{"id":18594,"date":"2012-04-16T12:00:58","date_gmt":"2012-04-16T11:00:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=18594"},"modified":"2012-04-11T19:41:48","modified_gmt":"2012-04-11T18:41:48","slug":"portuguese-o-poema-que-desmascarou-israel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2012\/04\/portuguese-o-poema-que-desmascarou-israel\/","title":{"rendered":"(Portuguese) O Poema Que Desmascarou Israel"},"content":{"rendered":"<p><em>O escritor alem\u00e3o G\u00fcnter Grass, pr\u00eamio Nobel de Literatura de 1999, provoca pol\u00eamica ao publicar um poema afirmando que Israel \u00e9 um risco \u00e0 paz mundial.<\/em><\/p>\n<p>A pol\u00eamica come\u00e7ou em 4 de abril, quando o <em>S\u00fcddeutsche Zeitung<\/em> (literalmente, Jornal do sul da Alemanha) publicou o mais novo poema de G\u00fcnther Grass, \u201c<em>Was gesagt werden muss<\/em>\u201d (&#8220;O que deve ser dito&#8221;). Nele, Grass critica Israel por seu poderio nuclear e pelas amea\u00e7as de ataque ao Ir\u00e3. E vai al\u00e9m, chamando Netanyhau, primeiro-ministro israelense, de \u201cfanfarr\u00e3o\u201d que quer exterminar o povo iraniano. O escritor tamb\u00e9m critica a Alemanha, que h\u00e1 pouco tempo vendeu o sexto submarino Dolphin, que transporta armas nucleares e lan\u00e7a m\u00edsseis, ao governo de Israel \u2013 dessa vez, por 135 milh\u00f5es de euros, ou um ter\u00e7o do\u00a0valor de mercado.<\/p>\n<p>Important\u00edssimas s\u00e3o as sugest\u00f5es de Grass para que Israel e Ir\u00e3 permitam que autoridades internacionais inspecionem suas instala\u00e7\u00f5es nucleares; para que os sionistas renunciem \u00e0 for\u00e7a; e o desafio \u00e0 hipocrisia do Ocidente, que silencia diante dos crimes israelenses por temer a acusa\u00e7\u00e3o de \u201cantissemitismo\u201d \u2013 segundo o poeta, uma \u201cgravosa mentira\u201d, uma coa\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso lembrar que os sionistas acusam seus cr\u00edticos de \u201cantissemitas\u201d, procurando identificar esse termo com \u201cantissionismo\u201d.<\/p>\n<p>Na verdade, ambas as palavras referem-se a conceitos muito diferentes. \u201cAntissemitas\u201d, voc\u00e1bulo cunhado no final do s\u00e9culo 19 no contexto europeu de persegui\u00e7\u00e3o aos judeus, refere-se \u2013 com muita impropriedade, destaque-se, uma vez que grande parte da popula\u00e7\u00e3o \u00e1rabe \u00e9 semita e os judeus da Europa n\u00e3o o s\u00e3o \u2013 \u00e0s pessoas que se op\u00f5em aos que professam o juda\u00edsmo. J\u00e1 \u201cantissionismo\u201d diz respeito ao crescente movimento mundial daqueles que repudiam a ideologia sionista, considerada racista, militarista, apoiada em mitos que falseiam a hist\u00f3ria, na viol\u00eancia e na viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos, em fun\u00e7\u00e3o da opress\u00e3o a que submete o povo palestino h\u00e1 mais de 100 anos.<\/p>\n<p>O sionismo conta com profissionais para criar argumentos que, distorcendo e negando a realidade, fazem a defesa de suas pol\u00edticas e de suas pr\u00e1ticas. Esses argumentos t\u00eam como objetivo desviar, do foco das cr\u00edticas, a situa\u00e7\u00e3o criada pelos sionistas na Palestina. Enviados a sionistas e judeus do mundo todo, s\u00e3o repetidos por eles \u00e0 exaust\u00e3o. Podem convencer ao interlocutor desacostumado a esse debate, mas s\u00e3o facilmente desmontados por aqueles que t\u00eam um m\u00ednimo de conhecimento sobre a hist\u00f3ria do sionismo, as press\u00f5es internacionais que seus adeptos fizeram para tomar a Palestina e a viol\u00eancia a que os sionistas submetem os palestinos desde fins do s\u00e9culo 19.