{"id":29263,"date":"2013-06-03T12:00:25","date_gmt":"2013-06-03T11:00:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=29263"},"modified":"2015-05-06T12:52:58","modified_gmt":"2015-05-06T11:52:58","slug":"portugues-krugman-o-que-se-esta-a-passar-em-portugal-e-inaceitavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2013\/06\/portugues-krugman-o-que-se-esta-a-passar-em-portugal-e-inaceitavel\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) Krugman: &#8220;O que se est\u00e1 a passar em Portugal \u00e9 inaceit\u00e1vel&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><i>O Pr\u00e9mio Nobel da Economia Paul Krugman considerou hoje [27 maio 2013] que &#8220;o que se est\u00e1 a passar em Portugal (e o que os portugueses est\u00e3o a experienciar) \u00e9 inaceit\u00e1vel&#8221;, sendo vital &#8220;fazer alguma coisa&#8221;. <\/i><i><\/i><\/p>\n<p>No blog que mant\u00e9m no site do jornal \u2018New York Times&#8217;, Paul Krugman dedica hoje <a href=\"http:\/\/www.transcend.org\/tms\/2013\/06\/nightmare-in-portugal\/\" >dois extensos artigos a Portugal<\/a>, onde recorda as suas experi\u00eancias quando visitou Portugal em 1976, a convite do ent\u00e3o governador do Banco de Portugal, Jos\u00e9 Silva Lopes.<\/p>\n<p>&#8220;No Ver\u00e3o de 1976&#8221;, recorda Krugman, vieram a Portugal cinco doutorandos do Massachussetts Institute of Technology (MIT) para dar conselhos ao executivo portugu\u00eas. O Nobel da Economia recorda que, para al\u00e9m de si pr\u00f3prio, integravam ainda o grupo o futuro ministro das Finan\u00e7as Miguel Beleza, bem como tr\u00eas outros economistas norte-americanos que vieram a ter carreiras de renome.<\/p>\n<p>Na altura, diz o economista, &#8220;Portugal era um local interessante de um modo bizarro &#8211; ainda algo ca\u00f3tico depois do golpe de Estado [o 25 de Abril] e a retirada do seu imp\u00e9rio africano&#8221;, estando os hot\u00e9is &#8220;cheios de \u2018retornados'&#8221;. Para Krugman, a Lisboa de ent\u00e3o &#8220;parecia um f\u00f3ssil, como muita da sua apar\u00eancia e infra-estrutura pouco mudada desde o in\u00edcio do s\u00e9culo. A Democracia parecia fr\u00e1gil, embora a verdade era que os \u2018posters&#8217; mao\u00edstas em todo o lado enganavam; a esquerda democr\u00e1tica [o Partido Socialista] tinha ganho [as elei\u00e7\u00f5es] de modo decisivo quando cheg\u00e1mos (embora a televis\u00e3o ainda mostrasse programas sobre tractores da Alemanha de Leste, numa altura em que os cinemas tentavam p\u00f4r-se em dia de uma d\u00e9cada de filmes pornogr\u00e1ficos ocidentais)&#8221;. &#8220;Em suma&#8221;, diz Krugman, &#8220;o pa\u00eds era fascinante, ador\u00e1vel e ainda muito pobre&#8221;.<\/p>\n<p>O economista recorda ent\u00e3o a sua segunda vinda \u00e0 capital portuguesa em 2012, onde se encontrou com o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho e o ministro das Finan\u00e7as V\u00edtor Gaspar.<\/p>\n<p>&#8220;Lisboa foi, para ser franco, um pouco decepcionante: tinha-se tornado numa cidade europeia normal, se bem que encantadora. Mas esta normalidade era, como todos admitimos, uma coisa maravilhosa: Portugal tinha emergido de uma longa e atribulada hist\u00f3ria para se tornar parte da dec\u00eancia b\u00e1sica do modelo social europeu&#8221;, diz o pr\u00e9mio Nobel.