{"id":248148,"date":"2023-11-13T12:00:05","date_gmt":"2023-11-13T12:00:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=248148"},"modified":"2023-11-11T09:26:45","modified_gmt":"2023-11-11T09:26:45","slug":"portugues-o-genocidio-israelense-suprema-expressao-do-paradigma-moderno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2023\/11\/portugues-o-genocidio-israelense-suprema-expressao-do-paradigma-moderno\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) O Genoc\u00eddio Israelense: Suprema Express\u00e3o do Paradigma Moderno?"},"content":{"rendered":"<p><em>9 nov 2023<\/em> &#8211; Vamos direto ao assunto. A retalia\u00e7\u00e3o do estado de Israel ao ato de terror de sete de outubro perpetrado pelo Hamas, da Faixa de Gaza, foi profundamente desproporcional. Tinha o direito de autodefesa garantido legalmente. Mas a pretexto de ca\u00e7ar e matar terroristas acionaram seu sofisticado arsenal b\u00e9lico. Foram destru\u00eddos centenas de edif\u00edcios, assassinados milhares de inocentes: crian\u00e7as, mulheres e um sem n\u00famero de civis. N\u00e3o se trata de uma guerra, mas de um verdadeiro genoc\u00eddio e limpeza \u00e9tnica como foi denunciado pelo secret\u00e1rio da ONU Ant\u00f3nio Guterres. Ele afirmou \u201cque a Faixa de Gaza se transformou num cemit\u00e9rio de crian\u00e7as\u201d. Hoje j\u00e1 \u00e9 consenso entre os melhores analistas e not\u00e1veis humanistas.<\/p>\n<p>Nenhum \u00f3rg\u00e3o internacional e nenhum pa\u00eds sa\u00edram em defesa dos desesperados palestinos, revelando a completa insensibilidade, particularmente da Uni\u00e3o Europeia, aliada e s\u00facuba dos Estados Unidos da Am\u00e9rica. Imbu\u00edda do esp\u00edrito do poder\/domina\u00e7\u00e3o, nada faz, como se pertencesse \u00e0 guerra, todo tipo de crimes, inclusive o genoc\u00eddio, como durante s\u00e9culos o fizeram mundo afora. O presidente Joe Biden declarou apoio incondicional a Israel, o que equivale a dar carta branca para este fazer uma guerra de\u00a0 autodefesa ilimitada, usando todos os meios. A humanidade est\u00e1 aterrorizada face ao quadro de exterm\u00ednio e de morte na Faixa de Gaza.<\/p>\n<p>Estamos face \u00e0 total irracionalidade e assustadora desumanidade. Por mais que nos custe aceitar, devemos suspeitar, especialmente n\u00f3s que vivemos do Grande Sul, outrora colonizado e hoje submetido \u00e0 \u00a0uma recoloniza\u00e7\u00e3o, que o presente genoc\u00eddio estaria inscrito no DNA ocidental moderno e mundializado.<\/p>\n<p>Este perdura j\u00e1 h\u00e1 s\u00e9culos e \u00e9 ainda vigente. Por que este questionamento t\u00e3o duro?<\/p>\n<p>Sigam o seguinte racioc\u00ednio: qual \u00e9 o sonho maior e a grande utopia que davam e d\u00e1 ainda sentido ao mundo moderno j\u00e1 h\u00e1 mais de tr\u00eas s\u00e9culos? Era e continua sendo o desenvolvimento ilimitado, a vontade de poder como domina\u00e7\u00e3o sobre os outros, as classes, as terras a conquistar, sobre outras na\u00e7\u00f5es, sobre a natureza, a mat\u00e9ria at\u00e9 o \u00faltimo topquark e a pr\u00f3pria vida no seu derradeiro gene e sobre toda a natureza nos seus biomas e em sua biodiversidade. A centralidade \u00e9 ocupada exclusivamente pela raz\u00e3o. S\u00f3 \u00e9 aceito o que passar por seus crit\u00e9rios. Mais que o \u201c<em>cogito, ergo sum<\/em>\u201d (penso, logo sou) de Descartes \u00e9 o \u201c<em>conquero, ergo sum<\/em>\u201d(conquisto, logo sou) de Hernan Cortez, conquistador e destruidor do M\u00e9xico que expressa a din\u00e2mica da modernidade.