{"id":185156,"date":"2021-05-17T12:00:36","date_gmt":"2021-05-17T11:00:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=185156"},"modified":"2024-06-12T21:24:31","modified_gmt":"2024-06-12T20:24:31","slug":"portugues-mazin-qumsiyeh-se-a-palestina-fosse-livre-eu-estaria-a-cacar-borboletas-nao-perderia-tempo-com-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2021\/05\/portugues-mazin-qumsiyeh-se-a-palestina-fosse-livre-eu-estaria-a-cacar-borboletas-nao-perderia-tempo-com-politica\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) Mazin Qumsiyeh: &#8220;Se a Palestina fosse livre, eu estaria a ca\u00e7ar borboletas, n\u00e3o perderia tempo com pol\u00edtica&#8221;"},"content":{"rendered":"<blockquote><p><em>Qumsiyeh ensina e conduz investiga\u00e7\u00e3o na Universidade de Bel\u00e9m e na Universidade de Birzeit. \u00c9 fundador e diretor do Instituto Palestino para a Biodiversidade e Sustentabilidade (PIBS), e do Museu Palestino de Hist\u00f3ria Natural (PMNH). O projeto pertence \u00e0 Universidade de Bel\u00e9m \u00e0 qual doou 150 mil d\u00f3lares americanos, poupados com a esposa durante os 24 anos em que viveram nos Estados Unidos da Am\u00e9rica (EUA), onde terminou o doutorado em Biologia Gen\u00e9tica e exerceu Gen\u00e9tica M\u00e9dica.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<div id=\"attachment_185157\" style=\"width: 510px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Mazin-Qumsiyeh.jpeg\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-185157\" class=\"wp-image-185157\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Mazin-Qumsiyeh.jpeg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"188\" srcset=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Mazin-Qumsiyeh.jpeg 660w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Mazin-Qumsiyeh-300x113.jpeg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-185157\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Carolin Smith<\/p><\/div>\n<p><em>12 maio 2021 &#8211;<\/em> Em Bel\u00e9m, na Palestina, o sol j\u00e1 se p\u00f4s e \u00e9 hora de jantar. Mazin Qumsiyeh atende a chamada atrav\u00e9s do seu computador. Est\u00e1 sentado na cozinha do Museu Palestino de Hist\u00f3ria Natural, o qual fundou com a esposa, Jesse, em 2014. Est\u00e1 acompanhado pelo seu amigo Abu, que tamb\u00e9m faz parte da equipa. \u201cDesculpe, \u00e0s vezes vou ter de dar instru\u00e7\u00f5es\u201d, avisa bem-humorado. Est\u00e1 ciente que ser\u00e1 interrompido por v\u00e1rias quest\u00f5es culin\u00e1rias. \u201cO Abu fecha os port\u00f5es e faz-me companhia enquanto eu cozinho, \u00e9 a minha vers\u00e3o de terapia\u201d.<\/p>\n<p>O museu \u00e9 a sua segunda casa e em a\u00e7\u00e3o est\u00e1 a prepara\u00e7\u00e3o de um prato tradicional, que al\u00e9m de envolver uma s\u00e9rie de vegetais recolhidos no jardim comunit\u00e1rio, tamb\u00e9m requer a cozedura de uma massa de p\u00e3o. \u201cCozinhar os nossos alimentos \u00e9 um ato de resist\u00eancia. Protege-se a nossa cultura. Agora proclamam a falafel e o h\u00famus como sendo comida israelita\u201d, ri-se. \u201cTiram-nos o pa\u00eds, a gastronomia, a nossa terra, os nossos recursos naturais, o que \u00e9 que nos resta? Um dia destes cobram-nos o ar que respiramos. J\u00e1 nos cobram pela nossa pr\u00f3pria \u00e1gua!\u201d.<\/p>\n<p>\u201cSou um apaixonado pela natureza desde pequenino. O meu tio, Sana Atallah, foi o primeiro zo\u00f3logo palestiniano. Nos anos 60, costumava levar-me com ele para os campos, para apreciarmos a natureza, aprendi a amar os animais e as plantas. Infelizmente, morreu num acidente de carro, ap\u00f3s ter terminado o doutoramento. Ele tinha o sonho de criar um museu, um instituto para a conserva\u00e7\u00e3o da natureza. O meu sonho desde ent\u00e3o foi seguir-lhe os passos e terminar o trabalho dele\u201d.<\/p>\n<p>As quest\u00f5es pol\u00edticas e o ativismo pol\u00edtico vieram \u201cpor necessidade\u201d. \u201cAqui n\u00e3o nos podemos dar ao luxo de n\u00e3o fazer nada. Pode dizer-se que assim que nasces, est\u00e1s tu pr\u00f3prio a ser um ato de resist\u00eancia\u201d.