{"id":21788,"date":"2012-10-01T12:00:49","date_gmt":"2012-10-01T11:00:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=21788"},"modified":"2012-09-27T08:45:01","modified_gmt":"2012-09-27T07:45:01","slug":"portuguese-comissao-da-verdade-institui-grupo-para-investigar-operacao-condor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2012\/10\/portuguese-comissao-da-verdade-institui-grupo-para-investigar-operacao-condor\/","title":{"rendered":"(Portuguese) Brasil: Comiss\u00e3o da Verdade Institui Grupo para Investigar Opera\u00e7\u00e3o Condor"},"content":{"rendered":"<p><em>Considerada a maior a\u00e7\u00e3o de terrorismo de estado da Am\u00e9rica Latina, a Opera\u00e7\u00e3o Condor custou a vida de um n\u00famero ainda n\u00e3o confirmado de militantes de esquerda. Entre as v\u00edtimas brasileiras sequestradas, torturadas, mortas ou desaparecidas est\u00e3o o coronel Jefferson Cardim, o jornalista Edmur P\u00e9ricles, o pianista Francisco Ten\u00f3rio, a estudante Jane Vanini, dentre muitas outras. <\/em><\/p>\n<p>Resolu\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV), publicada na edi\u00e7\u00e3o desta ter\u00e7a (25 Set 2012) do Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o (DOU), institui um grupo de trabalho para investigar as articula\u00e7\u00f5es entre os servi\u00e7os de informa\u00e7\u00e3o e contrainforma\u00e7\u00e3o latinoamericanos. Em especial a Opera\u00e7\u00e3o Condor, a alian\u00e7a pol\u00edtico-militar entre as ditaduras do Cone Sul, que custou a vida de um n\u00famero ainda n\u00e3o confirmado de militantes de esquerda. Inclusive v\u00e1rios brasileiros que deixaram o pa\u00eds para escapar da repress\u00e3o, mas acabaram presos ilegalmente em territ\u00f3rio estrangeiro.<\/p>\n<p>Apontada como a maior opera\u00e7\u00e3o de terrorismo de Estado j\u00e1 praticada na Am\u00e9rica Latina, a Condor envolveu as ditaduras de Chile, Argentina, Paraguai, Uruguai, Bol\u00edvia e Brasil que, mesmo n\u00e3o tendo assinado a ata de funda\u00e7\u00e3o, participou da primeira reuni\u00e3o oficial do grupo, realizada em Santiago do Chile, em 1975. Antes disso, o pa\u00eds j\u00e1 articulava opera\u00e7\u00f5es bilaterais, principalmente com o Uruguai e a Argentina, que custaram a vida de v\u00e1rios brasileiros e s\u00e3o consideradas pelos historiadores como embri\u00f5es da Condor.<\/p>\n<p>A mais emblem\u00e1tica delas foi a que resultou na pris\u00e3o do coronel Jefferson Cardim de Alencar Os\u00f3rio, l\u00edder da primeira rebeli\u00e3o contra o golpe de 1964, a Guerrilha de Tr\u00eas Passos (RS), ocorrida um ano depois. Ele foi preso em mar\u00e7o de 1965, na companhia de 17 guerrilheiros que estavam sob seu comando. Conseguiu fugir da pris\u00e3o e se exilar no Uruguai. Entretanto, em 1971, quando tentava cruzar a fronteira com a Argentina, foi novamente preso, na companhia de seu filho e sobrinho, por militares daquele pa\u00eds.<\/p>\n<p>Cardim foi trazido de volta ao Brasil por um avi\u00e3o da For\u00e7a A\u00e9rea Brasileira (FAB), que aterrissou em Buenos Aires imediatamente ap\u00f3s sua pris\u00e3o, dispensando os processos convencionais de extradi\u00e7\u00e3o. O jornalista Jarbas Marques, ex-preso pol\u00edtico que dividiu a cela com Cardim por 7,5 anos, afirma que o sequestro do coronel no exterior foi t\u00e3o comemorado pelos ditadores brasileiros que seu articulador, o embaixador do Brasil na Argentina, Azeredo da Silveira, foi presenteado com o cargo de ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores do governo Geisel.