e3o para acomodar essa condi\u00e7\u00e3o e, ao longo dos muitos anos em que trabalhei com eles, esses compromissos sempre foram honrados.<\/p>\n<p>Quando <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/news\/world-us-canada-24545344\" >deixei o Guardian<\/a>, no auge da reportagem de Snowden, em 2013, para criar um novo meio de comunica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o o fiz, nem \u00e9 preciso dizer, para me impor mais restri\u00e7\u00f5es e restri\u00e7\u00f5es \u00e0 minha independ\u00eancia jornal\u00edstica. O exato oposto era verdade: a inova\u00e7\u00e3o central pretendida com o The Intercept, acima de tudo, era criar um novo meio de comunica\u00e7\u00e3o onde todos os jornalistas talentosos e respons\u00e1veis desfrutassem do mesmo direito de liberdade editorial que eu sempre exigi para mim. Como eu disse ao ex-editor executivo do New York Times, Bill Keller, em uma <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2013\/10\/28\/opinion\/a-conversation-in-lieu-of-a-column.html\" >conversa que tivemos no New York Times<\/a>, em 2013, sobre minhas cr\u00edticas ao jornalismo convencional e a ideia por tr\u00e1s do The Intercept: \u201cos editores devem estar l\u00e1 para empoderar e proporcionar um jornalismo forte, altamente factual, agressivo e contradit\u00f3rio. N\u00e3o para servir de barreira para neutralizar ou suprimir o jornalismo. \u201d<\/p>\n<p>Quando n\u00f3s tr\u00eas, como co-fundadores, decidimos desde o in\u00edcio que n\u00e3o tentar\u00edamos gerenciar as opera\u00e7\u00f5es do dia-a-dia deste novo ve\u00edculo, para que pud\u00e9ssemos nos concentrar em nosso jornalismo, negociamos o direito de aprova\u00e7\u00e3o para editores seniores e, especialmente, editor-chefe. A responsabilidade central do titular desse cargo consistia em implementar, em estreita consulta conosco, a vis\u00e3o jornal\u00edstica \u00fanica e os valores jornal\u00edsticos sobre os quais fundamos este novo ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O principal desses valores era a liberdade editorial, a prote\u00e7\u00e3o do direito dosjornalistas de falar com uma voz honesta e a difus\u00e3o, em vez da supress\u00e3o, de dissid\u00eancias das ortodoxias tradicionais e at\u00e9 mesmo das diverg\u00eancias entre colegas. Isso seria alcan\u00e7ado, acima de tudo, garantindo que os jornalistas, uma vez que cumprissem o primeiro dever de exatid\u00e3o factual e \u00e9tica jornal\u00edstica, fossem n\u00e3o apenas permitidos, mas encorajados a expressar opini\u00f5es pol\u00edticas e ideol\u00f3gicas que desviassem da ortodoxia dominante e de seus pr\u00f3prios editores. Assim, poderiam expressar, em suas pr\u00f3prias vozes apaixonadas e convictas geralmente sufocadas pelo tom corporativizado da objetividade artificial, onipotente acima de tudo. Ser completamente livre das cren\u00e7as dogm\u00e1ticas ou agenda ideol\u00f3gica de qualquer outra pessoa &#8211; incluindo aquelas dos tr\u00eas co-fundadores.<\/p>\n<p>**<\/p>\n<p><strong>A itera\u00e7\u00e3o atual<\/strong> de The Intercept \u00e9 completamente irreconhec\u00edvel se comparada \u00e0 vis\u00e3o original. Em vez de oferecer um local para vozes discordantes, marginalizadas e perspectivas desconhecidas, est\u00e1 rapidamente se tornando apenas mais um meio de comunica\u00e7\u00e3o com lealdades ideol\u00f3gicas e partid\u00e1rias obrigat\u00f3rias, uma gama r\u00edgida e estreita de pontos de vista permitidos (variando do liberalismo do establishment \u00e0 esquerda <em>soft<\/em>o, mas sempre ancorado no apoio ao Partido Democrata), um medo profundo de ofender o liberalismo cultural hegem\u00f4nico e os influenciadores de centro-esquerda do Twitter e uma grande necessidade de garantir a aprova\u00e7\u00e3o e admira\u00e7\u00e3o dos principais meios de comunica\u00e7\u00e3o, os quais o The Intercept foi criado para opor, criticar e subverter.