{"id":19344,"date":"2012-06-18T12:00:26","date_gmt":"2012-06-18T11:00:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=19344"},"modified":"2012-06-18T12:04:31","modified_gmt":"2012-06-18T11:04:31","slug":"portuguese-rio20-economia-verde-para-salvar-o-planeta-ou-o-capitalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2012\/06\/portuguese-rio20-economia-verde-para-salvar-o-planeta-ou-o-capitalismo\/","title":{"rendered":"(Portuguese) Rio+20: Economia Verde Para Salvar o Planeta Ou o Capitalismo?"},"content":{"rendered":"<p><em>Colocar no centro das solu\u00e7\u00f5es a &#8220;economia verde&#8221; \u00e9, em termos gerais, justo. O problema \u00e9 quando esta transi\u00e7\u00e3o verde n\u00e3o questiona nem transforma os fundamentos da economia que existe, o capitalismo. <\/em><\/p>\n<p>Nos dias 20 a 22 de Junho [2012] os l\u00edderes mundiais juntam-se na Confer\u00eancia da ONU sobre &#8220;Desenvolvimento Sustent\u00e1vel&#8221;, intitulada Rio+20. A sua antecessora ocorreu 20 anos antes sob o lema &#8220;Ambiente e Desenvolvimento&#8221;, mais conhecida por C\u00fapula da Terra ou Rio 92. O ano de 2012 ser\u00e1 ent\u00e3o palco do 2\u00ba maior encontro internacional sobre ambiente, onde se esperam compromissos pol\u00edticos para a sustentabilidade.<\/p>\n<p>Se o nome da Confer\u00eancia em 2012 torna evidente a populariza\u00e7\u00e3o e institucionaliza\u00e7\u00e3o do conceito de desenvolvimento sustent\u00e1vel iniciada em 1992, poucos anos ap\u00f3s ter sido publicado o relat\u00f3rio de Bruntland (1987), o seu conte\u00fado continua a ter um elevado grau de indefini\u00e7\u00e3o e a ser disputado por v\u00e1rias linhas de pensamento com diferentes propostas de sa\u00edda para o desastre ambiental.<\/p>\n<p>A sua defini\u00e7\u00e3o original &#8211; garantir que as futuras gera\u00e7\u00f5es tenham a mesma capacidade para suprir as suas necessidades que as gera\u00e7\u00f5es atuais, encerra dentro de si muitos caminhos divergentes. Tal como no relat\u00f3rio de Bruntland, esta Confer\u00eancia assume claramente um desses caminhos e chama-o de &#8220;economia verde&#8221;.<\/p>\n<p>Esse caminho \u00e9 o de que tem subjacente a assun\u00e7\u00e3o de que os problemas ambientais resultam de uma falha de mercado que precisa de ser corrigida pelas pol\u00edticas atrav\u00e9s de afinamentos dos mercados existentes, da cria\u00e7\u00e3o de novos mercados onde h\u00e1 escassez ambiental que cria valor, de defini\u00e7\u00e3o de direitos de propriedade privados sobre os recursos ambientais, e de privilegiar os sinais de pre\u00e7os como instrumento de corre\u00e7\u00e3o de comportamentos. Esta falha n\u00e3o \u00e9, portanto, entendida como uma falha do capitalismo e de que este sistema econ\u00f3mico e de modelo de sociedade encerra dentro de si as condi\u00e7\u00f5es da destrui\u00e7\u00e3o ambiental e, por isso, por mais corretivos que lhe sejam feitos, ele \u00e9 incapaz de providenciar caminhos para um futuro sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Colocar no centro das solu\u00e7\u00f5es a &#8220;economia verde&#8221; \u00e9, em termos gerais, justo. Os problemas ambientais resultam do modo como o capitalismo organiza a produ\u00e7\u00e3o, a distribui\u00e7\u00e3o e o consumo e, transversalmente, molda a cultura de sociedade. Trata-se, portanto, de um problema de economia. Que \u00e9 necess\u00e1ria uma transi\u00e7\u00e3o verde para integrar na economia os limites f\u00edsicos do Planeta e evitar mudan\u00e7as bruscas nos equil\u00edbrios nos ecossistemas \u00e9 o que pode garantir as nossas condi\u00e7\u00f5es de sustento presentes e futuras. O problema \u00e9 quando esta transi\u00e7\u00e3o verde n\u00e3o questiona nem transforma os fundamentos da economia que existe, o capitalismo.