<\/p>\n<p><strong>Militantes recambiados<\/strong><\/p>\n<p>Outra v\u00edtima da Opera\u00e7\u00e3o Condor foi o do jornalista Edmur P\u00e9ricles Camargo, militante do grupo Marx, Mao, Marighela e Guevara (M3G). Embora os registros oficiais da Comiss\u00e3o de Mortos e Desaparecidos apontem que ele foi visto pela \u00faltima vez em 1973, quando tentava cruzar a fronteira da Argentina, documentos da ditadura j\u00e1 desclassificados, a que Carta Maior teve acesso no Arquivo Nacional, provam que ele foi preso dois anos antes, em 16 de junho de 1971, quando viajava em v\u00f4o de carreira do Chile para o Uruguai. A pris\u00e3o de Edmur foi efetuada durante a escala do v\u00f4o em Buenos Aires. Na mesma noite, um jatinho da For\u00e7a A\u00e9rea Brasileira o buscou no pa\u00eds vizinho. Ningu\u00e9m jamais teve not\u00edcias suas.<\/p>\n<p>Em 1973, outros dois brasileiros foram sequestrados em Buenos Aires. E pela ditadura brasileira. Um deles foi Jo\u00e3o Batista Rita, outro militante do M3G, preso em Santa Catarina, em 1970, e banido do pa\u00eds em 1971, na companhia de outros 69 presos pol\u00edticos trocados pelo embaixador su\u00ed\u00e7o sequestrado no Brasil. O outro era o major Joaquim Pires Cerveira, militante da Frente de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional (FLN). Preso duas vezes pela ditadura, foi banido do pa\u00eds em 1971, junto com outros 39 presos trocados pelo embaixador alem\u00e3o.<\/p>\n<p>Conforme informa\u00e7\u00f5es do Grupo Tortura Nunca Mais, testemunhas afirmam que os dois foram presos em Buenos Aires em 11 de dezembro de 1973, por um grupo de homens armados, falando portugu\u00eas e liderados por um homem, que segundo as descri\u00e7\u00f5es, seria o delegado S\u00e9rgio Fleury, que atuava no Dops de S\u00e3o Paulo. Ambos foram vistos pela \u00faltima vez alguns dias depois, por outros presos pol\u00edticos, no DOI-Codi do Rio de Janeiro, muito machucados e amarrados em posi\u00e7\u00e3o fetal.<\/p>\n<p><strong>Assassinatos n\u00e3o notificados<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m de recambiar irregularmente militantes presos em outros pa\u00edses, a articula\u00e7\u00e3o entre as ditaduras do Cone Sul possibilitava a oculta\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es relativas a pris\u00f5es, torturas, desaparecimentos for\u00e7ados e assassinatos de cidad\u00e3os estrangeiros, cometidos pelas for\u00e7as dos regimes repressivos dos pa\u00edses aliados.<\/p>\n<p>Com o in\u00edcio da ditadura argentina, o n\u00famero de pris\u00f5es de brasileiros se acentuou naquele pa\u00eds. E os desaparecimentos tamb\u00e9m. Uma das v\u00edtimas mais emblem\u00e1ticas do per\u00edodo foi o pianista Francisco Ten\u00f3rio, que n\u00e3o tinha milit\u00e2ncia pol\u00edtica. Ele foi preso em Buenos Aires, em 18 de mar\u00e7o de 1976 , quando acompanhava Vinicius de Moraes e Toquinho em uma turn\u00ea.<\/p>\n<p>Na semana passada, o Supremo Tribunal Federal autorizou a extradi\u00e7\u00e3o, para a Argentina, do torturador Claudio Vallejos, preso no Brasil em janeiro do ano passado, que admitiu, em entrevista \u00e0 imprensa, participa\u00e7\u00e3o no sequestro de Ten\u00f3rio.<\/p>\n<p>Pouco antes do sequestro do pianista, Sidney Fix Marques dos Santos tamb\u00e9m desapareceu em Buenos Aires, em 15 de fevereiro de 1976, quando agentes da Superintend\u00eancia de Seguran\u00e7a Federal invadiram sua casa. Ele havia abandonado o curso de Geologia da USP para se dedicar \u00e0 milit\u00e2ncia no Partido Oper\u00e1rio Revolucion\u00e1rio Trotskista (Port). Propriet\u00e1rio e principal redator do jornal Frente Oper\u00e1ria, viveu na clandestinidade desde o golpe de 1964 e, em 1972, se mudou para a Argentina, onde trabalhava como operador da IBM.<\/p>\n<p>Outra v\u00edtima foi Maria Regina Marcondes Pinto. Ela deixou o Brasil com documenta\u00e7\u00e3o regular, em 1969, quando foi viver em Paris, na companhia do seu companheiro, o soci\u00f3logo Emir Sader, j\u00e1 perseguido pela ditadura. De l\u00e1, os dois foram viver no Chile e, ap\u00f3s a queda do ex-presidente Salvador Allende, mudaram-se para a Argentina. Em 10 de abril de 1976, ela foi se encontrar com Edgardo Enriquez, filho de um ex-ministro de Allende e ligado ao Movimiento de Izquierda Revolucion\u00e1ria (MIR). Nenhum dos dois nunca mais foi visto. Jornais europeus denunciaram que Maria Regina fora presa pela ditadura argentina e entregue \u00e0 chilena, mas a informa\u00e7\u00e3o jamais foi confirmada.