{"id":19170,"date":"2012-05-21T12:00:45","date_gmt":"2012-05-21T11:00:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=19170"},"modified":"2012-05-20T09:11:31","modified_gmt":"2012-05-20T08:11:31","slug":"portuguese-a-urgencia-da-uniao-sul-americana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2012\/05\/portuguese-a-urgencia-da-uniao-sul-americana\/","title":{"rendered":"(Portuguese) A Urg\u00eancia da Uni\u00e3o Sul-Americana"},"content":{"rendered":"<p><em>A Am\u00e9rica do Sul ter\u00e1 que unir-se com urg\u00eancia, para que n\u00e3o se torne territ\u00f3rio aberto \u00e0 disputa feroz pelos seus recursos naturais, no futuro que se apressa a chegar. Ao lado da \u00c1frica, a Am\u00e9rica Latina sempre foi vista como um territ\u00f3rio de todos, menos de seus pr\u00f3prios habitantes.<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 mais espa\u00e7o para a d\u00favida: a Am\u00e9rica do Sul ter\u00e1 que unir-se com urg\u00eancia, para que n\u00e3o se torne territ\u00f3rio aberto \u00e0 disputa feroz pelos seus recursos naturais, no futuro que se apressa a chegar. Ao lado da \u00c1frica, a Am\u00e9rica Latina sempre foi vista como um territ\u00f3rio de todos, menos de seus pr\u00f3prios habitantes. Em nome da F\u00e9 e da Civiliza\u00e7\u00e3o, espanh\u00f3is e portugueses, holandeses e franceses, aqui chegaram para ocupar e dominar as civiliza\u00e7\u00f5es existentes, como as andinas.<\/p>\n<p>Nesse aspecto, o Brasil \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o importante: os ind\u00edgenas brasileiros ainda se encontravam no neol\u00edtico, ao contr\u00e1rio dos habitantes da cordilheira, senhores de uma cultura respeit\u00e1vel. Isso parece pouco, mas n\u00e3o \u00e9. Dos europeus que tentaram a conquista, os ib\u00e9ricos tiveram mais \u00eaxito, n\u00e3o s\u00f3 na Am\u00e9rica do Sul, mas tamb\u00e9m em grande parte da Am\u00e9rica do Norte, at\u00e9 a chegada em massa dos seus rivais brit\u00e2nicos. O que nos interessa, no entanto, \u00e9 esse continente em suas raz\u00f5es geogr\u00e1ficas, pol\u00edticas, econ\u00f4micas e culturais. E n\u00e3o \u201csubcontinente\u201d, como muitos insistem em nos considerar.<\/p>\n<p>Geograficamente, n\u00f3s constitu\u00edmos uma realidade pr\u00f3pria. Ainda que o istmo do Canad\u00e1 una o Hemisf\u00e9rio Ocidental, e que grande parte da Am\u00e9rica do Sul pol\u00edtica se encontre ao norte do Equador, e nela consider\u00e1vel parcela do Brasil, da Col\u00f4mbia \u00e0 Terra do Fogo somos uma realidade geogr\u00e1fica e hist\u00f3rica bem identificada. Sempre foi do interesse dos colonizadores que viv\u00eassemos, brasileiros e hispano-americanos, bem separados uns dos outros.<\/p>\n<p>Mesmo durante os 60 anos em que as coroas de Portugal e da Espanha estiveram unidas, a administra\u00e7\u00e3o colonial se manteve separada e os contatos se limitavam \u00e0s autoridades. Nossos povos n\u00e3o se conheciam, a n\u00e3o ser nos raros pontos fronteiri\u00e7os.<\/p>\n<p>Ao desdenhar os nossos povos, o arrogante Kissinger disse que nada de importante ocorreu no Hemisf\u00e9rio Sul. Ele, em sua vis\u00e3o preconceituosa e imperialista, se esqueceu de que a descoberta e conquista da Am\u00e9rica foram o fato mais importante de toda a Hist\u00f3ria do Ocidente.<\/p>\n<p>Essa import\u00e2ncia come\u00e7a com a viagem de Colombo, em 1492, mais arriscada do que a ida do homem \u00e0 Lua. Os astronautas que desceram no sat\u00e9lite da Terra foram precedidos de sondas e exaustivos c\u00e1lculos matem\u00e1ticos; da metalurgia de novas ligas met\u00e1licas para as aeronaves, de todos os cuidados. Os navegantes do fim do s\u00e9culo XV s\u00f3 contavam com sua coragem a fim de vencer o Mar Oceano em fr\u00e1geis caravelas.<\/p>\n<p>Devemos a Napole\u00e3o o surgimento da Am\u00e9rica do Sul como realidade pol\u00edtica. Antes dele e da invas\u00e3o da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica por suas tropas, a Am\u00e9rica do Sul era assunto brit\u00e2nico, por interm\u00e9dio de Lisboa e de Madri. A vit\u00f3ria de Waterloo confirmou a presen\u00e7a brit\u00e2nica no continente at\u00e9 a Primeira Guerra Mundial.<\/p>\n<p>\u00c9ramos, segundo Hegel, em seu Curso de Filosofia da Hist\u00f3ria, entre 1818 e 1822, uma regi\u00e3o em constantes rebeli\u00f5es chefiadas por caudilhos militares, enquanto a Am\u00e9rica do Norte, sob a raz\u00e3o protestante, anunciava uma nova civiliza\u00e7\u00e3o. Mas insinuava certo otimismo:<\/p>\n<p>\u201cA Am\u00e9rica \u00e9, portanto, a terra do porvir, onde, nos tempos futuros se manifestar\u00e1, talvez, no antagonismo da Am\u00e9rica do Norte com a Am\u00e9rica do Sul, o ponto de gravidade da Hist\u00f3ria Universal. \u00c9 uma terra de sonho para todos aqueles que se encontram cansados do bric-\u00e0-brac da Velha Europa. Napole\u00e3o teria dito: Esta velha Europa me entedia.