{"id":21694,"date":"2012-09-24T12:00:37","date_gmt":"2012-09-24T11:00:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=21694"},"modified":"2012-09-22T16:22:13","modified_gmt":"2012-09-22T15:22:13","slug":"portuguese-doenca-renal-misteriosa-atinge-milhares-em-2-continentes-e-intriga-pesquisadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2012\/09\/portuguese-doenca-renal-misteriosa-atinge-milhares-em-2-continentes-e-intriga-pesquisadores\/","title":{"rendered":"(Portuguese) Doen\u00e7a Renal Misteriosa Atinge Milhares em 2 Continentes e Intriga Pesquisadores"},"content":{"rendered":"<p><em>Uma doen\u00e7a renal misteriosa vem atacando milhares de pessoas em comunidades rurais do sudeste asi\u00e1tico e da Am\u00e9rica Central. O aparecimento da doen\u00e7a intriga os pesquisadores, que ainda n\u00e3o conseguiram identificar as causas exatas da enfermidade.<\/em><\/p>\n<p>No vilarejo de Halmillawetiya, na Prov\u00edncia Centro-Norte do Sri Lanka, o agricultor Sampath Kumarasinghe, de 21 anos, descansa em um banco de madeira em frente \u00e0 casa que divide com a m\u00e3e, vi\u00fava.<\/p>\n<p>Apesar do calor, ele usa um gorro de l\u00e3 e seus movimentos s\u00e3o bastante lentos para algu\u00e9m de sua idade.<\/p>\n<p>Como a maioria dos moradores do vilarejo, ele \u00e9 um plantador de arroz, mas ultimamente ele n\u00e3o tem tido for\u00e7as para trabalhar.<\/p>\n<p>Os rins de Kumarasinghe n\u00e3o funcionam direito. Eles n\u00e3o est\u00e3o mais conseguindo filtrar seu sangue.<\/p>\n<p>&#8220;Meu corpo est\u00e1 fraco&#8221;, ele diz. O agricultor \u00e9 mantido vivo pela di\u00e1lise, que realiza duas vezes por semana em um hospital regional. Ele espera conseguir um transplante de rim.<\/p>\n<p>Kumarasinghe \u00e9 uma das milhares de pessoas na Prov\u00edncia Centro-Norte sofrendo de doen\u00e7a renal cr\u00f4nica.<\/p>\n<p>Segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade do Sri Lanka, 15% da popula\u00e7\u00e3o local foi afetada. A maioria dessas pessoas s\u00e3o cultivadores de arroz.<\/p>\n<p><strong>Ilha das Vi\u00favas<\/strong><\/p>\n<p>A milhares de quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia, Maudiel Mart\u00ednez abre a porta de sua casa simples na comunidade La Isla, no oeste da Nicar\u00e1gua.<\/p>\n<p>Um pano faz as vezes de porta e deixa ver o rosto p\u00e1lido de Mart\u00ednez, com ossos protuberantes. Ele anda como um idoso, apesar de ter apenas 19 anos.<\/p>\n<p>A epidemia misteriosa vem ganhando terreno na Am\u00e9rica Central e j\u00e1 \u00e9 a segunda maior causa de mortes de homens em El Salvador. Na Nicar\u00e1gua, a doen\u00e7a mata mais que o v\u00edrus HIV e a diabetes combinados.<\/p>\n<p>&#8220;Essa doen\u00e7a \u00e9 assim. Voc\u00ea me v\u00ea agora, mas em um m\u00eas eu posso n\u00e3o estar mais aqui. Ela pode me levar de repente&#8221;, afirma Mart\u00ednez.<\/p>\n<p>Ele sabe do que est\u00e1 falando. Seu pai e um av\u00f4 morreram com a doen\u00e7a. Tr\u00eas de seus irm\u00e3os tamb\u00e9m t\u00eam o problema. Todos eles trabalhavam no cultivo da cana-de-a\u00e7\u00facar.<\/p>\n<p>A doen\u00e7a renal cr\u00f4nica j\u00e1 matou tantos homens na comunidade de La Isla que o local j\u00e1 \u00e9 conhecido popularmente como &#8220;La Isla de las Viudas&#8221; (A ilha das vi\u00favas, em portugu\u00eas).<\/p>\n<p><strong>Epidemia<\/strong><\/p>\n<p>A epidemia j\u00e1 atinge seis pa\u00edses da Am\u00e9rica Central, em suas regi\u00f5es ao longo da Costa do Pac\u00edfico. Tamb\u00e9m foi identificada na \u00cdndia e no Sri Lanka.<\/p>\n<p>A causa ainda \u00e9 desconhecida, mas os pesquisadores acreditam que as v\u00edtimas estejam sendo contaminadas como resultado de seu pr\u00f3prio trabalho.<\/p>\n<p>As epidemias nas tr\u00eas regi\u00f5es t\u00eam v\u00e1rios pontos em comum. As v\u00edtimas s\u00e3o em sua grande maioria relativamente jovens agricultores. Muito poucos sofriam de diabetes e de press\u00e3o alta, os fatores de risco mais comuns para doen\u00e7a renal.<\/p>\n<p>Todos sofrem com um problema conhecido como nefrite t\u00fabulo-intersticial, que provoca desidrata\u00e7\u00e3o grave e envenenamento do sangue.