<\/p>\n<div id=\"attachment_185159\" style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/palestina-israel1.png\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-185159\" class=\"wp-image-185159\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/palestina-israel1-1024x691.png\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"270\" srcset=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/palestina-israel1-1024x691.png 1024w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/palestina-israel1-300x203.png 300w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/palestina-israel1-768x518.png 768w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/palestina-israel1.png 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-185159\" class=\"wp-caption-text\">Dr. Sana Atallah, tio de Mazin Qumsiyeh<\/p><\/div>\n<p>No seu <a href=\"http:\/\/qumsiyeh.org\/\"  target=\"_blank\" rel=\"noopener\">portf\u00f3lio<\/a>, j\u00e1 se contam mais de 140 artigos cient\u00edficos e diversos livros que cobrem uma vasta gama de t\u00f3picos, incluindo patrim\u00f3nio cultural, biodiversidade e resist\u00eancia popular \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o israelita. Juntamente com os seus estudantes, foram os primeiros palestinianos a publicar investiga\u00e7\u00e3o sobre a biodiversidade dentro de grupos como os escorpi\u00f5es e os anf\u00edbios. Tamb\u00e9m demonstrou o impacto gen\u00e9tico na sa\u00fade humana dos colonatos industriais israelitas, estudou a infertilidade entre os homens palestinianos e a citogen\u00e9tica do cancro na Palestina.<\/p>\n<hr \/>\n<div class=\"content-embed__container\">\n<figure><img decoding=\"async\" class=\"article aligncenter\" src=\"https:\/\/blobsvc.wort.lu\/picture\/528847a70e2f1a0b45d75d2443001d0a\/200\/133\/wortv3\/88fb648c5c9014589400d71a9b110840e8eb1bda\" alt=\"\" \/><\/figure>\n<div class=\"content-embed__teaser\">\n<h5 class=\"content-embed__teaser__header\" style=\"text-align: center;\">Treze crian\u00e7as e tr\u00eas mulheres entre os 43 mortos em ataques \u00e0 Faixa de Gaza<\/h5>\n<\/div>\n<\/div>\n<hr \/>\n<p>Nasceu em 1957, em Beit Sahour, na Palestina. Os pais tentaram criar os seis filhos de forma a proteg\u00ea-los da realidade da ocupa\u00e7\u00e3o. Relembra o dia, algures em 1966, quando passaram por Jerusal\u00e9m e viu alguns soldados \u201cdo outro lado\u201d. Ter\u00e1 perguntado quem eram. \u201cO meu pai respondeu-me: s\u00e3o os soldados israelitas. E eu perguntei: o que \u00e9 um israelita? Ao que o meu pai respondeu: \u00c9 complicado. Quando cresceres h\u00e1s-de descobrir\u201d. Quando os soldados israelitas ocuparam a sua cidade, em junho de 1967, \u201ctudo mudou&#8221;. Dar-se-ia o seu primeiro confronto com a ocupa\u00e7\u00e3o israelita. \u201cUma vez que d\u00e1s de caras com a ocupa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o podes voltar atr\u00e1s\u201d.<\/p>\n<p>Mazin \u00e9 um bom contador de hist\u00f3rias. Fala devagar, com paix\u00e3o e assertividade. \u201cUma vez, em 1978, estava a dar aulas a uma turma do liceu e, de repente, entra-nos pela sala dentro uma por\u00e7\u00e3o de g\u00e1s lacrimog\u00e9neo. Est\u00e1vamos em aula de biologia, n\u00e3o se pode dizer que seja uma atividade subversiva\u201d, comenta com ironia.<\/p>\n<div class=\"quote no-print \" data-tooltip-for=\"tooltip-quote-2\" data-tooltip-trigger=\"click\" aria-expanded=\"false\">\n<div class=\"quote__text\">\n<blockquote><p><em><strong>\u201cAssim que os alunos come\u00e7aram a sair da sala come\u00e7aram a ser espancados pelos soldados israelitas. Tamb\u00e9m eu, na altura acabado de me licenciar, tinha talvez 21 anos, saio da sala e come\u00e7o a ser espancado&#8221;.<\/strong><\/em><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&#8220;At\u00e9 hoje sinto uma certa culpa em dizer isto, mas disse-lhes: \u201cParem! N\u00e3o sou estudante, sou professor!\u201d Pelo que me mandaram avan\u00e7ar. Perguntei-lhes porque batiam nos meus estudantes, est\u00e1vamos em aula. Responderam-me \u201cn\u00e3o \u00e9 da tua conta, sai daqui\u201d. Recusei-me a sair. Fiquei. Acabei por ser enviado para um lugar em Bel\u00e9m com um grupo de estudantes onde nos mantiveram por algumas horas at\u00e9 que nos libertaram.