{"id":38299,"date":"2014-01-13T12:00:54","date_gmt":"2014-01-13T12:00:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=38299"},"modified":"2015-05-05T22:20:06","modified_gmt":"2015-05-05T21:20:06","slug":"portugues-paradigma-mecanicista-versus-paradigma-organicista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2014\/01\/portugues-paradigma-mecanicista-versus-paradigma-organicista\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) Paradigma Mecanicista versus Paradigma Organicista"},"content":{"rendered":"<p><i>Natureza: um novo agente revolucion\u00e1rio. Por Arthur Soffiati -ecohistoriador e ambientalista.<\/i><\/p>\n<p>No final da vida, Michel Foucault ministrou um curso no Coll\u00e8ge de France manifestando simpatia pelo neoliberalismo. Como anarquista, Foucault vislumbrou no neoliberalismo uma arma de destrui\u00e7\u00e3o do Estado. Na verdade, o neoliberalismo enfraquece o Estado e o transforma em instrumento para seus objetivos.<\/p>\n<p>A crise econ\u00f4mica, social e ambiental \u00e9 atualmente, responsabilidade dele. Por este prisma, o neoliberalismo n\u00e3o \u00e9 o agente revolucion\u00e1rio da atualidade, a menos que se considere seu poder de fabricar crises econ\u00f4micas, mis\u00e9ria social e devasta\u00e7\u00e3o ambiental que levar\u00e3o \u00e0 sua destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Zygmunt Bauman, St\u00e9phane Hessel e Edgar Morin acreditam ser poss\u00edvel exercer controle sobre o capitalismo. O Estado e a sociedade seriam as inst\u00e2ncias controladoras, estabelecendo limites ao lucro, promovendo justi\u00e7a social e protegendo o ambiente. N\u00e3o que eles acreditem no capitalismo. A bem dizer, os tr\u00eas e outros mais percebem que o capitalismo n\u00e3o pode ser superado no momento presente. Morin concebe um Estado forte no plano interno, mas que reduz sua soberania em prol de uma organiza\u00e7\u00e3o mundial, como a ONU, por exemplo. Pelo menos, os tr\u00eas n\u00e3o se posicionaram como Mao-tse Tung, que, depois de levar milhares de pessoas \u00e0 morte em duas revolu\u00e7\u00f5es contra o capitalismo, concluiu que este ainda n\u00e3o poderia ser destru\u00eddo.<\/p>\n<p>Ex-marxista, mas com posi\u00e7\u00f5es de esquerda, como Edgar Morin, Immanuel Wallerstein prev\u00ea o fim do capitalismo, devorado em suas contradi\u00e7\u00f5es internas em prazo m\u00e9dio. Ele toma o cuidado de n\u00e3o definir como ser\u00e1 o sistema sucessor do capitalismo. Assim, o agente destruidor ser\u00e3o as sucessivas crises do modo de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Entre os marxistas &#8211; ortodoxos ou n\u00e3o &#8211; h\u00e1 posturas as mais diversas. Existem os que continuam acreditando na classe oper\u00e1ria como sujeito revolucion\u00e1rio, apesar da fal\u00eancia de todas as experi\u00eancias socialistas. H\u00e1 os que assumem o marxismo solitariamente, como forma de resist\u00eancia pessoal ao capitalismo. H\u00e1 os que afirmam a grande influ\u00eancia do marxismo na atualidade. Em entrevista concedida \u00e0 &#8220;<i>Folha de S\u00e3o Paulo<\/i>&#8221; de 17\/11\/2013, o fil\u00f3sofo marxista Istv\u00e1n M\u00e9sz\u00e1ros, com raz\u00e3o, acusa o capitalismo de produzir crises que geram desemprego, aumentam o n\u00famero de miser\u00e1veis e agridem o planeta. Ao que parece, a natureza \u00e9, para ele, um palco violado pelo capital. Mas, apesar da atualidade do marxismo, M\u00e9sz\u00e1ros n\u00e3o esclarece quem ser\u00e1 o sujeito revolucion\u00e1rio transformador.