<\/p>\n<p>O problema afeta \u00e1reas geogr\u00e1ficas espec\u00edficas que s\u00e3o bastante f\u00e9rteis e muito quentes. As v\u00edtimas em sua maioria fazem trabalhos manuais pesados, t\u00eam pouca educa\u00e7\u00e3o formal e pouco acesso a cuidados m\u00e9dicos. Em todas as \u00e1reas, os primeiros casos apareceram nos anos 1990.<\/p>\n<p>Os cientistas acreditam que o problema pode estar ligado a algum produto qu\u00edmico presente ou utilizado nas lavouras desses locais, mas as pesquisas at\u00e9 hoje n\u00e3o conseguiram identificar exatamente o causador da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Com isso, n\u00e3o h\u00e1 tratamento dispon\u00edvel para a doen\u00e7a, nem uma maneira conhecida de preveni-la.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 importante que a doen\u00e7a renal cr\u00f4nica, que afeta milhares de trabalhadores rurais na Am\u00e9rica Central, seja reconhecida pelo que \u00e9 &#8211; uma grande epidemia com um tremendo impacto na popula\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma Victor Penchaszadeh, epidemiologista da Universidade Columbia, nos Estados Unidos, e consultor da Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana de Sa\u00fade sobre doen\u00e7as cr\u00f4nicas na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p><strong>Estudo<\/strong><\/p>\n<p>Apesar de o mist\u00e9rio ainda permanecer sobre as causas da doen\u00e7a, uma pesquisa iniciada h\u00e1 quatro anos pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) e pelo governo do Sri Lanka come\u00e7a a indicar poss\u00edveis caminhos.<\/p>\n<p>Os pesquisadores testaram a popula\u00e7\u00e3o e o ambiente, tomando amostras de sangue, urina e tecidos das pessoas e de alimentos, de \u00e1gua e do ar da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Os resultados, divulgados h\u00e1 poucas semanas, sugerem que os culpados podem ser dois metais t\u00f3xicos &#8211; c\u00e1dmio e ars\u00eanico &#8211; que estariam contaminando os alimentos e o ar.<\/p>\n<p>Segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade do Sri Lanka, os exames indicaram n\u00edveis relativamente altos dos dois metais no sangue e na urina da popula\u00e7\u00e3o da Prov\u00edncia Centro-Norte.<\/p>\n<p>Apesar de os n\u00edveis estarem geralmente dentro do que \u00e9 considerado seguro, a exposi\u00e7\u00e3o cont\u00ednua a esses elementos pode ser prejudicial.<\/p>\n<p>O novo estudo tamb\u00e9m indica que os metais poderiam estar vindo de fertilizantes e pesticidas, baratos e superutilizados na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Muitos m\u00e9dicos e cientistas familiarizados com o estudo concordam que mais pesquisas ainda s\u00e3o necess\u00e1rias, mas acreditam que os qu\u00edmicos usados na agricultura s\u00e3o ao menos parcialmente respons\u00e1veis pelo problema.<\/p>\n<p>Mas ainda h\u00e1 muitas quest\u00f5es sem resposta: os n\u00edveis de c\u00e1dmio e ars\u00eanico encontrados nos corpos das pessoas s\u00e3o altos o suficiente para provocar danos? Qual metal provoca a doen\u00e7a, o c\u00e1dmio ou o ars\u00eanico? Ou uma combina\u00e7\u00e3o dos dois?<\/p>\n<p>Os metais v\u00eam principalmente de pesticidas ou de fertilizantes? E se esses produtos s\u00e3o a causa da doen\u00e7a, por que os agricultores de outras partes do pa\u00eds, que tamb\u00e9m os usam, n\u00e3o est\u00e3o sendo afetados?<\/p>\n<p>As perguntas ainda s\u00e3o muitas, mas os especialistas esperam estar um pouco mais pr\u00f3ximos de conseguir finalmente resolver o problema.<\/p>\n<p>_______________________<\/p>\n<p><em>The World \u00e9 um coprodu\u00e7\u00e3o de r\u00e1dio do Servi\u00e7o Mundial da BBC com a americana PRI e a emissora WGBH, de Boston. Esta reportagem foi produzida com a colabora\u00e7\u00e3o do International Consortium of Investigative Journalists (ICIJ), um projeto do The Center for Public Integrity.<\/em><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.bbc.co.uk\/portuguese\/noticias\/2012\/09\/120920_doenca_renal_cronica_rw.shtml\" >Go to Original \u2013 bbc.co.uk<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma doen\u00e7a renal misteriosa vem atacando milhares de pessoas em comunidades rurais do sudeste asi\u00e1tico e da Am\u00e9rica Central. 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