{"id":198810,"date":"2021-11-08T12:00:07","date_gmt":"2021-11-08T12:00:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=198810"},"modified":"2021-11-03T06:14:39","modified_gmt":"2021-11-03T06:14:39","slug":"portugues-as-ameacas-sobre-a-terra-presentes-na-cop26-em-glasgow","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2021\/11\/portugues-as-ameacas-sobre-a-terra-presentes-na-cop26-em-glasgow\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) As amea\u00e7as sobre a Terra presentes na  COP26 em Glasgow?"},"content":{"rendered":"<p><em>2 Nov 2021 &#8211; <\/em>Em Glasgow, nesse final de 2021, com a COP26 se discute como reduzir os n\u00edveis de\u00a0 gases de efeito estufa para n\u00e3o chegarmos em 2030 a 1,5 graus Celsius e ent\u00e3o a um caminho sem retorno. A maioria est\u00e1 c\u00e9tica, pois os grandes emissores n\u00e3o cumpriram o Acordo de Paris. Reduzirem apenas at\u00e9 7% e o Brasil, ao contr\u00e1rio, cresceu em 9% sua emiss\u00e3o. Dada a engrenagem do processo produtivo mundial de vi\u00e9s capitalista que tende a n\u00e3o assumir nenhum limite em seus ganhos, provavelmente n\u00e3o alcan\u00e7aremos esta meta. Nossos filhos e netos herdar\u00e3o uma Terra devastada e poder\u00e3o nos amaldi\u00e7oar por n\u00e3o termos feito a li\u00e7\u00e3o de casa. A situa\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica da Terra est\u00e1 ausente nos debates. N\u00e3o se fala da rela\u00e7\u00e3o destrutiva para com a natureza. Vejamos rapidamente, no curso da hist\u00f3ria, como chegamos ao drama atual.<\/p>\n<p><strong>A intera\u00e7\u00e3o com a natureza<\/strong><\/p>\n<p>Nossos ancestrais que se perdem na penumbra dos tempos imemoriais, entretinham uma <strong>intera\u00e7\u00e3o<\/strong> n\u00e3o destrutiva: tomavam o que a natureza fartamente lhes oferecia.. \u00a0Esse tempo durou mil\u00eanios, come\u00e7ando na \u00c1frica, onde surgiu o ser humano, pela primeira vez h\u00e1 alguns milh\u00f5e de anos. Por isso, somos todos, de alguma forma,\u00a0 africanos.<\/p>\n<p><strong>A interven\u00e7\u00e3o na natureza<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 mais de dois milh\u00f5es de anos, irrompeu, no processo da antrog\u00eanese (a g\u00eanese do ser humano na evolu\u00e7\u00e3o) o homem h\u00e1bil\u00a0 (homo habilis). Aqui ocorreu uma primeira virada. Inicia-se aquilo que culminou de forma extrema nos nossos dias. \u00a0O homem h\u00e1bil inventou instrumentos com os quais operava uma interven\u00e7\u00e3o na natureza: um pau pontiagudo, uma pedra afiada e outros recursos semelhantes. Com eles podia ferir e\u00a0 matar um animal ou podia cortar plantas. Essa <strong>interven\u00e7\u00e3o <\/strong>se desenvolveu muito mais intensamente com a introdu\u00e7\u00e3o da agricultura e da irriga\u00e7\u00e3o, ocorrida \u00a0volta de 10-12 mil atr\u00e1s na era chamada do\u00a0 <em>neol\u00edtico.<\/em> Desviavam-se \u00e1guas dos rios, melhoravam colheitas, criavam animais e aves para serem abatidos.<\/p>\n<p>\u00c9 o tempo em que os humanos deixaram de ser n\u00f4mades e se fizeram sedent\u00e1rios, com \u00a0vilas e cidades, geralmente, junto aos rios como ao Nilo no Egito, ao Tigre e ao Eufrates no Oriente M\u00e9dio, ao Indo a o Tanges na \u00cdndia e ao redor do imenso lago interno, o\u00a0 Amazonas que h\u00e1 milhares de anos, desaguava no Pac\u00edfico.