{"id":24630,"date":"2013-01-14T12:00:18","date_gmt":"2013-01-14T12:00:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=24630"},"modified":"2013-01-21T06:50:30","modified_gmt":"2013-01-21T06:50:30","slug":"portugues-paises-ricos-perdem-a-maioria-no-pib-mundial-em-2013","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2013\/01\/portugues-paises-ricos-perdem-a-maioria-no-pib-mundial-em-2013\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) Pa\u00edses Ricos Perdem a Maioria no PIB Mundial em 2013"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><i>O ano de 2013 vai marcar um acontecimento hist\u00f3rico. Pela primeira vez na hist\u00f3ria, o Produto Interno Bruto (PIB) dos pa\u00edses em desenvolvimento vai ultrapassar o PIB dos pa\u00edses desenvolvidos, segundo dados do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI).<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">O PIB mundial em 2012 era de 71,3 trilh\u00f5es de d\u00f3lares em d\u00f3lares correntes e de 82,8 trilh\u00f5es de d\u00f3lares internacionais, quando se usa a metodologia do poder de paridade de compra (ppp). As economia avan\u00e7adas (ricas) representavam 50,2% do total da economia mundial com uma popula\u00e7\u00e3o de 1,1 bilh\u00e3o de habitantes e uma renda per capita anual de 40,3 mil d\u00f3lares (ppp). As economias em desenvolvimento representavam 49,8% do PIB mundial, com uma popula\u00e7\u00e3o de 6 bilh\u00f5es de habitantes e uma renda per capita de 7 mil d\u00f3lares (ppp).<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Em 2013 o PIB mundial deve atingir 74,1 trilh\u00f5es de d\u00f3lares correntes e 86,8 trilh\u00f5es de d\u00f3lares internacionais (ppp). As economia avan\u00e7adas devem cair para 49,2% do total da economia mundial com uma popula\u00e7\u00e3o de 1,1 bilh\u00e3o de habitantes. Mas a renda per capita anual deve subir, em valores correntes, para 41,2 mil d\u00f3lares (ppp). As economias em desenvolvimento devem chegar a 50,8% do PIB mundial, com uma popula\u00e7\u00e3o de cerca de 6 bilh\u00f5es de habitantes e uma renda per capita de 7,4 mil d\u00f3lares (ppp).<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Portanto, os pa\u00edses em desenvolvimento (do \u201cSul econ\u00f4mico\u201d) devem aumentar cerca de 1% do PIB mundial no espa\u00e7o de um ano, ultrapassando pela primeira vez os pa\u00edses ricos (do \u201cNorte econ\u00f4mico\u201d) na divis\u00e3o do bolo da economia internacional (\u00e9 o chamado \u201crise of the rest\u201d). Isto acontece porque os pa\u00edses em desenvolvimento, embora muito mais pobres em termos de renda per capita, est\u00e3o apresentando taxas de crescimento anual mais elevadas. Em 2012, o PIB dos pa\u00edses ricos cresceu somente 1,3% e as previs\u00f5es apontam para 1,5% em 2013. No mesmo per\u00edodo o crescimento anual da economia dos pa\u00edses em desenvolvimento deve ficar nas seguintes percentagens: 5,3% em 2012 e 5,6% em 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Aparentemente, o mapa mundi est\u00e1 virando de ponta cabe\u00e7a, com os pa\u00edses em desenvolvimento indo de baixo para cima. Por\u00e9m, alguns autores, mesmo reconhecendo um certo processo de converg\u00eancia, consideram que s\u00e3o poucos os pa\u00edses que est\u00e3o conseguindo avan\u00e7os significativos no longo prazo. Outros tendem a ficar presos na chamada \u201carmadilha da renda m\u00e9dia\u201d. \u00c9 pequeno o n\u00famero de pa\u00edses que se capacitam para sair de um grupo para o outro, mas pelo menos as desigualdades n\u00e3o est\u00e3o aumentando como no s\u00e9culo passado.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Evidentemente, qualquer redu\u00e7\u00e3o das desigualdades de renda entre as regi\u00f5es desenvolvidas e em desenvolvimento \u2013 processo de converg\u00eancia \u2013 \u00e9 uma boa not\u00edcia. A m\u00e9dia da renda dos pa\u00edses ricos tem crescido a um ritmo lento, enquanto a renda m\u00e9dia dos pa\u00edses em desenvolvimento (liderados pela China e um pouco menos pela \u00cdndia) tem crescido a um ritmo bastante acelerado. Neste ritmo, os pa\u00edses em desenvolvimento devem alcan\u00e7ar dois ter\u00e7os do PIB mundial antes de 2030. A OCDE prev\u00ea que, at\u00e9 2025, o PIB (em ppp) da China e da \u00cdndia ir\u00e1 ultrapassar o PIB do G7 (EUA, Jap\u00e3o, Alemanha, Fran\u00e7a, Reino Unido, It\u00e1lia e Canad\u00e1). Contudo, as grandes diferen\u00e7as na renda per capita entre pa\u00edses desenvolvidos e em desenvolvimento, mesmo que em menor dimens\u00e3o, devem continuar ao longo das pr\u00f3ximas d\u00e9cadas e uma parcela grande de pa\u00edses muito pobres continuam sem perspectivas \u00e0 vista.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Do ponto de vista do meio ambiente, o baixo crescimento dos pa\u00edses ricos \u00e9 uma boa noticia, pois j\u00e1 existe um d\u00e9ficit ambiental muito grande entre a pegada ecol\u00f3gica e a biocapacidade das economias avan\u00e7adas. O fim do crescimento econ\u00f4mico nestes pa\u00edses pode contribuir para reduzir as in\u00fameras agress\u00f5es aos ecosistemas naturais e reduzir as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Do ponto de vista da redu\u00e7\u00e3o da pobreza o alto crescimento econ\u00f4mico de alguns pa\u00edses em desenvolvimento pode ser considerado uma boa not\u00edcia. Contudo, o crescimento populacional e econ\u00f4mico dos pa\u00edses em desenvolvimento vai colocar um grande press\u00e3o sobre o meio ambiente. E para agravar a situa\u00e7\u00e3o, diversos pa\u00edses \u2013 como a China \u2013 est\u00e3o transformando suas tradicionais economias agr\u00e1rias e rurais (de baixo consumo) em economias urbano-industriais altamente dependentes de carros e energia f\u00f3ssil, com alto consumo consp\u00edcuo e elevada emiss\u00e3o de gases de efeito estufa.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Esta nova realidade da economia internacional apressa a necessidade de se avan\u00e7ar com as seguintes tarefas mundiais: reduzir os n\u00edveis de pobreza e desigualdade social, proteger a biodiversidade, prosseguir na transi\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica (da alta prole para taxas de fecundidade abaixo do n\u00edvel de reposi\u00e7\u00e3o), garantir a transi\u00e7\u00e3o da matriz energ\u00e9tica (do uso intenso de combust\u00edveis f\u00f3sseis para fontes renov\u00e1veis. limpas e de baixo carbono) e reduzir o n\u00edvel de consumo m\u00e9dio mundial, diminuindo o luxo e o lixo.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">______________________<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><em>Jos\u00e9 Eust\u00e1quio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, Doutor em demografia e professor titular do mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ci\u00eancias Estat\u00edsticas \u2013 ENCE\/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em car\u00e1ter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.ecodebate.com.br\/2013\/01\/09\/paises-ricos-perdem-a-maioria-no-pib-mundial-em-2013-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves\/\" >Go to Original \u2013 ecodebate.com.br<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ano de 2013 vai marcar um acontecimento hist\u00f3rico. 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