{"id":27392,"date":"2013-04-08T12:00:09","date_gmt":"2013-04-08T11:00:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=27392"},"modified":"2013-04-04T20:54:29","modified_gmt":"2013-04-04T19:54:29","slug":"portugues-os-brics-afiam-suas-garras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2013\/04\/portugues-os-brics-afiam-suas-garras\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) Os BRICS Afiam Suas Garras"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/foto_mat_41084.jpg\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-27395\" alt=\"foto_mat_41084\" src=\"http:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/foto_mat_41084-300x130.jpg\" width=\"300\" height=\"130\" srcset=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/foto_mat_41084-300x130.jpg 300w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/foto_mat_41084.jpg 470w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p><i>Ao se reunirem na \u00c1frica do Sul, os BRICS deram um passo que pode ter dimens\u00f5es geopol\u00edticas: montaram um pacote que prev\u00ea um banco de desenvolvimento, uma alternativa \u00e0s ag\u00eancias de classifica\u00e7\u00e3o de risco e uma op\u00e7\u00e3o ao d\u00f3lar nas transa\u00e7\u00f5es comerciais. <\/i><\/p>\n<p>As not\u00edcias sobre a morte prematura dos BRICS (Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia, China e \u00c1frica do Sul) t\u00eam sido enormemente exageradas. Os meios de comunica\u00e7\u00e3o corporativos ocidentais est\u00e3o cheios de insensatezes semelhantes, perpetradas, neste caso em particular, pelo chefe do Morgan Stanley Investment Management.<\/p>\n<p>A realidade diz outra coisa. A reuni\u00e3o dos BRICS em Durban (\u00c1frica do Sul) desta semana serviu para, entre outros passos, criar sua pr\u00f3pria ag\u00eancia de qualifica\u00e7\u00e3o de risco e deixar \u00e0 margem a ditadura (ou pelo menos as \u201cagendas prejudicadas\u201d, na linguagem diplom\u00e1tica de Nova D\u00e9li) do tipo de Moody\u2019s\/Standard &amp; Poor\u2019s. Tamb\u00e9m impulsionar\u00e3o a ideia do Banco de Desenvolvimento dos BRICS com um capital inicial de 50 bilh\u00f5es de d\u00f3lares (s\u00f3 faltam finalizar os detalhes estruturais) para ajuda a projetos de infraestrutura e de desenvolvimento sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>O que \u00e9 de crucial import\u00e2ncia \u00e9 que os EUA e a Uni\u00e3o Europeia n\u00e3o ter\u00e3o interesses neste Banco do Sul, uma alternativa concreta, impulsionada especialmente pela \u00cdndia e pelo Brasil, ao Banco Mundial dominado pelo ocidente e ao sistema de Bretton Woods.<\/p>\n<p>Como afirmou Jaswant Singh, ministro de finan\u00e7as Indiano, um banco de desenvolvimento assim poderia, por exemplo, canalizar o know-how de Pequim para ajudar a financiar as generalizadas necessidades de infraestrutura da \u00cdndia.<\/p>\n<p>As imensas diferen\u00e7as pol\u00edticas e econ\u00f4micas entre os BRICS s\u00e3o evidentes. Mas \u00e0 medida que se desenvolvem como grupo, o assunto principal n\u00e3o \u00e9 se deveriam proteger a economia global da agora cont\u00ednua crise do capitalismo de cassino avan\u00e7ado.<\/p>\n<p>O principal \u00e9 que, al\u00e9m das medidas para facilitar o com\u00e9rcio m\u00fatuo, suas a\u00e7\u00f5es se tornam certamente cada vez mais pol\u00edticas, j\u00e1 que os BRICS n\u00e3o s\u00f3 desdobram seu poder econ\u00f4mico, mas que tamb\u00e9m d\u00e3o passos concretos que levam a um mundo multipolar. O Brasil \u00e9 particularmente ativo a esse respeito.<\/p>\n<p>Inevitavelmente, os costumeiros fan\u00e1ticos do consenso de Washington n\u00e3o podem \u2013 de maneira m\u00edope \u2013 ver outra coisa al\u00e9m de que os BRICS \u201cdemandam mais reconhecimento por parte das pot\u00eancias ocidentais\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que existem problemas. O crescimento do Brasil, da China e da \u00cdndia escasseou. Enquanto a China, por exemplo, se convertia no principal s\u00f3cio comercial do Brasil (a frente dos EUA), setores completos da ind\u00fastria brasileira sofreram pela competi\u00e7\u00e3o da barata manufatura chinesa.