<\/p>\n<div id=\"a1df79d090e222db918b3498c2176f2a\" class=\"article-picture article-picture--portrait article-item article-item--normal\">\n<picture><source srcset=\"https:\/\/blobsvc.wort.lu\/picture\/a1df79d090e222db918b3498c2176f2a\/450\/506\/wortv3\/0478509f4e9213e70f5c16300ff6b3b0d42aeb8d\" media=\"(min-width: 64em)\" sizes=\"450w\" \/><source srcset=\"https:\/\/blobsvc.wort.lu\/picture\/a1df79d090e222db918b3498c2176f2a\/400\/449\/wortv3\/a68e539f6c6ac86d14dd7108c12c1814264aa284\" media=\"(min-width: 48em)\" sizes=\"400w\" \/><source srcset=\"https:\/\/blobsvc.wort.lu\/picture\/a1df79d090e222db918b3498c2176f2a\/400\/449\/wortv3\/a68e539f6c6ac86d14dd7108c12c1814264aa284\" media=\"(min-width: 0px)\" sizes=\"400w\" \/><\/picture>\n<div class=\"article-picture__details\">\n<div class=\"article-picture__details__legend\">\n<div id=\"attachment_185160\" style=\"width: 360px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/palestina-israel2.jpeg\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-185160\" class=\"wp-image-185160\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/palestina-israel2.jpeg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"394\" srcset=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/palestina-israel2.jpeg 450w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/palestina-israel2-267x300.jpeg 267w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-185160\" class=\"wp-caption-text\">Prof. Qumsiyeh e o seu orientador de doutoramento Dr. Robert J. Baker. www.palestinenature.org<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>A jornada como ativista manifestou-se com mais for\u00e7a a partir da Primeira Intifada, uma revolta espont\u00e2nea da popula\u00e7\u00e3o palestiniana entre 1987 a 1991. \u201cEstava nos EUA e apesar de haver todo um leque de eventos horr\u00edveis a acontecer aqui na Palestina, os meios de comunica\u00e7\u00e3o social l\u00e1 estavam totalmente alheios \u00e0 sua cobertura\u201d.<\/p>\n<hr \/>\n<div class=\"content-embed__container\">\n<figure><img decoding=\"async\" class=\"article aligncenter\" src=\"https:\/\/blobsvc.wort.lu\/picture\/91fb50dbd352103e45a6aadee8f3b01e\/200\/133\/wortv3\/8c4c1e3d87da5517fd0b55c8ae3054c8b8e78782\" alt=\"\" \/><\/figure>\n<div class=\"content-embed__teaser\">\n<h5 class=\"content-embed__teaser__header\" style=\"text-align: center;\">Barril de p\u00f3lvora. Resistir \u00e9 a \u00fanica forma de continuar a existir, dizem palestinianos<\/h5>\n<\/div>\n<\/div>\n<hr \/>\n<p>Ter\u00e1 ent\u00e3o come\u00e7ado a contactar os media e come\u00e7ado a entender como funcionavam. \u00c0 medida que o tempo passava, cada incidente aqui na Palestina aumentava a minha determina\u00e7\u00e3o em trabalhar sobre estas quest\u00f5es. A ess\u00eancia do meu passado obrigou-me a tentar equilibrar estes dois interesses, o ativismo pol\u00edtico e a conserva\u00e7\u00e3o da natureza. Ao longo dos \u00faltimos anos descobri que, na realidade, os dois n\u00e3o est\u00e3o assim t\u00e3o separados\u201d.<b>\u00a0<\/b><\/p>\n<div id=\"attachment_77845\" style=\"width: 305px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/Mazin-Qumsiyeh-Arrested.jpg\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-77845\" class=\"size-full wp-image-77845\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/Mazin-Qumsiyeh-Arrested.jpg\" alt=\"\" width=\"295\" height=\"265\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-77845\" class=\"wp-caption-text\">Mazin Qumsiyeh Arrested<\/p><\/div>\n<h3>Natureza e anticolonialismo<\/h3>\n<p>\u201cEu sempre soube que se a Palestina fosse livre, eu estaria a ca\u00e7ar borboletas e a fazer trabalho de conserva\u00e7\u00e3o, n\u00e3o perderia tempo com pol\u00edtica, ou nos direitos humanos\u201d.<\/p>\n<p>Para o professor, hoje em dia \u00e9 muito clara a rela\u00e7\u00e3o entre a justi\u00e7a ambiental, a pol\u00edtica e os direitos humanos. Menciona o ataque constante dos \u201ccolonizadores\u201d ao meio-ambiente, \u201cdesde o despejo de res\u00edduos t\u00f3xicos, \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o de utiliza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua das chuvas e dos po\u00e7os, ao desmatamento das \u00e1rvores nativas\u201d.<\/p>\n<p>\u201cQual \u00e9 o objetivo dos colonizadores ao virem para um pa\u00eds? Criar um novo Estado. N\u00e3o est\u00e3o interessados nas pessoas, animais e plantas nativas. Est\u00e3o interessados em remodelar o pa\u00eds para se adaptarem \u00e0 sua pr\u00f3pria vis\u00e3o. Neste caso, os judeus europeus queriam um pa\u00eds europeizado, por isso destru\u00edram milh\u00f5es de \u00e1rvores nativas, tanto as plantadas pela popula\u00e7\u00e3o local, como as \u00e1rvores selvagens\u201d, explica.