<\/p>\n<p><strong>A agress\u00e3o \u00e0 natureza<\/strong><\/p>\n<p>Da <strong>interven\u00e7\u00e3o<\/strong> passamos \u00e0 <strong>agress\u00e3o <\/strong>da natureza, na era industrial a partir do s\u00e9culo XVIII. Surgiram as f\u00e1bricas com a produ\u00e7\u00e3o em massa. Forjou-se todo tipo de instrumentos t\u00e9cnicos que permitiam extrair enormes riquezas da natureza. Partia-se da premissa de que o ser humano \u00e9 \u201c<em>senhor e dono<\/em>\u201d da natureza, n\u00e3o se sentindo mais como h\u00f3spede e parte dela. A ideia-for\u00e7a era a <em>vontade de poder,<\/em> entendidida como <em>capacidade de dominar tudo<\/em>: outras pessoas, classes sociais, povos, continentes, a natureza, a mat\u00e9ria, a vida e a pr\u00f3pria Terra como um todo. Foram produzidas armas de destrui\u00e7\u00e3o em massa, qu\u00edmicas, biol\u00f3gicas e nucleares.<\/p>\n<p>O ingl\u00eas Francis Bacon, tido como o fundador do m\u00e9todo cient\u00edfico moderno, chegou a escrever:\u201d<em>Deve-se torturar a natureza como o torturador tortura a\u00a0 sua v\u00edtima, at\u00e9 ela entregar todos os seus segredos<\/em>\u201d. Os conhecimentos cient\u00edficos foram logo transformados em t\u00e9cnicas de\u00a0 extra\u00e7\u00e3o de bens naturais,\u00a0 cada vez mais aperfei\u00e7oadas, para realizar o prop\u00f3sito de acumula\u00e7\u00e3o ilimitada. Aqui a <strong>agress\u00e3o <\/strong>\u00a0ganho estatuto oficial. Foi e continua sendo aplicada at\u00e9 os dias atuais<\/p>\n<p><strong>A destrui\u00e7\u00e3o da natureza<\/strong><\/p>\n<p>Nos \u00faltimos tempos de modo especial, depois da segunda guerra mundial (1939-1945) a sistem\u00e1tica agress\u00e3o\u00a0ganhou dimens\u00f5es de verdadeira <strong>destrui\u00e7\u00e3o<\/strong> de ecossistemas, da biodiversidade, dos bens e servi\u00e7os escassos da natureza,\u00a0 at\u00e9 da M\u00e3e Terra\u00a0 agredida em todas as suas frentes.<\/p>\n<p>Segundo not\u00e1veis cientistas, inauguramos uma nova era geol\u00f3gica, chamada de <strong>antropoceno,<\/strong> na qual o ser humano emerge como a maior amea\u00e7a \u00e0 natureza e ao equil\u00edbrio da Terra,\u00a0particularmente de seus climas. Chegou-se ao ponto de nosso processo industrialista e o estilo consumista de vida dizimar anualmente cerca de 100 mil organismos vivos. Mais de um milh\u00e3o deles est\u00e3o sob grave amea\u00e7a de desaparecimento.<\/p>\n<p>A partir desta verdadeira trag\u00e9dia biol\u00f3gica come\u00e7ou-se a falar de <strong>necroceno<\/strong>, quer dizer, a morte (<em>necro<\/em>) em massa de vidas da natureza e de vidas humanas por mis\u00e9ria, fome de milh\u00f5es e milh\u00f5es e agora pelo Covid-19 planet\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>A eros\u00e3o da Matriz Relacional<\/strong><\/p>\n<p>Perdeu-se a perspectiva do Todo. Ocorreu uma verdadeira fragmenta\u00e7\u00e3o e atomiza\u00e7\u00e3o da realidade\u00a0e dos respectivos sabares. <em>Sabe-se cada vez mais sobre cada vez menos.<\/em>Tal fato possui suas vantagens mas tamb\u00e9m seus limites. A realidade n\u00e3o \u00e9 fragmentada. Por isso os saberes tamb\u00e9m n\u00e3o podem ser fragmentados. Falamos da alian\u00e7a entre todos \u00a0os saberes, tamb\u00e9m dos populares (Prigogine).