{"id":3282,"date":"2009-12-29T00:00:00","date_gmt":"2009-12-29T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost\/wordpress\/2009\/12\/portuguese-o-legado-de-1989-nos-dois-hemisferios\/"},"modified":"2009-12-29T00:00:00","modified_gmt":"2009-12-29T00:00:00","slug":"portuguese-o-legado-de-1989-nos-dois-hemisferios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2009\/12\/portuguese-o-legado-de-1989-nos-dois-hemisferios\/","title":{"rendered":"(PORTUGUESE)  O LEGADO DE 1989 NOS DOIS HEMISF\u00c9RIOS"},"content":{"rendered":"<p><em>O contraste entre a liberta&ccedil;&atilde;o dos sat&eacute;lites da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica e o esmagamento da esperan&ccedil;a nos estados clientes dos EUA &eacute; impressionante e instrutivo &ndash; ainda mais quando ampliamos a perspectiva. <br \/><\/em><br \/>Novembro marcou o anivers&aacute;rio de grandes eventos em 1989: &laquo;o maior ano da hist&oacute;ria do mundo desde 1945&raquo;, como o historiador brit&acirc;nico Timothy Garton Ash o descreve. <\/p>\n<p>Naquele ano, &laquo;tudo mudou&raquo;, escreve Garton Ash. As reformas de Mikhail Gorbachev na R&uacute;ssia e a sua &laquo;impressionante ren&uacute;ncia do uso da for&ccedil;a&raquo; levaram &agrave; queda do Muro de Berlim, em 9 de Novembro &ndash; e &agrave; liberta&ccedil;&atilde;o da Europa Oriental da tirania russa. Os elogios s&atilde;o merecidos, os eventos, memor&aacute;veis. Mas perspectivas alternativas podem ser reveladoras. <\/p>\n<p>A chanceler alem&atilde;, Angela Merkel, forneceu &ndash; sem querer &ndash; uma tal perspectiva, quando apelou a todos n&oacute;s para &laquo;usar este dom inestim&aacute;vel da liberdade para ultrapassar os muros do nosso tempo&raquo;. Uma forma de seguir o seu bom conselho seria desmantelar o muro maci&ccedil;o, superando o muro de Berlim em escala e comprimento, que serpenteia actualmente atrav&eacute;s do territ&oacute;rio da Palestina, em viola&ccedil;&atilde;o do direito internacional. <\/p>\n<p>O &ldquo;muro de anexa&ccedil;&atilde;o&rdquo;, como deveria ser chamado, &eacute; justificado em termos de &ldquo;seguran&ccedil;a&rdquo; &ndash; a racionaliza&ccedil;&atilde;o por defeito para muitas das ac&ccedil;&otilde;es do Estado. Se a seguran&ccedil;a fosse a preocupa&ccedil;&atilde;o, o muro teria sido constru&iacute;do ao longo da fronteira e tornado inexpugn&aacute;vel. O prop&oacute;sito desta monstruosidade, constru&iacute;do com o apoio dos EUA e a cumplicidade europeia, &eacute; permitir que Israel se aposse de valiosa terra palestiniana e dos principais recursos h&iacute;dricos da regi&atilde;o, negando assim qualquer exist&ecirc;ncia nacional vi&aacute;vel &agrave; popula&ccedil;&atilde;o aut&oacute;ctone da antiga Palestina. <\/p>\n<p>Outra perspectiva sobre 1989 vem de Thomas Carothers, um acad&eacute;mico que trabalhou em programas de &ldquo;refor&ccedil;o da democracia&rdquo; na administra&ccedil;&atilde;o do antigo presidente Ronald Reagan. Depois de rever o registo, Carothers concluiu que todos os l&iacute;deres dos EUA foram &laquo;esquizofr&eacute;nicos&raquo; &ndash; apoiando a democracia quando se conforma aos objectivos estrat&eacute;gicos e econ&oacute;micos dos EUA, como nos sat&eacute;lites sovi&eacute;ticos, mas n&atilde;o nos estados clientes