{"id":31752,"date":"2013-07-15T12:00:16","date_gmt":"2013-07-15T11:00:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=31752"},"modified":"2015-05-06T09:00:07","modified_gmt":"2015-05-06T08:00:07","slug":"portugues-as-redes-de-espionagem-secreta-das-democracias-ocidentais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2013\/07\/portugues-as-redes-de-espionagem-secreta-das-democracias-ocidentais\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) As Redes de Espionagem Secreta das Democracias Ocidentais"},"content":{"rendered":"<p>Um momento t\u00e3o marcante de hipocrisia, cinismo, submiss\u00e3o, viola\u00e7\u00e3o do direito internacional, abuso do poder tecnol\u00f3gico e paternalismo ocidental merece um lugar destacado na hist\u00f3ria humana. O epis\u00f3dio infame que fez com que o avi\u00e3o do presidente Evo Morales fosse bloqueado em Viena com base em um rumor infundado lan\u00e7ado pela Espanha, segundo o qual o ex-agente da NSA norteamericana, Edward Snowden, se encontrava a bordo \u00e9 a consequ\u00eancia de uma ca\u00e7ada humana lan\u00e7ada pelo Ocidente em nome de um novo delito: a informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Contra todas as regras internacionais, Fran\u00e7a, It\u00e1lia, Espanha e Portugal negaram o acesso a seus espa\u00e7os a\u00e9reos ao avi\u00e3o presidencial boliviano. Queriam capturar o homem que revelou como Washington, por meio de seu dispositivo Prism, espiona as comunica\u00e7\u00f5es telef\u00f4nicas, os correios eletr\u00f4nicos, as p\u00e1ginas do Facebook, os fax e o Twitter de todo o planeta, inclu\u00eddos os de seus pr\u00f3prios aliados europeus.<\/p>\n<p>Segundo assegura o presidente austr\u00edaco Heinz Fischer em uma entrevista publicada neste domingo pelo jornal Kurier, o avi\u00e3o do presidente boliviano \u201cn\u00e3o foi controlado\u201d. Fischer afirma que \u201cn\u00e3o houve controle cient\u00edfico\u201d. \u201cN\u00e3o havia nenhuma raz\u00e3o para faz\u00ea-lo com base no direito internacional. Um avi\u00e3o presidencial \u00e9 um territ\u00f3rio estrangeiro e n\u00e3o pode ser controlado\u201d.<\/p>\n<p>Os dirigentes europeus s\u00f3 levantaram a voz quando se revelou o alcance massivo do programa de espionagem norteamericano Prism. E se entende por que: poucos dias depois, o jornal franc\u00eas Le Monde contava como a Fran\u00e7a fez o mesmo com seu \u201cBig Brother\u201d nacional. \u201cA totalidade de nossas comunica\u00e7\u00f5es \u00e9 espionada. O conjunto dos email\u2019s, SMS, as chamadas telef\u00f4nicas, os acessos ao Facebook e ao Twitter s\u00e3o conservados durante anos\u201d, escreve o Le Monde.<\/p>\n<p>Em uma entrevista publicada neste fim de semana pelo seman\u00e1rio alem\u00e3o Der Spiegel, Edward Snowden contou que a Ag\u00eancia Nacional de Seguran\u00e7a dos EUA (NSA) \u201ctrabalha lado a lado com os alem\u00e3es e os outros pa\u00edses ocidentais\u201d. O agora ex-agente da NSA detalha que essa espionagem conjunta \u00e9 realizada de maneira que se \u201cpossa proteger os dirigentes pol\u00edticos da indigna\u00e7\u00e3o p\u00fablica\u201d.<\/p>\n<p>Em suma, os \u201caliados\u201d se espionam entre si e, al\u00e9m disso, separadamente, espionam o mundo e quando algu\u00e9m resolve denunciar a ditadura tecnol\u00f3gica universal torna-se um delinquente. Muitos assassinos, genocidas e ladr\u00f5es de seus povos vivem comodamente exilados nos pa\u00edses ocidentais. Os Estados Unidos n\u00e3o negaram abrigo ao ex-presidente boliviano Gonzalo S\u00e1nchez de Lozada, A Fran\u00e7a tampouco fechou as portas ao ex-presidente do Haiti, o traficante de drogas e assassino not\u00f3rio Jean Claude Duvalier, Baby Doc. Mas no caso de Edward Snowden, negou.<\/p>\n<p>O ministro franc\u00eas do Interior, Manuel Vals, disse que, no caso do ex-agente norteamericano solicitar asilo, n\u00e3o era favor\u00e1vel a aceitar o pedido. Snowden teria recebido uma resposta semelhante de mais de 20 pa\u00edses. Com isso, se converteu no terceiro homem da hist\u00f3ria moderna a ganhar a medalha de perseguido por ter alertado o mundo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do pr\u00f3prio Snowden, integra essa galeria Bradley Manning, o soldados estadunidense acusado de ter vazado o maior n\u00famero de documentos da hist\u00f3ria militar dos EUA. Em 2010, Manning trabalhava como analista de dados no Iraque. Entrou em contato com o hacker norteamericano Adri\u00e1n Lamo, a quem disse que estava com uma base de dados que demonstravam \u201ccomo o primeiro mundo explora o terceiro mundo\u201d. Bradley Manning entregou essa base de dados inteira a Julian Assange, que a difundiu atrav\u00e9s do Wikileaks. Alguns dias depois, Lamo denunciou Bradley para o FBI.