{"id":2109,"date":"2009-03-25T00:00:00","date_gmt":"2009-03-25T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost\/wordpress\/2009\/03\/portuguese-fazer-a-paz-com-a-agua\/"},"modified":"2009-03-25T00:00:00","modified_gmt":"2009-03-25T00:00:00","slug":"portuguese-fazer-a-paz-com-a-agua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2009\/03\/portuguese-fazer-a-paz-com-a-agua\/","title":{"rendered":"(PORTUGUESE)   FAZER A PAZ COM A \u00c1GUA"},"content":{"rendered":"<p>O fato da ONU consagrar o dia 22 de mar&ccedil;o como &ldquo;Dia internacional da &Aacute;gua&rdquo; n&atilde;o pode deixar de nos fazer recordar que estamos vivendo uma profunda crise da civiliza&ccedil;&atilde;o. Este modo de organizar o mundo, baseado na sistem&aacute;tica explora&ccedil;&atilde;o de seres humanos por outros seres humanos e na intensa destrui&ccedil;&atilde;o da natureza por uma restrita elite mundial, j&aacute; n&atilde;o tem mais sustenta&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Dos seis bilh&otilde;es de pessoas que habitam a face do planeta, apenas 1,7 bilh&otilde;es pertence a esta sociedade consumista e predadora da civiliza&ccedil;&atilde;o contempor&acirc;nea. Para sustentar os caprichos dessa elite mundial, s&atilde;o necess&aacute;rias 1,5 Terras para alguns, ou at&eacute; seis Terras para outros. Essa elite n&atilde;o est&aacute; apenas no primeiro mundo, mas tamb&eacute;m tem seus nichos no segundo, terceiro e quarto mundo. A consci&ecirc;ncia dos limites do planeta come&ccedil;ou surgir a partir da d&eacute;cada de 60, mas aprofundou-se na d&eacute;cada de 70 e generalizou-se a partir da d&eacute;cada de 80.<\/p>\n<p>Entre todos os bens da Terra e da Vida, o mais amea&ccedil;ado &eacute; a &Aacute;gua. &Eacute; o maior problema ecol&oacute;gico de nossos tempos e est&aacute; come&ccedil;ando a ser motivo de conflitos e guerras entre v&aacute;rios povos em quase todos os continentes. Se um bilh&atilde;o e duzentos milh&otilde;es de seres humanos n&atilde;o t&ecirc;m acesso &agrave; &aacute;gua pot&aacute;vel e milh&otilde;es de crian&ccedil;as, em muitos pa&iacute;ses pobres, morrem em conseq&uuml;&ecirc;ncia do uso de &aacute;guas impr&oacute;prias para a sa&uacute;de, n&atilde;o podemos mais n&atilde;o cuidar com prioridade desta quest&atilde;o.<\/p>\n<p>O uso que a sociedade faz da &aacute;gua aumenta sempre, enquanto, por causa da polui&ccedil;&atilde;o e do aquecimento global, agora evidente, os rios de todos os continentes diminuem de volume normal, muitos est&atilde;o agonizantes, como o S&atilde;o Francisco e o nosso Araguaia (quem o viu em fins de novembro, &eacute;poca que ele sempre estaria cheio e exuberante, sabe disso). As fontes de &aacute;gua diminuem a cada dia e o uso continua predat&oacute;rio.<\/p>\n<p>Por outro lado, a rea&ccedil;&atilde;o da sociedade capitalista &eacute; fazer da &aacute;gua uma mercadoria, em alguns lugares, mais cara do que o leite ou a Coca Cola. Vender a &aacute;gua, que &eacute; um bem indispens&aacute;vel &agrave; vida humana e a todas as formas de vida, como privatizar, ou seja, entreg&aacute;-las nas m&atilde;os de grandes conglomerados econ&ocirc;micos, como a Coca-Cola, a Danone e outras. Atualmente, por exemplo, todas as fontes minerais da cidade de S&atilde;o Louren&ccedil;o, em Minas Gerais e a pr&oacute;pria &aacute;gua que serve &agrave; cidade s&atilde;o propriedade particular da Coca-Cola e s&atilde;o vendidas como mercadoria.