{"id":27871,"date":"2013-04-15T12:41:38","date_gmt":"2013-04-15T11:41:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=27871"},"modified":"2015-05-06T12:53:14","modified_gmt":"2015-05-06T11:53:14","slug":"portugues-a-guerra-mundial-da-divida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2013\/04\/portugues-a-guerra-mundial-da-divida\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) A Guerra Mundial da D\u00edvida"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/divida_5.jpg\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-27883\" alt=\"divida_5\" src=\"http:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/divida_5-254x300.jpg\" width=\"254\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/divida_5-254x300.jpg 254w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/divida_5.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 254px) 100vw, 254px\" \/><\/a><\/p>\n<p><i>Os dados do Banco de Pagamentos Internacionais levam a duas grandes conclus\u00f5es. A primeira, \u00e9 que o \u00eanfase que se p\u00f5e habitualmente no perigo que acarreta a d\u00edvida p\u00fablica (sem o desprezar) \u00e9 uma cortina de fumo para ocultar o principal cancro que assola a economia capitalista e que \u00e9 a d\u00edvida privada. E a segunda, que este cancro \u00e9 t\u00e3o grande que torna completamente insustent\u00e1vel o sistema.<\/i><\/p>\n<p>No passado dia 18 de mar\u00e7o de 2013, o Banco de Pagamentos Internacionais (BIS &#8211; Bank for International Settlements) atualizou s\u00e9ries hist\u00f3ricas sobre a d\u00edvida privada de quarenta pa\u00edses. Os dados referem-se ao sector privado n\u00e3o financeiro que inclui empresas, fam\u00edlias e institui\u00e7\u00f5es sem fins lucrativos e foram tomados a partir de diferentes anos de partida, segundo os casos, e ap\u00f3s terem sido homogeneizadas as diferentes formas em que as d\u00edvidas foram geradas (a metodologia e os dados de todos os pa\u00edses em formato Excel podem ser acedidos em <a href=\"http:\/\/www.bis.org\/statistics\/credtopriv.htm\"  target=\"_blank\">BIS, Long s\u00e9ries on credit to private non-financial sectors<\/a>).<\/p>\n<p>Surpreendentemente, estes dados t\u00eam passado muito despercebidos nos meios de comunica\u00e7\u00e3o apesar de provocarem calafrios e, pelo menos do meu ponto de vista, levam a duas grandes conclus\u00f5es. A primeira, \u00e9 que o \u00eanfase que se p\u00f5e habitualmente no perigo que acarreta a d\u00edvida p\u00fablica (sem o desprezar) \u00e9 uma cortina de fumo para ocultar o principal cancro que assola a economia capitalista e que \u00e9 a d\u00edvida privada. E a segunda, que este cancro \u00e9 t\u00e3o grande que torna completamente insustent\u00e1vel o sistema, porque este n\u00e3o ser\u00e1 capaz nem de amortiz\u00e1-la nem de a fazer desaparecer graciosamente.<\/p>\n<p>Dos dados que o Banco de Pagamentos Internacionais proporciona para os diferentes pa\u00edses podem extrair-se resultados como os seguintes:<\/p>\n<p>&#8211; A d\u00edvida privada dos Estados Unidos (cujo PIB \u00e9 de 16 bili\u00f5es de d\u00f3lares) era de 24,98 bili\u00f5es de d\u00f3lares (milh\u00f5es de milh\u00f5es) em 30 de setembro de 2012. Segundo os dados do BIS, este volume de d\u00edvida \u00e9 duplo do que tinha h\u00e1 apenas nove anos.<\/p>\n<p>&#8211; A d\u00edvida dos pa\u00edses da zona euro era de 15,70 bili\u00f5es de euros (face a um PIB de 8,7 bili\u00f5es) na mesma data, e tamb\u00e9m duplicou nos \u00faltimos nove anos. O Reino Unido, que tem uma d\u00edvida privada total de 3,1 bili\u00f5es de libras (PIB de 1,4 bili\u00f5es), s\u00f3 precisou de 7 anos para a duplicar.<\/p>\n<p>Por outro lado, os dados mostram que a evolu\u00e7\u00e3o da d\u00edvida na imensa maioria dos pa\u00edses apresenta algumas caracter\u00edsticas comuns:<\/p>\n<p>&#8211; A d\u00edvida privada em rela\u00e7\u00e3o ao PIB tem aumentado extraordinariamente em quase todos os pa\u00edses, de cerca de 50% do PIB nos anos 60 ou 70 do s\u00e9culo passado para 300% ou inclusive mais na atualidade.<\/p>\n<p>&#8211; Ainda que a percentagem que representa o cr\u00e9dito que os bancos proporcionam sobre o total tenha diminu\u00eddo muito, ao longo dos \u00faltimos anos, continua a ter um grande peso juntamente com o que proporcionam outro tipo de entidades financeiras n\u00e3o banc\u00e1rias.