dos EUA. <\/p>\n<p>Esta perspectiva &eacute; dramaticamente confirmada pela recente comemora&ccedil;&atilde;o dos acontecimentos de Novembro de 1989. A queda do muro de Berlim foi comemorada com raz&atilde;o, mas houve pouca aten&ccedil;&atilde;o ao que aconteceu uma semana mais tarde: em 16 de Novembro, em El Salvador, o assassinato de seis importantes intelectuais latino-americanos, padres jesu&iacute;tas, juntamente com a sua cozinheira e sua filha, pelo batalh&atilde;o de elite Atlacatl, armado pelos EUA, fresco do treino renovado na Escola de Guerra Especial JFK, em Fort Bragg, Carolina do Norte. <\/p>\n<p>O batalh&atilde;o e seus esbirros j&aacute; tinham compilado um registo sangrento ao longo da terr&iacute;vel d&eacute;cada que come&ccedil;ou em 1980 em El Salvador com o assassinato, praticamente &agrave;s mesmas m&atilde;os, de Dom Oscar Romero, conhecido como &ldquo;a voz dos sem voz&rdquo;. Durante a d&eacute;cada da &ldquo;guerra contra o terrorismo&rdquo; declarada pelo governo Reagan, o horror foi semelhante em toda a Am&eacute;rica Central. <\/p>\n<p>O reinado de tortura, assassinato e destrui&ccedil;&atilde;o na regi&atilde;o deixou centenas de milhares de mortos. O contraste entre a liberta&ccedil;&atilde;o dos sat&eacute;lites da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica e o esmagamento da esperan&ccedil;a nos estados clientes dos EUA &eacute; impressionante e instrutivo &ndash; ainda mais quando ampliamos a perspectiva. <\/p>\n<p>O assassinato dos intelectuais jesu&iacute;tas trouxe praticamente o fim &agrave; &ldquo;teologia da liberta&ccedil;&atilde;o&rdquo;, o renascimento do cristianismo que tinha as suas ra&iacute;zes modernas nas iniciativas do Papa Jo&atilde;o XXIII e do Vaticano II, que ele inaugurou em 1962. O Vaticano II &laquo;deu in&iacute;cio a uma nova era na hist&oacute;ria da Igreja Cat&oacute;lica&raquo;, escreveu o te&oacute;logo Hans Kung. Os bispos latino-americanos adoptaram a &laquo;op&ccedil;&atilde;o preferencial pelos pobres&raquo;. Assim, os bispos renovaram o pacifismo radical do Evangelho que tinha sido posto de lado quando o imperador Constantino estabeleceu o cristianismo como a religi&atilde;o do Imp&eacute;rio Romano &ndash; &laquo;uma revolu&ccedil;&atilde;o&raquo; que, em menos de um s&eacute;culo, transformou &laquo;a igreja perseguida numa &laquo;Igreja perseguidora&raquo;, de acordo com Kung. <\/p>\n<p>No renascimento p&oacute;s-Vaticano II, os sacerdotes latino-americanos, freiras e leigos levaram a mensagem do Evangelho aos pobres e perseguidos, reuniram-nos em comunidades, e encorajaram-nos a tomar o destino nas suas pr&oacute;prias m&atilde;os. A reac&ccedil;&atilde;o a essa heresia foi a repress&atilde;o violenta. No decurso do terror e do massacre, os praticantes da Teologia da Liberta&ccedil;&atilde;o foram o alvo principal. Entre eles est&atilde;o os seis m&aacute;rtires da Igreja, cuja execu&ccedil;&atilde;o h&aacute; 20 anos &eacute; agora comemorada com um sil&ecirc;ncio retumbante, praticamente n&atilde;o quebrado. <\/p>\n<p>No m&ecirc;s passado, em Berlim, os tr&ecirc;s presidentes mais envolvidos na queda do Muro &ndash; George H. W. Bush, Mikhail Gorbachev e Helmut Kohl &ndash; discutiram quem merece cr&eacute;dito. <\/p>\n<p>&laquo;Eu sei agora como o c&eacute;u