{"id":2876,"date":"2009-10-03T00:00:00","date_gmt":"2009-10-03T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost\/wordpress\/2009\/10\/portuguese-mafias-farmaceuticas\/"},"modified":"2009-10-03T00:00:00","modified_gmt":"2009-10-03T00:00:00","slug":"portuguese-mafias-farmaceuticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2009\/10\/portuguese-mafias-farmaceuticas\/","title":{"rendered":"(PORTUGUESE)  M\u00c1FIAS FARMACEUTICAS"},"content":{"rendered":"<p><em>Pouqu&iacute;ssimos meios de comunica&ccedil;&atilde;o comentaram. A opini&atilde;o p&uacute;blica n&atilde;o foi alertada. E, entretanto, as preocupantes conclus&otilde;es do Informe final1 publicado pela Comiss&atilde;o Europeia, no dia 8 de Julho, sobre os abusos em mat&eacute;ria de competi&ccedil;&atilde;o no sector farmac&ecirc;utico, merecem ser conhecidas pelos cidad&atilde;os e amplamente divulgadas.<\/em> <\/p>\n<p>O que diz esse Informe? Em s&iacute;ntese? Que, no com&eacute;rcio de medicamentos, a competi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o est&aacute; a funcionar, e que os grandes grupos farmac&ecirc;uticos recorrem a todo tipo de jogo sujo para impedir a chegada ao mercado de medicamentos mais eficazes e, sobretudo, para desqualificar os gen&eacute;ricos, muito mais baratos. <\/p>\n<p>Consequ&ecirc;ncia: o atraso no acesso do consumidor aos gen&eacute;ricos traduz-se em importantes perdas financeiras, n&atilde;o apenas para os pr&oacute;prios pacientes, mas para a Seguran&ccedil;a Social a cargo do Estado (ou seja, os contribuintes). Isto tamb&eacute;m oferece argumentos aos defensores da privatiza&ccedil;&atilde;o dos Sistemas P&uacute;blicos de Sa&uacute;de, acusados de serem fossos de d&eacute;fices no or&ccedil;amento dos Estados. <\/p>\n<p>Os gen&eacute;ricos s&atilde;o medicamentos id&ecirc;nticos &#8211; quanto aos princ&iacute;pios activos, dosagem, f&oacute;rmula farmac&ecirc;utica, seguran&ccedil;a e efic&aacute;cia &#8211; aos medicamentos originais produzidos com exclusividade pelos grandes monop&oacute;lios. O per&iacute;odo de exclusividade e protec&ccedil;&atilde;o da patente do rem&eacute;dio original vence ap&oacute;s uma dezena de anos, quando ent&atilde;o outros fabricantes t&ecirc;m direito de produzir os gen&eacute;ricos, que custam cerca de 40% mais barato. <\/p>\n<p>A Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de (OMS) e a maioria dos governos recomendam o uso de gen&eacute;ricos porque, por seu menor custo, favorecem o acesso equitativo &agrave; sa&uacute;de das popula&ccedil;&otilde;es expostas a doen&ccedil;as evit&aacute;veis2. <\/p>\n<p>O objectivo dos grandes laborat&oacute;rios consiste, por conseguinte, em retardar, por todos os meios poss&iacute;veis, a data de vencimento do per&iacute;odo de protec&ccedil;&atilde;o da patente. O mercado mundial de medicamentos representa cerca de 700.000 milh&otilde;es de euros3; e uma dezena de empresas gigantescas, entre elas as chamadas &quot;Big Pharma&quot; &#8211; Bayer, GlaxoSmithKline (GSK), Merk, Novartis, Pfizer, Roche, Sanofi-Aventis -, controlam metade desse mercado. <\/p>\n<p>Os seus lucros s&atilde;o superiores aos obtidos pelos poderosos grupos do complexo militar-industrial. Para cada euro investido na fabrica&ccedil;&atilde;o de um medicamento de marca, os monop&oacute;lios ganham mil no mercado4. Al&eacute;m disso, tr&ecirc;s dessas companhias (GSK, Novartis e Sanofi) pretendem ganhar milhares de milh&otilde;es a mais de euros nos pr&oacute;ximos meses gra&ccedil;as &agrave; venda maci&ccedil;a da vacina contra o v&iacute;rus A (H1N1) da nova gripe5. <\/p>\n<p>Essas gigantescas massas de dinheiro d&atilde;o &agrave;s Big Pharma uma pot&ecirc;ncia financeira absolutamente colossal, que usam particularmente para arruinar, mediante m&uacute;ltiplos julgamentos milion&aacute;rios perante os tribunais, modestos fabricantes de gen&eacute;ricos. Os seus inumer&aacute;veis l&oacute;bis tamb&eacute;m fustigam permanentemente o Escrit&oacute;rio Europeu de Patentes (OEP), cuja sede fica em Munique, para retardar a concess&atilde;o de autoriza&ccedil;&otilde;es de entrada de gen&eacute;ricos no mercado. Al&eacute;m disso, realizam campanhas enganosas sobre esses rem&eacute;dios bioequivalentes e assustam os pacientes. <\/p>\n<p>O resultado &eacute; que, segundo o recente Informe