<\/p>\n<p>Michael L\u00f6wy, pensador marxista nascido no Brasil e radicado na Fran\u00e7a, formulou o ecossocialismo, projeto excelente. Mas quem ser\u00e1 o sujeito a viabiliz\u00e1-lo? Certamente, as classes sociais desfavorecidas. Por outro lado, o fil\u00f3sofo marxista esloveno Slavoj Zizek v\u00ea a grande massa de miser\u00e1veis do mundo como potenciais agentes da revolu\u00e7\u00e3o socialista, contando com o apoio de pequenos empres\u00e1rios e de intelectuais comprometidos com a causa da transforma\u00e7\u00e3o. Ao mesmo tempo, contudo, reconhece que os miser\u00e1veis tendem a se converter \u00e0s igrejas evang\u00e9licas ou a cair na criminalidade.<\/p>\n<p>Neste breve panorama, que n\u00e3o pretende ser exaustivo, o &#8220;Homem&#8221;, sempre ele, \u00e9 o \u00fanico animal capaz de transformar o mundo. Examinando a hist\u00f3ria do Universo, assumo uma atitude humilde. H\u00e1 for\u00e7as naturais com enorme capacidade de transforma\u00e7\u00e3o. Foram eventos naturais que provocaram as maiores crises ambientais enfrentadas pela Terra, antes que o &#8220;Homem&#8221; andasse sobre ela. Num ponto, concordo que o &#8220;Homem&#8221; \u00e9 capaz de produzir grandes transforma\u00e7\u00f5es. Desde a primeira revolu\u00e7\u00e3o industrial, ele vem agredindo a humanidade e a natureza de forma nunca vista antes.<\/p>\n<p>Na mitologia grega, Pandora foi a primeira mulher. Ela se casou com Epimeteu, que ganhou dos deuses uma caixa mantida sempre fechada. Ela encerrava todos os males do mundo. Mesmo com a forte recomenda\u00e7\u00e3o de nunca abrir a caixa, Pandora n\u00e3o resistiu \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de conhecer seu conte\u00fado e desrespeitou o marido, assim como Eva desrespeitou a ordem de Deus. Desse modo, nasceram todos os males do mundo. Dentro da caixa, ficou apenas a esperan\u00e7a. A par\u00e1bola se aplica perfeitamente aos sistemas capitalista e socialista p\u00f3s-revolu\u00e7\u00e3o industrial. A diferen\u00e7a \u00e9 que, agora, nem a esperan\u00e7a restou. Os &#8220;Homens&#8221;\u00a0 perderam o controle sobre sua obra. Se existe esperan\u00e7a de transforma\u00e7\u00e3o, ela passou \u00e0s m\u00e3os das for\u00e7as irracionais da natureza, ampliadas de forma imprevis\u00edvel pelas a\u00e7\u00f5es humanas.<\/p>\n<p>A natureza enfurecida, mas n\u00e3o vingativa, destruir\u00e1 estruturas, causar\u00e1 muitas mortes, mas n\u00e3o extinguir\u00e1 a esp\u00e9cie humana. Depois de tudo, os sobreviventes talvez consigam criar uma civiliza\u00e7\u00e3o social e ecologicamente sustentada.<\/p>\n<p>_____________________________<\/p>\n<p><em>Timothy Bancroft-Hinchey &#8211; Editorialista do Pravda sediado em Washington, DC.<\/em><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/port.pravda.ru\/cplp\/brasil\/30-12-2013\/35932-paradigma_mecanista-0\/#\" >Go to Original \u2013 pravda.ru<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No final da vida, Michel Foucault ministrou um curso no Coll\u00e8ge de France manifestando simpatia pelo neoliberalismo. Como anarquista, Foucault vislumbrou no neoliberalismo uma arma de destrui\u00e7\u00e3o do Estado. Na verdade, o neoliberalismo enfraquece o Estado e o transforma em instrumento para seus objetivos. <\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-38299","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-original-languages"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38299","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=38299"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38299\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38299"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=38299"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=38299"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}