{"id":2407,"date":"2009-06-08T00:00:00","date_gmt":"2009-06-08T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost\/wordpress\/2009\/06\/portuguese-cuba-realiza-jornada-contra-homofobia-com-apoio-governamental\/"},"modified":"2009-06-08T00:00:00","modified_gmt":"2009-06-08T00:00:00","slug":"portuguese-cuba-realiza-jornada-contra-homofobia-com-apoio-governamental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2009\/06\/portuguese-cuba-realiza-jornada-contra-homofobia-com-apoio-governamental\/","title":{"rendered":"(PORTUGUESE)  CUBA REALIZA JORNADA CONTRA HOMOFOBIA, COM APOIO GOVERNAMENTAL"},"content":{"rendered":"<p>Quase 50 anos depois do triunfo da Revolu&ccedil;&atilde;o Cubana, as minorias sexuais come&ccedil;am a sentir pela primeira vez que sua voz &eacute; ouvida e que podem encontrar um espa&ccedil;o para come&ccedil;ar a avan&ccedil;ar at&eacute; uma sociedade mais justa e inclusiva.<\/p>\n<p>&quot;Sempre quis ser parte de tudo isso. N&atilde;o recordo quantas vezes disse a minha m&atilde;e: &#8216;eu vou fazer a revolu&ccedil;&atilde;o&#8217;&quot;, disse M&oacute;nica, uma jovem cubana que em dezembro se uniu simbolicamente com sua parceira, Elizabeth, no p&aacute;tio do governamental Centro Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o Sexual (Cenesex).<\/p>\n<p>Danilo Rivero, que viajou 100 Km para assistir &agrave; celebra&ccedil;&atilde;o em Havana do Dia Internacional de Luta contra a Homofobia, assegurou que nunca pensou que chegaria o momento em que em seu pa&iacute;s &quot;daria ao homossexual o lugar do ser humano&quot;.<\/p>\n<p>&quot;Sou muito cubano, cuban&iacute;ssimo, n&atilde;o deixo minha terra por nada no mundo. Mas aos meus 53 anos posso dizer que tenho sofrido intensamente. N&atilde;o quero fazer den&uacute;ncias porque j&aacute; &eacute; passado&quot;, comentou Rivero, que h&aacute; 35 anos deixou a &aacute;rea de educa&ccedil;&atilde;o para empregar-se em uma empresa produtiva aonde ainda trabalha.<\/p>\n<p>M&oacute;nica, Elizabeth e Danilo foram apenas tr&ecirc;s das centenas de pessoas que compareceram &agrave; atividade central da jornada nacional cubana contra a homofobia que busca impulsionar um conjunto de iniciativas que se estender&atilde;o por todo o ano.<\/p>\n<p>O verdadeiro boom informativo nos &uacute;ltimos dias &eacute; um feito sem precedentes neste pa&iacute;s, com 11,2 milh&otilde;es de habitantes e essencialmente machista, onde at&eacute; h&aacute; pouco tempo ser homosexual era um argumento suficiente para n&atilde;o seguir determinadas carreiras universit&aacute;rias, postos de trabalho e cargos de dire&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Ainda que para algumas pessoas jovens &quot;o passado n&atilde;o volta&quot;, n&atilde;o poucos gays e l&eacute;sbicas vivem com a recorda&ccedil;&atilde;o e as feridas dos tempos em que centenas de homosexuais foram levados &agrave;s chamadas Unidades Militares de Apoio &agrave; Produ&ccedil;&atilde;o (UMAP), nos anos 60, ou exclu&iacute;dos dos setores da educa&ccedil;&atilde;o e da cultura, nos 70.<\/p>\n<p>&quot;Estamos dando um grande passo, mas ainda necessitamos tempo, educa&ccedil;&atilde;o e cultura. E n&atilde;o somente falo do heterossexual mas tamb&eacute;m do homossexual que, por tantos anos de discrimina&ccedil;&atilde;o, temos buscado uma maneira de protestar e nos rebelar contra essa viol&ecirc;ncia da qual temos sido v&iacute;timas&quot;, opinou Ernesto Rojas, um core&oacute;grafo de 40 anos.<\/p>\n<p>Programas e an&uacute;ncios emitidos por televis&atilde;o, o cineclube mensal &quot;Diferente&quot;, encontros especializados, pe&ccedil;as teatrais e seriais de r&aacute;dio, complementar&atilde;o nas pr&oacute;ximas semanas e meses o encontro de s&aacute;bado, considerado por muitas pessoas como &quot;um momento hist&oacute;rico&quot; e sem precedentes, por sua abertura ao grande p&uacute;blico.<\/p>\n<p>Esse ato de Havana foi na celebra&ccedil;&atilde;o do Dia Internacional contra a Homofobia foi institu&iacute;do em mem&oacute;ria ao 17 de maio de 1990, quando a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de tirou de sua lista de doen&ccedil;as mentais a homossexualidade e a transexualidade.<\/p>\n<p>A bandeira gay tremulou pela primeira vez, livremente, na entrada de uma institui&ccedil;&atilde;o estatal cubana. Travestis, transexuais, gays, l&eacute;sbicas e bissexuais participaram como expositores nas mesas de debate, junto a autoridades e especialistas. Um transexual contou sua hist&oacute;ria e reclamou seu direito de morrer como homem.<\/p>\n<p>&quot;Estou surpresa. Eu estou com essa sensa&ccedil;&atilde;o desde o primeiro dia, quando n&atilde;o sabia o que ia acontecer. E tem me dado muito gosto a participa&ccedil;&atilde;o das pessoas, muito respeitosa, cuidadosa e sincera.&quot;, comentou.<\/p>\n<p>Mariela Castro, diretora do Cenesex, institui&ccedil;&atilde;o que desde 2004 desenvolve um amplo programa a favor da diversidade sexual em Cuba.