<\/p>\n<p>Dos carvalhos, \u00e0s alfarrobeiras, espinheiros, e \u00e1rvores domesticadas como amendoeiras, figueiras e oliveiras, \u201carrancaram-nas praticamente todas e plantaram a cultura uniforme das \u00e1rvores europeias: pinheiros e um par de outras \u00e1rvores\u201d, conta revoltado: \u201cFizeram-no em \u00e1reas que pertenciam a mais de 500 aldeias e cidades palestinianas.<\/p>\n<div class=\"quote no-print \" data-tooltip-for=\"tooltip-quote-2\" data-tooltip-trigger=\"click\" aria-expanded=\"false\">\n<div class=\"quote__text\">\n<blockquote><p><em><strong>Os colonizadores querem uma esp\u00e9cie de sociedade unificada, neste caso a sociedade judaica e isto \u00e9 tamb\u00e9m uma monocultura. Neste caso, os sionistas querem tomar a Palestina, que \u00e9 uma sociedade multi\u00e9tnica, multicultural e multirreligiosa, e torn\u00e1-la num Estado de Israel europeizado judeu uniforme. Isto \u00e9 \u00f3bvio\u201d.\u00a0<\/strong><\/em><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Qumsiyeh faz quest\u00e3o de sublinhar que o percurso de coloniza\u00e7\u00e3o da Palestina pelos sionistas come\u00e7ou bem antes de 1948. Segundo o professor, o movimento sionista, tamb\u00e9m conhecido como nacionalismo judaico, tentou cooperar com o Imp\u00e9rio Otomano no final do s\u00e9culo XIX e no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, mas sem sucesso. Teve de esperar pelos arranjos de Sykes- Picot em 1916 e as promessas de Balfour (Reino Unido) e Cambon (Fran\u00e7a) em 1917 e a sua implementa\u00e7\u00e3o a partir de 1921 na confer\u00eancia de San Remo e a consagra\u00e7\u00e3o dos brit\u00e2nicos Mandato na Palestina. \u201cUm esfor\u00e7o fundamental para mudar os sistemas educativos e criar leis do apartheid surgiram logo ap\u00f3s os ocupantes brit\u00e2nicos terem nomeado Herbert Samuel como o primeiro Alto-comiss\u00e1rio Brit\u00e2nico da Palestina.<\/p>\n<p>Pouco antes disso, era representante da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial Sionista (WZO) na Confer\u00eancia de Paris de 1919. Al\u00e9m disso, foi ele que segregou escolas p\u00fablicas e deu poder \u00e0s comunidades sionistas locais para assumirem os recursos naturais do pa\u00eds, incluindo os minerais do Mar Morto. De 1921 a 1948, o Brit\u00e2nicos trabalharam tanto com a WZO como com os governos \u00e1rabes cooperantes para executar o Declara\u00e7\u00e3o de Balfour, que precipitou tr\u00eas revoltas nesses anos 1921, 1929, e 1936\u201d, escreve no livro <a href=\"https:\/\/www.palestinenature.org\/research\/B46-QumsiyehandAmr.pdf\"  target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Liberta\u00e7\u00e3o da coloniza\u00e7\u00e3o mental: Um estudo de caso dos Ind\u00edgenas do povo da Palestina.<\/a><\/p>\n<p>\u201cSe entendermos isto, na terminologia da gen\u00e9tica m\u00e9dica, dir\u00edamos que se trata de um diagn\u00f3stico do problema. Encontrar\u00edamos muitos sintomas do mesmo, como a constru\u00e7\u00e3o do muro que separa os dois territ\u00f3rios, os colonatos ilegais, os colonatos industriais, o assassinato de crian\u00e7as palestinianas, o lan\u00e7amento de bombas nos campos de refugiados, tudo isto s\u00e3o sintomas do principal problema que \u00e9 o conflito entre a vis\u00e3o colonizadora de um pa\u00eds e o povo colonizado\u201d, explica enquanto verifica se Abu est\u00e1 a ser capaz da tarefa culin\u00e1ria. Mostra orgulhoso do amigo, um dos p\u00e3es recheados.<\/p>\n<div id=\"attachment_185161\" style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/palestina-israel3.jpeg\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-185161\" class=\"wp-image-185161\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/palestina-israel3-1024x640.jpeg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/palestina-israel3-1024x640.jpeg 1024w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/palestina-israel3-300x188.jpeg 300w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/palestina-israel3-768x480.jpeg 768w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/palestina-israel3.jpeg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-185161\" class=\"wp-caption-text\">Mazin Qumsiyeh mostra o