{"id":28792,"date":"2013-05-20T12:00:42","date_gmt":"2013-05-20T11:00:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=28792"},"modified":"2015-05-06T12:53:04","modified_gmt":"2015-05-06T11:53:04","slug":"portugues-brasil-deveria-seguir-exemplo-chines-defende-economista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2013\/05\/portugues-brasil-deveria-seguir-exemplo-chines-defende-economista\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) Brasil Deveria Seguir Exemplo Chin\u00eas, Defende Economista"},"content":{"rendered":"<p><i>Mark Weisbrot, co-diretor do Center for Economic and Policy Research, de Washington, fala sobre as perspectivas da economia brasileira no atual cen\u00e1rio internacional. Para Weisbrot, Brasil deveria seguir o exemplo da China que fez um gigantesco investimento para manter aquecida a atividade econ\u00f4mica no pa\u00eds. Exatamente o oposto do que faz a Uni\u00e3o Europeia, que, na opini\u00e3o do economista, segue mantendo uma &#8220;demente pol\u00edtica de austeridade&#8221;.<\/i><\/p>\n<p>As \u00faltimas estimativas de crescimento do Brasil acenderam luzes de alarme no governo de Dilma Rousseff. A ind\u00fastria \u00e9 um dos setores mais atingidos com uma queda interanual de 3,3% em mar\u00e7o, o que levou v\u00e1rios analistas a reduzirem as estimativas de crescimento para este ano e o pr\u00f3ximo. A Carta Maior conversou com o co-diretor do heterodoxo <a href=\"http:\/\/www.cepr.net\/\"  target=\"_blank\">Center for Economic and Policy Research<\/a>, de Washington, Mark Weisbrot, para analisar as perspectivas da economia brasileira.<\/p>\n<p><b><i>\u00c9 o terceiro ano em que a economia do Brasil tem um crescimento an\u00eamico. A que se deve isso?<\/i><\/b><\/p>\n<p><b>Mark Weisbrot<\/b>: Toda a Am\u00e9rica Latina est\u00e1 sofrendo o golpe da crise mundial. Essa \u00e9 a realidade. Em seu \u00faltimo informe, o FMI reduziu as expectativas de crescimento para toda a regi\u00e3o. O problema vem dos Estados Unidos, Europa e China. Cabe n\u00e3o esquecer que, at\u00e9 o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, ter indicado que faria tudo o que fosse necess\u00e1rio para salvar o euro, existia o perigo de uma crise financeira mundial como a de 2008. Este p\u00e2nico foi controlado, mas a Europa segue em uma situa\u00e7\u00e3o de recess\u00e3o. Os Estados Unidos est\u00e3o crescendo, mas vive amea\u00e7ado pela restri\u00e7\u00e3o fiscal que o congresso n\u00e3o conseguiu solucionar e que pode apresentar a conta este ano, o que gera muita incerteza. E a China est\u00e1 crescendo muito menos.<\/p>\n<p><b><i>O governo tem buscado separar-se do monetarismo que dominou a pol\u00edtica econ\u00f4mica brasileira desde os anos 90. Com Dilma Rousseff, as taxas de juro ca\u00edram e h\u00e1 uma tentativa de estimular a ind\u00fastria. Mas, no momento, isso n\u00e3o tem dado resultado.<\/i><\/b><\/p>\n<p><b>MW<\/b>: \u00c9 que essas pol\u00edticas levam tempo para surtir efeito. H\u00e1 mais de 20 anos de descuido da ind\u00fastria para dar conta. O crescimento industrial per capita foi de 0,5 anual entre 1990 e 2003. Isso n\u00e3o se resolve da noite para o dia. Mas acredito que a economia vai se recuperar. O investimento terminou em alta em 2012 e o governo tem reservas consider\u00e1veis que pode usar a qualquer momento para estimular sua economia. \u00c9 um debate que tem ocorrido nos Estados Unidos. Lamentavelmente, o governo de Barack Obama preferiu um est\u00edmulo moderado ao inv\u00e9s de implementar o que defendia Christina Romer no conselho de assessores econ\u00f4micos do presidente. Na crise de 2008 e na atual, a China fez um gigantesco investimento para manter a atividade econ\u00f4mica. Exatamente o oposto do que faz a Uni\u00e3o Europeia que segue mantendo uma demente pol\u00edtica de austeridade. Creio que o Brasil deveria seguir o exemplo chin\u00eas.