{"id":1793,"date":"2009-01-25T00:00:00","date_gmt":"2009-01-25T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost\/wordpress\/2009\/01\/portuguese-barghouti-%e2%80%9cnao-quero-criar-ilusoes-sobre-obama%e2%80%9d\/"},"modified":"2009-01-25T00:00:00","modified_gmt":"2009-01-25T00:00:00","slug":"portuguese-barghouti-%e2%80%9cnao-quero-criar-ilusoes-sobre-obama%e2%80%9d","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2009\/01\/portuguese-barghouti-%e2%80%9cnao-quero-criar-ilusoes-sobre-obama%e2%80%9d\/","title":{"rendered":"(PORTUGUESE)   BARGHOUTI: \u201cN\u00c3O QUERO CRIAR ILUS\u00d5ES SOBRE OBAMA\u201d"},"content":{"rendered":"<p>Nesta entrevista ao jornal eg&iacute;pcio Al-Ahram, dada antes do in&iacute;cio da tr&eacute;gua em Gaza, o secret&aacute;rio-geral da Iniciativa Nacional Palestiniana, Mustafa Barghouti, duvida que Obama rompa com o l&oacute;bi judeu e observa que a administra&ccedil;&atilde;o Bush fez tudo para que o novo presidente se veja incapaz de operar mudan&ccedil;as na pol&iacute;tica americana em rela&ccedil;&atilde;o ao M&eacute;dio Oriente. Barghouti defende um governo de unidade nacional e a realiza&ccedil;&atilde;o de elei&ccedil;&otilde;es em todos os territ&oacute;rios palestinianos ocupados <\/p>\n<p>Como qualifica o ataque militar sem precedentes infligido por Israel contra a Faixa de Gaza? <\/p>\n<p>O que se passa em Gaza pode ser um verdadeiro genoc&iacute;dio contra o nosso povo, um acto selvagem, b&aacute;rbaro que vai contra todas as leis internacionais. Israel &eacute; uma for&ccedil;a de ocupa&ccedil;&atilde;o de Gaza, que est&aacute; a aniquilar a popula&ccedil;&atilde;o com os ataques a&eacute;reos. Gaza, o territ&oacute;rio que tem a maior densidade populacional do mundo, &eacute; v&iacute;tima dos ataques a&eacute;reos e terrestres israelitas enquanto estiver sob sua ocupa&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>O n&uacute;mero de m&aacute;rtires e de feridos &eacute; o mais elevado desde 1967. Perante a opini&atilde;o p&uacute;blica internacional, Israel alega que pretende apenas atacar os elementos do Hamas. Declarou mesmo ter uma tecnologia que lhe permite realizar opera&ccedil;&otilde;es quase &quot;cir&uacute;rgicas&quot; sobre o terreno. <\/p>\n<p>O Estado judaico diz, no entanto, que t&ecirc;m como &uacute;nico objectivo destruir o Hamas&#8230; <\/p>\n<p>Todas as alega&ccedil;&otilde;es de Israel n&atilde;o s&atilde;o mais do que mentiras. Na verdade, a guerra n&atilde;o &eacute; dirigida contra o Hamas, mas antes contra todo o povo Palestiniano. O real objectivo dos israelitas &eacute; quebrar a vontade palestiniana, rebaix&aacute;-la e obrigar os palestinianos a aceitar um regime injusto, impedindo, por exemplo, o direito de ter Jerusal&eacute;m como capital, ou a recusa do direito de regresso dos refugiados. Os israelitas querem obrigar os palestinianos a aceitar o regulamento que eles tentaram impor na confer&ecirc;ncia de Annapolis (Novembro de 2007), mas que fracassou. <\/p>\n<p>O que est&aacute; a acontecer neste momento &eacute; muito perigoso, porque, atacando de forma t&atilde;o feroz o nosso povo, Israel quer destruir a vontade e a resist&ecirc;ncia dos palestinianos e impor-nos as suas pr&oacute;prias regras pela for&ccedil;a. <\/p>\n<p>Na verdade, Israel n&atilde;o ataca apenas o Hamas. Tem como principal alvo a democracia palestiniana. &Eacute; muito claro: os ataques israelitas destru&iacute;ram a sede do Parlamento Palestiniano e o Estado judeu prendeu 45 dos nossos parlamentares. Os israelitas atacaram o Governo de Unidade Nacional, que representava 95% dos eleitores palestinianos e contribu&iacute;ram fortemente para o colapso do mesmo. E quando isso ocorreu, come&ccedil;aram a propagandear a ideia de que os palestinianos eram respons&aacute;veis pelas suas divis&otilde;es internas. <\/p>\n<p>Tudo isto n&atilde;o passa de um jogo cujo objectivo &eacute; quebrar a vontade pol&iacute;tica palestiniana e o compromisso do nosso povo para com o seu leg&iacute;timo direito de resist&ecirc;ncia. Outra mentira que Israel tenta fazer passar nos m&eacute;dia dos Estados-Unidos e europeus, &eacute; a