<\/p>\n<p>Como resultado, \u00e9 um evento raro, de fato, quando uma voz aut\u00f4noma radical indesej\u00e1vel em espa\u00e7os convencionais \u00e9 publicada no The Intercept. Rep\u00f3rteres ou escritores de fora sem nenhuma pretens\u00e3o de aceitabilidade convencional &#8211; exatamente as pessoas que pretend\u00edamos ampliar &#8211; quase n\u00e3o t\u00eam chance de serem publicados. \u00c9 ainda mais raro para o The Intercept publicar conte\u00fado que n\u00e3o estaria fora do lugar em pelo menos uma d\u00fazia ou mais de publica\u00e7\u00f5es de centro-esquerda de tamanho semelhante anteriores \u00e0 sua funda\u00e7\u00e3o, como Mother Jones,Vox e at\u00e9 mesmo MSNBC.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso coragem para sair da linha, para questionar e cutucar aquelas devo\u00e7\u00f5es mais sagradas em seu pr\u00f3prio meio, mas o medo de alienar os guardi\u00f5es da ortodoxia liberal, especialmente no Twitter, \u00e9 o atributo predominante da lideran\u00e7a editorial do The Intercept, sediada em Nova York. Como resultado, o The Intercept praticamente abandonou sua miss\u00e3o central de desafiar e cutucar, ao inv\u00e9s de apaziguar e confortar, as institui\u00e7\u00f5es e guardi\u00f5es mais poderosos em seus c\u00edrculos culturais e pol\u00edticos.<\/p>\n<p>Para piorar tudo isso, The Intercept &#8211; ao mesmo tempo que exclu\u00eda gradualmente os cofundadores de qualquer papel em sua miss\u00e3o ou dire\u00e7\u00e3o editorial, e fazia uma escolha ap\u00f3s a outra contas ass quais levantei obje\u00e7\u00f5es veementese como trai\u00e7\u00e3o \u00e0 nossa miss\u00e3o central &#8211; continuou a usar publicamente meu nome a fim de arrecadar fundos para o jornalismo que sabiam que eu n\u00e3o apoiava. Isso disseminou a percep\u00e7\u00e3o de que eu era a pessoa respons\u00e1vel por erros jornal\u00edstica, garantindo quea culpa por esses erros reca\u00edsse sobre mim e n\u00e3o sobre os editores respons\u00e1veis, que vinham consolidando cada vez mais controle.<\/p>\n<p>O exemplo mais not\u00f3rio, mas n\u00e3o o \u00fanico, de explorar meu nome para fugir da responsabilidade foi o desastre Reality Winner. Como o <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2020\/09\/13\/business\/media\/the-intercept-source-reality-winner.html\" >The New York Times relatou recentemente<\/a>, essa foi uma hist\u00f3ria na qual eu n\u00e3o tive qualquer envolvimento. Enquanto estava no Brasil, nunca me solicitaram trabalhar nos documentos que Winner enviou para nossa reda\u00e7\u00e3o em Nova York, em tampouco solicitar que nenhum jornalista espec\u00edfico fosse designado. Eu nem mesmo soube da exist\u00eancia desse documento at\u00e9 pouco antes de sua publica\u00e7\u00e3o. A pessoa que supervisionou, editou e controlou aquela hist\u00f3ria foi Betsy Reed, como deveria ser, dada a magnitude e complexidade daquela reportagem e sua posi\u00e7\u00e3o como editora-chefe.