{"id":2341,"date":"2009-05-19T00:00:00","date_gmt":"2009-05-19T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost\/wordpress\/2009\/05\/portuguese-a-natureza-nos-salvara-afirma-vandana-shiva\/"},"modified":"2009-05-19T00:00:00","modified_gmt":"2009-05-19T00:00:00","slug":"portuguese-a-natureza-nos-salvara-afirma-vandana-shiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2009\/05\/portuguese-a-natureza-nos-salvara-afirma-vandana-shiva\/","title":{"rendered":"(PORTUGUESE)  A NATUREZA NOS SALVAR\u00c1, AFIRMA VANDANA SHIVA"},"content":{"rendered":"<p><em>Indiana prega uma dr&aacute;stica redu&ccedil;&atilde;o dos combust&iacute;veis f&oacute;sseis, privilegiando energias renov&aacute;veis ou at&eacute; animais, o fim das monoculturas e dos transg&ecirc;nicos. <br \/><\/em><br \/>Com uma vis&atilde;o radical, Shiva prega uma dr&aacute;stica redu&ccedil;&atilde;o dos combust&iacute;veis f&oacute;sseis, privilegiando energias renov&aacute;veis ou at&eacute; animais, o fim das monoculturas e dos transg&ecirc;nicos para se voltar a uma agricultura biodiversificada, n&atilde;o intensiva e sem fertilizantes qu&iacute;micos. A famosa cientista indiana, que participa junto com Ralph Nader e Jeremy Rifkin do International Forum on Globalization, gostaria que cada comunidade local voltasse a ter sua autossufici&ecirc;ncia alimentar, chegando quase a abolir o &quot;food-miles&quot;, a viagem realizada pelos alimentos at&eacute; o prato dos consumidores, que torna os agricultores dependentes das exporta&ccedil;&otilde;es e contribui para o aumento do g&aacute;s carb&ocirc;nico.<\/p>\n<p>&quot;H&aacute; muitos especialistas que ainda me criticam, defendem que as minhas teorias s&atilde;o irreais e nos reportariam para a &eacute;poca pr&eacute;-industrial&quot;, admite Shiva, que na quinta-feira estar&aacute; em Bolonha para uma palestra do ciclo &quot;Regina pecunia&quot;, sob o t&iacute;tulo &quot;A maldi&ccedil;&atilde;o dos pobres&quot;. &quot;Por&eacute;m, a emerg&ecirc;ncia alimentar &eacute; tal que finalmente se dever&aacute; levar em considera&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m as solu&ccedil;&otilde;es mais criativas&quot;. O pre&ccedil;o do trigo aumentou em 130% nos &uacute;ltimos dois anos; o do arroz duplicou. Em 2008, pela primeira vez h&aacute; muito tempo, houve 33 revoltas populares no mundo por causa do aumento dos pre&ccedil;os da produ&ccedil;&atilde;o de alimentos, e pot&ecirc;ncias como a China iniciaram a compra de terrenos nos pa&iacute;ses do Terceiro Mundo para garantir o alimento &agrave;s gera&ccedil;&otilde;es futuras.<\/p>\n<p>&quot;A terra se tornou a &aacute;rea chave dos conflitos. &Eacute; um recurso limitado, que n&atilde;o pode ser estendido. Os terrenos f&eacute;rteis est&atilde;o desaparecendo em uma velocidade que a humanidade nunca conheceu antes&quot;. O livro que Vandana Shiva apresentar&aacute; na Feira de Turim na pr&oacute;xima sexta-feira junto com o diretor Ermanno Olmi e o fundador do movimento Slow Food, Carlo Petrini, &eacute; uma acusa&ccedil;&atilde;o contra os &quot;ecoimperialistas&quot;: multinacionais e governos que ignoraram &quot;as regras de Gaia para obedecer &agrave; l&oacute;gica do lucro&quot;.<\/p>\n<p>A crise dos subprime e a recess&atilde;o, diz, podem ser a oportunidade para reinventar as nossas economias. &quot;Desenvolvemos uma economia financeira centenas de vezes superior aos valores dos bens e dos servi&ccedil;os reais produzidos no mundo. Nunca antes as a&ccedil;&otilde;es de uma parte da humanidade amea&ccedil;aram a exist&ecirc;ncia de toda a ra&ccedil;a humana&quot;.