de que a tr&eacute;gua foi quebrada pelo Hamas, quando, na realidade, foi Israel que a quebrou, no passado m&ecirc;s de Novembro, um m&ecirc;s antes destes atentados. <\/p>\n<p>A terceira mentira que Israel tenta propagar &eacute; a de que os israelitas s&atilde;o as &quot;v&iacute;timas&quot; e os palestinianos os &quot;invasores&quot;. No entanto, verificamos que do lado deles, tiveram apenas uma &uacute;nica v&iacute;tima, enquanto o lado palestiniano, perdemos mais de 500 m&aacute;rtires, at&eacute; ao passado domingo. <\/p>\n<p>Os observadores s&atilde;o un&acirc;nimes em explicar os ataques israelitas contra o povo de Gaza com base nas elei&ccedil;&otilde;es em Israel. Tzipi Livni e o partido Kadima n&atilde;o querem parecer fracos relativamente aos seus opositores da linha dura do Likud ou do Partido Trabalhista. <\/p>\n<p>Quais s&atilde;o as diferen&ccedil;as entre os tr&ecirc;s candidatos nas pr&oacute;ximas elei&ccedil;&otilde;es israelitas? Poderia imaginar um cen&aacute;rio particular para cada candidato? <\/p>\n<p>N&atilde;o h&aacute; nenhuma diferen&ccedil;a entre eles. Tanto Livni como Netanyahu e Ehud Olmert, s&atilde;o todos origin&aacute;rios do Likud. Quanto a Barak, n&atilde;o fica a dever nada aos outros em termos de ferocidade e racismo. O que &eacute; triste &eacute; que Israel tornou-se, na sua totalidade, uma na&ccedil;&atilde;o racista no sentido pr&oacute;prio do termo. Criaram um sistema de apartheid e de barreiras racistas. N&atilde;o querem que um &uacute;nico palestino possa erguer a cabe&ccedil;a. Pouco importa quem vai ganhar as elei&ccedil;&otilde;es, se n&atilde;o h&aacute; nenhuma diferen&ccedil;a na sua atitude em rela&ccedil;&atilde;o aos palestinianos. <\/p>\n<p>Adoptam e seguem todos a mesma vis&atilde;o pol&iacute;tica sionista que rejeita a exist&ecirc;ncia de um Estado palestiniano independente, que Jerusal&eacute;m seja a capital da Palestina e que o direito de regresso dos refugiados se realize. Livni disse que nenhum refugiado seria aceite por Israel. Ent&atilde;o, que diferen&ccedil;a existe entre ela e Netanyahu? Esta guerra &eacute; feita apenas para que cada um deles possa mostrar os seus m&uacute;sculos e o pre&ccedil;o disso &eacute; o sangue dos palestinianos. E o pior de tudo &eacute; que, apesar de toda a ferocidade demonstrada pelo governo de Israel contra os palestinianos, o Likud nas sondagens est&aacute; cada vez mais refor&ccedil;ado. <\/p>\n<p>O que acha da estrat&eacute;gia do Hamas, na sua gest&atilde;o da resist&ecirc;ncia armada? Ser&aacute; que houve um erro estrat&eacute;gico ou de c&aacute;lculo da parte deste ao atirar rockets contra o sul de Israel? <\/p>\n<p>N&atilde;o houve, de todo, erros cometidos pelo Hamas. At&eacute; Novembro passado, o Hamas tinha parado de disparar rockets, e impediu mesmo qualquer tipo de ataque a partir de Gaza. Quem quebrou a tr&eacute;gua foi Israel. Os israelitas entraram, atacaram e abateram seis palestinianos. Foi quando os rockets come&ccedil;aram a ser lan&ccedil;ados a partir de Gaza. Na realidade, o Hamas defendeu-se, atirando sobre Israel. E todos sabemos que os rockets n&atilde;o t&ecirc;m uma significativa capacidade de destrui&ccedil;&atilde;o. Mas tratou-se de uma forma simb&oacute;lica de defesa contra os ataques das for&ccedil;as de ocupa&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o podemos culpar a v&iacute;tima, quando os verdadeiros culpados s&atilde;o os israelitas. <\/p>\n<p>Tudo isto foi cuidadosamente planeado. Nos &uacute;ltimos meses, pod&iacute;amos ler nos jornais israelitas que Israel necessitava de alguns meses de acalmia, a fim de preparar o seu ex&eacute;rcito para um ataque maior. E isso &eacute; exactamente o que est&aacute; a acontecer agora. <\/p>\n<p>Existe hoje alguma possibilidade para restabelecer a reconcilia&ccedil;&atilde;o palestiniana? <\/p>\n<p>O &uacute;nico caminho coerente a seguir, na minha opini&atilde;o, &eacute; a reconstitui&ccedil;&atilde;o de uma administra&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica unificada na Palestina, e a forma&ccedil;&atilde;o de um governo de unidade nacional. De seguida, deveremos