<\/p>\n<p>Foram os editores do Intercept que pressionaram os rep\u00f3rteres da hist\u00f3ria a enviar rapidamente esses documentos para autentica\u00e7\u00e3o com o governo &#8211; porque eles estavam ansiosos para provar aos principais meios de comunica\u00e7\u00e3o e aos liberais proeminentes que o The Intercept tamb\u00e9m estava disposto a embarcar no bonde do Russiagate. Eles queriam contra-atacar a percep\u00e7\u00e3o, criada por meus artigos expressando ceticismo sobre as alega\u00e7\u00f5es centrais daquele esc\u00e2ndalo, de que o The Intercept havia sa\u00eddo da linha em uma hist\u00f3ria de grande import\u00e2ncia para o liberalismo dos EUA e at\u00e9 mesmo para a esquerda. Esse desejo &#8211; para garantir a aprova\u00e7\u00e3o dos principais meios de comunica\u00e7\u00e3o que nos propusemos a neutralizar &#8211; foi a causa raiz da velocidade e imprud\u00eancia com que o documento de Winner foi tratado.<\/p>\n<p>Mas o The Intercept at\u00e9 hoje se recusa a fornecer qualquer explica\u00e7\u00e3o p\u00fablica sobre o que aconteceu na hist\u00f3ria da Reality Winner: explicar quem foram os editores que cometeram erros e por que isso aconteceu. Como o artigo do New York Times deixa claro, essa recusa persiste at\u00e9 hoje, apesar das demandas vocais minhas, de Jeremy Scahill e Laura Poitras e outros de que o The Intercept, como uma institui\u00e7\u00e3o que exige transpar\u00eancia de outros, cumprisse a obriga\u00e7\u00e3o de prov\u00ea-la para si mesmo.<\/p>\n<p>A raz\u00e3o para esse sil\u00eancio e esse encobrimento \u00e9 \u00f3bvia: prestar contas ao p\u00fablico sobre o que aconteceu com a hist\u00f3ria do Reality Winner revelaria quem s\u00e3o os verdadeiros editores respons\u00e1veis por aquela falha profundamente embara\u00e7osa da reda\u00e7\u00e3o, e isso acabaria com a possibilidade de continuarem a se esconder atr\u00e1s de mim e deixar que o p\u00fablico acreditasse que eu era a pessoa respons\u00e1vel por um processo do qual fui completamente exclu\u00eddo desde o in\u00edcio. Este \u00e9 apenas um exemplo que ilustra o dilema frustrante de ter uma reda\u00e7\u00e3o explorando meu nome, trabalho e credibilidade quando \u00e9 conveniente faz\u00ea-lo, enquanto cada vez mais me nega qualquer oportunidade de influenciar na sua miss\u00e3o jornal\u00edstica e dire\u00e7\u00e3o editorial, tudo isso enquanto persegue uma miss\u00e3o editorial completamente contr\u00e1ria ao que acredito.<\/p>\n<p>**<\/p>\n<p><strong>Apesar de tudo isso<\/strong>, eu n\u00e3o queria deixar o The Intercept. \u00c0 medida que se deteriorava e abandonava sua miss\u00e3o original, pensei comigo mesmo &#8211; talvez racionalizado &#8211; que, desde que The Intercept pelo menos continuasse a me fornecer os recursos para fazer pessoalmente o jornalismo em que acredito, sem interferir ou impedir minha liberdade editorial, eu poderia engolir o resto.<\/p>\n<p>Mas a censura bruta desta semana ao meu artigo &#8211; sobre os materiais de Hunter Biden e a conduta de Joe Biden em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Ucr\u00e2nia e China, bem como minha cr\u00edtica \u00e0 tentativa de acobertamento da m\u00eddia, em uma uni\u00e3o profundamente profana com o Vale do Sil\u00edcio e a \u201cIntelligence Community\u201d (\u201ccomunidade de intelig\u00eancia\u201d), de esconder suas revela\u00e7\u00f5es &#8211; corroeu a \u00faltima justificativa a que poderia me motivar a ficar. Isso significava que n\u00e3o apenas este ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o fornece a liberdade editorial para outros jornalistas, como eu esperava t\u00e3o esperan\u00e7osamente sete anos atr\u00e1s, mas agora nem mesmo a oferece \u00e0 mim. Nos dias que se aproximam de uma elei\u00e7\u00e3o presidencial, sou de alguma forma impedido de expressar quaisquer opini\u00f5es que editores aleat\u00f3rios em Nova York considerem desagrad\u00e1veis, e agora, de alguma forma, tendo que ajustar minha reda\u00e7\u00e3o e reportagem para atender aos seus desejos partid\u00e1rios e \u00e2nsia de eleger candidatos espec\u00edficos.