<\/p>\n<p>Deixou-se de considerar as rela\u00e7\u00f5es de <strong>interdepend\u00eanci<\/strong>a que todas coisas guardam entre si. Numa palavra: erodiu-se a <strong>matriz relacional<\/strong> de todos com todos, que envolvem o pr\u00f3prio universo. Nada existe fora da rela\u00e7\u00e3o. Numa po\u00e9tica formula\u00e7\u00e3o do Papa Francisco em sua enc\u00edclica <em>Laudato si: sobre o cuidado da Casa Comum (2015)<\/em> se afirma:<\/p>\n<blockquote><p><em>\u00a0O Sol e a Lua, o cedro e a florzinha, a \u00e1guia e o pardal, o espet\u00e1culo de sua diversidades significa que nenhuma criatura se basta a si mesma; elas s\u00e3o interdependentes uma das outras para se completarem mutuamente no servi\u00e7o uma das outras!(n.86)<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>Se realmente todos estamos entrela\u00e7ados, ent\u00e3o devemos concluir que o modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista, individualista, depredador da natureza, visando o maior lucro poss\u00edvel sem se dar conta das rela\u00e7\u00f5es existentes entre todas as coisas, emitindo gases de efeito estufa, est\u00e1 na contram\u00e3o da l\u00f3gica da natureza e do pr\u00f3prio universo.<\/p>\n<p>A Terra nos criou um lugar amig\u00e1vel para viver mas n\u00f3s n\u00e3o estamos nos mostrando amig\u00e1veis para com ela. Ao contr\u00e1rio, movemos-lhe uma guerra, sem chance de ganh\u00e1-la, a ponto de ela n\u00e3o aguentar mais e come\u00e7ar a reagir numa esp\u00e9cie de contra-ataque. Este \u00e9 o significado maior da intrus\u00e3o de toda uma gama de v\u00edrus, especialmente do Covid-19. De cuidadores da natureza nos fizemos em seu Sat\u00e3 amea\u00e7ador.<\/p>\n<p><strong>Ou mudamos ou podemos correr o risco de desaparecer<\/strong><\/p>\n<p>At\u00e9 o advento da modernidade \u00a0o ser humano percebia-se ligado ao Todo. Agora a M\u00e3e Terra foi transformada \u201cnum banheiro\u201d e \u201cestamos cavando nossa sepultura\u201d disse o Secret\u00e1rio Geral da ONU Ant\u00f3nio Guterres ao abrir os trabalhos na COP26 no dia 31\/10\/2021, ou\u00a0num ba\u00fa cheio de recursos a serem explorados. Nessa compreens\u00e3o que acabou por se imp\u00f4r, as coisas e os seres humanos est\u00e3o desconectados entre si, cada qual seguindo um curso pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>A aus\u00eancia do sentimento de perten\u00e7a a um Todo maior, o descaso pelas teias de rela\u00e7\u00f5es que ligam todos os seres, tornou-nos desenraizados e mergulhados numa profunda solid\u00e3o,\u00a0 coisa que o impedia uma vis\u00e3o integradora do mundo, que existia anteriormente.<\/p>\n<p>Por que fizemos esta invers\u00e3o de rumo? N\u00e3o ser\u00e1 uma \u00fanica causa, mas um complexo delas. A mais importante e danosa foi termos \u00a0abandonado a referida <strong>Matriz Relacional,<\/strong> vale dizer, a percep\u00e7\u00e3o da teia de rela\u00e7\u00f5es que entrela\u00e7am todos os seres. Ela nos conferia a sensa\u00e7\u00e3o de sermos parte de um Todo maior, de que est\u00e1vamos inseridos na natureza como parte dela, como irm\u00e3os e irm\u00e3s, como afirma a <em>Fratelli tutti<\/em> do Papa Francisco e n\u00e3o simplesmente seus usu\u00e1rios e com interesses meramente utilitaristas. Perdemos a capacidade de admra\u00e7\u00e3o pela <em>grandeur<\/em> da cria\u00e7\u00e3o, de rever\u00eancia face ao c\u00e9u estrelado, de respeito por todo tipo de vida e da capacidade de chorar pelo sofrimento da maioria da humanidade.