{"id":39206,"date":"2014-02-03T12:00:38","date_gmt":"2014-02-03T12:00:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=39206"},"modified":"2015-05-05T22:11:09","modified_gmt":"2015-05-05T21:11:09","slug":"portugues-a-america-latina-da-celac","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2014\/02\/portugues-a-america-latina-da-celac\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) A Am\u00e9rica Latina da Celac"},"content":{"rendered":"<p><i>N\u00e3o existe constru\u00e7\u00e3o p\u00f3s-neoliberal de Am\u00e9rica Latina s\u00f3 com projetos nacionais emancipadores e soberanos. A regi\u00e3o precisa de pol\u00edticas supranacionais. <\/i><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/celac-logo.jpg\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-39195\" alt=\"celac logo\" src=\"http:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/celac-logo.jpg\" width=\"225\" height=\"163\" \/><\/a>N\u00e3o faltou (quase) ningu\u00e9m em Havana para participar da II C\u00fapula da Comunidade de Estados Latinoamericanos e Caribenhos (Celac). O mundo, por meio de tr\u00eas institui\u00e7\u00f5es significativas, tamb\u00e9m n\u00e3o quis ficar de fora deste encontro hist\u00f3rico: Ban Ki-Moon (Na\u00e7\u00f5es Unidas), Jos\u00e9 Miguel Insulza (Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos, OEA) e Alicia B\u00e1rcenas (Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para Am\u00e9rica Latina, Cepal). Ningu\u00e9m pode negar este espa\u00e7o emergente na Am\u00e9rica Latina para Am\u00e9rica Latina e da Am\u00e9rica Latina, liderada apenas por latino-americanos.<\/p>\n<p>Poucos se lembrar\u00e3o da inesperada viagem que Ch\u00e1vez fez a Cuba em 1994, meses depois de cumprir pena na pris\u00e3o por seu levante militar. Essa visita a Cuba aconteceu depois de Ch\u00e1vez percorrer boa parte da regi\u00e3o sem ser notado (recebido apenas na Argentina; passou rapidamente pelo Uruguai e pelo Chile; e foi bem acolhido somente por um setor da esquerda colombiana). Fidel, surpreendentemente, foi esper\u00e1-lo no aeroporto, como um sinal de que esse novo l\u00edder n\u00e3o poderia deixar de ser atendido.<\/p>\n<p>Nessa conversa, Ch\u00e1vez, na contram\u00e3o da utopia neoliberal, argumentou sobre \u201ca necessidade da segunda indep\u00eandencia ancorada em um continente latino-americano e caribenho, integrado por uma s\u00f3 na\u00e7\u00e3o\u201d. E foi a isto que Rafael Correa, Cristina Kirchner, Evo Morales e Nicol\u00e1s Maduro se referiram vinte anos depois. A Am\u00e9rica Latina, com a Celac como bandeira, e n\u00e3o com a OEA, est\u00e1 mais desnorteamericanizada do que nunca. Uma condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria, embora n\u00e3o suficiente para uma descoloniza\u00e7\u00e3o integral.<\/p>\n<p>A C\u00fapula da Celac aconteceu em meio a uma mudan\u00e7a de \u00e9poca, na qual uma forte corrente p\u00f3s-neoliberal se imp\u00f5e em muitos pa\u00edses da regi\u00e3o. No entanto, n\u00e3o existe constru\u00e7\u00e3o p\u00f3s-neoliberal de Am\u00e9rica Latina somente com projetos nacionais emancipadores e soberanos.<\/p>\n<p>Nesta fase acelerada de globaliza\u00e7\u00e3o da economia, em plena transi\u00e7\u00e3o, a regi\u00e3o precisa de uma pol\u00edtica supranacional n\u00edtida e determinante. A press\u00e3o vinda do Norte \u00e9 permanente, conforme indica um informativo do Conselho Atl\u00e2ntico. \u201cO v\u00ednculo trilateral: Uma nova era para Am\u00e9rica Latina, Estados Unidos e Europa\u201d, que aposta em levar a regi\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o a um \u2018curral do Atl\u00e2ntico\u2019, tendo nas m\u00e3os tratados de livre com\u00e9rcio e tratados bilaterais de investimento, perpetuando um rol de subordina\u00e7\u00e3o no sistema produtivo.