<\/p>\n<p>Dizer que tal censura \u00e9 uma linha vermelha para mim, uma situa\u00e7\u00e3o que eu nunca aceitaria, n\u00e3o importa o custo, \u00e9 um eufemismo. \u00c9 surpreendente para mim, mas tamb\u00e9m um reflexo de nosso discurso atual e do ambiente de m\u00eddia iliberal, que fui silenciado sobre Joe Biden por meu pr\u00f3prio ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>V\u00e1rios outros epis\u00f3dios tamb\u00e9m contribu\u00edram para a minha decis\u00e3o de sair: o encobrimento no caso Reality Winner; a decis\u00e3o de punir Lee Fang injustamente e at\u00e9 mesmo for\u00e7\u00e1-lo a se desculpar quando um colega tentou destruir sua reputa\u00e7\u00e3o publicamente, sem base e repetidamente o rotulando de racista; sua recusa em reportar sobre os procedimentos di\u00e1rios da audi\u00eancia de extradi\u00e7\u00e3o de Assange porque o contribuidor freelancer, mesmo fazendo um excelente trabalho, era politicamente desagrad\u00e1vel; sua total falta de padr\u00f5es editoriais quando se trata de pontos de vista ou reportagens que bajulem as cren\u00e7as de sua base liberal (The Intercept publicou algumas das afirma\u00e7\u00f5es mais cr\u00e9dulas e falsas da loucura maximalista de Russiagate e, de forma horripilante, assumiu a lideran\u00e7a na falsa classifica\u00e7\u00e3o do arquivo Hunter Biden como \u201cdesinforma\u00e7\u00e3o russa\u201d por citar acriticamente &#8211; dentre todas as coisas &#8211; uma carta de ex-funcion\u00e1rios da CIA que continha esta insinua\u00e7\u00e3o sem fundamento).<\/p>\n<p>Sei que parece banal dizer, mas &#8211; mesmo com todas essas frustra\u00e7\u00f5es e fracassos &#8211; estou saindo e escrevendo isto com genu\u00edna tristeza, n\u00e3o f\u00faria. Esse ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 algo em que eu e v\u00e1rios amigos pr\u00f3ximos e colegas investimos uma enorme quantidade de nosso tempo, energia, paix\u00e3o e amor na constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Intercept fez um \u00f3timo trabalho. Seus l\u00edderes editoriais e gerentes do First Look apoiaram firmemente as reportagens dif\u00edceis e perigosasMas que fiz no ano passado com meus corajosos jovens colegas do The Intercept Brasil para expor a corrup\u00e7\u00e3o nos mais altos escal\u00f5es do governo Bolsonaro, e nos apoiaram enquanto suport\u00e1vamos <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/apnews.com\/0e998ebedbd64f6d868a3fa570ed1f6c\" >amea\u00e7as de morte e pris\u00e3o<\/a>.