<\/p>\n<p>G\u00fcnter Grass n\u00e3o chega ao ponto de desmascarar a falsa rela\u00e7\u00e3o que os sionistas fazem entre antissemitismo e antissionismo ou as fal\u00e1cias que sustentam essa rela\u00e7\u00e3o. Mas, numa Europa em que a popula\u00e7\u00e3o vive acuada, temendo ser acusada de antissemita, \u00e9 um grande passo denunciar o uso da palavra como instrumento pol\u00edtico de coa\u00e7\u00e3o, destinado a calar os opositores dos sionistas (instrumento, por sinal, tamb\u00e9m utilizado no Brasil).<\/p>\n<p>Esses pontos, fundamentais no debate sobre o perigo que Israel representa para a ordem mundial, ao, entre outras ilegalidades, violar a legisla\u00e7\u00e3o internacional, fabricar e armazenar secretamente armas de destrui\u00e7\u00e3o de massa, praticar genoc\u00eddio* contra o povo palestino, foram colocados na pauta mundial por Grass.<\/p>\n<p>Diante desse fato, as qualidades liter\u00e1rias do poema, consideradas abaixo da m\u00e9dia pela cr\u00edtica especializada, e o fato de o poeta ter participado de uma organiza\u00e7\u00e3o nazista aos 15 anos de idade (o que pode ser explicado por sua imaturidade, aliada \u00e0 confian\u00e7a que o povo alem\u00e3o, Grass inclu\u00eddo, depositava no nazismo quando o levou ao poder), n\u00e3o t\u00eam a m\u00ednima import\u00e2ncia. Trata-se de um poema militante, de um homem que conheceu a barb\u00e1rie da guerra e teme que a humanidade, indefesa, seja submetida a barb\u00e1rie muito pior em consequ\u00eancia dos caprichos de governantes desvairados.<\/p>\n<p>Por causa do poema, o ministro do Interior de Israel, Eli Yishai, declarou Grass <em>persona non grata<\/em>, mesmo sem ter compet\u00eancia para isso. Apenas o primeiro-ministro pode tomar essa decis\u00e3o, e o atual, Benjamin Netanyhau, at\u00e9 agora n\u00e3o se pronunciou sobre isso.<\/p>\n<p>Conhe\u00e7a \u201cO que deve ser dito\u201d, traduzido da vers\u00e3o espanhola.<\/p>\n<p>******<\/p>\n<p><strong>O QUE DEVE SER DITO<\/strong><\/p>\n<p><em>G\u00fcnter Grass<\/em><\/p>\n<p>Porque guardo sil\u00eancio h\u00e1 demasiado tempo<br \/>\nsobre o que \u00e9 manifesto<br \/>\ne se utilizava em jogos de guerra<br \/>\nem que no fim, n\u00f3s sobreviventes,<br \/>\nacabamos como meras notas de rodap\u00e9.<\/p>\n<p>\u00c9 o suposto direito a um ataque preventivo,<br \/>\nque poder\u00e1 exterminar o povo iraniano,<br \/>\nconduzido ao j\u00fabilo<br \/>\ne organizado por um fanfarr\u00e3o,<br \/>\nporque na sua jurisdi\u00e7\u00e3o se suspeita<br \/>\ndo fabrico de uma bomba at\u00f4mica.<\/p>\n<p>Mas por que me proibiram de falar<br \/>\nsobre esse outro pa\u00eds [Israel], onde h\u00e1 anos<br \/>\n&#8211; ainda que mantido em segredo \u2013<br \/>\nse disp\u00f5e de um crescente potencial nuclear,<br \/>\nque n\u00e3o est\u00e1 sujeito a nenhum controle,<br \/>\npois \u00e9 inacess\u00edvel a inspe\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>O sil\u00eancio geral sobre esse fato,<br \/>\na que se sujeitou o meu pr\u00f3prio sil\u00eancio,<br \/>\nsinto-o como uma gravosa mentira<br \/>\ne coa\u00e7\u00e3o que amea\u00e7a castigar<br \/>\nquando n\u00e3o \u00e9 respeitada:<br \/>\n\u201cantissemitismo\u201d se chama a condena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Agora, contudo, porque o meu pa\u00eds,<br \/>\nacusado uma e outra vez, rotineiramente,<br \/>\nde crimes muito pr\u00f3prios,<br \/>\nsem quaisquer precedentes,<br \/>\nvai entregar a Israel outro submarino<br \/>\ncuja especialidade \u00e9 dirigir ogivas aniquiladoras<br \/>\npara onde n\u00e3o ficou provada<br \/>\na exist\u00eancia de uma \u00fanica bomba,<br \/>\nse bem que se queira instituir o medo como prova\u2026 digo o que deve ser dito.<\/p>\n<p>Por que me calei at\u00e9 agora?<\/p>\n<p>Porque acreditava que a minha origem,<br \/>\nmarcada por um estigma inapag\u00e1vel,<br \/>\nme impedia de atribuir esse fato, como evidente,<br \/>\nao pa\u00eds de Israel, ao qual estou unido<br \/>\ne quero continuar a estar.