<\/p>\n<p>Os Papas da \u00e9poca: Nicolau V (1447-1455) e Alexandre VI (1492-1503) conferiram legitima\u00e7\u00e3o divina ao esp\u00edrito de domina\u00e7\u00e3o dos europeus. Em nome de Deus, concederam \u00e0s pot\u00eancias coloniais da \u00e9poca, aos reis de Espanha e de Portugal \u201c<em>a faculdade plena e livre para invadir, conquistar, combater, vender e submeter os pag\u00e3os e se apropriar e aplicar para uso e utilidade sua, a reinos, dom\u00ednios, possess\u00f5es e bens deles descobertos e a descobrir\u2026 pois \u00e9 obra bem aceita pela divina Majestade que se abatam as na\u00e7\u00f5es b\u00e1rbaras e sejam reduzidas \u00e0 f\u00e9 crista\u201d\u00a0<\/em>(Paulo Suess,\u00a0<em>A conquista espiritual da Am\u00e9rica Espanhola<\/em>, documentos, Petr\u00f3polis: Vozes, 1992, p.227).<\/p>\n<p>Francis Bacon e Ren\u00e9 Descartes, entre outros fundadores do paradigma da modernidade, n\u00e3o pensavam outra coisa que os Papas: o ser humano deve ser \u201cmestre e dono da natureza\u201d que n\u00e3o possui prop\u00f3sito nenhum, pois, \u00e9 apenas uma mera coisa extensa (\u201c<em>res extensa\u201d<\/em> de Descartes) colocada \u00e0 nossa disponibilidade. Deve-se \u201cmeter a natureza numa cama de for\u00e7a, pression\u00e1-la para que entregue seus segredos; devemos coloc\u00e1-la a nosso servi\u00e7o como uma escrava\u201d (Francis Bacon).<\/p>\n<p>Para que tudo isso? Para nos desenvolvermos e sermos felizes, pretendiam! A ci\u00eancia e a t\u00e9cnica, a tecnocracia, foram e ainda s\u00e3o os grandes instrumentos do projeto de domina\u00e7\u00e3o. Para submeter \u00e0 domina\u00e7\u00e3o, tinham que desqualificar os submetidos e colonizados: est\u00e3o mais do lado dos animais do que dos humanos, s\u00e3o sub-humanos. Recordemos a famosa discuss\u00e3o do grande Bartolomeu de Las Casas com Sep\u00falveda, o educador dos\u00a0 reis espanh\u00f3is. Este \u00faltimo sustentava que os povos origin\u00e1rios da Am\u00e9rica Latina n\u00e3o eram humanos e duvidava que possu\u00edssem raz\u00e3o. Algo parecido afirmou o ministro da Defesa israelense, Y. Gallant\u00a0acerca dos terroristas de Gaza: s\u00e3o \u201canimais-humanos e como tais devem ser tratados\u201d. Os nazistas comparavam os judeus a ratos a serem erradicados.<\/p>\n<p>O homem ocidental europeu, filho do paradigma do poder\/domina\u00e7\u00e3o, possui imensa dificuldade de conviver com o diferente. A estrat\u00e9gia costumeira \u00e9 marginaliza-lo ou incorpor\u00e1-lo ou eventualmente, elimin\u00e1-lo. Nesta vis\u00e3o de mundo deve-se sempre definir quem \u00e9 amigo e quem \u00e9 inimigo. A este cabe difamar, combater e liquidar (o jurista de Hitler, Carl Schmitt). N\u00e3o admira que os europeus cristianizados produzissem as principais guerras no continente ou nas col\u00f4nias, causando mais de 200 milh\u00f5es de mortos. Seu cristianismo foi apenas um ornato cultural, nunca uma inspira\u00e7\u00e3o do Nazareno para uma rela\u00e7\u00e3o fraterna e para uma \u00e9tica humanit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Todos, com raz\u00e3o, se horrorizam com o Holocausto que levou seis milh\u00f5es de judeus \u00e0s c\u00e2maras de g\u00e1s dos nazistas. Mas vejamos o pavoroso Holocausto ocorrido na Am\u00e9rica Latina (Abya-Yala na linguagem dos povos centro-americanos). No esp\u00edrito de conquista-domina\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina, entre os anos de 1492-1532 e nos USA a partir de 1607, os\u00a0 colonizadores europeus cometeram o \u00a0maior exterm\u00ednio jamais feito: os mortos por doen\u00e7as dos brancos ou mortos em guerras, algumas de exterm\u00ednio total como em Haiti, foram cerca de 61 milh\u00f5es de representantes dos povos origin\u00e1rios: do Caribe (4 milh\u00f5es), do M\u00e9xico (23 milh\u00f5es), dos Andes (14 milh\u00f5es), do Brasil (4 \u00a0milh\u00f5es) e dos Estados Unidos (16 milh\u00f5es). \u00c9 o que comprova a pesquisa mais recente de Marcelo Grondin e Moema Viezzer,<em>Abya Yala: genoc\u00eddio, resist\u00eancia e sobreviv\u00eancia dos povos origin\u00e1rios das Am\u00e9ricas<\/em>\u201d (Rio de Janeiro: Ed. Bambual, 2021). Este nosso Holocausto, segundo o historiador e fil\u00f3sofo alem\u00e3o Oswald Spengler (1880-1936), deslegitima qualquer credibilidade aos europeus e \u00e0 Igreja \u00a0associada ao projeto colonial, de falar em dignidade humana e em seus direitos. \u00a0Matou-se com a espada e com a cruz.