<\/p>\n<p>Na mesma semana, a ditadura argentina efetuou a pris\u00e3o do brasileiro Jorge Alberto Basso, militante do Partido Oper\u00e1rio Comunista (POC). Ele se mudou para o Chile, em 1971, ingressando no curso de Hist\u00f3ria da Universidade do Chile. Com o golpe, mudou-se para a Argentina. Foi preso no dia 15 de abril de 1976, em um hotel do centro de Buenos Aires, conforme relat\u00f3rio do Minist\u00e9rio da Marinha daquele pa\u00eds. A Comiss\u00e3o de Representa\u00e7\u00e3o Externa para os Mortos e Desaparecidos Pol\u00edticos da C\u00e2mara Federal, quando esteve em Buenos Aires, em junho de 1993, recebeu informa\u00e7\u00f5es de que Jorge teria sido visto pela \u00faltima vez na Penitenci\u00e1ria de Rawson.<\/p>\n<p>Walter Kenneth Nelson Fleury desapareceu em 9 de agosto de 1976. De acordo com uma carta entregue \u00e0 Comiss\u00e3o de Representa\u00e7\u00e3o Externa para o Esclarecimento dos Mortos e Desaparecidos da Argentina, ele teria sido visto, entre novembro e dezembro de 1976, na Brigada Guemes, pris\u00e3o localizada na periferia de Buenos Aires.<\/p>\n<p>Outro desaparecido foi o estudante do 2\u00ba ano de Engenharia da Universidade de Buenos Aires, Roberto Rascado Rodrigues, preso em fevereiro de 1977, quando seis homens trajados com uniformes militares invadiram sua casa. No relat\u00f3rio do Minist\u00e9rio da Marinha da Argentina consta apenas a seguinte nota: \u201csequestrado por seis elementos em Buenos Aires\u201d.<\/p>\n<p>Mesmo ap\u00f3s o Brasil aprovar sua Lei da Anistia, a Opera\u00e7\u00e3o Condor continuou fazendo v\u00edtimas brasileiras, sem que as autoridades do pa\u00eds tomassem quaisquer provid\u00eancias. Em 7 de fevereiro de 1980, o estudante Luiz Renato do Lago Faria, que cursava o 6\u00b0 ano da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Buenos Aires, desapareceu na capital argentina. Seu \u00faltimo contato foi com outro brasileiro, Aldo Renzo Lorenzi. Depois da partida do \u00f4nibus em que este estava, Rodrigues foi visto entrando sozinho numa esta\u00e7\u00e3o de metr\u00f4, visivelmente embriagado, conforme relat\u00f3rio do Servi\u00e7o Nacional de Informa\u00e7\u00e3o (SNI).<\/p>\n<p><strong>Mortos e desaparecidos no Chile<\/strong><\/p>\n<p>Ap\u00f3s o golpe que colocou fim ao governo socialista de Salvador Allende, em 11 setembro de 1973, v\u00e1rios brasileiros que vivam no Chile tamb\u00e9m foram presos, torturados, mortos e desaparecidos. Um deles foi W\u00e2nio Jos\u00e9 de Matos, levado para o Est\u00e1dio Nacional, em Santiago, onde morreu um m\u00eas depois, por falta de tratamento m\u00e9dico.<\/p>\n<p>O professor universit\u00e1rio Luiz Carlos Almeida foi preso pela ditadura de Pinochet em 14 de setembro de 1973, em sua casa, em Santiago. Ap\u00f3s ser torturado, foi levado a uma ponte sobre o rio Mapocho, onde foi fuzilado. Em 1993, o governo chileno assumiu sua responsabilidade pelo assassinato, concedendo a sua fam\u00edlia uma pens\u00e3o como forma de repara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O engenheiro T\u00falio Cardoso Quintiliano foi detido um dia ap\u00f3s o golpe militar no Chile, com sua esposa. Ela foi liberada na mesma noite, mas T\u00falio foi encaminhado para o Regimento Tacna e nunca mais foi localizado. O governo chileno tamb\u00e9m assumiu a responsabilidade por sua morte.<\/p>\n<p>Morte emblem\u00e1tica tamb\u00e9m foi a de Nelson de Souza Kohl, militante do Partido Oper\u00e1rio Comunista (POC), sequestrado pela for\u00e7a a\u00e9rea chilena em 15 de setembro de 1973. De acordo com o Grupo Tortura Nunca Mais, a Comiss\u00e3o de Representa\u00e7\u00e3o Externa da C\u00e2mara Federal para esclarecer os casos dos Mortos e Desaparecidos Pol\u00edticos, encontrou seu atestado de \u00f3bito. Dizia que ele teria sido morto em confronto com a pol\u00edcia, dois dias ap\u00f3s sua pris\u00e3o. O atestado foi assinado pelo m\u00e9dico Alfredo Vargas, diretor do Instituto M\u00e9dico Legal de Santiago, o mesmo que atestou a morte de dezenas de pessoas no golpe de 1973, inclusive a de Allende.