<\/p>\n<p>&#8211; Finalmente, os dados do BIS assinalam que o cr\u00e9dito \u00e0s fam\u00edlias, que tradicionalmente era bem mais baixo do que o que recebem as empresas, aumenta muito nos \u00faltimos anos, o que claramente reflete a perda continuada de poder de compra, o que faz com que o recurso ao cr\u00e9dito seja cada vez mais necess\u00e1rio em maior n\u00famero de fam\u00edlias de quase todos os pa\u00edses.<\/p>\n<p>Mas, sem d\u00favida, o que merece uma men\u00e7\u00e3o especial \u00e9 a magnitude da d\u00edvida que se est\u00e1 a acumular e que j\u00e1 \u00e9 materialmente impag\u00e1vel. Isto \u00e9, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma possibilidade de que o sistema a absorva na quantidade imensa que atingiu. N\u00e3o pode haver rendimentos suficientes para a pagar sem que o sistema capitalista colapse.<\/p>\n<p>Seguramente, muitas pessoas pensar\u00e3o que n\u00e3o faz sentido que os bancos e as entidades financeiras em geral continuem a criar constantemente esses volumes t\u00e3o grandes de d\u00edvida, que como temos visto duplicam a cada 7 ou 9 anos, sabendo que n\u00e3o a v\u00e3o cobrar nunca. Mas faz sentido e \u00e9 muito importante conhec\u00ea-lo.<\/p>\n<p>O segredo consiste (como Vicen\u00e7 Navarro e eu explic\u00e1mos no nosso livro \u201cLos a\u00f1os del mundo. Las armas del terrorismo financiero\u201d, Espasa 2012)em que os bancos criam a d\u00edvida a partir do nada, realizando simplesmente meras anota\u00e7\u00f5es contabil\u00edsticas. Portanto, n\u00e3o lhes custa nada cri\u00e1-las. E, no entanto, essa d\u00edvida est\u00e1 associada a juros (isto \u00e9, a uma retribui\u00e7\u00e3o que pagamos aos bancos por nos dar dinheiro que criam a partir do nada), de modo que os bancos t\u00eam sempre um retorno suficiente para obter juros impressionantes e converter-se nos donos do mundo sem necessidade de que lhes seja devolvida a totalidade da d\u00edvida que criaram. S\u00f3 lhes basta emiti-la sem parar.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as aos juros, a d\u00edvida autoalimenta-se: necessita-se cada vez mais d\u00edvida para pagar a d\u00edvida anterior. De facto, a imensa maior parte da d\u00edvida gigantesca que os dados do BIS registam (como a de todos os pa\u00edses) \u00e9 d\u00edvida que foi preciso subscrever para fazer frente \u00e0 d\u00edvida pr\u00e9via que foi criada pelos juros que foi preciso pagar por uma d\u00edvida criada pelos juros de d\u00edvidas anteriores\u2026 e assim sucessivamente, formando-se desse modo a espiral que condena a imensa maioria da humanidade ao empobrecimento.<\/p>\n<p>Na antiguidade as d\u00edvidas eram uma das origens da escravatura. Hoje em dia achamos que j\u00e1 est\u00e1 abolida mas \u00e9 mentira porque a d\u00edvida continua a converter centenas de milh\u00f5es de pessoas e fam\u00edlias em todo mundo numa esp\u00e9cie particular de escravos, escravos de facto. A d\u00edvida tira-lhes a liberdade e condena-os por toda a vida, amarra-nos e converte as sociedades em verdadeiras pris\u00f5es.<\/p>\n<p>A d\u00edvida \u00e9 a forma da nova guerra mundial contra a imensa maioria da humanidade que a banca trava sem a ter declarado.<\/p>\n<p>H\u00e1 que acabar com isso. H\u00e1 que abolir a escravatura da d\u00edvida e sabemos o que h\u00e1 que fazer para isso: principalmente, terminar com o privil\u00e9gio irracional e imoral que permite aos bancos criar dinheiro a partir do nada, cada vez que d\u00e3o um cr\u00e9dito. Isso \u00e9 o que os leva, na sua procura constante do m\u00e1ximo lucro, a pressionar de mil formas para que o modo de produzir e a nossa forma de consumir dependa total e artificialmente do cr\u00e9dito, que \u00e9 o seu neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>___________________________<\/p>\n<p><i>Juan Torres L\u00f3pez<\/i><i>, Catedr\u00e1tico de Economia Aplicada da Universidade de M\u00e1laga (Espanha). Conselho Cient\u00edfico de Attac-Espanha. A sua p\u00e1gina web \u00e9: www.juantorreslopez.com.<\/i><\/p>\n<p><i>Artigo publicado a 22 de mar\u00e7o [2013] em P\u00fablico.es e dispon\u00edvel em <\/i><i><a href=\"http:\/\/juantorreslopez.com\/\"  target=\"_blank\">juantorreslopez.com<\/a><\/i><i>. Tradu\u00e7\u00e3o de Carlos Santos para esquerda.net.<\/i><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.esquerda.net\/artigo\/guerra-mundial-da-d%C3%ADvida\/27458\" >Go to Original \u2013 esquerda.net<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No passado dia 18 de mar\u00e7o de 2013, o Banco de Pagamentos Internacionais (BIS &#8211; Bank for International Settlements) atualizou s\u00e9ries hist\u00f3ricas sobre a d\u00edvida privada de quarenta pa\u00edses. 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