<\/p>\n<p>Por que motivo s\u00f3 agora digo,<br \/>\nj\u00e1 velho e com a minha \u00faltima tinta,<br \/>\nque Israel, pot\u00eancia nuclear, coloca em perigo<br \/>\numa paz mundial j\u00e1 de si fr\u00e1gil?<\/p>\n<p>Porque deve ser dito<br \/>\naquilo que amanh\u00e3 poder\u00e1 ser demasiado tarde [a dizer],<br \/>\ne porque \u2013 j\u00e1 suficientemente incriminados como alem\u00e3es \u2013<br \/>\npoder\u00edamos ser c\u00famplices de um crime<br \/>\nque \u00e9 previs\u00edvel,<br \/>\npelo que a nossa cota-parte de culpa<br \/>\nn\u00e3o poderia extinguir-se<br \/>\ncom nenhuma das desculpas habituais.<\/p>\n<p>Admito-o: n\u00e3o vou continuar a calar-me<br \/>\nporque estou farto<br \/>\nda hipocrisia do Ocidente;<br \/>\n\u00e9 de esperar, al\u00e9m disso,<br \/>\nque muitos se libertem do sil\u00eancio,<br \/>\nexijam ao causador desse perigo vis\u00edvel<br \/>\nque renuncie ao uso da for\u00e7a<br \/>\ne insistam tamb\u00e9m para que os governos<br \/>\nde ambos os pa\u00edses permitam<br \/>\no controle permanente e sem entraves,<br \/>\npor parte de uma inst\u00e2ncia internacional,<br \/>\ndo potencial nuclear israelense<br \/>\ne das instala\u00e7\u00f5es nucleares iranianas.<\/p>\n<p>S\u00f3 assim poderemos ajudar todos,<br \/>\nisraelenses e palestinos,<br \/>\nmas tamb\u00e9m todos os seres humanos<br \/>\nque nessa regi\u00e3o ocupada pela dem\u00eancia<br \/>\nvivem em conflito lado a lado,<br \/>\nodiando-se mutuamente,<br \/>\ne decididamente ajudar-nos tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>******<\/p>\n<p><em>Segundo o artigo 6 do Estatuto de Roma, que fundou o Tribunal Penal Internacional, entende-se por \u201cgenoc\u00eddio\u201d qualquer dos seguintes atos, \u201cperpetrados com a inten\u00e7\u00e3o de destruir total ou parcialmente um grupo nacional, \u00e9tnico, racial ou religioso como tal:<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0a) Matan\u00e7a de membros do grupo;<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0b) Les\u00e3o grave \u00e0 integridade f\u00edsica ou mental dos membros do grupo; <\/em><\/p>\n<p><em>c) Sujei\u00e7\u00e3o intencional do grupo a condi\u00e7\u00f5es de exist\u00eancia que acarretem sua destrui\u00e7\u00e3o f\u00edsica, total ou parcial; <\/em><\/p>\n<p><em>d) Medidas destinadas a impedir nascimentos no seio do grupo; <\/em><\/p>\n<p><em>e) Transfer\u00eancia, por meio da for\u00e7a, de crian\u00e7as do grupo a outro grupo\u201d. <\/em><\/p>\n<p><em>As pr\u00e1ticas sionistas tamb\u00e9m se inscrevem em outros crimes estabelecidos pelo Estatuto de Roma: lesa-humanidade (cap\u00edtulo 7) e crimes de guerra (artigo 8). Esses crimes s\u00e3o imprescrit\u00edveis. <\/em><\/p>\n<p><em>O leitor pode reler os artigos de Brasil de Fato sobre a Palestina e Gaza \u2013 em particular, \u201cCobaias de Israel\u201d, \u201cO inferno de Gaza\u201d e \u201cGaza, ainda em crise, espera outras trag\u00e9dias\u201d \u2013 e ir ao You Tube para comprovar, com seus pr\u00f3prios olhos, que esses crimes foram e continuam sendo cometidos contra o povo palestino.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.brasildefato.com.br\/content\/o-poema-que-desmascarou-israel\" >Go to Original \u2013 brasildefato.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O escritor alem\u00e3o G\u00fcnter Grass, pr\u00eamio Nobel de Literatura de 1999, provoca pol\u00eamica ao publicar um poema afirmando que Israel \u00e9 um risco \u00e0 paz mundial. A pol\u00eamica come\u00e7ou em 4 de abril, quando o S\u00fcddeutsche Zeitung (literalmente, Jornal do sul da Alemanha) publicou o mais novo poema de G\u00fcnther Grass, \u201cWas gesagt werden muss\u201d (&#8220;O que deve ser dito&#8221;). 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