ter elei&ccedil;&otilde;es nas quais participem representantes de todas as tend&ecirc;ncias palestinianas, sem excep&ccedil;&atilde;o ou discrimina&ccedil;&atilde;o. Estas elei&ccedil;&otilde;es dever&atilde;o ser cred&iacute;veis e transparentes, e ter lugar no conjunto dos territ&oacute;rios ocupados. E, finalmente, &eacute; absolutamente necess&aacute;rio que haja a garantia de aceita&ccedil;&atilde;o incondicional dos resultados destas. <\/p>\n<p>Acha que a elei&ccedil;&atilde;o de Barack Obama nos Estados Unidos ir&aacute; mudar a posi&ccedil;&atilde;o de Washington face ao conflito israelo-palestiniano? <\/p>\n<p>Obviamente, temos esperan&ccedil;a de uma mudan&ccedil;a na pol&iacute;tica externa americana, mas n&atilde;o quero criar ilus&otilde;es. Esperamos que o Presidente Obama tenha, pelo menos, uma melhor compreens&atilde;o da situa&ccedil;&atilde;o nesta regi&atilde;o. Contrariamente a George W. Bush, o presidente Obama &eacute; suposto ser mais sens&iacute;vel &agrave;s causas justas como &eacute; o caso da nossa. Mas a pergunta que n&oacute;s colocamos &eacute; a seguinte: ser&aacute; que ele pode enfrentar o l&oacute;bi israelita nos Estados Unidos? Aguardamos para ver como ele ir&aacute; agir. <\/p>\n<p>Mas o que agora notamos &eacute; que a administra&ccedil;&atilde;o Bush fez tudo at&eacute; ao &uacute;ltimo momento, para que quando chegar, o presidente Obama encontre uma situa&ccedil;&atilde;o insustent&aacute;vel e se veja incapaz de operar mudan&ccedil;as na pol&iacute;tica americana em rela&ccedil;&atilde;o a esta regi&atilde;o. <\/p>\n<p>A administra&ccedil;&atilde;o Bush, juntamente com Israel, est&aacute; a construir tr&ecirc;s muros que Obama dificilmente poder&aacute; transpor e ter influ&ecirc;ncias positivas sobre o conflito. O primeiro destes muros &eacute; o dos compromissos assumidos por Bush face a Israel, onde ele reduziu, atrav&eacute;s de uma resolu&ccedil;&atilde;o do Conselho de Seguran&ccedil;a, o processo de paz de Annapolis. A segunda muralha, ou barreira para o futuro de Obama, &eacute; a luz verde dada pela administra&ccedil;&atilde;o Bush a este massacre dos palestinianos. E o terceiro ponto, que &eacute; o mais importante, &eacute; que atrav&eacute;s da tens&atilde;o produzida por esta confronta&ccedil;&atilde;o e este massacre, ela tenta destruir o plano anunciado por Obama de iniciar um di&aacute;logo com a S&iacute;ria, o Ir&atilde;o e todas as for&ccedil;as da regi&atilde;o. <br \/>_______________________________________<br \/><em><br \/>* Esta entrevista foi conduzida por Randa Achmawi e publicada no seman&aacute;rio Al-Ahram (Cairo). Mustafa Barghouti &eacute; Secret&aacute;rio-geral da Iniciativa Nacional Palestiniana, uma forma&ccedil;&atilde;o que se coloca como alternativa em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s fac&ccedil;&otilde;es existentes. <br \/>Tradu&ccedil;&atilde;o de Lu&iacute;sa Moreira <\/em><br \/><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.esquerda.net\/index.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=10457&amp;Itemid=1\" ><br \/>GO TO ORIGINAL<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta entrevista ao jornal eg&iacute;pcio Al-Ahram, dada antes do in&iacute;cio da tr&eacute;gua em Gaza, o secret&aacute;rio-geral da Iniciativa Nacional Palestiniana, Mustafa Barghouti, duvida que Obama rompa com o l&oacute;bi judeu e observa que a administra&ccedil;&atilde;o Bush fez tudo para que o novo presidente se veja incapaz de operar mudan&ccedil;as na pol&iacute;tica americana em rela&ccedil;&atilde;o ao [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[32],"tags":[],"class_list":["post-1793","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-commentary-archives"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1793","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1793"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1793\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1793"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1793"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1793"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}