resultado do processo culin\u00e1rio de Abu<\/p><\/div>\n<div id=\"bf7e7de4b4e3e62953fdb998aad757f4\" class=\"article-picture article-item article-item--normal\"><picture><source srcset=\"https:\/\/blobsvc.wort.lu\/picture\/bf7e7de4b4e3e62953fdb998aad757f4\/1200\/750\/wortv3\/75cbe2c9871406ac00d9cbbc638d0c1ff73d2c24\" media=\"(min-width: 64em)\" sizes=\"1200w\" \/><source srcset=\"https:\/\/blobsvc.wort.lu\/picture\/bf7e7de4b4e3e62953fdb998aad757f4\/750\/468\/wortv3\/9cb9f8ee339341d674b9255b5254e922245e0aae\" media=\"(min-width: 48em)\" sizes=\"750w\" \/><source srcset=\"https:\/\/blobsvc.wort.lu\/picture\/bf7e7de4b4e3e62953fdb998aad757f4\/500\/312\/wortv3\/4711fba7be72c99affc9b555154ddc994bbb222d\" media=\"(min-width: 0px)\" sizes=\"500w\" \/><\/picture><\/div>\n<p>\u201cTudo nesta terra leva mais tempo, mais dinheiro, mais esfor\u00e7o, mais press\u00e3o, \u00e9 muito dif\u00edcil. Muito dif\u00edcil. Seria muito mais f\u00e1cil se eu estivesse a fazer algo assim nos EUA ou em qualquer noutro lugar. Mas o impacto aqui \u00e9 certamente muito maior\u201d.<\/p>\n<p>O museu conta com um pequeno jardim bot\u00e2nico, um jardim comunit\u00e1rio e um parque infantil. Com a pandemia de covid-19, e sendo que os palestinianos na Cisjord\u00e2nia seguem sem acesso \u00e0 vacina\u00e7\u00e3o, houve grandes mudan\u00e7as de opera\u00e7\u00e3o.\u201cAs crian\u00e7as v\u00eam aqui todas as sextas-feiras, estamos a limitar visitas e a fazer a maior parte das nossas atividades nos jardins, as crian\u00e7as acham que isso as fortalece, o virem brincar com as plantas e os animais, participarem em alguns jogos de pensamento cr\u00edtico. Estamos a ver que as nossas atividades fazem a diferen\u00e7a nas pessoas e na natureza\u201d, afirma com orgulho.<\/p>\n<p>Nos primeiros dois anos, todo o trabalho era volunt\u00e1rio. Agora h\u00e1 10 funcion\u00e1rios, cinco mulheres, cinco homens, crist\u00e3os e mu\u00e7ulmanos. J\u00e1 c\u00e1 passou uma imensid\u00e3o de volunt\u00e1rios, mas agora com restri\u00e7\u00f5es de viagem est\u00e1 apenas Zohar, que \u00e9 uma cidad\u00e3 israelita. \u00c9 anti-sionista\u201d, diz com um sorriso de esguelha.<\/p>\n<p>Garante que se trata de um processo de anti-coloniza\u00e7\u00e3o, de m\u00e3os dadas com a natureza.<\/p>\n<div class=\"quote no-print \" data-tooltip-for=\"tooltip-quote-2\" data-tooltip-trigger=\"click\" aria-expanded=\"false\">\n<div class=\"quote__text\">\n<blockquote><p><em><strong>\u201cOs israelitas preveem fazer disto o inferno, \u00e9 f\u00e1cil de observar quando se vem c\u00e1, e esperam que muitos de n\u00f3s optem por partir\u201d.\u00a0<\/strong><\/em><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Ajudar os palestinianos a permanecer na sua terra, a cultiva-la, a proteger a sua natureza, a desfrutar de uma visita a um museu, ou a desfrutar de um parque infantil, todos estes gestos s\u00e3o de resist\u00eancia com significado. Quando se \u00e9 psicologicamente mais forte, quando se come melhor, \u00e9s capaz de funcionar melhor, \u00e9s capaz de pensar melhor. Temos abelhas, \u00e1rvores de fruto, o cultivo dos nossos pr\u00f3prios alimentos proporciona-nos soberania alimentar\u201d.<\/p>\n<p>Abu avisa que o jantar est\u00e1 pronto a comer. A chamada ter\u00e1 de continuar no dia seguinte. \u201cO n\u00edvel de propaganda do estado de Israel \u00e9 espantoso adiantaria por Zoom\u201d. A prop\u00f3sito da escalada de viol\u00eancia nas \u00faltimas semanas por parte da pol\u00edcia israelita, escreveu que \u201cdepois da administra\u00e7\u00e3o Trump ter reconhecido Jerusal\u00e9m como a capital de Israel, contra o direito internacional, Israel acelerou os seus planos em curso para \u2018judaizar\u2019 a cidade\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA limpeza \u00e9tnica acelerou e o isolamento da cidade em rela\u00e7\u00e3o ao resto da popula\u00e7\u00e3o palestiniana tamb\u00e9m. A instala\u00e7\u00e3o de judeus em terras palestinianas dentro de Jerusal\u00e9m e no resto dos territ\u00f3rios ocupados \u00e9 um crime contra a humanidade de acordo com o direito internacional. Uma intifada \u00e9 inevit\u00e1vel enquanto a coloniza\u00e7\u00e3o continuar. As 14 intifadas s\u00e3o como ondas. E a 15\u00aa \u00e9 inevit\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p><b>As \u00e1rvores e os s\u00edmbolos<\/b><\/p>\n<p>Mazin regressa aos anos de 1948 a 1950, em que \u201cpara ganhar espa\u00e7o para o novo estado judaico de Israel, quiseram plantar as \u00e1rvores estrangeiras e para isso destru\u00edram as que j\u00e1 c\u00e1 estavam\u201d. Pelo caminho, ficaram as oliveiras, e as que se salvaram e se voltaram a plantar, hoje em dia s\u00e3o v\u00edtimas de inc\u00eandios provocados pelos colonatos ilegais na Cisjord\u00e2nia.