\u201d<br \/>\nE continua: \u201cA Am\u00e9rica deve se separar do solo sobre o qual se passou, at\u00e9 agora, a hist\u00f3ria universal\u201d.<\/p>\n<p>Estamos no momento exato de separar-nos da velha Europa, coisa que os Estados Unidos s\u00f3 ser\u00e3o capazes de fazer quando os hispano-americanos se tornarem a etnia predominante naquele pa\u00eds. A hora \u00e9, portanto, da Am\u00e9rica do Sul. E o primeiro movimento necess\u00e1rio nessa dire\u00e7\u00e3o \u00e9 o fortalecimento do Mercosul.<\/p>\n<p>Essa constata\u00e7\u00e3o foi a t\u00f4nica do primeiro encontro sobre \u201cCrise, Estado e Desenvolvimento: Desafios e Perspectivas para a Am\u00e9rica do Sul\u201d, promovido pela Representa\u00e7\u00e3o Brasileira no Parlasul, por iniciativa do Senador Roberto Requi\u00e3o, sexta-feira passada, no Senado, de que participaram o Embaixador Samuel Pinheiro Guimar\u00e3es, Alto Representante Brasileiro no Mercosul, o Professor Carlos Lessa e este colunista. Temos que nos apressar, e negociar com o esp\u00edrito de solidariedade efetiva, a quebra de barreiras internas no continente, base necess\u00e1ria aos acordos pol\u00edticos.<\/p>\n<p>Nesse sentido, \u00e9 interessante a proposta ousada da Argentina, de estabelecimento de uma tarifa comum, de 35% por cento, para a entrada de produtos estrangeiros no Mercosul, e aboli\u00e7\u00e3o total das tarifas no espa\u00e7o do acordo aduaneiro.<\/p>\n<p>A Hist\u00f3ria mostra \u2013 e o exemplo mais importante \u00e9 o da Alemanha \u2013 que a uni\u00e3o pol\u00edtica necessita de uma uni\u00e3o aduaneira pr\u00e9via. Ainda em 1834, a Pr\u00fassia iniciou esse processo de uni\u00e3o aduaneira (Zollverein) com os numerosos estados alem\u00e3es, o que possibilitou a uni\u00e3o pol\u00edtica quase 50 anos depois.<\/p>\n<p>Mas uma uni\u00e3o aduaneira exige mais do que interesses econ\u00f4micos, para se tornar uma uni\u00e3o pol\u00edtica. Exige certa identidade \u00e9tnica, esp\u00edrito de solidariedade e semelhante vis\u00e3o do mundo, o que ocorria na Alemanha, antes e depois de Bismarck, e que n\u00e3o existe na Europa de hoje. Temos, na Am\u00e9rica do Sul, n\u00e3o obstante a identidade cultural pr\u00f3pria de nossos povos, certa identidade \u00e9tnica, hist\u00f3ria mais ou menos comum de pa\u00edses que foram col\u00f4nias, continuidade geogr\u00e1fica e esp\u00edrito de solidariedade.<\/p>\n<p>Pressionados pela crise que provocaram, os governantes dos pa\u00edses n\u00f3rdicos sentem-se tentados a nova aventura de conquista, econ\u00f4mica, pol\u00edtica e, se for preciso, militar, da Am\u00e9rica do Sul. Pelo que fizeram e est\u00e3o fazendo nos pa\u00edses produtores de petr\u00f3leo, podemos prever o que se encontram dispostos a fazer em busca das mat\u00e9rias primas e dos nossos territ\u00f3rios que cobi\u00e7am. Para que n\u00e3o sejamos dominados neste s\u00e9culo, como advertia Per\u00f3n em 1945, temos que nos unir, logo, sem tergiversa\u00e7\u00f5es menores, e respeitando-nos como povos rigorosamente iguais.<\/p>\n<p>O problema, mais do que ideol\u00f3gico, \u00e9 geopol\u00edtico. \u00c9 o do nosso espa\u00e7o, que eles consideram vital para eles. Nosso dever, na Hist\u00f3ria, \u00e9 o de resistir e construir nova forma de conv\u00edvio, criador e solid\u00e1rio, no espa\u00e7o que ocupamos h\u00e1 meio mil\u00eanio.<\/p>\n<p>Mauro Santayana \u00e9 colunista pol\u00edtico do Jornal do Brasil, di\u00e1rio de que foi correspondente na Europa (1968 a 1973). Foi redator-secret\u00e1rio da Ultima Hora (1959), e trabalhou nos principais jornais brasileiros, entre eles, a Folha de S. Paulo (1976-82), de que foi colunista pol\u00edtico e correspondente na Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica e na \u00c1frica do Norte.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.cartamaior.com.br\/templates\/colunaMostrar.cfm?coluna_id=5602\" >Go to Original \u2013 cartamaior.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Am\u00e9rica do Sul ter\u00e1 que unir-se com urg\u00eancia, para que n\u00e3o se torne territ\u00f3rio aberto \u00e0 disputa feroz pelos seus recursos naturais, no futuro que se apressa a chegar. 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