{"id":34438,"date":"2013-10-07T12:00:45","date_gmt":"2013-10-07T11:00:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=34438"},"modified":"2015-05-06T08:58:58","modified_gmt":"2015-05-06T07:58:58","slug":"portugues-ninja-um-novo-modelo-de-jornalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2013\/10\/portugues-ninja-um-novo-modelo-de-jornalismo\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) Ninja, Um Novo Modelo de Jornalismo"},"content":{"rendered":"<p>A mesmice da imprensa convencional no Brasil come\u00e7a a ser sacudida pelo fen\u00f4meno Ninja, sigla de Narrativas Independentes, Jornalismo e A\u00e7\u00e3o (no imagin\u00e1rio popular, est\u00e1 associada aos invenc\u00edveis guerreiros nip\u00f4nicos), que pode sinalizar novos rumos para o debate sobre o futuro do jornalismo no pa\u00eds. Isso ficou bastante claro ap\u00f3s o <span style=\"text-decoration: underline;\"><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.observatoriodaimprensa.com.br\/videos\/videosoi\/midia_ninja_no_lsquo_roda_viva_rsquo\" >programa <i>Roda Viva<\/i>(5\/8)<\/a><\/span>, quando dois fundadores do grupo foram intensamente questionados por alguns dos mais experientes jornalistas da imprensa convencional.<\/p>\n<p>As respostas de Bruno Torturra e Pablo Capil\u00e9, durante o programa, e as declara\u00e7\u00f5es dadas \u00e0 BBC, dois dias antes, mostraram que os ninjas, como foram batizados os integrantes do grupo M\u00eddia Ninja, partem de uma mudan\u00e7a radical no conceito de not\u00edcia, o que altera a forma de praticar o jornalismo e se reflete diretamente no modelo de sustentabilidade do projeto.<\/p>\n<p>A proposta \u00e9 muito mais consistente do que estava sendo divulgado, justamente porque at\u00e9 agora a abordagem do <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.facebook.com\/midiaNINJA\" >fen\u00f4meno Ninja<\/a> passava pelo filtro da m\u00eddia convencional, que tendia a mostr\u00e1-los como um modismo. No <i>Roda Viva<\/i>, deu para perceber que, para os ninjas, a not\u00edcia n\u00e3o \u00e9 uma mercadoria, com valor de troca. Depois da internet e do surgimento do fen\u00f4meno da massa de m\u00eddias (o oposto do conceito de m\u00eddia de massa), o valor de uso da not\u00edcia se tornou muito mais importante do que sua capacidade de ser monetizada. [O conceito de massa de m\u00eddias reflete a variedade e quantidade de plataformas e de conte\u00fados disponibilizados pela internet por meio da avalancha informativa. A ideia de m\u00eddias de massa reflete a preocupa\u00e7\u00e3o de cada ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o atingir a maior audi\u00eancia poss\u00edvel.]<\/p>\n<p>A fluidez da not\u00edcia no ambiente digital caracterizado pela interatividade e recombina\u00e7\u00e3o num ambiente de abund\u00e2ncia informativa faz com que o seu valor de uso tamb\u00e9m se torne altamente mut\u00e1vel. A not\u00edcia que \u00e9 importante para mim agora, pode n\u00e3o ser daqui a alguns minutos, quando outra not\u00edcia passa a me interessar mais, ou seja, ter mais valor de uso.<\/p>\n<p>Ao ganhar valor de uso, a not\u00edcia d\u00e1 origem a dois outros processos: a colabora\u00e7\u00e3o e o escambo. A colabora\u00e7\u00e3o \u00e9 a troca do conte\u00fado da not\u00edcia, onde ela ganha mais valor ou relev\u00e2ncia na medida que incorporar mais elementos como causas, consequ\u00eancias, beneficiados e prejudicados. Esses elementos permitem ampliar o interesse direto de uma not\u00edcia para pessoas e comunidades, bem como consolidam a sua credibilidade.