{"id":19628,"date":"2012-06-11T12:00:39","date_gmt":"2012-06-11T11:00:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=19628"},"modified":"2012-06-09T15:36:46","modified_gmt":"2012-06-09T14:36:46","slug":"portuguese-uma-reflexao-sobre-a-internet-e-a-democracia-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2012\/06\/portuguese-uma-reflexao-sobre-a-internet-e-a-democracia-no-brasil\/","title":{"rendered":"(Portuguese) Uma Reflex\u00e3o Sobre a Internet e a Democracia no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Uma democracia real e sustent\u00e1vel no Brasil, assim como em qualquer outra sociedade madura, n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel sem o papel ativo dos meios de comunica\u00e7\u00e3o. \u00a0Quando afirmo isso, no entanto, n\u00e3o me refiro \u00e0queles ve\u00edculos que pertencem a grandes corpora\u00e7\u00f5es, que sempre ter\u00e3o filtradas as suas pautas atrav\u00e9s de interesses de anunciantes e da elite. Falo de um jornalismo alternativo, que use a internet como ferramenta para expressar-se e interagir com o mundo.<\/p>\n<p>Jeffrey Ghannam, no estudo publicado mar\u00e7o passado para o <em>Center of International Media Assistance<\/em>, em Washington, analisa a import\u00e2ncia da m\u00eddia digital no norte da \u00c1frica um ano ap\u00f3s a chamada Primavera \u00c1rabe, concluindo que \u201c(\u2026) o potencial da internet como ferramenta no processo de democratiza\u00e7\u00e3o \u00e9 ineg\u00e1vel\u201d e \u201co consequente impacto das redes e plataforma de m\u00eddia sociais (\u2026) est\u00e3o firmemente estabelecidos\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 sobre este mesmo potencial que Richard Lance Keeble, pesquisador da \u00a0Lincoln University, no Reino Unido, refere-se no livro \u201cPeace Journalism, War and Conflict Resolution\u201d, quando defende que \u201ca internet e a blogosfera somente ser\u00e3o interessantes quando sirvam para desafiar o sistema como elementos cruciais em movimentos sociais e pol\u00edticos\u201d.<\/p>\n<p>No Brasil, embora 78 milh\u00f5es de cidad\u00e3o maiores de 16 anos, de acordo com Ibope\/Nielsen (2011), t\u00eam acesso \u00e0 internet, seguimos um pa\u00eds com significantes problemas sociais em todos os n\u00edveis da sociedade, como a corrup\u00e7\u00e3o, a falta de respeito \u00e0s minorias \u00e9tnicas e ao meio ambiente, a marginaliza\u00e7\u00e3o social e uma forte presen\u00e7a do patriarcado. Por isso, eu me pergunto, como brasileiro, o que faltaria para dar origem a uma \u201cprimavera \u00e1rabe\u201d tamb\u00e9m no pa\u00eds \u2013 um movimento genuinamente social, nascido nas bases da cidadania.<\/p>\n<p>As experi\u00eancias que os brasileiros est\u00e3o vivendo pela primeira vez na sua hist\u00f3ria em raz\u00e3o do desenvolvimento econ\u00f4mico (cada vez mais vis\u00edvel nas ruas com o aumento da classe m\u00e9dia) nos levam a refletir sobre o desenvolvimento de seu pensamento cr\u00edtico. Para me explicar, aplico a teoria de Abraham Maslow relacionada com a hierarquia das necessidades humanas e sinto que, se seguimos focando esfor\u00e7os na erradica\u00e7\u00e3o da pobreza e em pol\u00edticas sociais, as necessidades individuais cedo ou tarde ser\u00e3o substitu\u00eddas por outras, coletivas.<\/p>\n<p>Este \u00e9 o momento de arriscar-nos, como acad\u00eamicos e jornalistas, a analisar como poder\u00edamos avan\u00e7ar em um desenvolvimento moral e \u00e9tico, n\u00e3o somente problematizando aquelas necessidades relacionadas como o fortalecimento do crescimento econ\u00f4mico, mas tamb\u00e9m aquelas que tornariam poss\u00edvel uma forte coes\u00e3o social.