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o fizermos esta virada de \u201csenhores e donos\u201d (<em>dominus<\/em>) da natureza para \u201cirm\u00e3os e irm\u00e3s (frater) \u00a0entre todos, da humanidade e da natureza, n\u00e3o ser\u00e3o eventuais acordos\u00a0 alcan\u00e7ados na COP26 de diminui\u00e7\u00e3o de gases de efeito estufa que ir\u00e3o nos salvar.A quest\u00e3o \u00e9 a mudan\u00e7a de paradigma.Ou mudamos ou corremos o risco de desaparecer da face da Terra.<\/p>\n<p>_________________________________________________<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><em><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/leonardo-boff.jpg\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-172973\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/leonardo-boff-150x150.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/a> Leonardo Boff \u00e9 um escritor, te\u00f3logo e fil\u00f3sofo brasileiro, professor em\u00e9rito de \u00e9tica e filosofia da religi\u00e3o da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, recebedor do <\/em><strong><em>Pr\u00eamio Nobel Alternativo da Paz<\/em><\/strong><em> do Parlamento sueco [<\/em><strong><em>Right Livelihood Award<\/em><\/strong><em>]em 2001, membro da Iniciativa Internacional da Carta da Terra, e professor visitante em v\u00e1rias universidades estrangeiras como Basel, Heidelberg, Harvard, Lisboa e Salamanca. Expoente da <\/em><em><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Teologia_da_Liberta%C3%A7%C3%A3o\" >Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o<\/a><\/em><em> no Brasil, foi membro da Ordem dos Frades Menores, mais conhecidos como Franciscanos. \u00c9 respeitado pela sua hist\u00f3ria de defesa pelas causas sociais e atualmente debate tamb\u00e9m quest\u00f5es ambientais. Colunista do <\/em>Jornal do Brasil<em>, escreveu os livros<\/em> Francisco de Assis: Ternura e Vigor, <em>Vozes 2000; <\/em>\u00a0A Terra na palma da m\u00e3o: uma nova vis\u00e3o do planeta e da humanidade<em>,Vozes 2016;\u00a0 <\/em>Cuidar da Terra \u2013 proteger a vida: como escapar do fim do mundo<em>, Record 2010; <\/em>\u00a0<em>A <\/em>hospitalidade: Direito e dever de todos, <em>Vozes 2005<\/em>; Paix\u00e3o de Cristo, Paix\u00e3o do Mundo<em>, Vozes 2001<\/em>; Brasil: Concluir a refunda\u00e7\u00e3o ou prolongar a depend\u00eancia, <em>Vozes 2018; <\/em><em>\u201cDestino e Desatino da Globaliza\u00e7\u00e3o\u201d em<\/em><em>: Do iceberg \u00e0 Arca de No\u00e9,<\/em><em> Mar de Ideias, Rio 2010 pp. 41-63.<\/em><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/leonardoboff.org\/2021\/11\/02\/as-ameacas-sobre-a-terra-presentes-na-cop26-em-glasgow\/\" >Go to Original \u2013 leonardoboff.org<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>2 Nov 2021 &#8211; Em Glasgow, nesse final de 2021, com a COP26 se discute como reduzir os n\u00edveis de\u00a0 gases de efeito estufa para n\u00e3o chegarmos em 2030 a 1,5 graus Celsius e ent\u00e3o a um caminho sem retorno. 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