divulgado pela Comiss&atilde;o Europeia, os cidad&atilde;os t&ecirc;m de esperar, em m&eacute;dia, sete meses mais do que o normal para ter acesso aos gen&eacute;ricos, o que se traduziu, nos &uacute;ltimos cinco anos, em um gasto extra desnecess&aacute;rio de aproximadamente 3.000 milh&otilde;es de euros para os consumidores e em 20% de aumento para os Sistemas P&uacute;blicos de Sa&uacute;de. <\/p>\n<p>A ofensiva dos monop&oacute;lios farmac&ecirc;utico-industriais n&atilde;o tem fronteiras. Tamb&eacute;m estariam implicados no recente golpe de Estado contra o presidente Manuel Zelaya em Honduras, pa&iacute;s que importa todos os seus medicamentos, produzidos fundamentalmente pelas &quot;Big Parma&quot;. <\/p>\n<p>Desde que Honduras entrou para a Alian&ccedil;a Bolivariana para os Povos da Am&eacute;rica (Alba), em Agosto de 2008, Zelaya negociava um acordo comercial com Havana para importar gen&eacute;ricos cubanos, com a inten&ccedil;&atilde;o de reduzir os gastos de funcionamento dos hospitais p&uacute;blicos de seu pa&iacute;s. E, na Cimeira do dia 24 de Junho, os presidentes da Alba se comprometeram a &quot;rever a doutrina sobre a propriedade industrial&quot;, ou seja, a qualidade de intoc&aacute;vel das patentes em mat&eacute;ria de medicamentos. <\/p>\n<p>Estes dois projectos, que amea&ccedil;avam directamente os seus interesses, levaram os grupos farmac&ecirc;uticos transnacionais a apoiar fortemente movimentos golpistas que derrubaram Zelaya em 28 de Junho daquele m&ecirc;s6. <\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, Barack Obama, desejoso de reformar o sistema de sa&uacute;de dos Estados Unidos, que deixa sem cobertura m&eacute;dica 47 milh&otilde;es de cidad&atilde;os, enfrenta a ira do complexo farmac&ecirc;utico-industrial. Aqui, as quantias em jogo s&atilde;o gigantescas (os gastos com sa&uacute;de representam o equivalente a 18% do PIB) e controladas por um vigoroso l&oacute;bi de interesses privados que re&uacute;ne, al&eacute;m das Big Pharma, as grandes companhias de seguro e todo o sector de cl&iacute;nicas e hospitais privados. <\/p>\n<p>Nenhum desses actores quer perder os seus opulentos privil&eacute;gios. Por isso, apoiando-se nos grandes meios de comunica&ccedil;&atilde;o mais conservadores e no Partido Republicano, est&atilde;o a gastar dezenas de milh&otilde;es de d&oacute;lares em campanhas de desinforma&ccedil;&atilde;o e de cal&uacute;nias contra a necess&aacute;ria reforma do sistema de sa&uacute;de. <\/p>\n<p>&Eacute; uma batalha crucial. E seria dram&aacute;tico ver as m&aacute;fias farmac&ecirc;uticas ganharem. Porque ent&atilde;o redobrariam os esfor&ccedil;os para atacar, na Europa e no resto do mundo, o avan&ccedil;o dos medicamentos gen&eacute;ricos e a esperan&ccedil;a de alguns sistemas de sa&uacute;de menos caros e mais solid&aacute;rios. <\/p>\n<p>1 http:\/\/ec.europa.eu\/competition\/sectors\/pharmaceuticals\/inquiry\/index.html. <\/p>\n<p>2 Recordemos que 90% dos gastos da grande ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica para o desenvolvimento de novos medicamentos est&atilde;o destinados a &quot;doen&ccedil;as de ricos&quot;, que atingem apenas 10% da popula&ccedil;&atilde;o mundial. <\/p>\n<p>3 Intercontinental Marketing Services (IMS) Health, 19 de Mar&ccedil;o de 2000. <\/p>\n<p>4 Carlos Machado, &quot;A m&aacute;fia farmac&ecirc;utica. Pior o rem&eacute;dio do que a doen&ccedil;a&quot;, 5 de Mar&ccedil;o de 2007 (http:\/\/www.ecoportal.net\/content\/view\/full\/67184). <\/p>\n<p>5 Leia-se, Ignacio Ramonet, &quot;Os culpados da gripe su&iacute;na&quot;, Le Monde Diplomatique em espanhol, Junho de 2009. <\/p>\n<p>6 Observat&oacute;rio Social Centro-Americano, 29 de Junho de 2009. <\/p>\n<p>____________________________<br \/><em><br \/>Ign&aacute;cio Ramonet &eacute; diretor do Le Monde Diplomatique <\/p>\n<p>Artigo traduzido do espanhol e publicado por IPS\/Envolverde <\/em><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.esquerda.net\/index.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=13609&amp;Itemid=1\" ><br \/>GO TO ORIGINAL &ndash; ESQUERDA.NET<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pouqu&iacute;ssimos meios de comunica&ccedil;&atilde;o comentaram. A opini&atilde;o p&uacute;blica n&atilde;o foi alertada. 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