<\/p>\n<p>Manuel Hern&aacute;ndez, um especialista vinculado &agrave; preven&ccedil;&atilde;o da AIDS desde 1985, opinou que a celebra&ccedil;&atilde;o demostrou como &quot;&agrave;s vezes, os temores que eles t&ecirc;m quanto as rea&ccedil;&otilde;es da popula&ccedil;&atilde;o e o p&uacute;blico ante determinados temas, s&atilde;o infundados&quot;. &quot;Vivemos uma confronta&ccedil;&atilde;o de opini&otilde;es muito positiva&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>As interven&ccedil;&otilde;es foram desde o questionamiento &agrave; educa&ccedil;&atilde;o sexista at&eacute; o abuso policial que sofrem algumas pessoas somente por sua orienta&ccedil;&atilde;o sexual, aa aus&ecirc;ncia de espa&ccedil;os de encontro gay reconhecidos e respeitados oficialmente e a estigmatiza&ccedil;&atilde;o a qual as l&eacute;sbicas sofrem, inclusive dentro da comunidade homossexual.<\/p>\n<p>&quot;A escola &eacute; o espa&ccedil;o canalizador da homofobia, de fato, a medida em que a crian&ccedil;a &#8216;diferente&#8217; n&atilde;o se encaixa no seu meio&quot;, assegurou Alberto Roque, colaborador do Cenesex, em sua exposi&ccedil;&atilde;o intitulada &quot;Identidade gay e homofobia&quot;.<\/p>\n<p>Contr&aacute;rio &agrave; posi&ccedil;&atilde;o defendida pelo Cenesex ,que defende a cria&ccedil;&atilde;o de lugares inclusivos para evitar guetos, um homossexual prop&ocirc;s um debate sobre a abertura de espa&ccedil;os pr&oacute;prios da comunidade gay que facilitem o encontro e o interc&acirc;mbio livre entre casais do mesmo sexo.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m se exigiu maior agilidade na aprova&ccedil;&atilde;o das uni&otilde;es legais entre pessoas do mesmo sexo e no in&iacute;cio das opera&ccedil;&otilde;es de mudan&ccedil;a de sexo &agrave;s 28 transexuais que, segundo Castro, j&aacute; integram a lista de pessoas que esperam por esse momento que dever&aacute; mudar suas vidas.<\/p>\n<p>Entre as not&iacute;cias da jornada, a proposta de incluir na reforma do C&oacute;digo de Fam&iacute;lia, vigente em Cuba desde 1975, o direito &agrave; ado&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as por gays e l&eacute;sbicas por casais de gays y l&eacute;sbicas foi eliminada com vistas a agilizar a aprova&ccedil;&atilde;o de outros direitos mais amplos. A medida, no entanto, deve ser reivindicada em um momento mais oportuno.<\/p>\n<p>Sobre a proposta legal em seu conjunto, o presidente do parlamento de Cuba, Ricardo Alarc&oacute;n, assegurou &agrave; imprensa que &quot;h&aacute; uma boa disposi&ccedil;&atilde;o para examin&aacute;-la adequadamente, incorporando todos os crit&eacute;rios, todas as opini&otilde;es&quot;. &quot;Tem que ser necessariamente um esfor&ccedil;o intelectual, de reflex&atilde;o, concertado&quot;, apontou.<\/p>\n<p>&quot;Estes temas t&ecirc;m sido tabu e segue sendo entre muitos e muitas&quot;, reconheceu Alarc&oacute;n, que assistiu, no s&aacute;bado, toda a sess&atilde;o matutina de confer&ecirc;ncias e debates da atividade central do Dia Internacional de Luta contra a Homofobia, que contou com o apoio do Partido Comunista.<\/p>\n<p>Por sua parte, Sandra &Aacute;lvarez, uma psic&oacute;loga que trabalha como editora e jornalista, questionou quanto haver&aacute; que esperar para que as pessoas que tomam decis&otilde;es respondam &agrave;s demandas colocadas por gays, l&eacute;sbicas, travestis e transexuais. Quanto tempo mais ter&atilde;o que esperar? Porque a vida deles est&aacute; passando?&rdquo;, disse.<br \/>&quot;Aqui est&aacute; o exemplo de Juani. Desde 1970 exp&ocirc;s sua problem&aacute;tica, que fez com que toda uma s&eacute;rie de estudos e preocupa&ccedil;&otilde;es fossem abertas e j&aacute; estamos em 2008. Passaram 38 anos desde que Juani deu sua vida para ser estudada&quot;, comentou &Aacute;lvarez sobre o caso de um transexual que contou sua hist&oacute;ria durante a jornada.<\/p>\n<p>&quot;O qu&ecirc; vai acontecer? Teremos que seguir esperando 10, 15, ou 20 anos, para que algu&eacute;m abra tenha um entendimento ou que seja mais sens&iacute;vel?&quot;, acrescentou a psic&oacute;loga.<\/p>\n<p>__________________________<br \/><em><br \/>Tradu&ccedil;&atilde;o: Renato Godoy de Toledo<\/em><br \/><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www3.brasildefato.com.br\/v01\/agencia\/internacional\/a-revolucao-multicolor\" ><br \/>GO TO ORIGINAL &ndash; BRASIL DE FATO<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quase 50 anos depois do triunfo da Revolu&ccedil;&atilde;o Cubana, as minorias sexuais come&ccedil;am a sentir pela primeira vez que sua voz &eacute; ouvida e que podem encontrar um espa&ccedil;o para come&ccedil;ar a avan&ccedil;ar at&eacute; uma sociedade mais justa e inclusiva. &quot;Sempre quis ser parte de tudo isso. 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