nos ajudou&raquo;, disse Kohl. George H. W. Bush elogiou o povo da Alemanha Oriental, que &laquo;por muito tempo foi privado dos seus direitos dados por Deus&raquo;. Gorbachev sugeriu que os Estados Unidos precisam da sua pr&oacute;pria Perestroika. <\/p>\n<p>N&atilde;o existem d&uacute;vidas sobre a responsabilidade pela demoli&ccedil;&atilde;o da tentativa de reavivar a igreja do Evangelho na Am&eacute;rica Latina durante a d&eacute;cada de 1980. A Escola das Am&eacute;ricas (desde ent&atilde;o renomeada Instituto do Hemisf&eacute;rio Ocidental para Coopera&ccedil;&atilde;o de Seguran&ccedil;a) em Fort Benning, na Ge&oacute;rgia, que treina oficiais latino-americanos, anuncia orgulhosamente que o Ex&eacute;rcito dos EUA ajudou a &laquo;derrotar a teologia da liberta&ccedil;&atilde;o&raquo; &ndash; assistida, com certeza, pelo Vaticano, utilizando a m&atilde;o suave da expuls&atilde;o e da supress&atilde;o. <\/p>\n<p>A sinistra campanha para reverter a heresia posta em movimento pelo Conc&iacute;lio Vaticano II recebeu uma incompar&aacute;vel express&atilde;o liter&aacute;ria na par&aacute;bola do Grande Inquisidor em Os Irm&atilde;os Karamazov de Dostoievski. <\/p>\n<p>Nessa hist&oacute;ria, situada em Sevilha no &laquo;momento mais terr&iacute;vel da Inquisi&ccedil;&atilde;o&raquo;, Jesus Cristo aparece subitamente nas ruas, &laquo;de mansinho, sem ser observado, e contudo, por estranho que pare&ccedil;a, toda a gente o reconheceu&raquo; e foi &laquo;irresistivelmente atra&iacute;da para ele&raquo;. <\/p>\n<p>O Grande Inquisidor &laquo;ordena aos guardas: Prendam-No e levem-No&raquo; para a pris&atilde;o. L&aacute;, ele acusa Cristo de vir &laquo;prejudicar-nos&raquo; na grande obra de destruir as ideias subversivas de liberdade e comunidade. N&oacute;s n&atilde;o Te seguimos, o Inquisidor admoesta Jesus, mas sim a Roma e &agrave; &laquo;espada de C&eacute;sar&raquo;. Procuramos ser os &uacute;nicos governantes da Terra para que possamos ensinar &agrave; &laquo;fraca e vil&raquo; multid&atilde;o que &laquo;s&oacute; ser&aacute; livre quando renunciar &agrave; sua liberdade para n&oacute;s e se submeter a n&oacute;s&raquo;. Ent&atilde;o, eles ser&atilde;o t&iacute;midos e assustados e felizes. <\/p>\n<p>Assim, amanh&atilde;, diz o inquisidor: &laquo;Devo queimar-Te&raquo;. Por fim, no entanto, o Inquisidor abranda e liberta-&laquo;O nos becos escuros da cidade&raquo;. <\/p>\n<p>Os alunos da Escola das Am&eacute;ricas n&atilde;o praticaram tal miseric&oacute;rdia. <\/p>\n<p>___________________<br \/><em><br \/>Fonte: <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.inthesetimes.com\/article\/5260\/the_legacy_of_1989_in_two_hemispheres\/\" >In These Times<\/a> <\/p>\n<p>Artigo traduzido por Infoalternativa.org. <\/em><br \/><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.esquerda.net\/content\/view\/14759\/1\/\" ><br \/>GO TO ORIGINAL &ndash; ESQUERDA.NET<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O contraste entre a liberta&ccedil;&atilde;o dos sat&eacute;lites da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica e o esmagamento da esperan&ccedil;a nos estados clientes dos EUA &eacute; impressionante e instrutivo &ndash; ainda mais quando ampliamos a perspectiva. 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