{"id":3182,"date":"2009-11-27T00:00:00","date_gmt":"2009-11-27T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost\/wordpress\/2009\/11\/portuguese-honduras-um-alerta-para-toda-a-esquerda\/"},"modified":"2009-11-27T00:00:00","modified_gmt":"2009-11-27T00:00:00","slug":"portuguese-honduras-um-alerta-para-toda-a-esquerda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2009\/11\/portuguese-honduras-um-alerta-para-toda-a-esquerda\/","title":{"rendered":"(PORTUGUESE) HONDURAS, UM ALERTA PARA TODA A ESQUERDA!"},"content":{"rendered":"<p><em>O resultado das ilegais e ileg&iacute;timas elei&ccedil;&otilde;es de 29 de novembro poder&aacute; alterar de maneira significativa o quadro das lutas sociais e pol&iacute;ticas naquele pa&iacute;s.<br \/><\/em><br \/>Diante da possibilidade de legitima&ccedil;&atilde;o do golpe civil-militar, atrav&eacute;s de uma iniciativa comandada pelo governo dos EUA, com apoio dos governos da Col&ocirc;mbia, Per&uacute; e M&eacute;xico, se aproxima a resolu&ccedil;&atilde;o da crise de Honduras numa perspectiva anti-popular, anti-democr&aacute;tica e contr&aacute;ria aos interesses das massas populares daquele pa&iacute;s. Mas o resultado das ilegais e ileg&iacute;timas elei&ccedil;&otilde;es de 29 de novembro poder&aacute; alterar de maneira significativa o quadro das lutas sociais e pol&iacute;ticas naquele pa&iacute;s. O governo dos EUA afirma que a volta de Zelaya para Honduras, e seu &quot;radicalismo&quot;, geraram mais instabilidade e inseguran&ccedil;a, levando ao fracasso as negocia&ccedil;&otilde;es. Os Estados Unidos j&aacute; articulam uma cis&atilde;o no interior da OEA e ONU, e Col&ocirc;mbia e Peru j&aacute; est&atilde;o dividindo a Unasul. Zelaya e a Frente Nacional de Resit&ecirc;ncia Contra o Golpe de Estado convocam os governos, os organismos internacionais e os povos do mundo a n&atilde;o reconhecerem e n&atilde;o legitimarem as elei&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Em Honduras o voto n&atilde;o &eacute; obrigat&oacute;rio, e em 2005, nas &uacute;ltimas elei&ccedil;&otilde;es presidenciais, cerca de 54% dos eleitores boicotaram, por algum motivo, o processo eleitoral. Se o boicote proposto pela esquerda e pelos movimentos sociais atingir um percentual significativo, as condi&ccedil;&otilde;es para a continuidade da luta de massas ser&atilde;o mais favor&aacute;veis. Mas &eacute; preciso lembrar que essas n&atilde;o ser&atilde;o elei&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas. Todas as armas e meios de repress&atilde;o, persuas&atilde;o, divis&atilde;o e coopta&ccedil;&atilde;o est&atilde;o sendo e ser&atilde;o utilizados. A direita hondurenha acredita que veio para ficar, e se coloca hoje na condi&ccedil;&atilde;o de &quot;vanguarda&quot; do conservadorismo no continente. Al&eacute;m disso, dinheiro n&atilde;o faltar&aacute; aos golpistas, bem como a corrup&ccedil;&atilde;o, a manipula&ccedil;&atilde;o, a multiplica&ccedil;&atilde;o de votos e eleitores, o desaparecimento de urnas, a intimida&ccedil;&atilde;o, a compra de votos, a explora&ccedil;&atilde;o da condi&ccedil;&atilde;o de miserabilidade das massas, tudo isso e muito mais ser&atilde;o parte desse processo.<\/p>\n<p>Infelizmente setores progressistas, com o argumento de que &eacute; preciso ter uma oposi&ccedil;&atilde;o organizada no parlamento, para impedir os golpistas de terem o poder absoluto, insistem em n&atilde;o seguir nem as orienta&ccedil;&otilde;es da Frente de Resist&ecirc;ncia nem as orienta&ccedil;&otilde;es de Zelaya. &Eacute; a esquerda que a direita gosta, e que j&aacute; est&aacute; ajudando a causar cis&otilde;es no interior do movimento de massas. Sacrificam a estrat&eacute;gia e a possibilidade de desencadear grandes transforma&ccedil;&otilde;es sociais por um punhado de votos e de alguns privil&eacute;gios no interior do Estado burgu&ecirc;s.