<\/p>\n<p>Mas algumas perspectivas em longo prazo s\u00e3o inevit\u00e1veis. Os BRICS v\u00e3o acabar chegando a ser mais decisivos diante o Fundo Monet\u00e1rio Internacional. E o que \u00e9 fundamental, os BRICS comercializar\u00e3o em suas pr\u00f3prias moedas, incluindo um Yuan globalmente convert\u00edvel, mais longe do d\u00f3lar dos EUA e do petrod\u00f3lar.<\/p>\n<p><b>Essa desacelera\u00e7\u00e3o chinesa<br \/>\n<\/b><br \/>\nFoi Jim U\u2019Neill, do Goldman Sachs quem, em 2001, cunhou o termo BRIC (\u00e0 \u00e9poca a \u00c1frica do Sul n\u00e3o participava). Resulta ilustrativo ver o que pensa agora a respeito.<\/p>\n<p>U\u2019Neill afirma que ainda que a China \u201cs\u00f3\u201dcresceu 7,7% em 2012, \u201cacho que \u00e9 o equivalente a outra economia grega cada onze semanas e meia\u201d. A desacelera\u00e7\u00e3o da China foi \u201cestrutural e c\u00edclica\u201d, uma \u201cqueda planificada\u201d para controlar o reaquecimento e a infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O \u00edmpeto dos BRICS forma parte de uma irresist\u00edvel tend\u00eancia global. A maior parte foi decifrada <a href=\"http:\/\/hdr.undp.org\/en\/\"  target=\"_blank\">aqui<\/a>, em um recente relat\u00f3rio do Programa de Desenvolvimento das Na\u00e7\u00f5es Unidas. O resultado final: o Sul global est\u00e1 ultrapassando o Norte na corrida econ\u00f4mica a uma velocidade vertiginosa.<\/p>\n<p>Seguindo o relat\u00f3rio, \u201cpela primeira vez em 150 anos a produ\u00e7\u00e3o combinada das tr\u00eas principais economias do mundo em desenvolvimento (Brasil, China e \u00cdndia) \u00e9 aproximadamente igual ao PIB combinado das antigas pot\u00eancias industriais do Norte\u201d.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o obvia \u00e9 que, \u201co crescimento do Sul est\u00e1 remodelando radicalmente o mundo do s\u00e9culo XXI, no qual as na\u00e7\u00f5es em desenvolvimento impulsionam o crescimento econ\u00f4mico, arrancam centenas de milh\u00f5es de pessoas da pobreza e impulsionam bilh\u00f5es para uma nova classe media global\u201d.<\/p>\n<p>E justamente em meio deste processo, encontramos uma \u00e9pica euro-asi\u00e1tica: o desenvolvimento da rela\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica entre a R\u00fassia e China.<\/p>\n<p><b>Sempre se trata do Ductist\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>O presidente russo Vladimir Putin n\u00e3o anda com contempla\u00e7\u00f5es: quer conduzir os BRICS a \u201cum mecanismo de coopera\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica completa que nos permita procurar em conjunto solu\u00e7\u00f5es a problemas chave da pol\u00edtica global\u201d.<\/p>\n<p>Isto implicar\u00e1 uma pol\u00edtica exterior comum dos BRICS e n\u00e3o s\u00f3 uma coordena\u00e7\u00e3o seletiva sobre alguns temas. Custar\u00e1 tempo. Ser\u00e1 dif\u00edcil. Putin sabe perfeitamente.<\/p>\n<p>O que o faz ainda mais fascinante \u00e9 que Putin apresentou suas ideias durante a visita de tr\u00eas dias da semana passada a Moscou do novo presidente chin\u00eas Xi Jinping. Fez todo o poss\u00edvel para salientar que as rela\u00e7\u00f5es russo-chinesas s\u00e3o agora \u201cas melhores em sua hist\u00f3ria de s\u00e9culos\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 exatamente o que gostam de escutar os norte-atlanticistas hegem\u00f4nicos, que continuam ansiosos por ver a rela\u00e7\u00e3o nos termos da Guerra Fria.<\/p>\n<p>Xi respondeu com estilo: \u201cN\u00e3o viemos de visita para nada\u201d (tal como se detalha parcialmente <a href=\"http:\/\/www.chinadaily.com.cn\/china\/2013-03\/22\/content_16332318.htm\"  target=\"_blank\">aqui<\/a>). E h\u00e1 que esperar at\u00e9 que o impulso criativo da China comece a dar seus frutos.<\/p>\n<p>Inevitavelmente, o Ductist\u00e3o (o gasoduto Ir\u00e3-Paquist\u00e3o) est\u00e1 no centro da primordial rela\u00e7\u00e3o complementar dos BRICS.