{"id":37901,"date":"2013-12-30T12:00:28","date_gmt":"2013-12-30T12:00:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=37901"},"modified":"2015-05-05T22:20:09","modified_gmt":"2015-05-05T21:20:09","slug":"portugues-o-funesto-imperio-mundial-das-corporacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2013\/12\/portugues-o-funesto-imperio-mundial-das-corporacoes\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) O Funesto Imp\u00e9rio Mundial das Corpora\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>Os bons votos de um ano feliz s\u00e3o rituais. N\u00e3o passam de simples votos, pois n\u00e3o conseguem mudar o curso do mundo\u00a0 onde os super-poderosos\u00a0 seguem sua estrat\u00e9gia de domina\u00e7\u00e3o global. Sobre isso \u00e9 que precisamos pensar e at\u00e9 rezar pois as consequ\u00eancias econ\u00f4micas, sociais, culturais, espirituais e para o futuro da esp\u00e9cie e da natureza podem ser nefastas.<\/p>\n<p>Muitos como J. Stiglitz e P. Krugman esperavam que o legado da crise de 2008 seria um grande debate sobre que tipo de sociedade queremos construir. Erraram feio. A discuss\u00e3o n\u00e3o se deu. Ao contr\u00e1rio, a l\u00f3gica que provocou a crise foi retomada com mais furor. Richard\u00a0 Wilkinson, um dos maiores especialistas sobre o tema desigualdade\u00a0 foi mais atento e dissse, h\u00e1 tempos, nums entrevista ao jornal Die Zeit da Alemanha: \u201da quest\u00e3o fundamental \u00e9 esta: queremos ou n\u00e3o verdeiramente viver segundo o princ\u00edpio que o mais forte se apropria de quase tudo e o mais fraco \u00e9 deixado para tr\u00e1s?\u201d.<\/p>\n<p>Os super-ricos e super-poderosos decidiram que querem viver segundo o princ\u00edpio darwinista do mais forte e que se danem os mais fracos. Mas comenta Wilkinson: \u201ccreio que todos temos necessidade de uma maior coopera\u00e7\u00e3o e reciprocidade, pois as pessoas desejam uma maior igualdade social\u201d. Esse desejo \u00e9 intencionalmene negado por esses epul\u00f5es.<\/p>\n<p>Via de regra, a l\u00f3gica capitalista \u00e9 feroz: uma empresa engole a outra (eufemisticamente se diz que se fizeram fus\u00f5es). Quando se chega a um ponto em que s\u00f3 restam apenas algumas grandes, elas mudam a l\u00f3gica: ao inv\u00e9s de se guerrearem, fazem entre si uma alian\u00e7a de lobos e comportam-se mutuamente como\u00a0 cordeiros. Assim articuladas det\u00e9m mais poder, acumulam com mais certeza para si e para seus acionistas, desconsiderando totalmente o bem da sociedade.<\/p>\n<p>A influ\u00eancia pol\u00edtica e econ\u00f4mica que exercem sobre os governos, a maioria muito mais fracos que elas, \u00e9 extremamente constrangedor, interferindo no pre\u00e7o das commodities, na redu\u00e7\u00e3o dos investimentos sociais, na sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, transporte e seguran\u00e7a. Os milhares que ocupam as ruas no mundo e no Brasil intu\u00edram essa domina\u00e7\u00e3o de um novo tipo de imp\u00e9rio, feito sob o lema:\u201da gan\u00e2ncia \u00e9 boa\u201d (<i>greed is good<\/i>) e \u201cdevoremos o que pudermos devorar\u201d.<\/p>\n<p>H\u00e1 excelentes estudos sobre a domina\u00e7\u00e3o do mundo por parte das grandes corpora\u00e7\u00f5es multilaterais. Conhecido \u00e9 o de David Korten\u201dQuando as corpora\u00e7\u00f5es regem o mundo\u201d(<i>When the Corporations rule the World<\/i>). Mas fazia falta\u00a0 um estudo de s\u00edntese. Este foi feito pelo Instituto Sui\u00e7o de Pesquisa Tecnol\u00f3gica (ETH)\u201d em Zurique em 2011 que se conta entre os mais respeitados centros de pesquisa, competindo com MIT. O documento envolve grandes nomes, \u00e9 curto, n\u00e3o mais de 10 p\u00e1ginas e 26 sobre a metodologia para mostrar a total transpar\u00eancia dos resultados. Foi resumido pelo Prof. de economia da PUC-SP <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/dowbor.org\/\" title=\"Ladislau Dowbor\" >Ladislau Dowbor em seu site<\/a>. Baseamo-nos nele.