<\/p>\n<p>Apesar disso, Vandana Shiva &eacute; otimista. O fato de que haja agora uma horta biol&oacute;gica e um presidente que se professa &quot;green&quot; na Casa Bianca a tranquiliza. &quot;Mas &eacute; preciso estar atentos &agrave;s pseudossolu&ccedil;&otilde;es, que s&atilde;o apenas paliativas&quot;. Contr&aacute;ria, por exemplo, aos biocombust&iacute;veis, &quot;que roubam terras dos agricultores e n&atilde;o resolvem a crise clim&aacute;tica&quot;, essa f&iacute;sica indiana de 57 anos defende que &eacute; preciso &quot;se libertar do ouro negro&quot; e favorecer uma &quot;transi&ccedil;&atilde;o do petr&oacute;leo para a terra&quot;.<\/p>\n<p>&quot;O aumento de cat&aacute;strofes naturais ou o risco de epidemias como a gripe su&iacute;na &ndash; continua &ndash; demonstram que o homem n&atilde;o pode negligenciar, como fez por dois s&eacute;culos, a rela&ccedil;&atilde;o com a M&atilde;e Natureza. Esquecemo-nos de ser cidad&atilde;os da Terra, e a crise clim&aacute;tica &eacute; uma consequ&ecirc;ncia do nosso distanciamento de um estilo de vida ecol&oacute;gico, justo e sustent&aacute;vel&quot;.<\/p>\n<p>Dura, perempt&oacute;ria, Vandana Shiva entrou muitas vezes em conflito com a comunidade cient&iacute;fica e o governo indiano, como quando rejeitou a famosa &quot;Revolu&ccedil;&atilde;o Verde&quot; iniciada em 1966. H&aacute; 20 anos, teve uma outra ideia: conservar sementes de muitas plantas que corriam o risco de desaparecer &quot;para criar um futuro diferente daquele previsto pela ind&uacute;stria biotecnol&oacute;gica&quot;. Ao longo da sua evolu&ccedil;&atilde;o, explica, a humanidade se nutriu de cerca de 80 mil plantas comest&iacute;veis. Mais de tr&ecirc;s mil foram consumidas de uma maneira constante, mas agora dependemos s&oacute; de oito cultivos (sobretudo de milho, soja, arroz e trigo) para produzir 75% dos alimentos mundiais.<\/p>\n<p>&quot;Nos bancos de sementes, temos culturas, como o milho, que podem suportar secas extremas, um tipo de arroz que alcan&ccedil;a mais de cinco metros de altura e que pode sobreviver &agrave;s enchentes da bacia do Ganges, um tipo que resiste &agrave; salinidade, que distribu&iacute;mos depois do ciclone Orissa e do Tsunami&quot;.<\/p>\n<p>A fazenda guiada por Shiva (na &Iacute;ndia, na fronteira com o Nepal e o Tibete) se tornou um modelo de biodiversidade e de sustentabilidade econ&ocirc;mica, mesmo que muitos especialistas duvidem que seja poss&iacute;vel aplic&aacute;-la em grandes n&uacute;meros. &quot;Na nossa cooperativa agr&iacute;cola &ndash; relata Shiva &ndash;, as culturas n&atilde;o t&ecirc;m doen&ccedil;as, a terra &eacute; resistente &agrave; seca, e o alimento produzido &eacute; delicioso. Os bois aram a terra e a fertilizam. Abolindo os combust&iacute;veis f&oacute;sseis da nossa fazenda, descobrimos a verdadeira energia: a da micorriza [associa&ccedil;&atilde;o simbi&oacute;tica de fungos e ra&iacute;zes de plantas] e das minhocas, das plantas e dos animais, todos alimentados pela energia do sol&quot;.<\/p>\n<p>Na fazenda, h&aacute; pelo menos novas culturas. Navdanya significa, de fato, &quot;novas sementes&quot;, mas tamb&eacute;m &quot;o novo dom&quot;. N&atilde;o importa quantas can&ccedil;&otilde;es voc&ecirc;s t&ecirc;m no seu iPod, quantos autom&oacute;veis h&aacute; na garagem de voc&ecirc;s ou quantos livros h&aacute; em suas prateleiras &ndash; conclui Vandana Shiva. O que resta da vida sem um terreno f&eacute;rtil?&quot;. Talvez hoje, finalmente, algu&eacute;m se disponha a ouvir essa pergunta.<\/p>\n<p>_____________________________<br \/><em><br \/>Tradu&ccedil;&atilde;o de Mois&eacute;s Sbardelotto<\/em><br \/><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www3.brasildefato.com.br\/v01\/agencia\/internacional\/a-natureza-nos-salvara-afirma-vandana-shiva\" ><br \/>GO TO ORIGINAL &ndash; BRASIL DE FATO<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Indiana prega uma dr&aacute;stica redu&ccedil;&atilde;o dos combust&iacute;veis f&oacute;sseis, privilegiando energias renov&aacute;veis ou at&eacute; animais, o fim das monoculturas e dos transg&ecirc;nicos. 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