<\/p>\n<p>A necessidade de petr\u00f3leo e g\u00e1s russo na China \u00e9 um tema de seguran\u00e7a nacional. A R\u00fassia quer vender mais e mais, diversificando do Ocidente. Tamb\u00e9m a R\u00fassia apreciaria extraordinariamente investimentos chineses em seu extremo Oriente, a imensa regi\u00e3o Transbaikalia.<\/p>\n<p>E a prop\u00f3sito, o \u201cperigo amarelo\u201d n\u00e3o est\u00e1 se apoderando da Sib\u00e9ria, como o Ocidente gostaria. Apenas 300.000 chineses moram na R\u00fassia.<\/p>\n<p>Uma consequ\u00eancia direta da c\u00fapula Putin-Xi \u00e9 que de agora em diante Pequim pagar\u00e1 adiantado o petr\u00f3leo russo em troca de uma participa\u00e7\u00e3o em uma s\u00e9rie de projetos, por exemplo, em uma explora\u00e7\u00e3o conjunta da CNPC e da Rosneft de blocos offshore no Mar de Barents e outros blocos em terra na R\u00fassia.<\/p>\n<p>A Gazprom, por sua parte, fechou um esperado acordo de g\u00e1s com a CNPC: 38 bilh\u00f5es de metros c\u00fabicos por ano entregues pelo gasoduto ESPO da Sib\u00e9ria a partir de 2018. E para o final de 2013 os chineses fechar\u00e3o um contrato com a Gazprom, que envolver\u00e1 a provis\u00e3o de g\u00e1s durante os pr\u00f3ximos 50 anos.<\/p>\n<p>As ramifica\u00e7\u00f5es geopol\u00edticas s\u00e3o imensas. A importa\u00e7\u00e3o de mais g\u00e1s da R\u00fassia ajuda Pequim a escapar gradualmente de seu dilema de Malaca e Ormuz \u2013 para n\u00e3o mencionar a industrializa\u00e7\u00e3o das imensas prov\u00edncias interiores, altamente povoadas e muito dependentes da agricultura, deixadas para tr\u00e1s no auge econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Dessa maneira o g\u00e1s russo se ajusta ao plano mestre do Partido Comunista da China: configurar as prov\u00edncias do interior como uma base de abastecimento para a classe m\u00e9dia chinesa de 400 milh\u00f5es, crescentemente ricos, urbanos, baseados na costa leste.<\/p>\n<p>Quando Putin afirmou que n\u00e3o considera a os BRICS um \u201ccompetidor geopol\u00edtico\u201d com o Ocidente, pronunciou o argumento decisivo: o desmentido oficial que confirma que \u00e9 assim. Durban poder\u00e1 solidificar s\u00f3 o come\u00e7o de uma competi\u00e7\u00e3o semelhante. \u00c9 demais dizer que ainda que as elites ocidentais estejam desaparecidas no estancamento e \u00e0 bancarrota, n\u00e3o permitir\u00e3o que se percam alguns de seus privil\u00e9gios sem um sanguin\u00e1rio enfrentamento.<br \/>\n_______________________<\/p>\n<p><i>Pepe Escobar \u00e9 autor de \u2018Globalistan: How the Globalized World is Dissolving into Liquid War\u2019 (Nimble Books, 2007) e de \u2018Red Zone Blues: a snapshot of Baghdad during the surge\u2019. <\/i><i>Seu livro mais recente \u00e9 \u2018Obama does Globalistan\u2019 (Nimble Books, 2009). Contato: pepeasia@yahoo.com<\/i><\/p>\n<p><i>Tradu\u00e7\u00e3o: Liborio J\u00fanior<\/i><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.cartamaior.com.br\/templates\/materiaMostrar.cfm?materia_id=21822&amp;utm_source=emailmanager&amp;utm_medium=email&amp;utm_campaign=Boletim_Carta_Maior__03042013\" >Go to Original \u2013 cartamaior.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao se reunirem na \u00c1frica do Sul, os BRICS deram um passo que pode ter dimens\u00f5es geopol\u00edticas: montaram um pacote que prev\u00ea um banco de desenvolvimento, uma alternativa \u00e0s ag\u00eancias de classifica\u00e7\u00e3o de risco e uma op\u00e7\u00e3o ao d\u00f3lar nas transa\u00e7\u00f5es comerciais.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-27392","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-original-languages"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27392","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27392"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27392\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27392"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27392"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27392"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}