<\/p>\n<p>Continua a empregar alguns de meus amigos mais pr\u00f3ximos, jornalistas not\u00e1veis cujo trabalho &#8211; quando supera a resist\u00eancia editorial &#8211; produz nada al\u00e9m da maior admira\u00e7\u00e3o de minha parte: Jeremy Scahill, Lee Fang, Murtaza Hussain, Naomi Klein, Ryan Grim e outros. E n\u00e3o tenha nenhum desgosto pessoal por ningu\u00e9m ali, nem desejo de prejudic\u00e1-lo como institui\u00e7\u00e3o. Betsy Reed \u00e9 uma editora excepcionalmente inteligente e um ser humano muito bom com quem desenvolvi uma amizade \u00edntima e valiosa. E Pierre Omidyar, o financiador e editor original do First Look, sempre honrou seu compromisso pessoal de nunca interferir em nosso processo editorial, mesmo quando eu estava publicando artigos diretamente em desacordo com suas opini\u00f5es fortemente defendidas, e mesmo quando atacava outras institui\u00e7\u00f5es que ele financia . Eu n\u00e3o estou saindo por vingan\u00e7a ou conflito pessoal, mas por convic\u00e7\u00e3o e causa.<\/p>\n<p>E nenhuma das cr\u00edticas que fiz sobre The Intercept \u00e9 exclusiva a ele. Ao contr\u00e1rio: essas s\u00e3o as batalhas violentas pela liberdade de express\u00e3o e pelo direito de dissid\u00eancia acontecendo em todas as grandes institui\u00e7\u00f5es culturais, pol\u00edticas e jornal\u00edsticas. Essa \u00e9 a crise que o jornalismo, e mais amplamente os valores do liberalismo, enfrenta. Nosso discurso est\u00e1 se tornando cada vez mais intolerante com pontos de vista divergentes, e nossa cultura est\u00e1 exigindo cada vez mais submiss\u00e3o \u00e0s ortodoxias prevalecentes impostas pelos monopolistas auto-ungidos da Verdade e Retid\u00e3o, apoiados por ex\u00e9rcitos de apoiadores online.<\/p>\n<p>E nada \u00e9 mais prejudicado por essa tend\u00eancia do que o jornalismo, que, acima de tudo, requer a habilidade dos jornalistas de ofender e irritar centros de poder, questionar ou rejeitar devo\u00e7\u00f5es sagradas, desenterrar fatos que refletem negativamente at\u00e9 mesmo sobre (especialmente sobre) as figuras mais amadas e poderosas, e destacam a corrup\u00e7\u00e3o, n\u00e3o importa onde ela seja encontrada e independentemente de quem \u00e9 beneficiado ou prejudicado por sua exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>**<\/p>\n<p><strong>Antes da experi\u00eancia<\/strong> excepcional de ser censurado esta semana pelo meu pr\u00f3prio ve\u00edculo de not\u00edcias, eu j\u00e1 estava explorando a possibilidade de criar um novo meio de comunica\u00e7\u00e3o. Passei alguns meses em discuss\u00f5es ativas com alguns dos jornalistas, escritores e comentaristas mais interessantes, independentes e vibrantes de todo o espectro pol\u00edtico sobre a viabilidade de obter financiamento para um novo ve\u00edculo que seria projetado para combater essas tend\u00eancias. Os primeiros dois par\u00e1grafos do nosso documento de trabalho s\u00e3o os seguintes:<\/p>\n<blockquote><p>A m\u00eddia americana est\u00e1 envolvida em uma guerra cultural polarizada que est\u00e1 for\u00e7ando o jornalismo a se conformar com narrativas tribais e de pensamento de grupo que muitas vezes est\u00e3o divorciadas da verdade e atendem a perspectivas que n\u00e3o refletem o p\u00fablico em geral, mas uma minoria de elites hiperpartid\u00e1rias. A necessidade de se conformar a narrativas culturais artificiais altamente restritivas e identidades partid\u00e1rias criou um ambiente repressivo e iliberal no qual vastas faixas de not\u00edcias e reportagens n\u00e3o acontecem ou s\u00e3o apresentadas atrav\u00e9s das lentes mais distorcidas e distantes da realidade.<\/p>\n<p>Com quase todas as principais institui\u00e7\u00f5es de m\u00eddia contaminadas em algum grau por essa din\u00e2mica, existe uma profunda necessidade de m\u00eddia que seja livre e sem amarras para transgredir os limites desta guerra cultural polarizada e atender a uma demanda de um p\u00fablico que est\u00e1 faminto por m\u00eddia que n\u00e3o jogue para um lado, mas em vez disso persiga linhas de reportagem, pensamento e investiga\u00e7\u00e3o onde quer que estes levem, sem medo de violar devo\u00e7\u00f5es culturais ou ortodoxias de elite.