<\/p>\n<p>Para isso, para sair desse \u201cabra\u00e7o do urso\u201d vindo do Norte, o Sul requer uma din\u00e2mica regional sem divis\u00f5es em assuntos estrat\u00e9gicos que estabele\u00e7am linhas vermelhas imposs\u00edveis de serem desfeitas. N\u00e3o se trata somente de colocar limites que evitem os saques, mas tamb\u00e9m \u00e9 chegada a hora de viver a d\u00e9cada seguinte \u00e0 d\u00e9cada ganha.<\/p>\n<p>Esta tarefa n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil, e a Celac sinalizou esta preocupa\u00e7\u00e3o. Tra\u00e7aram novos desafios buscando construir definitivamente uma regi\u00e3o livre da pobreza. Esse tem sido um eixo fundamental nesta c\u00fapula mas, como? Esta pergunta tampouco ficou descuidada nesta reuni\u00e3o. A centralidade esteve, precisamente, na complementariedade produtiva, com o objetivo de formar c\u00edrculos virtuosos end\u00f3genos que dividam equitativamente o valor agregado. As novas cadeias de valor ser\u00e3o regionais, mas n\u00e3o a servi\u00e7o das empresas translatinas. Outro aspecto de urg\u00eancia \u00e9 organizar de maneira mais eficaz o excesso de processos de integra\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil estabelecer um grande guarda-chuva continental que abrigue tantos interesses contradit\u00f3rios. N\u00e3o ser\u00e1 simples harmonizar os objetivos que cada governo estabeleceu, sem que existam disputas. Mas h\u00e1 algo que est\u00e1 muito claro e que mostra a maturidade neste projeto emancipador: a consci\u00eancia de que estas disputas existem, que est\u00e3o colocadas e que \u00e9 preciso enfrent\u00e1-las o quanto antes. Muitos encontros fracassaram justamente por interpretarem que qualquer desacordo \u00e9 um freio para o avan\u00e7o, o que levou in\u00fameras c\u00fapulas a chegar a um consenso sobre uma esp\u00e9cie de conjunto vazio.<\/p>\n<p>Desta forma, a Celac, com a Am\u00e9rica Central mais o M\u00e9xico, tem uma nova oportunidade para reconstruir a passagem do furac\u00e3o do Pac\u00edfico pela Unasul, e estabelecer mecanismos eficazes para tomar decis\u00f5es, para reagir conjuntamente se viola\u00e7\u00f5es do direito internacional voltarem a acontecer (como aconteceu com Evo Morales na Europa) ou se houver mais espionagem vinda do Norte.<\/p>\n<p>A Celac se constitui, assim, uma nova superestrutura que tem como desafio aprender com os erros das integra\u00e7\u00e3o fracassadas \u2013como a Uni\u00e3o Europeia\u2013, e avan\u00e7ar em dire\u00e7\u00e3o a um novo espa\u00e7o regional que seja uma zona de paz, democracia e justi\u00e7a social. Fidel Castro, h\u00e1 duas d\u00e9cadas, na reuni\u00e3o geradora desta nova comunidade regional, falou em latinoamericania. Esta \u00e9 a grande conclus\u00e3o do que aconteceu nesses dias na mesma Havana onde Ch\u00e1vez, naquele encontro com o l\u00edder cubano, estava esperan\u00e7oso: \u201cAlgum dia esperamos vir a Cuba em condi\u00e7\u00f5es de estender os bra\u00e7os e em condi\u00e7\u00f5es de, mutuamente, nos alimentar em um projeto revolucion\u00e1rio latino-americano na ideia de um novo continente integrado\u201d.<\/p>\n<p>__________________________<\/p>\n<p><i>Alfredo Serrano Mancilla: \u00a0Doutor em Economia, Centro Estrat\u00e9gico Latino-americano Geopol\u00edtico (Celag).<\/i><\/p>\n<p><i>Artigo publicado na se\u00e7\u00e3o de opini\u00e3o do jornal argentino P\u00e1gina 12 <\/i><i><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.pagina12.com.ar\" >www.pagina12.com.ar<\/a><\/i><i><\/i><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.cartamaior.com.br\/?\/Editoria\/Internacional\/A-America-Latina-da-Celac\/6\/30159\" >Go to Original \u2013 cartamaior.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o faltou (quase) ningu\u00e9m em Havana para participar da II C\u00fapula da Comunidade de Estados Latinoamericanos e Caribenhos (Celac). 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