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que existem v\u00e1rios tipos de capitalismo, mais liberal ou mais controlado pelo Estado. Em qualquer dos casos, um sistema que tem no seu c\u00f3digo gen\u00e9tico a l\u00f3gica de produ\u00e7\u00e3o de valor de troca e da acumula\u00e7\u00e3o de capital para ter estabilidade precisa sempre de crescer materialmente num Planeta que \u00e9 finito, mesmo que ciclicamente seja pontuado por crises como a que vivemos hoje. Por isso, sem mudar esta economia n\u00e3o temos sa\u00edda ambiental.<\/p>\n<p>Dentro desta vis\u00e3o de transi\u00e7\u00e3o verde h\u00e1 duas posi\u00e7\u00f5es que se destacam, cujas propostas pol\u00edticas, apesar de terem pontos de partida antag\u00f3nicos, acabam por se cruzar muitas vezes.<\/p>\n<p>Uma posi\u00e7\u00e3o, que enforma as da Confer\u00eancia, \u00e9 a de que o progresso tecnol\u00f3gico \u00e9 capaz de responder \u00e0 crise ambiental atrav\u00e9s de uma maior efici\u00eancia no uso dos recursos. Portanto, mesmo reconhecendo a exist\u00eancia de limites f\u00edsicos, a tecnologia e o investimento de capital s\u00e3o entendidos como capazes de substituir, em grande parte, o consumo de recursos naturais. Sendo o capitalismo uma fonte de constante inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, basta ent\u00e3o dar-lhe os sinais certos para reorientar esse processo. E esses sinais certos podem passar por refletir nos pre\u00e7os a escassez dos recursos para incentivar a mudan\u00e7a tecnol\u00f3gica e dos comportamentos, sem olhar para as suas consequ\u00eancias sociais. Funcionaria, assim, o austeritarismo de mercado, afetando especialmente as mais pobres.<\/p>\n<p>Outra posi\u00e7\u00e3o, \u00e9 a de que h\u00e1 limites f\u00edsicos que n\u00e3o podem ser ultrapassados e que, portanto, \u00e9 preciso reduzir a produ\u00e7\u00e3o e o consumo para manter o sistema dentro de limites aceit\u00e1veis. Ou seja, neste campo funcionaria o austeritarismo verde planeado (mesmo que conjugado com preocupa\u00e7\u00f5es de equidade) e aqui enquadram-se muitas das propostas dos defensores do decrescimento (e tamb\u00e9m da economia de estado estacion\u00e1rio).<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 que uma parte destes defensores n\u00e3o coloque o dedo na ferida: questionam a l\u00f3gica de crescimento infinito do capitalismo, do seu produtivismo e consumismo; apontam que a inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica tem limites, riscos e \u00e9 conduzida para obedecer \u00e0 l\u00f3gica do capitalismo; redefinem o bem-estar social e a no\u00e7\u00e3o de prosperidade, n\u00e3o a resumindo \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o pelo consumo e \u00e0 agrega\u00e7\u00e3o de satisfa\u00e7\u00f5es individuais; recentram o interesse coletivo e a equidade no \u00e2mago da economia e d\u00e3o relevo aos bens comuns e p\u00fablicos; defendem o pleno emprego e mais tempo livre para viver; e por a\u00ed fora.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que estes defensores fazem a cr\u00edtica do sistema, apresentam vis\u00f5es do que pode ser uma outra economia e sociedade (nunca a intitulam como fora do capitalismo, mas tamb\u00e9m n\u00e3o dizem que n\u00e3o o \u00e9), mas n\u00e3o h\u00e1 nada no meio disso. N\u00e3o h\u00e1 qualquer processo de transforma\u00e7\u00e3o social para a supera\u00e7\u00e3o do capitalismo nem agentes sociais de mudan\u00e7a. E, por isso, muitas das suas propostas pol\u00edticas, aplicadas na economia de hoje, s\u00e3o austerit\u00e1rias. Por exemplo, defender a redu\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio (para restringir o consumo) sem mudar as rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o, mesmo que conjugada com a proposta do Estado garantir o acesso a servi\u00e7os p\u00fablicos e bens essenciais, \u00e9 errado como proposta,. Nem mobiliza quem deve mobilizar, a parte mais fr\u00e1gil do sistema.<\/p>\n<p>Entre a promessa tecnol\u00f3gica e a austeridade verde, planeada ou de mercado, h\u00e1 mais sa\u00eddas.