<\/p><\/blockquote>\n<p>Definitivamente, n\u00e3o perdi a esperan\u00e7a de que este ambicioso projeto possa ser realizado. E eupoderia, em tese, ter ficado no The Intercept at\u00e9 que essa vis\u00e3o se concretizasse, garantindo uma renda est\u00e1vel e segura para minha fam\u00edlia e engolindo os ditames de meus novos censores.<\/p>\n<p>Mas ficaria profundamente envergonhado se fizesse isso e acredito que estaria traindo meus pr\u00f3prios princ\u00edpios e convic\u00e7\u00f5es &#8211; os quais incentivo os outros a seguir. Nesse meio tempo, decidi seguir os passos de v\u00e1rios outros escritores e jornalistas que foram expulsos de ambientes jornal\u00edsticos cada vez mais repressivos por v\u00e1rias formas de heresia e dissid\u00eancia e buscaram ref\u00fagio aqui.<\/p>\n<p>Espero explorar a liberdade que esta nova plataforma oferece, n\u00e3o apenas para continuar a publicar o jornalismo investigativo independente e contundente, a an\u00e1lise sincera e a reda\u00e7\u00e3o de opini\u00f5es que meus leitores esperam, mas tamb\u00e9m para desenvolver um podcast e continuar o programa do YouTube, \u201cSystem Update\u201d, que lancei no in\u00edcio deste ano em parceria com o The Intercept.<\/p>\n<p>Para que isso seja vi\u00e1vel, precisarei do seu apoio: aqueles que puderem se inscrever e assinar o newsletter associado nesta plataforma v\u00e3o permitir que meu trabalho prospere e ainda seja ouvido, talvez at\u00e9 mais do que antes. Comecei minha carreira no jornalismo dependendo da disposi\u00e7\u00e3o dos meus leitores em apoiar o jornalismo independente que eles acreditam ser necess\u00e1rio para sustentar. \u00c9 um pouco assustador neste ponto da minha vida, mas tamb\u00e9m muito emocionante, retornar a esse modelo em que se responde apenas ao p\u00fablico que um jornalista deveria servir.<\/p>\n<div>\n<hr \/>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>CARTA DE INTEN\u00c7\u00c3O DE REN\u00daNCIA<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8211; Mensagem enviada &#8212;&#8212;&#8211;<\/p>\n<p>Assunto: RESIGNA\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p>Data: Qui, 29 de outubro de 2020 10:20:54 -0300De: Glenn Greenwald &lt;xxxxxxxx@theintercept.com&gt; Para: Michael Bloom &lt;xxxxxxxxx@firstlook.media&gt;, Betsy Reed &lt;xxxxxxx@theintercept.com&gt;<\/p>\n<p>Michael &#8211;<\/p>\n<p>Estou escrevendo para avis\u00e1-lo de que decidi resignar meu cargo no First Look Media (FLM) e no The Intercept.<\/p>\n<p>A causa motivadora (mas n\u00e3o a \u00fanica) \u00e9 que o The Intercept est\u00e1 tentando censurar meus artigos, violando meu contrato e os princ\u00edpios fundamentais de liberdade editorial. O exemplo mais recente e talvez mais flagrante \u00e9 uma coluna de opini\u00e3o que escrevi esta semana que, cinco dias antes da elei\u00e7\u00e3o presidencial, critica Joe Biden, o candidato que passa a ser fortemente apoiado por todos os editores do Intercept em Nova York que est\u00e3o impondo a censura e a recusa em publicar o artigo, a menos que eu concorde em remover todas as se\u00e7\u00f5es cr\u00edticas ao candidato que desejam que ganhe. Tudo isso viola o direito em meu contrato com a FLM de publicar artigos sem interfer\u00eancia editorial, exceto em circunst\u00e2ncias muito restritas que claramente n\u00e3o se aplicam aqui.