<\/p>\n<p>\u00c0 base deste tipo de domina\u00e7\u00e3o surgiu\u00a0o capitalismo anglo-ssx\u00e3o hoje mundializado, como modo de produ\u00e7\u00e3o excludente, sua financeiriza\u00e7\u00e3o atual e sua cultura. \u00c9 crime contra a natureza e contra a humanidade que 8 pessoas individualmente, segundo relat\u00f3rio da Oxfam Internacional de 2022, possuam a mesma riqueza que a metade mais pobre da popula\u00e7\u00e3o mundial. Essa absurda acumula\u00e7\u00e3o tolera que se deixem anualmente morrer de fome ou de doen\u00e7as derivadas da fome, milhares e milhares de crian\u00e7as.<\/p>\n<p>\u00c9 neste contexto,\u00a0penso, que deve se entender o atual genoc\u00eddio perpetrado pelo Estado sionista de Benjamin Netanyahu. Estaria inscrito no DNA do paradigma ocidental? Depois da \u00faltima guerra (1939-1945), constru\u00edram-se armas de destrui\u00e7\u00e3o em massa, a ponto de ter-se criado o princ\u00edpio de autodestrui\u00e7\u00e3o. A raz\u00e3o tornou-se totalmente irracional. A marcha da irracionalidade est\u00e1 tomando conta do curso do mundo para al\u00e9m do que est\u00e1 ocorrendo entre Israel e a Faixa de Gaza. Com lucidez o Papa Francisco em sua enc\u00edclica <em>Como cuidar da Casa Comum\u00a0<\/em>(<em>Laudato Si\u2019\u00a0<\/em>de 2015) viu no paradigma tecnocr\u00e1tico dominante, a raiz da atual e amea\u00e7adora crise ecol\u00f3gica mundial (n.101s).<\/p>\n<p>Qual foi a grande err\u00e2ncia do paradigma da vontade de poder-domina\u00e7\u00e3o? Foi a de colocar\u00a0<em>exclusivamente<\/em>\u00a0todo o peso e todo o valor na raz\u00e3o instrumental-anal\u00edtica. Recalcou as demais formas de conhecimento, exercidas pela humanidade: a sensibilidade, o amor, a raz\u00e3o simb\u00f3lica entre outras. Essa exclus\u00e3o gestou a ditadura da raz\u00e3o. Irrompeu o racionalismo e a dem\u00eancia da raz\u00e3o. Pois, somente uma raz\u00e3o demente pode devastar a Terra, irm\u00e3 e M\u00e3e que tudo nos d\u00e1, a ponto de ela mostrar seus limites intranspon\u00edveis. Pior ainda, a raz\u00e3o enlouquecida criou para si os meios de seu completo exterm\u00ednio.<\/p>\n<p>Mas qual foi a err\u00e2ncia maior? Foi ter recalcado e eliminado a parte mais ancestral e essencial de nossa realidade. Em nome da objetividade do olhar da raz\u00e3o, eliminou a emo\u00e7\u00e3o e o cora\u00e7\u00e3o. Com isso, deslegitimou a nossa dimens\u00e3o de sensibilidade, nossa capacidade de afetos. \u00c9 o cora\u00e7\u00e3o que sente, ama e estabelece la\u00e7os de cuidado para com os outros e para com a natureza. N\u00e3o se ouve o pulsar do cora\u00e7\u00e3o que identifica valores e funda uma \u00e9tica cordial e humanit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Bem dizia o Papa Francisco em sua primeira viagem \u00e0 Lampedusa, para onde chegavam os fugitivos da guerra do Oriente M\u00e9dio ou de \u00c1frica: \u201co homem moderno perdeu a capacidade de chorar e de sentir o outro como seu semelhante\u201d. Pelo fato de Netanyahu e seu governo n\u00e3o reconhecerem humanidade nos \u00a0terroristas do Hamas, decidiu, praticamente, exterminar estes \u00faltimos com os meios letais mais modernos. N\u00e3o chegamos assim ao extremo do paradigma da modernidade? Ela est\u00e1 propensa a deslanchar uma guerra global na qual a humanidade pode desaparecer e grande parte da natureza.