{"id":18177,"date":"2012-03-26T12:00:17","date_gmt":"2012-03-26T12:00:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=18177"},"modified":"2012-03-26T13:25:31","modified_gmt":"2012-03-26T13:25:31","slug":"portuguese-a-guerra-suja-contra-a-wikileaks","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2012\/03\/portuguese-a-guerra-suja-contra-a-wikileaks\/","title":{"rendered":"(Portuguese) A Guerra Suja Contra a WikiLeaks"},"content":{"rendered":"<p><em>As difama\u00e7\u00f5es dos m\u00e9dia sugerem a cumplicidade da Su\u00e9cia com um esfor\u00e7o impulsionado por Washington para punir Julian Assange.<\/em><\/p>\n<p>A guerra nos m\u00e9dia, diz a atual doutrina militar, \u00e9 t\u00e3o importante quanto a do campo de batalha. Isto \u00e9 assim porque o inimigo real \u00e9 o p\u00fablico dom\u00e9stico, cuja manipula\u00e7\u00e3o e engano \u00e9 essencial para come\u00e7ar uma guerra colonial impopular. Como as invas\u00f5es do Afeganist\u00e3o e do Iraque, os ataques ao Ir\u00e3o e \u00e0 S\u00edria exigem um persistente conta-gotas na consci\u00eancia dos leitores e dos espetadores. Isto \u00e9 a ess\u00eancia de uma propaganda que raramente se assume como tal.<\/p>\n<p>Para a tristeza de muitos representantes das autoridades e dos m\u00e9dia, a WikiLeaks derrubou a fachada atr\u00e1s da qual se escondia o conluio entre os rapaces poderes ocidentais e o jornalismo. Com isto, exp\u00f4s um tabu que persistia h\u00e1 muito; a BBC podia alegar imparcialidade e esperar que as pessoas acreditassem nela. Hoje, h\u00e1 uma crescente compreens\u00e3o do p\u00fablico sobre o papel dos m\u00e9dia na guerra, compreens\u00e3o que abrange tamb\u00e9m o julgamento dos m\u00e9dia promovido pelo fundador e editor da WikiLeaks, Julian Assange.<\/p>\n<p>Assange vai em breve saber se o Supremo Tribunal de Londres permitir\u00e1 o seu recurso contra a extradi\u00e7\u00e3o para a Su\u00e9cia, onde enfrenta alega\u00e7\u00f5es de m\u00e1 conduta sexual, muita da qual foi desconsiderada por um procurador s\u00e9nior de Estocolmo. Sob fian\u00e7a h\u00e1 16 meses, efetivamente sob pris\u00e3o domiciliar, n\u00e3o foi acusado de nada. O seu \u201ccrime\u201d foi uma forma \u00e9pica de jornalismo investigativo: revelar a milh\u00f5es de pessoas as mentiras e maquina\u00e7\u00f5es dos pol\u00edticos e representantes, e o barbarismo da criminosa guerra promovida em seu nome.<\/p>\n<p>Por isso, como aponta o historiador americano William Blunt, \u201cdezenas de membros dos m\u00e9dia americanos e funcion\u00e1rios do governo apelaram \u00e0 [sua] execu\u00e7\u00e3o e assassinato\u201d. Se for transferido da Su\u00e9cia para os EUA, esperam-no uma roupa de presidi\u00e1rio, umas algemas e uma acusa\u00e7\u00e3o fabricada. E l\u00e1 se v\u00e3o todos os que se atrevem a desafiar os Estados Unidos.<\/p>\n<p>Na Gr\u00e3-Bretanha, o julgamento de Assange pelos m\u00e9dia foi uma campanha de assassinato de car\u00e1ter, por vezes cobarde e desumana, cheirando a inveja do <em>outsider <\/em>corajoso, enquanto eram publicados livros de fofocas, fechados neg\u00f3cios de filmes, e carreiras nos m\u00e9dia descolavam ou ressuscitavam na presun\u00e7\u00e3o de que Assange \u00e9 demasiado pobre para poder process\u00e1-los. Na Su\u00e9cia, este tribunal dos m\u00e9dia tornou-se, de acordo com um observador, \u201cuma campanha de ass\u00e9dio moral em que a v\u00edtima viu negado o direito de se defender\u201d. Por mais de 18 meses, o perverso <em>Expressen<\/em>, o equivalente sueco ao <em>The Sun<\/em>, foi alimentado pela pol\u00edcia sueca dos ingredientes da cal\u00fania.<\/p>\n<p>O <em>Expressen <\/em>\u00e9 o megafone da direita sueca, incluindo o partido Conservador, que domina o governo de coliga\u00e7\u00e3o. A sua \u00faltima \u201ccaxa\u201d \u00e9 uma hist\u00f3ria sem fundamento sobre a \u201cgrande guerra da WikiLeaks contra a Su\u00e9cia\u201d. Em 6 de mar\u00e7o, o <em>Expressen <\/em>afirmou, sem provas, que a WikiLeaks estava envolvida numa conspira\u00e7\u00e3o contra a Su\u00e9cia e o seu ministro dos Neg\u00f3cios Estrangeiros Carl Bildt. O ressentimento pol\u00edtico \u00e9 compreens\u00edvel. Num telegrama de 2009 obtido pela WikiLeaks, a alardeada reputa\u00e7\u00e3o de neutralidade da elite sueca \u00e9 exposta como uma impostura. (T\u00edtulo do telegrama: \u201cA Su\u00e9cia deita a neutralidade para o caixote do lixo da Hist\u00f3ria\u201d). Outro telegrama diplom\u00e1tico dos EUA revela que \u201ca extens\u00e3o da coopera\u00e7\u00e3o [dos militares suecos e da espionagem com a Nato] n\u00e3o \u00e9 amplamente conhecida\u201d, e se n\u00e3o fosse mantida secreta \u201cabriria o governo \u00e0 cr\u00edtica dom\u00e9stica\u201d.