{"id":35782,"date":"2013-11-04T12:00:54","date_gmt":"2013-11-04T12:00:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=35782"},"modified":"2015-05-05T22:21:15","modified_gmt":"2015-05-05T21:21:15","slug":"portugues-a-grecia-e-um-laboratorio-para-aplicar-as-terapias-de-choque-diz-kouvelakis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2013\/11\/portugues-a-grecia-e-um-laboratorio-para-aplicar-as-terapias-de-choque-diz-kouvelakis\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) A Gr\u00e9cia \u00c9 um Laborat\u00f3rio para Aplicar as Terapias de Choque, Diz Kouvelakis"},"content":{"rendered":"<p>Em entrevista \u00e0 Carta Maior, durante o II Congresso Internacional Karl Marx, o fil\u00f3sofo grego Stathis Kouvelakis, dirigente do Syriza (Coliga\u00e7\u00e3o da Esquerda Radical), afirma que a brutalidade das pol\u00edticas de austeridade aplicadas na Gr\u00e9cia \u00e9 superior a dos demais pa\u00edses europeus e que existe uma corrida entre as alternativas progressistas, como a do Syriza, e as solu\u00e7\u00f5es autorit\u00e1rias.<\/p>\n<p>Nenhum pa\u00eds europeu, como a Gr\u00e9cia, teve uma contra\u00e7\u00e3o de 27% desde o in\u00edcio da atual crise, nem reduziu em 40% os custos do trabalho, a cifra assustadora que demonstra o ponto a que chegaram as terapias de choque neoliberais.<\/p>\n<p><b>Disse que a Gr\u00e9cia \u00e9 um caso limite na Europa. Pode explicar?<\/b><\/p>\n<p>O capitalismo na Gr\u00e9cia \u00e9 mais fr\u00e1gil, o n\u00edvel de resist\u00eancia social \u00e0 pol\u00edtica de austeridade foi tamb\u00e9m mais alto, e, por isso, a brutalidade destas pol\u00edticas foi tamb\u00e9m superior. Isto tornou a Gr\u00e9cia num laborat\u00f3rio para a aplica\u00e7\u00e3o da terapia de choque nos pa\u00edses europeus ocidentais avan\u00e7ados. Esta foi a \u00fanica novidade. O que est\u00e1 a acontecer na Gr\u00e9cia \u00e9 muito bem conhecido por algu\u00e9m que venha da Am\u00e9rica Latina, por exemplo, onde o FMI implementou este tipo de pol\u00edticas. A diferen\u00e7a \u00e9 que \u00e9 a primeira vez que s\u00e3o postas em pr\u00e1tica no contexto europeu ocidental.<\/p>\n<p>A Gr\u00e9cia \u00e9 o laborat\u00f3rio em n\u00edvel europeu, e \u00e9 tamb\u00e9m por isso que revela o verdadeiro papel das institui\u00e7\u00f5es europeias e da Uni\u00e3o Europeia, a fun\u00e7\u00e3o do euro e da Zona Euro no contexto atual da financeiriza\u00e7\u00e3o, e tamb\u00e9m a forma como a democracia e os direitos sociais b\u00e1sicos est\u00e3o a ser completamente negados.<\/p>\n<p><b>Este processo levou a uma polariza\u00e7\u00e3o e \u00e0quilo que o senhor caracterizou como o colapso do Estado\u00a0 grego. Quais s\u00e3o as consequ\u00eancias pol\u00edticas?<\/b><\/p>\n<p>S\u00e3o devastadoras. Todo o antigo sistema pol\u00edtico desapareceu, um pouco da forma como o velho sistema pol\u00edtico boliviano ou venezuelano desapareceram depois do choque das reformas neoliberais. Para al\u00e9m disso, h\u00e1 fen\u00f3menos de profunda desintegra\u00e7\u00e3o do Estado, tanto na sua dimens\u00e3o social e dos servi\u00e7os p\u00fablicos, como tamb\u00e9m no n\u00facleo do Estado, incluindo o aparelho repressivo, o pr\u00f3prio Ex\u00e9rcito, que tamb\u00e9m foi atingido pelo atual processo de contra\u00e7\u00e3o da atividade e tamb\u00e9m pelos cortes or\u00e7amentais.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma atmosfera geral de que a autoridade do Estado j\u00e1 n\u00e3o se sustenta, e isto cria situa\u00e7\u00f5es absolutamente explosivas na Gr\u00e9cia. E muito contradit\u00f3rias. Temos as explos\u00f5es de revolta popular e de resist\u00eancia \u2013 assistimos a movimentos que n\u00e3o se viam na Europa desde os anos 1970. H\u00e1 uma radicaliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica tanto na esquerda quanto na direita, e a ascens\u00e3o pela primeira vez, no contexto da Europa ocidental, de um movimento fascista, com apoio real em certos setores da sociedade, e tamb\u00e9m com a capacidade de infiltrar-se em certos setores do Estado, e at\u00e9 da pol\u00edcia, como vimos recentemente.<\/p>\n<p><b>E quanto ao Syriza?