<\/p>\n<p>Como sair desse impasse? Antes de mais nada, precisamos resgatar os direitos do cora\u00e7\u00e3o. N\u00e3o basta o\u00a0<em>logos<\/em> (a raz\u00e3o) \u00a0precisamos tamb\u00e9m do\u00a0pathos (o sentimento).\u00a0Devemos nos encher de venera\u00e7\u00e3o face \u00e0 <em>grandeur\u00a0<\/em>do universo e de respeito diante do mist\u00e9rio de cada ser humano, feito irm\u00e3o e irm\u00e3 e companheiro\/a de aventura terrenal. N\u00e3o negamos a raz\u00e3o, necess\u00e1ria para dar conta da complexidade das sociedades contempor\u00e2neas. Mas recusamos o despotismo da raz\u00e3o. \u00a0Esta deve ser enriquecida pela raz\u00e3o sens\u00edvel e cordial. Mente e cora\u00e7\u00e3o unidos podem mutuamente se equilibrar e, destarte, evitar as trag\u00e9dias das guerras e os genoc\u00eddios de nossa sangrenta hist\u00f3ria, particularmente, este que, estarrecidos, estamos vivenciando seja na Terra Santa e, em especial, o genoc\u00eddio cometido na Faixa de Gaza. Que o c\u00e9u ou\u00e7a o choro das crian\u00e7as que sob os escombros perderam pai, m\u00e3e, irm\u00e3os e irm\u00e3s. Fizeram-se sobreviventes da grande tribula\u00e7\u00e3o (cf. Apocalipse 7,14) e nos enchem de compaix\u00e3o.<\/p>\n<p>_________________________________________________<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><em><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/leonardo-boff-e1694576988510.webp\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-242233\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/leonardo-boff-e1694576988510.webp\" alt=\"\" width=\"100\" height=\"100\" \/><\/a> Leonardo Boff \u00e9 um escritor, te\u00f3logo e fil\u00f3sofo brasileiro, professor em\u00e9rito de \u00e9tica e filosofia da religi\u00e3o da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, recebedor do <\/em><strong><em>Pr\u00eamio Nobel Alternativo da Paz<\/em><\/strong><em> do Parlamento sueco [<\/em><strong><em>Right Livelihood Award<\/em><\/strong><em>]em 2001, membro da Iniciativa Internacional da Carta da Terra, e professor visitante em v\u00e1rias universidades estrangeiras como Basel, Heidelberg, Harvard, Lisboa e Salamanca. Expoente da <\/em><u><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Teologia_da_Liberta%C3%A7%C3%A3o\" ><em>Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o<\/em><\/a><\/u><em> no Brasil, foi membro da Ordem dos Frades Menores, mais conhecidos como Franciscanos. \u00c9 respeitado pela sua hist\u00f3ria de defesa pelas causas sociais e atualmente debate tamb\u00e9m quest\u00f5es ambientais. Colunista do <\/em>Jornal do Brasil<em>, escreveu os livros<\/em> Francisco de Assis: Ternura e Vigor, <em>Vozes 2000; <\/em>\u00a0A Terra na palma da m\u00e3o: uma nova vis\u00e3o do planeta e da humanidade<em>,Vozes 2016; <\/em>Cuidar da Terra \u2013 proteger a vida: como escapar do fim do mundo<em>, Record 2010; <\/em><em>A <\/em>hospitalidade: Direito e dever de todos, <em>Vozes 2005<\/em>; Paix\u00e3o de Cristo, Paix\u00e3o do Mundo<em>, Vozes 2001<\/em>; Brasil: Concluir a refunda\u00e7\u00e3o ou prolongar a depend\u00eancia, <em>Vozes 2018; <\/em><em>\u201cDestino e Desatino da Globaliza\u00e7\u00e3o\u201d em<\/em><em>: Do iceberg \u00e0 Arca de No\u00e9,<\/em><em> Mar de Ideias, Rio 2010 pp. 41-63.<\/em><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/leonardoboff.org\/2023\/11\/09\/o-genocidio-israelense-suprema-expressao-do-paradigma-moderno\/\" >Go to Original \u2013 leonardoboff.org<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>9 nov 2023 &#8211; Vamos direto ao assunto. 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