<\/p>\n<p>\u201cAs oliveiras s\u00e3o um importante s\u00edmbolo para os Palestinianos porque temos algumas com milhares de anos de exist\u00eancia. As oliveiras foram trazias do sul da Europa h\u00e1 4.500 anos e ainda encontr\u00e1mos algumas que estimamos terem quatro mil anos de idade. \u00c9 por isso que os Palestinos consideram a oliveira como simb\u00f3lica\u201d.<\/p>\n<p>\u201cOs sionistas n\u00e3o gostam que as mantenhamos porque, al\u00e9m de serem nativas, representam uma grande utilidade para diversos feitos. N\u00e3o se trata s\u00f3 de azeitonas, mas para o azeite, a madeira para instrumentos musicais, por exemplo, ou ferramentas e recorda\u00e7\u00f5es para turistas, ou at\u00e9 simplesmente madeira para uma fogueira. At\u00e9 \u00e0s folhas da oliveira damos uso. Todas as partes da \u00e1rvore se tornaram \u00fateis, \u00e9 uma forma de autossustentabilidade\u201d, explica.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 outras \u00e1rvores muito valiosas para os palestinianos. Eu penso que \u00e9 ir\u00f3nico que quando os Israelitas chegaram e come\u00e7aram a devastar todas as \u00e1rvores, a \u00fanica que parecia teimar voltar do solo era a Sabr, uma \u00e1rvore cato que era utilizada para veda\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>E mesmo que muitas vilas e povoa\u00e7\u00f5es palestinianas tenham desaparecido, as pedras est\u00e3o enterradas e n\u00e3o tenha restado nada, os catos ainda surgem, no meio dos pinheiros que eles plantaram. E \u00e9 engra\u00e7ado que o nome que usamos para cato em \u00e1rabe seja Sabr, que tamb\u00e9m \u00e9 utilizada para \u201cpaci\u00eancia\u201d, \u201cpersist\u00eancia\u201d.<\/p>\n<div id=\"11bfeab8a451cb70de3fb6e2dc161b06\" class=\"article-picture article-item article-item--normal\">\n<picture><source srcset=\"https:\/\/blobsvc.wort.lu\/picture\/11bfeab8a451cb70de3fb6e2dc161b06\/1200\/900\/wortv3\/41a28a7998c4bb0f50ffc97866b2ae2a13a2ddc4\" media=\"(min-width: 64em)\" sizes=\"1200w\" \/><source srcset=\"https:\/\/blobsvc.wort.lu\/picture\/11bfeab8a451cb70de3fb6e2dc161b06\/750\/562\/wortv3\/50e51c02b63c9609ffa6e4123669000642ad21cf\" media=\"(min-width: 48em)\" sizes=\"750w\" \/><source srcset=\"https:\/\/blobsvc.wort.lu\/picture\/11bfeab8a451cb70de3fb6e2dc161b06\/500\/375\/wortv3\/ba02174045721164e4a58c358f65c05f2e59c4df\" media=\"(min-width: 0px)\" sizes=\"500w\" \/><\/picture>\n<div class=\"article-picture__details\">\n<div class=\"article-picture__details__legend\">\n<div id=\"attachment_185162\" style=\"width: 510px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/palestina-israel4.jpeg\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-185162\" class=\"wp-image-185162\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/palestina-israel4-1024x768.jpeg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/palestina-israel4-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/palestina-israel4-300x225.jpeg 300w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/palestina-israel4-768x576.jpeg 768w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/palestina-israel4.jpeg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-185162\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;Aldeia de Lifta &#8211; uma aldeia atacada pelas mil\u00edcias sionistas em 1947 e abandonada pelo seu povo para fugir \u00e0 realidade das aldeias vizinhas, como Deir Yasin, cujo povo foi massacrado. Esta hist\u00f3ria \u00e9 semelhante \u00e0 hist\u00f3ria de mais de 500 aldeias palestinianas destru\u00eddas entre 1947 e 1948&#8221;.