<\/p>\n<p>A necessidade da colabora\u00e7\u00e3o cria as condi\u00e7\u00f5es para um jornalismo n\u00e3o competitivo e n\u00e3o exclusivista, voltado mais para a produ\u00e7\u00e3o de conhecimento numa forma estruturada do que para a produ\u00e7\u00e3o industrial de uma <i>commodity<\/i> com valor comercial. A colabora\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 vista por muita gente como algo te\u00f3rico, fruto da imagina\u00e7\u00e3o vanguardista de alguns gurus da era digital. Mas os ninjas est\u00e3o mostrando que a nova l\u00f3gica da not\u00edcia com valor de uso tamb\u00e9m funciona na pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>A parte mais controvertida do projeto Ninja n\u00e3o \u00e9 se eles s\u00e3o a favor ou contra o vandalismo em protestos de rua e nem se s\u00e3o uma linha auxiliar do PT, mas o seu modelo de sustentabilidade. O vandalismo e a partidariza\u00e7\u00e3o do movimento s\u00e3o quase uma obsess\u00e3o para os jornal\u00f5es e para a TV Globo, ainda profundamente impregnados pela dicotomia cl\u00e1ssica que organiza o mundo apenas pela forma simplista do a favor ou contra, do bem contra o mal, do legal contra o ilegal, quando todo mundo sabe que a realidade se mostra cada vez mais complexa.<\/p>\n<p>V\u00e1rios entrevistadores tentaram encurralar os entrevistados dentro da l\u00f3gica do a favor ou contra, mas Torturra e Capil\u00e9 foram r\u00e1pidos no gatilho e desmontaram a falsa isen\u00e7\u00e3o da m\u00eddia convencional ao comentar o contraste entre classificar como quadrilha os envolvidos no esc\u00e2ndalo mensal\u00e3o e de cartel, os acusados de fraudar concorr\u00eancias na constru\u00e7\u00e3o do metr\u00f4 de S\u00e3o Paulo. A roubalheira foi igual, a diferen\u00e7a de termos ficou por conta dos v\u00ednculos partid\u00e1rios dos acusados.<\/p>\n<p>O modelo de sustentabilidade do movimento Ninjase apoia nos coletivos cuja exist\u00eancia se baseia na troca de bens e servi\u00e7os como forma de organizar a sobreviv\u00eancia do projeto. \u00c9 claro que ele tamb\u00e9m precisa de dinheiro porque n\u00e3o vivemos numa sociedade socializada \u2013 e o X da quest\u00e3o est\u00e1 justamente em como conciliar estas duas l\u00f3gicas: a do dinheiro (associado ao valor de troca) com a do escambo\/colabora\u00e7\u00e3o (associada ao valor de uso). No programa <i>Roda Viva<\/i>, Pablo Capil\u00e9 tentou explicar o modelo mas n\u00e3o foi feliz. O tempo era curto demais para sintetizar ideias e propostas que s\u00e3o complexas porque n\u00e3o est\u00e3o baseadas em modelos prontos.<\/p>\n<p>Mas talvez nesse ponto esteja a principal contribui\u00e7\u00e3o que os ninjas podem dar para o debate sobre o futuro do jornalismo, porque a sustentabilidade \u00e9 o grande dilema da profiss\u00e3o. O modelo convencional de neg\u00f3cios n\u00e3o pode funcionar mais porque est\u00e1 baseado na not\u00edcia com valor de troca, algo que est\u00e1 desaparecendo rapidamente como padr\u00e3o hegem\u00f4nico. A not\u00edcia como valor de troca precisa permanecer est\u00e1tica durante um tempo m\u00ednimo para ser comercializada com ganho para quem a produz, coisa que se tornou invi\u00e1vel no ritmo fren\u00e9tico da internet.<\/p>\n<p>Na busca da sustentabilidade no jornalismo, os ninjas ainda v\u00e3o ter que queimar muitos neur\u00f4nios, bem como suportar muitos retrocessos nesse esfor\u00e7o. Mas eles est\u00e3o fazendo muito mais pelo futuro da profiss\u00e3o do que a m\u00eddia convencional, ainda paralisada pela obsess\u00e3o em obstruir a continuidade do PT no Pal\u00e1cio do Planalto.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.observatoriodaimprensa.com.br\/posts\/view\/_1\" >Go to Original \u2013 observatoriodaimprensa.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A mesmice da imprensa convencional no Brasil come\u00e7a a ser sacudida pelo fen\u00f4meno Ninja, sigla de Narrativas Independentes, Jornalismo e A\u00e7\u00e3o. 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