{"id":30274,"date":"2013-06-17T12:00:48","date_gmt":"2013-06-17T11:00:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=30274"},"modified":"2015-05-06T09:00:16","modified_gmt":"2015-05-06T08:00:16","slug":"portugues-a-verdadeira-agenda-e-os-interesses-da-revista-the-economist","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2013\/06\/portugues-a-verdadeira-agenda-e-os-interesses-da-revista-the-economist\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) A Verdadeira Agenda e os Interesses da Revista &#8220;The Economist&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><i>Que o bra\u00e7o televisivo das empresas de entretenimento e desinforma\u00e7\u00e3o da Globo assuma como suas as provoca\u00e7\u00f5es da The Economist \u00e9 um fato repetido que n\u00e3o merece nenhum coment\u00e1rio novo. O que merece uma men\u00e7\u00e3o \u00e9 o reiterado uso, por parte de seus jornalistas, do adjetivo \u201cprestigiosa\u201d. Na verdade, essa publica\u00e7\u00e3o \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o ideol\u00f3gico e um instrumento pol\u00edtico do capital transnacional que busca ficar com a maior parte dos excedentes da s\u00e9tima economia mundial. O mais recente &#8220;capricho&#8221; da The Economist \u00e9 querer derrubar o ministro [brasileiro] Guido Mantega. <\/i><i><\/i><\/p>\n<p>\u201cNenhuma organiza\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica carece de um conjunto de conte\u00fados para demarcar a agenda (que est\u00e1 ligada a seu pa\u00eds de origem)&#8230;nem a BBC, nem a CNN prejudicariam os interesses nacionais\u201d da Gr\u00e3-Bretanha e dos Estados Unidos, respectivamente, afirmou Liu Chi, editora-chefe da CCTV, a televis\u00e3o estatal da China, que destinou 8,5 bilh\u00f5es de d\u00f3lares para a expans\u00e3o de seu sistema de informa\u00e7\u00f5es destinado especialmente ao p\u00fablico ocidental.<\/p>\n<p>A tese de Liu Chi, sobre o v\u00ednculo umbilical entre grandes meios de comunica\u00e7\u00e3o, de proje\u00e7\u00e3o global, e seus interesses nacionais, \u00e9 perfeitamente aplic\u00e1vel ao influente, mas j\u00e1 n\u00e3o t\u00e3o infal\u00edvel New York Times (que teve a credibilidade arranhada ap\u00f3s seu alinhamento patri\u00f3tico com George W. Bush, na Guerra do Golfo), ao The Wall Street Journal, ao Financial Times e tamb\u00e9m a essa velha dama de ferro do jornalismo, The Economist, que retornou ao centro da agenda noticiosa brasileira com seus disparos dirigidos contra o ministro Guido Mantega.<\/p>\n<p>Ainda que antiga, a revista que este ano celebra seu 170\u00ba anivers\u00e1rio, n\u00e3o perdeu o \u00edmpeto e segue pressionando de modo um tanto imperial as pot\u00eancias emergentes, aqueles pa\u00edses que, em sua opini\u00e3o, precisam receber li\u00e7\u00f5es sobre como superar a idade da barb\u00e1rie econ\u00f4mica (leia-se: populismo, desenvolvimentismo, nacionalismo, intervencionismo, esquerdismo, distribucionismo) para chegar a um estado civilizat\u00f3rio superior: o do livre mercado absoluto.<\/p>\n<p>Por sua f\u00e9 neoliberal (ou liberal, simplesmente), The Economist \u00e0s vezes evoca aquela Margaret Thatcher enlouquecida na \u201cmiss\u00e3o\u201d de impor seu modelo e os interesses representados pelo Partido Conservador, em uma cruzada t\u00e3o exitosa que acabou por deglutir o ide\u00e1rio econ\u00f4mico dos outrora reformistas quadros do Partido Trabalhista, degradados na figura de Tony Blair ao triste papel de mensageiros do dec\u00e1logo neoliberal.<\/p>\n<p>A falecida primeira ministra Thatcher, provinciana e pouco erudita, aplicou na Gr\u00e3 Bretanha a pol\u00edtica mais regressiva desde o p\u00f3s-guerra por meio de reformas (melhor seria cham\u00e1-las de contrarreformas) legislativas e uma repress\u00e3o pinochetista contra os mineiros que tentaram, em v\u00e3o, impor algum freio a sua agenda em defesa de um Estado m\u00ednimo.<\/p>\n<p>Bem escrita, cuidadosa nos adjetivos que usa, editada com maestria, refinada, mordaz e, sobretudo, anglo-sax\u00e3: The Economist \u00e9 um produto de qualidade, muito distinto do \u00e0s vezes vetusto The Wall Street Journal.<\/p>\n<p>Mas essa fleuma n\u00e3o impede que The Economist seja um \u00f3rg\u00e3o ideol\u00f3gico e um instrumento pol\u00edtico com seu programa e seus objetivos, como qualquer meio de comunica\u00e7\u00e3o de porte global. Seu compromisso \u00e9 impor sua agenda radical no debate econ\u00f4mico e aniquilar todo vest\u00edgio do que considera ser populismo estatista.