<br \/>Eyewitnesspalestine.org<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Para Mazin, os s\u00edmbolos s\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 interessantes, quanto importantes. \u201cUm amigo levou-me a visitar uma fam\u00edlia no norte da Cisjord\u00e2nia, porque acreditava que tinham uma hist\u00f3ria importante para me contar. O pai era cego, estava calado, apenas ouvia. O filho era quem falava a maior parte do tempo. Levou-nos ao telhado e mostrou-nos o terreno deles, agora separado deles. Os israelitas deixaram-lhes a casa e uma amendoeira em frente, mas tiraram-lhes cerca de sete hectares de oliveiras e amendoeiras ao constru\u00edrem o muro que separa os dois territ\u00f3rios. O filho contava-me que a uma certa altura produziam tantas am\u00eandoas que at\u00e9 exportavam para a S\u00edria e a Jord\u00e2nia. Com o muro, isolaram-nos dos seus terrenos. Disseram-lhes que eles podiam ir at\u00e9 \u00e0s terras apenas na altura de colheita e teriam de ter um documento de autoriza\u00e7\u00e3o, que s\u00f3 \u00e9 dada ao dono da terra e ao seu filho\u201d, conta com emo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cClaro est\u00e1 que se tens centenas de \u00e1rvores e s\u00f3 duas pessoas podem visitar na altura das colheitas, a terra desperdi\u00e7a-se, fica abandonada. E eles t\u00eam feito isto constantemente em v\u00e1rios lugares, isolando as pessoas dos seus pr\u00f3prios terrenos, para n\u00e3o poderem tomar conta delas. \u00c9 que pela antiga lei otomana, se a terra n\u00e3o est\u00e1 cuidada, torna-se propriedade do Estado. E assim, desta forma, ficam com a terra gratuitamente. Se n\u00e3o tomares conta da tua terra em tr\u00eas ou quatro anos, eles adquirem-na\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO filho explicava tudo isto com detalhes escrutinados sobre todos os problemas e desafios que enfrentavam, j\u00e1 que nenhuma maquinaria \u00e9 tamb\u00e9m permitida, nem tratores ou quaisquer instrumentos, e o port\u00e3o para entrar no terreno \u00e9 um quil\u00f3metro e meio de dist\u00e2ncia da casa, al\u00e9m de ter de passar o muro para conseguir entrar no terreno sem qualquer transporte, pelo que iam de burro, os dois. Tudo isto era muito triste j\u00e1, mas eu estava intrigado, o pai permanecia calado, sem se mexer. Eu sentia que devia haver algo mais. Termin\u00e1mos a visita, despedimo-nos, at\u00e9 nos deram algumas am\u00eandoas da \u00e1rvore que lhes deixaram ao lado da casa\u201d, Mazin faz um breve momento de sil\u00eancio, enquanto se comove.<\/p>\n<p>Enxagua as l\u00e1grimas e continua. Ter\u00e1 sido j\u00e1 no carro que o professor ficaria a saber o que se havia passado com o pai cego. \u201cO meu amigo um certo dia visitou esta fam\u00edlia com um grupo de turistas. O pai estava muito vivo, ativo e lamentava em tom amargo, perante o grupo de visitantes e a paisagem do terreno dividido: \u201cSe eles matassem o meu filho, eu estaria bem com isso, na medida que me seria poss\u00edvel enterr\u00e1-lo. Mas eles est\u00e3o a matar a minha terra, as minhas \u00e1rvores e todos os dias eu vejo-as morrer e n\u00e3o posso fazer nada para as salvar\u201d. Logo a seguir a esta visita, o pai sofreu um AVC. Nunca mais conseguiu falar como antes e perdeu a vis\u00e3o para sempre\u201d.<\/p>\n<p><b>Crescente f\u00e9rtil e colonialismo mental<\/b><\/p>\n<p>\u201cA Palestina costumava ser um para\u00edso, era parte do Crescente F\u00e9rtil e eu sou velho o suficiente para me recordar dos cultivos dos meus av\u00f3s e do que com\u00edamos deles, produziam desperd\u00edcio zero. Nunca produziram nada do que agora chamamos lixo. N\u00e3o havia pl\u00e1stico, a minha av\u00f3 pegava no cesto dela at\u00e9 ao mercado, trazia as frutas, comia, as cascas e afins iam para o composto no jardim e era assim que viviam. Claro que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 culpa da ocupa\u00e7\u00e3o Israelita, esta moderniza\u00e7\u00e3o do consumo neoliberal espalhou-se pelo mundo com o capitalismo americano mas isto destruiu, juntamente com o colonialismo mental\u201d.<\/p>\n<p>O colonialismo mental \u00e9 parte da raz\u00e3o pela qual o museu tem o lema \u201crespeito por n\u00f3s pr\u00f3prios, pelos outros e pela natureza\u201d. Mazin cita Steve Biko, que a prop\u00f3sito da \u00c1frica do Sul costumava dizer que \u201ca arma mais potente nas m\u00e3os do opressor \u00e9 a mente do oprimido\u201d.<\/p>\n<p>Acredita que as crian\u00e7as t\u00eam a mente aberta, e por isso considera fundamental que se lhes ensine como reciclar, como evitar o pl\u00e1stico, como podem caminhar ou andar de bicicleta em vez de conduzirem carros, o consumo de energias alternativas, composto, comida org\u00e2nica, n\u00e3o deitar lixo ao ch\u00e3o, entre outros \u201censinamentos que s\u00e3o muito poderosos\u201d.