<\/p>\n<p>O ecosocialismo \u00e9 uma delas. Como o nome indica, faz a cr\u00edtica \u00e0 l\u00f3gica inerente do capitalismo como motor da destrui\u00e7\u00e3o ambiental, prop\u00f5e o socialismo de base ecol\u00f3gica como alternativa (em que a economia \u00e9 orientada pelas necessidades sociais e o respeito pelos equil\u00edbrios ecol\u00f3gicos e, portanto, \u00e9 n\u00e3o produtivista, n\u00e3o consumista, n\u00e3o austerit\u00e1ria e \u00e9 assente na planifica\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica) e tem um programa de transi\u00e7\u00e3o para a atualidade que denuncia as contradi\u00e7\u00f5es do capitalismo, apresenta alternativas para o imediato, trava lutas para proteger as pessoas, a qualidade ambiental e a democracia contra os interesses do capital, mobiliza e junta for\u00e7as sociais.<\/p>\n<p>Tendo o seu eixo na luta anti-capitalista, interliga as crises financeira, econ\u00f3mica, social e ecol\u00f3gica dentro de um mesmo quadro de leitura da realidade e, por isso, nas suas propostas interliga todas as propostas de sa\u00edda de cada uma de crises que, com coer\u00eancia entre si, disputam a rela\u00e7\u00e3o de for\u00e7as entre as pessoas e o capital e se batem por alternativas de economia e sociedade. Deste modo, o ecosocialismo \u00e9 tamb\u00e9m uma via para a sa\u00edda da crise econ\u00f3mica, cujas propostas n\u00e3o podem limitar-se a fazer a apologia da recupera\u00e7\u00e3o capitalista. Trata-se que combater o ataque aos sal\u00e1rios, ao emprego, aos direitos, \u00e0 redistribui\u00e7\u00e3o de rendimentos com alternativas anti-capitalistas.<\/p>\n<p>Mas nesta Confer\u00eancia, mais do que a estrita defesa de uma ideologia capitalista, trata-se de responder \u00e0s \u00e2nsias atuais do capital que v\u00ea na destrui\u00e7\u00e3o ambiental e na progressiva escassez de recursos imprescind\u00edveis \u00e0s nossas vidas novas oportunidades de neg\u00f3cio com rentabilidades elevadas. E com a eros\u00e3o dos sectores &#8220;cl\u00e1ssicos&#8221; de investimento financeiro, de que a crise \u00e9 um reflexo, vira-se para a mercadoriza\u00e7\u00e3o do ambiente, o que passa por definir direitos de propriedade, restringir o seu acesso e colocar-lhe um valor de troca.<\/p>\n<p>Nos dias que antecedem a Confer\u00eancia ter\u00e1 lugar a C\u00fapula dos Povos onde se v\u00e3o juntar as vozes de todas as for\u00e7as sociais que lutam por vis\u00f5es e propostas alternativas aos interesses do capital que destroem o Planeta e a vida das pessoas. Tamb\u00e9m por aqui e nas quest\u00f5es ecol\u00f3gicas passa a luta contra o austeritarismo do capital e dos poderes institucionalizados que os representam.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.esquerda.net\/opiniao\/rio20-economia-verde-para-salvar-o-planeta-ou-o-capitalismo\/23306\" >Go to Original \u2013 esquerda.net<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Colocar no centro das solu\u00e7\u00f5es a &#8220;economia verde&#8221; \u00e9, em termos gerais, justo. O problema \u00e9 quando esta transi\u00e7\u00e3o verde n\u00e3o questiona nem transforma os fundamentos da economia que existe, o capitalismo. Nos dias 20 a 22 de Junho [2012] os l\u00edderes mundiais juntam-se na Confer\u00eancia da ONU sobre &#8220;Desenvolvimento Sustent\u00e1vel&#8221;, intitulada Rio+20. A sua antecessora ocorreu 20 anos antes sob o lema &#8220;Ambiente e Desenvolvimento&#8221;, mais conhecida por C\u00fapula da Terra ou Rio 92.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-19344","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-original-languages"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19344","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19344"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19344\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19344"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19344"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19344"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}