<\/p>\n<p>Este seria o momento em que questionamos a sociedade em que vivemos e seus valores, repensando problemas universais como desigualdades estruturais e o significado de usar a criatividade na resolu\u00e7\u00e3o de conflitos. Podemos estar vivendo o momento apropriado para dar o primeiro passo e come\u00e7ar um avan\u00e7o social, uma massa cr\u00edtica, fazendo agora uso da teoria da massa cr\u00edtica de John Paul Lederach, algo end\u00eamico que teria raiz e se multiplicaria pelo pa\u00eds. Um processo de apoderamento que, contudo, s\u00f3 seria totalmente vi\u00e1vel com o apoio da sociedade.<\/p>\n<p><strong>Pensamento Cr\u00edtico<\/strong><\/p>\n<p>Analisando poss\u00edveis contrapontos \u00e0 possibilidade de uma futura coes\u00e3o social em torno aos novos meios de comunica\u00e7\u00e3o, um importante seria a falta de pensamento cr\u00edtico da sociedade brasileira. O apoderamento dessa para que passasse a ser socialmente ativa s\u00f3 seria poss\u00edvel se, de alguma maneira, desenvolv\u00earamos esse pensamento. Como? Focando a educa\u00e7\u00e3o no ato de ler. Os jovens de um pa\u00eds democr\u00e1tico e desenvolvido devem ser capazes de saber revelar os truques e segredos de um texto e destapar as suas ambiguidades. Necessitamos preparar cidad\u00e3os para que percebam a import\u00e2ncia da informa\u00e7\u00e3o e entendam como a m\u00eddia tradicional se comporta, contrastando fontes e lendo entrelinhas. Desta maneira, evitar\u00edamos criar novas v\u00edtimas da aliena\u00e7\u00e3o e da sensa\u00e7\u00e3o de impot\u00eancia causadas pela m\u00eddia corporativa e a propaganda pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Os estudantes universit\u00e1rios poderiam, por exemplo, desempenhar um papel de lideran\u00e7a em uma campanha pela educa\u00e7\u00e3o centrada no desenvolvimento deste pensamento cr\u00edtico, defendendo a democracia e mostrando a sociedade que ela tem o mundo a suas m\u00e3os. As pessoas deveriam saber que podem achar tamb\u00e9m informa\u00e7\u00e3o de qualidade na internet, em blogs, f\u00f3runs ou jornais alternativos, e elas podem usar essa informa\u00e7\u00e3o para contrastar com aquelas publicadas nos meios.<\/p>\n<p>A internet, al\u00e9m do mais, fortalece a sociedade. \u00c9 atrav\u00e9s de computadores que algu\u00e9m no sul do Brasil pode intercambiar experi\u00eancias sobre com\u00e9rcio justo e agricultura familiar com uma ONG na Espanha, ou um estudante no Estado de Mato Grosso com um n\u00edvel b\u00e1sico de ingl\u00eas pode debater sobre movimentos sociais com um ativista social grego. Seria ing\u00eanuo dizer que essa conclus\u00e3o \u00e9 nova, entretanto ainda \u00e9 necess\u00e1rio universalizar essa ideia.<\/p>\n<p>Seria necess\u00e1rio convencer as pessoas que estas fazem parte da era digital. Uma era em que os cidad\u00e3os se comprometem em ser fiscais da elite econ\u00f4mica e pol\u00edtica de sua cidade. Onde cada um pode ser jornalista e educador, comprometido com a justi\u00e7a social e a n\u00e3o-viol\u00eancia. Capazes de criar redes e demonstrar juntos o seu ponto de vista. E somente cr\u00edticos e bem informados os brasileiros poder\u00e3o lutar contra a incerteza para construir uma democracia real e s\u00f3lida.<\/p>\n<p>______________________<\/p>\n<p><em>Thom\u00e1s S. Selistre \u00e9 jornalista, bloguista, documentarista e se especializa em estudos de<\/em><em> paz.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma democracia real e sustent\u00e1vel no Brasil, assim como em qualquer outra sociedade madura, n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel sem o papel ativo dos meios de comunica\u00e7\u00e3o.  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