<\/p>\n<p>Fragilidades e ilus&otilde;es<\/p>\n<p>Se queremos fazer uma reflex&atilde;o na perspectiva da classe trabalhadora n&atilde;o podemos alimentar ilus&otilde;es quanto &agrave;s fragilidades presentes da figura de Zelaya e de parte dos setores que o ap&oacute;iam nesta luta leg&iacute;tima pela volta &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de presidente de Honduras. Como j&aacute; disseram, no passado, Caio Prado Jr., Florestan Fernandes e Rui Mauro Marini, em pa&iacute;ses perif&eacute;ricos da Am&eacute;rica Latina a &uacute;nica possibilidade de uma plena e efetiva independ&ecirc;ncia nacional &eacute; atrav&eacute;s de um processo de transi&ccedil;&atilde;o que promova significativas transforma&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas, pol&iacute;ticas e sociais com um car&aacute;ter democr&aacute;tico, popular e antiimperialista, criando assim as condi&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para que a na&ccedil;&atilde;o seja colocada no rumo da constru&ccedil;&atilde;o de novas rela&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o, ou seja, na constru&ccedil;&atilde;o de uma sociedade socialista. Capitalismo dependente e subordinado ou socialismo? Eis a quest&atilde;o.<\/p>\n<p>A possibilidade de um capitalismo aut&ocirc;nomo nunca fez parte da realidade contempor&acirc;nea centro-americana, sendo que, para Honduras e toda a Am&eacute;rica Latina, s&oacute; restam dois caminhos: a exist&ecirc;ncia na condi&ccedil;&atilde;o de submiss&atilde;o\/subordina&ccedil;&atilde;o aos interesses do grande capital, principalmente estadunidense, ou a constru&ccedil;&atilde;o de um processo de ruptura para assegurar a verdadeira soberania e autodetermina&ccedil;&atilde;o, o que ir&aacute; implicar, necessariamente, numa guinada &agrave; esquerda de todo e qualquer governo que tenha isso como um dos objetivos centrais de sua estrat&eacute;gia. Zelaya faz parte de um setor da classe dominante hondurenha que hoje se encontra numa situa&ccedil;&atilde;o de minoria, que n&atilde;o &eacute; a for&ccedil;a hegem&ocirc;nica no interior da sua classe, situa&ccedil;&atilde;o que o empurra para uma posi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica que n&atilde;o &eacute; a mais comum entre os indiv&iacute;duos que s&atilde;o propriet&aacute;rios dos meios de produ&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Parece que Zelaya n&atilde;o demonstra verdadeira disposi&ccedil;&atilde;o de enfrentar at&eacute; as &uacute;ltimas conseq&uuml;&ecirc;ncias os principais inimigos do povo de Honduras e da ALBA-TCP. Suas atitudes indicam mais uma tentativa de buscar um acordo que possibilite a participa&ccedil;&atilde;o dele e de alguns aliados no processo eleitoral visando acumular for&ccedil;a para uma disputa presidencial futura do que algu&eacute;m que estar&aacute; junto com o povo na luta contra o golpe mesmo que isso signifique enfrentar condi&ccedil;&otilde;es bastante desfavor&aacute;veis para defender determinados princ&iacute;pios e levar adiante profundas transforma&ccedil;&otilde;es no pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Que o proletariado e as massas populares de Honduras se preparem, pois o destino de todas as conquistas sociais trazidas pela ALBA-TCP passa, necessariamente, pela forma como ser&aacute; resolvido este conflito. Se no passado os salvadorenhos, nicarag&uuml;enses e guatemaltecos nos ensinaram como enfrentar ditadores e golpistas, talvez estejamos entrando num per&iacute;odo onde esta tarefa ser&aacute; de responsabilidade dos hondurenhos.<br \/><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.brasildefato.com.br\/v01\/agencia\/analise\/honduras-um-alerta-para-toda-a-esquerda\/view\" ><br \/>GO TO ORIGINAL &ndash; BRASIL DE FATO<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O resultado das ilegais e ileg&iacute;timas elei&ccedil;&otilde;es de 29 de novembro poder&aacute; alterar de maneira significativa o quadro das lutas sociais e pol&iacute;ticas naquele pa&iacute;s.Diante da possibilidade de legitima&ccedil;&atilde;o do golpe civil-militar, atrav&eacute;s de uma iniciativa comandada pelo governo dos EUA, com apoio dos governos da Col&ocirc;mbia, Per&uacute; e M&eacute;xico, se aproxima a resolu&ccedil;&atilde;o da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[32],"tags":[],"class_list":["post-3182","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-commentary-archives"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3182","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3182"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3182\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3182"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3182"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3182"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}