<\/p>\n<p>A privatiza&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua n&atilde;o se d&aacute; ao acaso, ou de forma dispersa. Ela passa pela elabora&ccedil;&atilde;o de grandes estrat&eacute;gias, de acordo com a abund&acirc;ncia da &aacute;gua nas regi&otilde;es do planeta e atrav&eacute;s de planos que, ao longo prazo, permitam a apropria&ccedil;&atilde;o privada desse bem em escala mundial.<\/p>\n<p>Muitos grupos da sociedade civil t&ecirc;m se mobilizado contra este crime. O Uruguai conseguiu passar uma lei na sua nova Constitui&ccedil;&atilde;o Federal que proclama claramente: &ldquo;A &Aacute;gua &eacute; uma necessidade e um direito de todos os seres vivos. Por isso, n&atilde;o poder&aacute; ser privatizada nem mercantilizada&rdquo;. A resist&ecirc;ncia continua dif&iacute;cil e violenta. Mas a organiza&ccedil;&atilde;o da sociedade civil mais consciente e os grupos ecol&oacute;gicos n&atilde;o descansam. &ldquo;Na It&aacute;lia, em 2004, as comunidades se organizaram e conseguiram obter uma grande vit&oacute;ria: obrigaram 136 prefeituras a retirar a delibera&ccedil;&atilde;o &ndash; j&aacute; muitas vezes, implementada &ndash; de privatizar a &aacute;gua. De l&aacute; para c&aacute;, a luta se ampliou e espalhou-se por outras regi&otilde;es e pa&iacute;ses&rdquo; (Cf Alex Zanotelli no livro: Marcelo Barros e Frei Betto, O amor fecunda o universo, Ed. Agir 2009).<\/p>\n<p>Certamente, as pessoas podem se perguntar: &ldquo;O que n&oacute;s, pobres mortais particulares, podemos fazer em prol de uma causa como esta? Sem d&uacute;vida, a primeira coisa &eacute; tomar consci&ecirc;ncia do problema, educar-se e educar os seus a tomar todo o cuidado de poupar &aacute;gua, de proteger os rios e fontes pr&oacute;ximos &agrave; sua casa ou que voc&ecirc; encontra nos caminhos da vida.<\/p>\n<p>Quem tem possibilidades, pode formar espontaneamente e civilmente &ndash; &eacute; previsto por lei federal &ndash; comiss&otilde;es de defesa das bacias hidrogr&aacute;ficas. Existe uma funcionando sobre o rio Vermelho. Existir&aacute; alguma que proteja o Meia Ponte e, principalmente, o nosso Araguaia?<\/p>\n<p>Fazer-se respons&aacute;vel, dentro de suas possibilidades, deste problema da &Aacute;gua &eacute; fazer com que a Paz e a Justi&ccedil;a possam ocorrer no mundo.<br \/>_______________________<\/p>\n<p><em>Marcelo Barros &eacute; monge beneditino e autor de 26 livros, dos quais o mais recente &eacute; &quot;O Esp&iacute;rito vem pelas &Aacute;guas&quot;. Ed. Rede-Loyola, 2003.<br \/><\/em><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www3.brasildefato.com.br\/v01\/agencia\/analise\/fazer-a-paz-com-agua\" ><br \/>GO TO ORIGINAL &ndash; BRASIL DE FATO<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O fato da ONU consagrar o dia 22 de mar&ccedil;o como &ldquo;Dia internacional da &Aacute;gua&rdquo; n&atilde;o pode deixar de nos fazer recordar que estamos vivendo uma profunda crise da civiliza&ccedil;&atilde;o. 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