<\/p>\n<p><b><i>No Brasil est\u00e1 claro que, no momento, a magnitude do est\u00edmulo n\u00e3o tem sido suficiente para reverter o caminho da desindustrializa\u00e7\u00e3o nacional que um professor da Universidade de Cambridge, Jos\u00e9 Gabriel Palma, denominou como um dos processos de desindustrializa\u00e7\u00e3o mais extremos do s\u00e9culo passado. Segundo Palma, hoje a ind\u00fastria do Brasil \u00e9 a metade do que era em 1980 em rela\u00e7\u00e3o ao seu Produto Interno Bruto (PIB).<\/i><\/b><\/p>\n<p><b>MW<\/b>: Precisamente por isso mudar esta situa\u00e7\u00e3o levar\u00e1 tempo. A desvaloriza\u00e7\u00e3o do real ajuda, mas n\u00e3o \u00e9 suficiente. Por um lado, porque esta deprecia\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m precisa de tempo para disseminar-se por toda a economia. Por outro, porque tamb\u00e9m \u00e9 preciso uma pol\u00edtica industrial com est\u00edmulo de setores chave e estrat\u00e9gicos. Mas penso que na segunda metade do ano este panorama atual vai mudar.<\/p>\n<p><b><i>Este discreto desempenho atual pode complicar as possibilidades de reelei\u00e7\u00e3o de Dilma Rousseff no pr\u00f3ximo ano?<\/i><\/b><\/p>\n<p><b>MW<\/b>: N\u00e3o. Cabe lembrar que tem havido uma enorme mudan\u00e7a na distribui\u00e7\u00e3o de renda, um aumento de cerca de 28% na renda per capita, desde que o PT est\u00e1 no poder, e uma forte queda no desemprego. Por isso os \u00edndices de aprova\u00e7\u00e3o de Dilma Rousseff s\u00e3o t\u00e3o altos apesar dos problemas econ\u00f4micos. E n\u00e3o esque\u00e7amos que essa melhoria nos n\u00edveis de vida \u00e9 t\u00e3o importante quanto os outros fatores para o crescimento da economia.<\/p>\n<p><b><i>V\u00ea algum sinal de recupera\u00e7\u00e3o na economia mundial daqui at\u00e9 \u00e0s elei\u00e7\u00f5es?<\/i><\/b><\/p>\n<p><b>MW<\/b>: N\u00e3o tenho bola de cristal. Ser tivesse seria milion\u00e1rio (risos&#8230;). No momento, o que vem se observando a cada semana s\u00e3o indicadores diversos. Mas n\u00e3o creio que estejamos avan\u00e7ando para uma nova recess\u00e3o mundial. Na \u00faltima, tivemos gigantescas bolhas especulativas que explodiram ao mesmo tempo. N\u00e3o h\u00e1 nada parecido com isso no horizonte. O que temos hoje \u00e9 uma pol\u00edtica fiscal incorreta em muitos pa\u00edses, em especial na Europa. Mas isso pode ser corrigido e n\u00e3o tem o mesmo impacto. \u00c9 preciso aguardar para ver. H\u00e1 muitos investidores que, estes sim, est\u00e3o apostando que vem a\u00ed uma nova recess\u00e3o mundial.<\/p>\n<p><i>Tradu\u00e7\u00e3o<\/i>: <i>Marco Aur\u00e9lio Weissheimer<\/i><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.cartamaior.com.br\/templates\/materiaMostrar.cfm?materia_id=22023&amp;utm_source=emailmanager&amp;utm_medium=email&amp;utm_campaign=Boletim_Carta_Maior__13052013\" >Go to Original \u2013 cartamaior.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mark Weisbrot, co-diretor do Center for Economic and Policy Research, de Washington, fala sobre as perspectivas da economia brasileira no atual cen\u00e1rio internacional. Para Weisbrot, Brasil deveria seguir o exemplo da China que fez um gigantesco investimento para manter aquecida a atividade econ\u00f4mica no pa\u00eds. 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