<\/p>\n<p>Seu \u00faltimo capricho, que p\u00f5e a prova sua capacidade de press\u00e3o, parece ser querer derrubar o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em quem detecta um vest\u00edgio do pensamento e da a\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica que julga uma \u201cheran\u00e7a do atraso\u201d: o risco de regressar a uma era pr\u00e9-thatcherista.<\/p>\n<p>Um editor e o colunista de economia do Jornal das Dez, da Globo News, concederam amplo destaque \u00e0s recomenda\u00e7\u00f5es escritas por The Economist em sua \u00faltima edi\u00e7\u00e3o, na qual, com um senso de humor impregnado de desprezo, disse que n\u00e3o recomendar\u00e1 mais a queda de Mantega, sabendo que a presidenta Dilma Rousseff recha\u00e7a imposi\u00e7\u00f5es, como ela mesmo afirmou na c\u00fapula do BRICS realizada na \u00c1frica do Sul, frente a primeira investida da publica\u00e7\u00e3o londrina.<\/p>\n<p>Que o bra\u00e7o televisivo das empresas de entretenimento e desinforma\u00e7\u00e3o da Globo assuma como suas as provoca\u00e7\u00f5es da The Economist \u00e9 um fato repetido que n\u00e3o merece nenhum coment\u00e1rio novo. O que merece uma men\u00e7\u00e3o \u00e9 o reiterado uso, por parte de seus jornalistas, do adjetivo \u201cprestigiosa\u201d.<\/p>\n<p>Como j\u00e1 foi assinalado acima n\u00e3o est\u00e1 em discuss\u00e3o a qualidade dos textos, nem o rigor da informa\u00e7\u00e3o publicada pelo seman\u00e1rio, mas seu principal tra\u00e7o, muito mais que o prest\u00edgio, \u00e9 sua influ\u00eancia, e esta \u00e9 filha da repercuss\u00e3o propagand\u00edstica de seus ataques pol\u00edticos na forma de artigos jornal\u00edsticos.<\/p>\n<p>O que a pol\u00edtica econ\u00f4mica personalizada em Mantega amea\u00e7a, para publica\u00e7\u00f5es como The Economist, Financial Times, The Wall Street Journal e para ag\u00eancias de risco como a Standard and Poors, n\u00e3o s\u00e3o ideias, mas sim a disputa do capital transnacional para ficar com a maior parte dos excedentes da s\u00e9tima economia mundial.<\/p>\n<p>Quando as multinacionais da informa\u00e7\u00e3o, que elevam a The Economist \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de b\u00edblia, demandam \u201cconfiabilidade\u201d e \u201cseguran\u00e7a jur\u00eddica\u201d, na verdade est\u00e3o utilizando um eufemismo para chantagear governos perif\u00e9ricos para que renunciem a toda soberania econ\u00f4mica e eliminem todo tipo de regula\u00e7\u00f5es. O modelo a ser imitado \u00e9 o Chile e, mais recentemente, a Alian\u00e7a para o Pac\u00edfico.<\/p>\n<p>Dessa forma, inventa-se uma esp\u00e9cie de Pensamento \u00danico Econ\u00f4mico, um consenso imposto a for\u00e7a, que n\u00e3o \u00e9 filho da liberdade de express\u00e3o ou do pluralismo, mas sim da imposi\u00e7\u00e3o e dos ataques aos interesses nacionais de pa\u00edses do sul.<\/p>\n<p>Est\u00e1 certo Mantega quando assinala que \u201cThe Economist aposta em uma pol\u00edtica conservadora&#8230;porque critica as pol\u00edticas de est\u00edmulo (\u00e0 produ\u00e7\u00e3o e ao consumo), que \u00e9 uma pol\u00edtica que d\u00e1 resultados, como deram, por exemplo, em 2008\u201d. Na contram\u00e3o do grosso dos economistas, Mantega, n\u00e3o fugiu da pol\u00eamica com a publica\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica, identificando-a como um \u00f3rg\u00e3o alinhado com a direita europeia.<\/p>\n<p>A revista, disparou o ministro brasileiro, \u201cdeve ter a mesma opini\u00e3o que o governo de seu pa\u00eds (Gr\u00e3-Bretanha) e dos estados europeus em geral (cujas pol\u00edticas econ\u00f4micas) que tiveram um resultado o qual n\u00e3o preciso mencionar\u201d. Como era de se esperar, as afirma\u00e7\u00f5es de Mantega n\u00e3o mereceram nenhuma repercuss\u00e3o nos ve\u00edculos de imprensa dominantes em n\u00edvel global, associados em sua maioria ao credo e aos interesses encarnados pela The Economist.<br \/>\n__________________________<\/p>\n<p><i>Dario Pignotti: correspondente, doutor em comunica\u00e7\u00e3o e mestre em rela\u00e7\u00f5es internacionais (@DarioPignotti.<\/i><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.cartamaior.com.br\/templates\/materiaMostrar.cfm?materia_id=22180\" >Go to Original \u2013 cartamaior.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na verdade, essa publica\u00e7\u00e3o \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o ideol\u00f3gico e um instrumento pol\u00edtico do capital transnacional que busca ficar com a maior parte dos excedentes da s\u00e9tima economia mundial. 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