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica externa sueca \u00e9 largamente controlada por Bildt, cuja obedi\u00eancia aos EUA vem dos tempos da sua defesa da guerra do Vietname e inclui um papel preponderante no Comit\u00e9 George W. Bush pela Liberta\u00e7\u00e3o do Iraque. Ele mant\u00e9m liga\u00e7\u00f5es \u00edntimas com figuras da extrema-direita do partido Republicano, como o assessor ca\u00eddo em desgra\u00e7a de Bush Karl Rove. Sabe-se que o seu governo discutiu \u201cinformalmente\u201d o futuro de Assange com Washington, o que tornou clara a sua posi\u00e7\u00e3o. Um documento secreto do Pent\u00e1gono descreve os planos da espionagem dos EUA para destruir o \u201ccentro de gravidade\u201d da WikiLeaks com \u201camea\u00e7as de esc\u00e2ndalo e de processo criminal\u201d.<\/p>\n<p>Em muitos meios de comunica\u00e7\u00e3o suecos, o correto ceticismo jornal\u00edstico em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s alega\u00e7\u00f5es contra Assange \u00e9 sufocado por slogans defensivos, como se a honra nacional fosse posta em causa pelas revela\u00e7\u00f5es sobre esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o e pol\u00edticos, uma esp\u00e9cie universal. Na TV p\u00fablica sueca, \u201cespecialistas\u201d debatem n\u00e3o o aprofundamento do militarismo do Estado e o seu servi\u00e7o \u00e0 Nato e a Washington, mas o estado da mente de Assange e a sua \u201cparanoia\u201d. Um t\u00edtulo do <em>Aftonbladet<\/em> de ter\u00e7a-feira declarava: \u201cO colapso moral de Assange\u201d. O artigo sugeria que Bradley Manning, a alegada fonte da WikiLeaks, pode n\u00e3o estar no seu perfeito ju\u00edzo, e ataca Assange por n\u00e3o proteger Manning dele mesmo. O que n\u00e3o \u00e9 dito \u00e9 que a fonte \u00e9 an\u00f3nima, e que n\u00e3o foi demonstrada qualquer liga\u00e7\u00e3o entre Assange e Manning, e que o <em>Aftonbladet<\/em>, o parceiro sueco da WikiLeaks, publicara as mesmas fugas de informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ironicamente, este circo atuou sob a cobertura de algumas das mais iluminadas leis mundiais de prote\u00e7\u00e3o aos jornalistas, que atra\u00edram Assange \u00e0 Su\u00e9cia em 2010 para estabelecer l\u00e1 uma base da WikiLeaks. Se a sua extradi\u00e7\u00e3o for permitida, e com a espada de D\u00e2mocles da maldade e da vingan\u00e7a de Washington pendurada sobre a sua cabe\u00e7a, quem o vai proteger e promover a justi\u00e7a \u00e0 qual todos temos direito?<\/p>\n<p>_____________________<\/p>\n<p><em>John Pilger<\/em><em> <\/em><em>\u00e9 um famoso jornalista e premiado documentarista australiano.<\/em><\/p>\n<p><em>Tradu\u00e7\u00e3o de Luis Leiria para o esquerda.net.<\/em><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.esquerda.net\/dossier\/guerra-suja-contra-WikiLeaks\/22470\" >Go to Original \u2013 esquerda.net<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As difama\u00e7\u00f5es dos m\u00e9dia sugerem a cumplicidade da Su\u00e9cia com um esfor\u00e7o impulsionado por Washington para punir Julian Assange.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-18177","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-original-languages"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18177","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18177"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18177\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18177"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18177"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18177"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}