<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito, ri-se. Lembra-se de uma nova hist\u00f3ria: O meu escrit\u00f3rio \u00e9 ao fundo de um corredor. Uma vez ouvi um grande barulho \u00e0 entrada. \u201cOnde est\u00e1 o doutor Qumsiyeh?\u201d, gritava um homem em \u00e1rabe. Eu espreitei pela porta e fiz sinal. \u201cTu \u00e9 que \u00e9s o doutor Qumsiyeh?\u201d e eu respondi \u201csim, como posso ajud\u00e1-lo? Por favor, queira sentar-se\u201d. \u201cEu tenho uma coisa a dizer-te, tenho de falar contigo\u201d, soava zangado. \u201cO que \u00e9 que fizeste \u00e0 minha filha?\u201d e eu pensei \u201c\u00f3 merda\u2026\u201d e ele explicou \u201c ela veio com os colegas h\u00e1 duas semanas aqui ao teu instituto, ou l\u00e1 o que isto \u00e9 e voltou para casa uma revolucion\u00e1ria. Agora n\u00e3o quer que fumemos, n\u00e3o quer que deitemos as cascas no lixo normal, n\u00e3o quer que usemos pl\u00e1stico!\u201d. Ao que eu perguntei : \u201cE est\u00e1 zangado por causa disso?!\u201d Ele respondeu: \u201cN\u00e3o! eu vim para agradecer-lhe!\u201d.<\/p>\n<p><b>Esperan\u00e7a na Humanidade<\/b><\/p>\n<p>No que toca a solu\u00e7\u00f5es, h\u00e1 alguns pontos fundamentais para Mazin Qumsiyeh. \u201cA justi\u00e7a traz paz. Se devolvermos a justi\u00e7a, recuperamos a paz\u201d. \u201cO que n\u00f3s precisamos da Humanidade \u00e9 que se desenvolva o cuidado de uns pelos outros. \u00c9 dif\u00edcil juntar as pessoas. Diferentes pessoas em diferentes origens e contextos, moldam as suas vidas e tendem em focar-se nas suas pr\u00f3prias necessidades. Eu n\u00e3o quero que sintam pena da Palestina, quero que as pessoas se unam na constru\u00e7\u00e3o de um mundo melhor. A situa\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica \u00e9 catastr\u00f3fica e se n\u00e3o agirmos juntos enquanto esp\u00e9cie, n\u00e3o importa se somos palestinianos, portugueses ou israelitas, estamos condenados a cair do precip\u00edcio. Est\u00e1 mais do que na hora de acordarmos e reclamarmos de volta a nossa humanidade\u201d.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.wort.lu\/pt\/mundo\/mazin-qumsiyeh-se-a-palestina-fosse-livre-eu-estaria-a-cacar-borboletas-n-o-perderia-tempo-com-pol-tica-609bc60bde135b9236f75a51\" >Go to Original &#8211; wort.lu<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os colonizadores querem uma esp\u00e9cie de sociedade unificada, neste caso a sociedade judaica e isto \u00e9 tamb\u00e9m uma monocultura. Neste caso, os sionistas querem tomar a Palestina, que \u00e9 uma sociedade multi\u00e9tnica, multicultural e multirreligiosa, e torn\u00e1-la num Estado de Israel europeizado judeu uniforme. Isto \u00e9 \u00f3bvio\u201d. <\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":185157,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[2221,120,1829,1030,87,267,1029,487,2395,2414,2415,2416,771,1027,2417,85,2418,109,287,1572,985,880,292,70,126,1025,886],"class_list":["post-185156","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-original-languages","tag-checkpoints","tag-conflict","tag-coronavirus","tag-fatah","tag-gaza","tag-geopolitics","tag-hamas","tag-human-rights","tag-international-criminal-court-icc","tag-israeli-apartheid","tag-israeli-army","tag-israeli-occupation","tag-nakba","tag-oslo-accords","tag-palestine-israel-apartheid-wall","tag-palestine-israel","tag-palestinian-rights","tag-politics","tag-power","tag-settlers","tag-social-justice","tag-state-terrorism","tag-un","tag-usa","tag-violence","tag-west-bank","tag-zionism"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/185156","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=185156"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/185156\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":264171,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/185156\/revisions\/264171"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/media\/185157"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=185156"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=185156"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=185156"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}