<\/p>\n<p>Quem tamb\u00e9m pagou por fazer circular informa\u00e7\u00e3o foi o pr\u00f3prio Assange. Protagonista de uma nebulosa hist\u00f3ria de sexo, Assange vive h\u00e1 mais de um ano refugiado na embaixada equatoriana de Londres. Dizer a verdade sobre como somos controlados, enganados, sobre como os imp\u00e9rios assassinam (v\u00eddeo divulgado por Wikileaks sobre o assassinato de civis no Iraque), mutilam e torturam \u00e9 um crime que n\u00e3o autoriza nenhuma toler\u00e2ncia.<\/p>\n<p>O pecado de informar \u00e9 t\u00e3o grande que at\u00e9 a Europa se p\u00f5e de joelhos diante dos Estados Unidos e chega ao c\u00famulo da vergonha que foi bloquear um avi\u00e3o presidencial. E quem participa do compl\u00f4 s\u00e3o as mesmas pot\u00eancias que depois, nas Na\u00e7\u00f5es Unidas, pretendem dar li\u00e7\u00f5es de moral ao mundo. O ministro franc\u00eas de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, Laurent Fabius, e o presidente Fran\u00e7ois Hollande pediram desculpas pelo incidente. Mas o mal estava feito.<\/p>\n<p>Segundo informa\u00e7\u00f5es divulgadas pelo Le Monde, a \u201cordem\u201d de bloquear o avi\u00e3o n\u00e3o veio da presid\u00eancia francesa, mas sim do governo. Fontes do pal\u00e1cio presidencial franc\u00eas e do governo, citadas pela imprensa, asseguram que a decis\u00e3o foi tomada pela diretora adjunta do gabinete do primeiro ministro Jean-Marc Ayrault, Camille Putois. Christophe Chantepy, diretor do gabinete, disse por\u00e9m que \u201cse trata de uma decis\u00e3o governamental\u201d. Houve um erro, como disse Laurent Fabius, e a Fran\u00e7a disse que lamentava por ele.<\/p>\n<p>Nenhuma declara\u00e7\u00e3o pode apagar tremendo papel\u00e3o. O incidente n\u00e3o fez mais do que por em evid\u00eancia a inexist\u00eancia da Europa como entidade aut\u00f4noma e livre e tamb\u00e9m a recoloniza\u00e7\u00e3o do Velho Mundo pelos Estados Unidos. E isso n\u00e3o \u00e9 tudo: assim como ocorre com a norteamericana, as grandes democracias espionam o mundo. Isso foi o que revelou o Le Monde no que diz respeito ao sistema franc\u00eas. Trata-se de um procedimento \u201cclandestino\u201d, escreve o di\u00e1rio, cuja particularidade reside n\u00e3o em explorar o \u201cconte\u00fado\u201d, mas qual a identidade de quem intercambia conversa\u00e7\u00f5es telef\u00f4nicas, mensagens de fax, correios eletr\u00f4nicos, mensagens do Facebook ou Twitter.<\/p>\n<p>Segundo o Le Monde, \u201ca DGSE (servi\u00e7os de intelig\u00eancia) coleta os dados telef\u00f4nicos de milh\u00f5es de assinantes, identifica quem chama e quem recebe a chamada, o lugar, a data, o tamanho da mensagem. O mesmo ocorre com os correios eletr\u00f4nicos (com a possibilidade de ler o conte\u00fado das mensagens), os SMS, os fax. E toda a atividade na internet que transita pelo Google, Facebook, Microsoft, Apple, Yahoo\u201d.<\/p>\n<p>Com esse sistema se consegue desenhar uma esp\u00e9cie de mapa entre pessoas \u201ca partir de sua atividade num\u00e9rica\u201d. Sobre isso, o di\u00e1rio franc\u00eas destaca que \u201ceste dispositivo \u00e9 evidentemente precioso para lutar contra o terrorismo, mas permite espionar qualquer pessoa, em qualquer lugar, em qualquer momento\u201d. A Fran\u00e7a conta com o quinto dispositivo de maior penetra\u00e7\u00e3o inform\u00e1tica do mundo. Seu sistema de espionagem eletr\u00f4nica \u00e9 o mais potente da Europa depois do brit\u00e2nico. A DGSE se move com um or\u00e7amento anual de 600 milh\u00f5es de euros.<\/p>\n<p>Estamos todos conectados. Sem sabe-lo, participamos da irmandade universal dos suspeitos, das pessoas que vivem sob a vigil\u00e2ncia dos Estados, cujas mensagens amorosas ou n\u00e3o s\u00e3o conservadas durante anos. Inocentes enamorados se misturam nas bases de dados com criminosos e ladr\u00f5es, ditadores e financistas corruptos. Pode-se apostar com os olhos fechados que essas \u00faltimas categorias mencionadas viver\u00e3o impunes eternamente.<\/p>\n<p><i>Tradu\u00e7\u00e3o: Marco Aur\u00e9lio Weissheimer<\/i><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.cartamaior.com.br\/templates\/materiaMostrar.cfm?materia_id=22316&amp;utm_source=emailmanager&amp;utm_medium=email&amp;utm_campaign=Boletim_Carta_Maior__09072013\" >Go to Original \u2013 cartamaior.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O epis\u00f3dio infame que fez com que o avi\u00e3o do presidente Evo Morales fosse bloqueado em Viena com base em um rumor infundado lan\u00e7ado pela Espanha, segundo o qual o ex-agente da NSA norteamericana, Edward Snowden, se encontrava a bordo \u00e9 a consequ\u00eancia de uma ca\u00e7ada humana lan\u00e7ada pelo Ocidente em nome de um novo delito: a informa\u00e7\u00e3o. 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