<\/p>\n<p>Caso que causou muita como\u00e7\u00e3o social foi o da estudante Jane Vanini, militante do Movimento de Liberta\u00e7\u00e3o Popular (Molipo), que exilou-se no Chile, ap\u00f3s ser condenada a cinco anos de pris\u00e3o no Brasil por \u201catividades subversivas\u201d. Desapareceu no final de 1974. Sua fam\u00edlia, entretanto, s\u00f3 soube o que acontecera a ela em janeiro de 1994, quando recebeu uma carta do ent\u00e3o secret\u00e1rio-executivo da \u201cCorporaci\u00f3n Nacional de Reparaci\u00f3n y Reconciliaci\u00f3n\u201d do Chile, Anches Domingues Vial, contando que ela se escondera na casa dele por mais de um m\u00eas e, ap\u00f3s fugir para Concepci\u00f3n, foi assassinada em 6 de dezembro de 1974. Em 2005, as autoridades chilenas localizaram os restos mortais de Janine em um cemit\u00e9rio clandestino chileno.<\/p>\n<p><strong>Desaparecimento na Bol\u00edvia<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 registro de um brasileiro morto pela ditadura boliviana: Luiz Renato Pires de Almeida. Preso pela ditadura brasileira pela sua atua\u00e7\u00e3o no movimento estudantil ga\u00facho, conseguiu fugir para Moscou, onde cursou a Universidade Patrice Lumumba. Na capital sovi\u00e9tica, ligou-se ao grupo de estudantes sulamericanos que sonhavam com as ideias guevaristas da revolu\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica. Entre eles, Oswaldo Chato Peredo, reorganizador do Ex\u00e9rcito de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional que empreendia a luta guerrilheira nas montanhas da Bol\u00edvia. Em outubro de 1970, nas regi\u00f5es de Masapar e Haicura, a 300 km de La Paz, Luis Renato e outros companheiros foram mortos pelas tropas bolivianas, estando desaparecido at\u00e9 hoje.<br \/>\nGrupo de Trabalho da CNV<\/p>\n<p>O grupo, presidido pela advogada Rosa Maria Cardoso da Cunha, membro da CNV, contar\u00e1 tamb\u00e9m com as colabora\u00e7\u00f5es da professora de hist\u00f3ria da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Heloisa Maria Murgel Starling, do jornalista Luiz Cl\u00e1udio Cunha, autor do livro \u201cOpera\u00e7\u00e3o Condor: O Sequestro dos Uruguaios \u2013 Uma Reportagem dos Tempos da Ditadura\u201d, e da assessora da CNV, Paula Rodrigues Ballesteros.<\/p>\n<p>A CNV foi criada pela Lei 12528\/2011 e institu\u00edda em maio de 2012. Ela tem por finalidade apurar graves viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos praticadas por agentes p\u00fablicos, ocorridas entre 18 de setembro de 1946 e 5 de outubro de 1988.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.cartamaior.com.br\/templates\/materiaMostrar.cfm?materia_id=20970&amp;boletim_id=1388&amp;componente_id=23134\" >Go to Original \u2013 cartamaior.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apontada como a maior opera\u00e7\u00e3o de terrorismo de Estado j\u00e1 praticada na Am\u00e9rica Latina, a Condor envolveu as ditaduras de Chile, Argentina, Paraguai, Uruguai, Bol\u00edvia e Brasil que, mesmo n\u00e3o tendo assinado a ata de funda\u00e7\u00e3o, participou da primeira reuni\u00e3o oficial do grupo, realizada em Santiago do Chile, em 1975.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-21788","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-original-languages"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21788","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21788"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21788\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21788"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21788"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21788"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}