<\/p>\n<p>Pior, os editores do The Intercept em Nova York, n\u00e3o contentes em censurar a publica\u00e7\u00e3o do meu artigo no Intercept, tamb\u00e9m est\u00e3o exigindo que eu n\u00e3o exer\u00e7a meu direito contratual separado com a FLM em rela\u00e7\u00e3o aos artigos que escrevi, mas que a FLM n\u00e3o deseja publicar. De acordo com meu contrato, tenho o direito de publicar quaisquer artigos que o FLM rejeite em outra publica\u00e7\u00e3o. Mas os editores do Intercept em Nova York est\u00e3o exigindo que eu n\u00e3o apenas aceite sua censura do meu artigo no The Intercept, mas tamb\u00e9m me abstenham de public\u00e1-lo em qualquer outro meio de comunica\u00e7\u00e3o jornal\u00edstico, e est\u00e3o usando amea\u00e7as mal disfar\u00e7adas de advogados para me coagir a n\u00e3o faz\u00ea-lo (proclamar que seria \u201cprejudicial\u201d para The Intercept se eu o publicasse em outro lugar).<\/p>\n<p>H\u00e1 algum tempo, estou extremamente desencantado e triste com a dire\u00e7\u00e3o editorial do The Intercept sob sua lideran\u00e7a em Nova York. A publica\u00e7\u00e3o que fundamos sem esses editores em 2014, agora, n\u00e3o tem nenhuma semelhan\u00e7a com o que nos propusemos a construir &#8211; n\u00e3o em conte\u00fado, estrutura, miss\u00e3o editorial ou prop\u00f3sito. Fiquei com vergonha de ter meu nome usado como uma ferramenta de arrecada\u00e7\u00e3o de fundos para apoiar o que est\u00e1 fazendo e para os editores me usarem como um escudo para se esconderem para evitar assumir a responsabilidade por seus erros (incluindo, mas n\u00e3o apenas, com a o desastre do caso Reality Winner, pelo qual fui publicamente culpado, apesar de n\u00e3o ter nenhum papel nele, enquanto os editores que realmente foram respons\u00e1veis por esses erros permaneceram em sil\u00eancio, permitindo que eu fosse culpado por seus erros e, em seguida, encobrindo qualquer contabilidade p\u00fablica do que aconteceu, sabendo que tal transpar\u00eancia exporia sua pr\u00f3pria culpabilidade).<\/p>\n<p>Mas todo esse tempo, \u00e0 medida que as coisas pioravam, conclu\u00ed que, enquanto The Intercept permanecesse um lugar onde meu pr\u00f3prio direito de independ\u00eancia jornal\u00edstica n\u00e3o estivesse sendo violado, eu poderia viver com todas as suas outras falhas. Mas agora, nem mesmo esse direito m\u00ednimo, mas fundamental, est\u00e1 sendo honrado por meu pr\u00f3prio jornalismo, suprimido por uma equipe editorial cada vez mais autorit\u00e1ria, movida pelo medo e repressiva em Nova York, empenhada em impor suas pr\u00f3prias prefer\u00eancias ideol\u00f3gicas e partid\u00e1rias a todos os escritores, garantindo que nada \u00e9 publicado no The Intercept que contradiz suas pr\u00f3prias vis\u00f5es ideol\u00f3gicas e partid\u00e1rias estreitas e homog\u00eaneas: exatamente o que The Intercept, mais do que qualquer outro objetivo, foi criado para prevenir.<\/p>\n<p>Pedi ao meu advogado que entrasse em contato com a FLM para discutir a melhor forma de rescindir meu contrato. Obrigado.