<\/p>\n<p>&#8220;Mas agora, tudo isso est\u00e1 sob cerco&#8221;, avisa. Numa an\u00e1lise separada mas escrita quase em simult\u00e2neo, Krugman analisa a situa\u00e7\u00e3o da economia portuguesa, e verifica que o pa\u00eds est\u00e1 a ficar na mesma situa\u00e7\u00e3o que os EUA experimentaram durante a Grande Depress\u00e3o de 1929-1934. O Nobel da Economia avisa que quem quer que esteja a analisar a evolu\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica &#8220;dever\u00e1 focar-se, acima de tudo, sobre como e porqu\u00ea \u00e9 que estamos a permitir que este pesadelo aconte\u00e7a de novo, tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es depois da Grande Depress\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o me digam que Portugal teve m\u00e1s pol\u00edticas no passado e que tem agora profundos problemas estruturais. Claro que tem; como ali\u00e1s toda a gente, e enquanto que os de Portugal poder\u00e3o possivelmente ser piores do que os de alguns outros pa\u00edses, como \u00e9 que pode possivelmente fazer sentido \u2018lidar&#8217; com estes problemas atrav\u00e9s da condena\u00e7\u00e3o ao desemprego de vastos n\u00fameros de pessoas que querem trabalhar?&#8221;, questiona o economista.<\/p>\n<p>Krugman avan\u00e7a, como solu\u00e7\u00e3o para Portugal, uma &#8220;maior infla\u00e7\u00e3o&#8221; nos pa\u00edses do centro da Europa, bem como uma forte &#8220;ajuda da pol\u00edtica or\u00e7amental &#8211; n\u00e3o uma situa\u00e7\u00e3o onde a austeridade nos pa\u00edses perif\u00e9ricos \u00e9 refor\u00e7ada por austeridade nos pa\u00edses do centro&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;O que tem acontecido at\u00e9 agora, contudo, s\u00e3o tr\u00eas anos nos quais a pol\u00edtica europeia se tem focado quase inteiramente nos alegados perigos da d\u00edvida p\u00fablica. Eu n\u00e3o penso que \u00e9 uma perda de tempo discutir como \u00e9 que esse foco err\u00f3neo aconteceu, incluindo o papel desafortunado que foi desempenhado por alguns economistas que t\u00eam feito um \u00f3ptimo trabalho no passado, e que presumivelmente tamb\u00e9m o far\u00e3o no futuro. Mas agora o importante \u00e9 mudar as pol\u00edticas que est\u00e3o a causar este pesadelo&#8221;, argumenta o economista de Princeton.<\/p>\n<p>Krugman sublinha ainda que, por vezes, encontra &#8220;europeus que pensam que as minhas duras cr\u00edticas da \u2018troika&#8217; e das suas pol\u00edticas significa que sou anti-europeu. Pelo contr\u00e1rio: o projecto Europeu, a constru\u00e7\u00e3o da paz, democracia e prosperidade atrav\u00e9s da uni\u00e3o, \u00e9 uma das melhores coisas que alguma vez aconteceu \u00e0 humanidade. E \u00e9 por isso que as pol\u00edticas err\u00f3neas que est\u00e3o a desfazer a Europa s\u00e3o uma trag\u00e9dia t\u00e3o grande&#8221;.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/economico.sapo.pt\/noticias\/o-que-se-esta-a-passar-em-portugal-e-inaceitavel_170066.html\" >Go to Original \u2013 economico.sapo.pt<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Pr\u00e9mio Nobel da Economia Paul Krugman considerou hoje [27 maio 2013] que &#8220;o que se est\u00e1 a passar em Portugal (e o que os portugueses est\u00e3o a experienciar) \u00e9 inaceit\u00e1vel&#8221;, sendo vital &#8220;fazer alguma coisa&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[105,51,55,146,46],"tags":[],"class_list":["post-29263","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nobel-laureates","category-europe","category-capitalism","category-economics","category-original-languages"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29263","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29263"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29263\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29263"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29263"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29263"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}