<\/p>\n<p>Dentre as 30 milh\u00f5es de corpora\u00e7\u00f5es existentes, o Instituto selecionou 43 mil para estudar melhor a l\u00f3gica de seu funcionamento. O esquema simplificado se articula assim: h\u00e1 um pequeno n\u00facleo financeiro central que possui dois lados: de um,\u00a0 s\u00e3o as corpora\u00e7\u00f5es que comp\u00f5e o n\u00facleo e do outro, aquelas que s\u00e3o controladas por ele. Tal articula\u00e7\u00e3o cria uma rede de controle corporativo global. Essse pequeno n\u00facleo (core) constitui uma super-entidade(super entity). Dele emanam os controles em rede, o que facilita a redu\u00e7\u00e3o dos custos, a prote\u00e7\u00e3o dos riscos, o aumento da confian\u00e7a e, o que \u00e9 principal, a defini\u00e7\u00e3o das linhas da economia global que devem ser fortalecidas e onde.<\/p>\n<p>Esse pequeno n\u00facleo, fundamentalmente de grandes bancos, det\u00e9m a maior parte das participa\u00e7\u00f5es nas outras corpora\u00e7\u00f5es. O topo controla 80% de toda rede de corpora\u00e7\u00f5es. S\u00e3o apenas 737 atores, presentes em 147 grandes empresas. Ai est\u00e3o o Deutsche Bank, o J.P. Morgan Chase, o UBS, o Santander, o Goldes Sachs, o BNP Paribas entre outros tantos. No final menos de 1% das empresas controla 40% de toda rede.<\/p>\n<p>Este fato nos permite entender agora a indigna\u00e7\u00e3o dos Occupies\u00a0 e de outros que acusam que 1% das empresas faz o que quer com os recursos suados de 99% da popula\u00e7\u00e3o. Eles n\u00e3o trabalham e nada produzem. Apenas fazem mais dinheiro com dinheiro lan\u00e7ado no mercado da especula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Foi esta absurda voraciade de acumular ilimitadamente que gestou a crise sist\u00eamica de 2008. Esta l\u00f3gica aprofunda cada vez mais a desigualdade e torna mais dif\u00edcil a sa\u00edda da crise. Quanto de desumanidade aquenta o est\u00f4mago dos povos? Pois tudo tem seu limite nem a economia \u00e9 tudo. Mas agora nos \u00e9 dado ver as entranhas do monstro. Como diz Dowbor: \u201dA verdade \u00e9 que temos ignorado o elefante que est\u00e1 no centro da sala\u201d.\u00a0 Ele est\u00e1 quebrando tudo, critais, lou\u00e7as e pisoteando pessoas. Mas at\u00e9 quando? O senso \u00e9tico mundial nos assegura que uma sociedade n\u00e3o pode subsistir por muito tempo assentada sobre a super explora\u00e7\u00e3o, a mentira e a anti-vida.<\/p>\n<p>______________________<\/p>\n<p><i>Leonardo Boff<\/i><i> \u00e9 um te\u00f3logo brasileiro, escritor e professor universit\u00e1rio, expoente da <\/i><i><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Teologia_da_Liberta%C3%A7%C3%A3o\" title=\"Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o\" >Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o<\/a><\/i><i> no Brasil. Foi membro da Ordem dos Frades Menores, mais conhecidos como Franciscanos. \u00c9 respeitado pela sua hist\u00f3ria de defesa pelas causas sociais e atualmente debate tamb\u00e9m quest\u00f5es ambientais.<\/i><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.cartamaior.com.br\/?\/Coluna\/O-funesto-imperio-mundial-das-corporacoes\/29872\" >Go to Original \u2013 cartamaior.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muitos como J. Stiglitz e P. 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