<\/p>\n<p>_______________________________________________<\/p>\n<div class=\"text-wrap tlid-copy-target\">\n<div class=\"result-shield-container tlid-copy-target\" style=\"padding-left: 40px;\" tabindex=\"0\"><span class=\"tlid-translation translation\" lang=\"pt\"><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/Glenn-Greenwald-Original_350-e1495126259293.jpg\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-73676\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/Glenn-Greenwald-Original_350-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"200\" \/><\/a><em>Glenn Greenwald \u00e9 um dos tr\u00eas editores co-fundadores do <\/em>The Intercept<em>. Ele \u00e9 jornalista, advogado constitucional e autor de quatro livros best-sellers do <\/em>New York Times<em> sobre pol\u00edtica e direito. Seu livro mais recente, <\/em>No Place to Hide<em>, \u00e9 sobre o estado de vigil\u00e2ncia dos EUA e suas experi\u00eancias relatando os documentos de Snowden ao redor do mundo. Antes de cofundar o <\/em>The Intercept<em>, a coluna de Glenn foi destaque no<\/em> Guardian <em>and<\/em> Salon<em>. Ele foi o primeiro vencedor, junto com Amy Goodman, do Park Center I.F. Stone Award for Independent Journalism em 2008, e tamb\u00e9m recebeu o Pr\u00eamio de Jornalismo Online 2010 por seu trabalho investigativo sobre as condi\u00e7\u00f5es abusivas de deten\u00e7\u00e3o de Chelsea Manning. Por suas reportagens da NSA de 2013, ele recebeu o Pr\u00eamio George Polk por Relat\u00f3rios de Seguran\u00e7a Nacional; o Pr\u00eamio Gannett Foundation para o jornalismo investigativo e o Pr\u00eamio Gannett Foundation Watchdog Journalism; o Pr\u00eamio Esso de Excel\u00eancia em Jornalismo Investigativo no Brasil (foi o primeiro n\u00e3o brasileiro a ganhar) e o Pr\u00eamio Pioneiro da Electronic Frontier Foundation. Junto com Laura Poitras, a revista <\/em>Foreign Policy<em> o nomeou um dos 100 maiores pensadores globais de 2013. A reportagem da NSA que ele liderou para o <\/em>Guardian <em>recebeu o Pr\u00eamio Pulitzer de 2014 por servi\u00e7o p\u00fablico.<\/em><\/span><\/div>\n<\/div>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/greenwald.substack.com\/p\/minha-resignao-do-the-intercept\" >Go to Original &#8211; greenwald.substack.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>29 out 2020 &#8211; Hoje enviei minha inten\u00e7\u00e3o de demitir-me do The Intercept, que co-fundei em 2013 com Jeremy Scahill e Laura Poitras, bem como de First Look Media. O motivo \u00e9 que os editores do The Intercept, em viola\u00e7\u00e3o do meu direito contratual de liberdade editorial, censuraram um artigo que escrevi, recusando-se a public\u00e1-lo a menos que eu removesse todas as se\u00e7\u00f5es cr\u00edticas ao candidato democrata \u00e0 presid\u00eancia Joe Biden.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":32624,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[867,918,2197,910,1785,1451,1452,392,1563,125,1678,378,234,249,70,113],"class_list":["post-171743","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-original-languages","tag-anglo-america","tag-assange","tag-biden","tag-big-brother","tag-censorship","tag-chelsea-manning","tag-edward-snowden","tag-elections","tag-expose","tag-freedom-of-the-press","tag-investigative-journalism","tag-journalism","tag-media","tag-trump","tag-usa","tag-wikileaks"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/171743","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=171743"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/171743\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/media\/32624"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=171743"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=171743"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=171743"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}