<\/b><\/p>\n<p>O Syriza \u00e9 o desembocar de todo este processo de revolta popular, de resist\u00eancia e de recusa da pol\u00edtica de austeridade. \u00c9 a \u00fanica esperan\u00e7a de alternativa progressista que, como sabe, perdeu por pouco as elei\u00e7\u00f5es do ano passado. H\u00e1 duas formas de ver as coisas: o primeiro \u00e9 que j\u00e1 \u00e9 uma grande conquista o fato de aparecer como um s\u00e9rio candidato a chegar ao poder, \u00e9 a primeira vez na Europa do p\u00f3s-guerra que uma for\u00e7a da esquerda radical aparece em posi\u00e7\u00e3o de chegar ao governo; mas, por outro lado, \u00e9 verdade que foi derrotado, apesar de por pouco, e isto teve um efeito desmoralizador para todos os que achavam que tinha chegado o momento de romper com a situa\u00e7\u00e3o atual.<\/p>\n<p>Por isso os tempos s\u00e3o muito duros, porque foram implementadas as mesmas pol\u00edticas, a sociedade est\u00e1 ainda mais traumatizada do que h\u00e1 um ano e meio, os fascistas tornaram-se a terceira for\u00e7a pol\u00edtica do pa\u00eds e penso que, no laborat\u00f3rio grego, existe uma corrida entre as alternativas progressistas, como a do Syriza, ou solu\u00e7\u00f5es extremamente perigosas e autorit\u00e1rias, como as defendidas n\u00e3o s\u00f3 pelos fascistas, mas tamb\u00e9m por todo um setor do Estado e das for\u00e7as pol\u00edticas dominantes que, desesperadas pelo beco sem sa\u00edda a que chegou a situa\u00e7\u00e3o que criaram, s\u00e3o tentadas por um caminho radicalizado e autorit\u00e1rio.<\/p>\n<p><b>Existe a possibilidade de um golpe de Estado?<\/b><\/p>\n<p>N\u00e3o, porque n\u00e3o creio que o problema na Gr\u00e9cia seja o Ex\u00e9rcito. Creio que o que provavelmente chega mais perto disso \u00e9 uma estrat\u00e9gia de tens\u00e3o, na qual setores linha-dura do Estado \u2013 mais na pol\u00edcia e nas for\u00e7as de seguran\u00e7a que no Ex\u00e9rcito \u2013 e setores da elite pol\u00edtica, implementem a sua solu\u00e7\u00e3o autorit\u00e1ria, provavelmente mantendo a fachada do regime parlamentar, elei\u00e7\u00f5es, etc. Mas esse regime seria uma esp\u00e9cie de concha vazia, e no seu lugar ficaria um Estado muito controlado e autorit\u00e1rio, claramente muito diferente do tipo de coisas que vimos at\u00e9 h\u00e1 pouco.<\/p>\n<p><b>Podemos esperar uma futura vit\u00f3ria eleitoral do Syriza?<\/b><\/p>\n<p>Para n\u00f3s, o que \u00e9 absolutamente urgente agora \u00e9 derrubar o atual governo. N\u00e3o podemos esperar pelo processo parlamentar normal. Usamos todas as nossas for\u00e7as para refor\u00e7ar a resist\u00eancia e os movimentos populares, queremos refor\u00e7ar o esp\u00edrito de resist\u00eancia, oferecendo uma alternativa e provocando, o mais cedo poss\u00edvel, novas elei\u00e7\u00f5es com a esperan\u00e7a de que se elas chegarem no contexto de um ascenso do movimento popular, se abra uma nova possibilidade de constituir-se um governo progressista de esquerda. Porque, evidentemente, enfrentaremos uma enorme rea\u00e7\u00e3o tanto interna quanto internacionalmente, e sem mobiliza\u00e7\u00e3o popular n\u00e3o conseguiremos implementar o nosso programa.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.cartamaior.com.br\/?\/Editoria\/Internacional\/A-Grecia-e-um-laboratorio-para-aplicar-as-terapias-de-choque-diz-Kouvelakis\/6\/29348\" >Go to Original \u2013 cartamaior.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nenhum pa\u00eds europeu, como a Gr\u00e9cia, teve uma contra\u00e7\u00e3o de 27% desde o in\u00edcio da atual crise, nem reduziu em 40% os custos do trabalho, a cifra assustadora que demonstra o ponto a que chegaram as terapias de choque neoliberais.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-35782","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-original-languages"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35782","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35782"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35782\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35782"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35782"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35782"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}